Durante discurso na Assembleia Legislativa, Witzel diz ser “linchado politicamente, sem direito a defesa”

Alerj deu prosseguimento ao processo de impeachment por unanimidade

Sarah Teófilo
Correio Braziliense

Ao fazer a própria defesa no processo de impeachment na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o governador Wilson Witzel (PSC) disse estar sendo vítima de injustiças e afirmou que, se ele é responsável por algum problema na área da Saúde, todos os deputados também o são por terem sido omissos. “Algo absolutamente injusto. Não tive chance de falar nem na Assembleia, nem nos tribunais. Estou sendo linchado politicamente, sem direito a defesa”, protestou Witzel.

Como já era previsto, o que foi inclusive pontuado por Witzel, a Alerj deu prosseguimento ao processo de impeachment por unanimidade. Agora, os deputados deverão escolher cinco parlamentares para integrar um tribunal misto com cinco desembargadores, que irão julgar o processo de afastamento.

AFASTAMENTO – Depois da formação desta comissão, o governador é afastado por 180 dias — ainda que já o esteja pelo Superior Tribunal de Justiça —, e o rito passa a ser comandado pelo Tribunal de Justiça. Witzel citou, logo no início do discurso de 60 minutos, Tiradentes, um dos líderes da Inconfidência Mineira e que recebeu pena de morte.

“Tiradentes, que foi delatado, que foi vendido, morreu enforcado e teve partes do seu corpo expostas em praça pública para servir de exemplo à tirania. A tirania escolhe suas vítimas e as expõe para que outros não mais se atrevam”, afirmou o governador afastado. Em seguida, evocou Jesus Cristo, dizendo que este também foi delatado e vendido pelos seus apóstolos.

A abertura foi seguida por ataques aos parlamentares. Ao comentar as denúncias às quais responde de fraudes na área da Saúde, Witzel atacou o delator, o ex-secretário de Saúde Edmar Santos, chamando-o de “bandido”. Witzel disse que foi enganado pelo ex-secretário. “Quantos se sentaram comigo para discutir sobre o governo? As portas estavam abertas. Se eu fui omisso, todos os senhores e senhoras também foram omissos”, bradou.

ORGANIZAÇÕES SOCIAIS – O governador afastado falou isso em outros momentos de sua defesa, dizendo que os deputados deveriam ter investigado as Organizações Sociais (OSs) que foram apontadas no esquema no qual ele foi denunciado. “Os senhores também são omissos pelo trabalho que deveriam fazer. E agora, por unanimidade, querem me acusar de crime de responsabilidade. Então, todos devemos fazer a nossa mea-culpa”, afirmou.

E foi além: “Renunciamos todos e fazemos uma eleição para deputados e para governador, porque todos fomos omissos. Não queiram colocar só nos meus ombros a responsabilidade”, disse. Witzel pediu para que os parlamentares deixassem que ele fosse julgado antes pelo STJ, onde foi denunciado.

“Esperem o STJ. Me deem a oportunidade de governar o estado e os senhores façam os seus trabalhos, porque eu nunca deixei de abrir a porta. Investiguem, abram CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). Agora, todos nós precisamos pagar o preço da nossa omissão e corrigir os erros”, ressaltou. O governador afastado chegou a falar no impeachment de Dilma Rousseff (PT), dizendo que a esquerda brasileira até hoje diz que a ex-presidente sofreu um golpe, mas que não ouviu nenhuma palavra da esquerda em sua defesa.

PODER DA TOGA – O governador frisou que se quisesse receber por decisões, como a investigação aponta no caso da requalificação da OS Instituto Unir Saúde (que estava desqualificada por descumprimento de contrato mas foi reabilitada pelo governador), ele teria permanecido na magistratura. “Eu tive o poder da toga e decidi pela cidadania”, afirmou.

