Droga marginal, INVENCÍVEL, droga intelectual, científica

Vivendo em qualquer lugar, no Brasil ou no exterior, é impossível desligar da droga ou pelo menos do seu conhecimento. Quando fui diretor da revista Manchete, (que ia fechar) juntei um grupo de jovens que em menos de 1 ano transformou a Manchete na maior revista do Brasil.

Entre esses jovens, o excelente poeta Paulo Mendes Campos, que fazia experiência com LSD, imitando Aldous Huxley. Paulinho insistia comigo para fazer a experiência, me dizia: Helio, é uma viagem maravilhosa, você volta quando quiser, não cria a menor dependência”. E na verdade o poeta jamais se atrelou a outras drogas, terminada a “viagem-experiência”, fez o trabalho a que se obrigava e pronto.

Não tinha nem tive a coragem do Paulinho, embora trabalhássemos juntos por dois anos. Todos os que levei para Manchete, desconhecidos, se consagraram pelos próprios méritos e talentos. Dos que levei, o único que já tinha “nome e sobrenome”, era Rubem Braga. Dei a ele duas páginas, (“Duas páginas de Rubem Braga”) atração da revista. Todos passaram a “atrações”, o Carlinhos de Oliveira, que morreu muito moço, começou lá, com 17 anos.

Quanto à “droga marginal”, é uma tragédia, que veio para ficar. O presidente Ronald Reagan gastou 300 BILHÕES DE DÓLARES (ainda não havia começado a Era do TRILHÃO, não para os marginais do vício e sim para os marginais dos “mercados”, estes, VICIADOS EM LUCROS), para acabar com o comércio, contrabando e consumo da droga.

Os EUA eram e continuam sendo, o maior mercado consumidor de todas as drogas. Reagan não obteve o menor sucesso, ou melhor, o que aconteceu foi um retrocesso. Os grandes contrabandistas, que eram naturalmente os maiores fornecedores, se consolidaram. Expulsaram os pequenos vendedores “de esquina”, ficaram donos exclusivos de todo o mercado.

E como acontece, criaram o MONOPÓLIO das drogas. Primeira providência de todos os MONOPOLISTAS: aumentaram os preços. E os que precisam da droga, (até mesmo medicamente, como foi reconhecido cientificamente) tinham de fazer malabarismo para arranjar mais dinheiro e pagar a droga INDISPENSÁVEL.

Esse sistema continua nos EUA, principalmente nas grandes cidades. São agradecidos a Reagan, um canastrão como ator, e delator, desempregando (e até levando à prisão) centenas ou milhares de intelectuais. Mas isso é outra história.

No Rio, as favelas surgiram por volta dos anos 40 e 50, unicamente pela falta de transporte coletivo. Como muitos moravam no interior e trabalhavam no Rio capital (então Distrito Federal), levavam duas horas para ir de casa ao trabalho e outras duas na volta. Olhavam aqueles morros vazios e sedutores no caminho, decidiram: plantavam um barracão, passavam a economizar tempo e dinheiro das passagens.

Os governantes não perceberam nem se incomodaram, cuidaram apenas de chamar de FAVELA. (Era o nome do morro, onde três quartas partes do Exército montaram os canhões para destruir Antonio Conselheiro). Logo os poucos barracos foram aumentando e dominando, aparentemente seguindo o princípio bíblico, do “amai-vos uns aos outros, crescei e multiplicai-vos”.

No meio dos anos 60 quase chegando aos 70, Lacerda e Negrão de Lima tomaram conhecimento do fato, por causa disto: as favelas deixaram os morros suburbanos, passavam a se instalar perto do Country, Jóquei Clube, Hípica, Paissandu, isto era insuportável. Uma delas chegou até ali, na chamada Praia do Pinto, foi remanejada para a Vila Kennedy. No lugar dela, surgiu a “Selva de Pedra”, na época ocupada pela classe média ALTÍSSIMA, que hoje não existe.

Poluíam apenas visualmente, iam ocupando todos os morros, o que fazer? (Quando a FEB chegou da Itália, 1944, 800 mil pessoas estavam no centro da cidade, quase metade da população da capital). Cresceu desordenadamente, sem plano e sem responsabilidade, não perceberam a chegada da droga. Primeiro timidamente, depois apressadamente, hoje avassaladoramente. E veio pra ficar.

Por vários motivos. 1- Os que moravam lá, pacificamente, foram dizimados. 2- O movimento de dinheiro, espantoso e não contabilizável. 3- É impossível dar Poder de combate e fiscalização a pessoas que ganham miseravelmente. 4- Então, o que se chama de corrupção, que domina os altos escalões da República, se transferiu para os morros.

5- Os governantes de todos os escalões, (federal, estadual e municipal) chamaram a esses traficantes de “PODER PARALELO”, e não examinaram mais nada. 6- O dinheiro que circulava era tão ASSOMBROSAMENTE ALTO, que seduzia a todos. 7- Surgiram então o que se chamou de FACÇÕES que lutavam entre elas, que se matavam absurdamente, talvez por mais um pouco de dinheiro.

8- Isso era incompreensível e mesmo inimaginável, pela constatação: esses traficantes morriam antes dos 30 anos e às vezes nem isso ou então eram presos para o resto da vida. 9- Não viviam em palacetes, não tinham existência faustosa, não usavam o dinheiro que arrecadavam de forma INACREDITÁVEL, INEXPLICÁVEL E INCOMPREENSÍVEL.

10- O negócio era tão sedutor ou fascinante, que as criminosas MILÍCIAS, que agiam no interior, vieram para o centro do Rio. 11- E tiveram, pelo menos virtualmente, a proteção do inócuo, inútil e ingênuo (?) Sérgio Cabral. 12- Afirmou logo, publicamente: “Com o Panamericano essas milícias garantirão a segurança”. 13- E chegando de mais uma viagem exatamente no momento em que os bandidos derrubavam até helicópteros, disse na televisão: “Isso não se entende, logo agora que os MORROS ESTÃO PACIFICADOS, e o governo controla as coisas”.

* * *

PS- Evidentemente não há PACIFICAÇÃO à vista nem a prazo. São 1.020 favelas, digamos que 10 estejam PACIFICADAS, usemos os termos tão CAROS ao governador. E cheguemos à conclusão: 10 favelas num total de mil, exatamente 1 POR CENTO.

PS2- Vou terminar, coisa que o governador, o prefeito e o próprio Presidente, não podem fazer, pois combatem errada e equivocamente. Dessa forma, querendo COMPRAR ARMAS MAIS PODEROSAS DO QUE A DOS TRAFICANTES E MILICIANOS, só conseguirão transformar as batalhas em guerras permanentes. Não têm plano nem sabem como agir. Tragédia grega em plena cidade que se imagina OLÍMPICA.

Amanhã, domingo

Lula usou METÁFORA complicada, nem Dom Barbosa, presidente da CNBB, entendeu. E como falou sem saber o que falava, desperdiçou a cultura e não conseguiu “fiéis”, que Bento XVI deseja tanto conquistar.

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