É mais fácil entender o ladrão do que o magistrado que o liberta

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Charge do Tacho (Jornal NH)

Percival Puggina

No último dia 2 de novembro, durante um show em Brasília, prenderam um homem com 29 celulares roubados. Carregava os objetos até dentro da cueca. Lavrado o flagrante, foi levado à presença de um juiz para audiência de custódia. O meritíssimo impôs fiança no valor de um salário mínimo e o devolveu às ruas para aguardar julgamento. Não duvido que à noite, ao repassar mentalmente sua atividade, o juiz se tenha considerado bom, justo e magnânimo. “Afinal, eram apenas bens materiais…”, talvez tenha pensado.

No entanto, desconsiderou: 1º) a segurança da sociedade que lhe paga os subsídios; 2º) as futuras vítimas das ações criminosas daquele meliante; 3º) a sensação de impunidade que, no mundo do crime, se inclui entre as mais eficazes causas da perpetuação desses mesmos atos; 4º) o crescente desrespeito, entre nós, ao direito de propriedade.

CRIMES COMUNS – Em vista do grande número e da frequência com que se verificam, são os crimes contra o patrimônio os que mais contribuem para o que deveríamos designar como real percepção da população sobre sua insegurança. Afinal, estamos falando de milhões de eventos anuais.

Os latrocínios são os crimes que mais apavoram a população. Embora, na prática, os 2.514 casos ocorridos em 2016 representem apenas 4% dos homicídios, eles são uma ameaça presente em centenas de milhares de ações. Todo crime contra o patrimônio em saída de banco, estacionamento, porta de garagem, estabelecimento comercial aberto ao público é praticado sob a ameaça do gatilho ou da lâmina da faca, exibidos ou insinuados. Eis o grande terror. E a sociedade pressente que eventos dessa natureza podem acontecer a qualquer momento porque o número de ladrões em operação no país assumiu proporções demográficas.

DESRESPEITO – Como chegamos a essa situação? Por um imprudente e ostensivo desrespeito legislativo, político e judicial ao direito de propriedade. Se quisermos restabelecer o respeito à lei, a ordem pública e a segurança da população, é importante recolocá-lo no devido lugar. O direito de propriedade não é uma coisa qualquer. Somente insidiosos motivos ideológicos podem explicar o crescente descaso para com ele dentro das nossas instituições.

Ao privar alguém de algo, o ladrão está tomando produto do trabalho, meio de vida, material de estudo, conhecimento adquirido e rompendo gravemente a ordem! Quando a Justiça trata como irrelevantes os crimes contra o patrimônio está, simultaneamente, servindo injustiça aos cidadãos de bem e alimentando com liberdade de ação a cadeia produtiva do crime.

Por maligna que seja a ação do meliante, ele me é mais compreensível do que o juiz. Mais difícil ainda é entender aqueles tantos que, apenas por motivos ideológicos, não sendo uma coisa nem outra, defendem a ambos: o ladrão que vive dos bens alheios e o juiz que o devolve às ruas.

9 thoughts on “É mais fácil entender o ladrão do que o magistrado que o liberta

  1. O Direito se tornou cúmplice da falência da ética. O direito a ampla defesa extrapolou os limites, premiando aqueles que ultrapassam a sua liberdade, invadindo a liberdade do ofendido. Não existe mais reparação, nem a garantia dos direitos por parte do Estado, que se tornou o mestre em romper as Leis. A sociedade brasileira está como que bombardeada estruturalmente, em finos alicerces, pronta a ruir.

  2. Muito bom!
    Percival, é estranho aceitar esta posição do magistrado …confesso que não imagino o que eles pensam. Mas nós reles mortais é quem pagamos a conta.

    • Sr. Aquino,

      O Sr. Puggina está dormindo no “Mundo da Fantasia Hollywoodyana do Parlamentarismo”…
      Quando acordar vai ser tarde.
      O Comandante do Páis já está em todos os Estados Brasileiros…

  3. Para esses “togados” que libertam Traidores e Ladrões do Povo Brasileiro, hoje, na Liturgia Diária Católica, temos a Leitura do Livro da Sabedoria que é um recado grandioso para esses “falsos deuses” e destruidores da esperança e futuro de um povo e de uma Nação, a grande resposta de Deus a essa gente sem sentido, forma ou conteúdo., e que Dra. Carmem leia isso, caso ainda haja Amor ao Brasil, em uma daquelas sessões do STF onde o Brasil e seu povo são empurrados para o atraso e desordem social, além da econômica, e financeira, onde o interesse público morre de inanição infringente……..

    Primeira Leitura (Sb 6,1-11)

    Leitura do Livro da Sabedoria.

    1Escutai, ó reis, e compreendei. Instruí-vos, governadores dos confins da terra! 2Prestai atenção, vós que dominais as multidões e vos orgulhais do número de vossos súditos. 3Pois o poder vos foi dado pelo Senhor e a soberania, pelo Altíssimo.

    É ele quem examinará as vossas obras e sondará as vossas intenções;4apesar de estardes a serviço do seu reino, não julgastes com retidão, nem observastes a Lei, nem procedestes conforme a vontade de Deus. 5Por isso, ele cairá de repente sobre vós, de modo terrível, porque um julgamento implacável será feito sobre os poderosos.

    6O pequeno pode ser perdoado por misericórdia, mas os poderosos serão examinados com poder. 7O Senhor de todos não recuará diante de ninguém nem se deixará impressionar pela grandeza, porque o pequeno e o grande, foi ele quem os fez, e a sua providência é a mesma para com todos; 8mas para os poderosos, o julgamento será severo.

    9A vós, pois, governantes, dirigem-se as minhas palavras, para que aprendais a Sabedoria e não venhais a tropeçar. 10Os que observam fielmente as coisas santas serão justificados; e os que as aprenderem vão encontrar sua defesa. 11Portanto, desejai ardentemente minhas palavras, amai-as e sereis instruídos.

    – Palavra do Senhor.

    – Graças a Deus.

  4. Esse mal não é só do juiz que solta – é também das autoridades que poderiam mudar as leis.
    Vejam o absurdo que é o STF onde certos juízes se orgulham em libertar corruptos de estimação, como foi o caso do tal de Barata do Rio. Seu Gilmar está solto e pronto para afrontar a lei novamente sem qualquer penalidade.
    A solução talvez esteja na intervenção armada, mas quem vai penduradar o guizo no pescoço do gato? Não o general, que mal pode andar, além de não demonstrar vontade nenhuma de mudar o status quo.

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