Apesar de falar que não vislumbrava um cenário em que conseguiria vitória, Witzel apelou para o lado emocional. Falou por mais de uma vez na sua mãe, que era empregada doméstica, e no seu pai, metalúrgico. “Minha mãe hoje chora pelo que está acontecendo comigo. Eu deixei uma magistratura de 17 anos ilibada. Encontrem uma sentença vendida”, disse.

O governador afirmou que sua mãe trabalhava para sustentar os filhos, quando o seu pai adoeceu, e que quem cuidava dele e de seus irmãos era a sua irmã mais velha. “Às vezes, era arroz e ovo. Passei por muitas dificuldades”, disse. Ao se defender de afirmações de parlamentares em relação a um radicalismo de sua parte (principalmente pela frase dita em 2018, de que os policiais iriam mirar na cabeça de bandidos com fuzil), Witzel se emocionou ao dizer que rejeita a intolerância, citando que tem um filho em casa que sofre com isso – o governador tem um filho transsexual.

DENÚNCIA – O pedido de impeachment contra Witzel é baseado em investigações do Ministério Público Federal (MPF) que apontaram suspeitas de corrupção supostamente cometidas na área da Saúde. A denúncia falou em uma “sofisticada organização criminosa” no âmbito do governo do estado “encabeçada pelo governador”.

O esquema usaria o escritório da primeira-dama, Helena Witzel, para lavagem de dinheiro. Um dos delatores é o ex-secretário de Saúde, Edmar Santos, que aponta que Witzel teria recebido propina de empresas ligadas ao esquema.

6 thoughts on “Durante discurso na Assembleia Legislativa, Witzel diz ser “linchado politicamente, sem direito a defesa”

  1. CLÁUDIO CASTRO MANTÉM COMO PRESIDENTE DE FUNDAÇÃO EX-FUNCIONÁRIA DE OS DE MÁRIO PEIXOTO

    Por Athos Moura 18/09/2020 • 17:25

    O governador interino do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, mantém como presidente da Fundação Leão XIII — instituição responsável por ações sociais — uma ex-funcionária da organização social Unir Saúde, que segundo o MPF, pertence ao empresário Mário Peixoto.

    https://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/claudio-castro-mantem-como-presidente-de-fundacao-ex-funcionaria-de-os-de-mario-peixoto.html

  2. Em suma, Wilson Witzel sai do governo por impeachment, mas a quadrilha da Unir Saúde dirigida por Mario Peixoto (hoje preso), que é ativa desde o governo de Sérgio Cabral e continuou com Wilson Witzel , continuará a achacar o erário público do Estado do Rio, por meio de corrupção, no governo interino de Cláudio Castro. Cláudio Castro foi escolhido por Wilson Witzel como seu candidato (vencedor) a vice-governador, Cláudio Castro foi indicado por Mário Peixoto, para continuar seu esquema de desvio de dinheiro público e com a corrupção por superfaturamento e distribuição de propinas tanto ao governador interino quanto a funcionários corruptos do governo do Estado. Estes bandidos não dão ponto sem nó, mesmo estando na prisão. Dentro em breve, Mário Peixoto conseguirá um Habeas Corpus e continuará livre como um urubu no lixo.

  3. Boa tarde , leitores (as):

    Senhora Sarah Teófilo ( Correio Braziliense ) , Senhores Carlos Newton e Marcelo Copelli vejam quanta contradição e canalhice , o Governador do RJ Wilson Witzel (PSC) foi afastado sumariamente do cargo sem literalmente ter direito á defesa por membros do poder judiciário do RJ notóriamente corruptos , mesmo estando sob investigação e não existindo provas concretas e palpáveis contra ele , ao contrário de seu vice que já tem até sentenças contra ele , com o agravante de ser acusado por uma procuradora que tentou se apropriar de documentos sigilosos indevidamente da operação lava-jato , e por um tribunal que tem vários de seus membros envolvidos em inúmeras falcatruas , juntamente com os deputados do RJ com sua maioria criminosos atuando como juízes .

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