E Mário Quintana criou um poema triste inspirado na tristeza dos outros

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Resultado de imagem para mário quintana frasesPaulo Peres        Site Poemas & Canções
O jornalista, tradutor e poeta gaúcho Mário de Miranda Quintana (1906-1994), no poema “Eu Escrevi um Poema Triste”, afirma tê-lo feito apenas com a tristeza de uma outra pessoa.

EU ESCREVI UM POEMA TRISTE

Mário Quintana

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza…
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel…
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves…
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!       

8 thoughts on “E Mário Quintana criou um poema triste inspirado na tristeza dos outros

  1. A Rua dos Cataventos, de Mario Quintana

    Da vez primeira em que me assassinaram

    Perdi um jeito de sorrir que eu tinha…

    Depois de cada vez que me mataram,

    Foram levando qualquer coisa minha…

    E hoje dos meus cadáveres eu sou

    O mais desnudo, o que não tem mais nada…

    Arde um toco de vela amarelada…

    Como o único bem que me ficou.

    Vinde, corvos, chacais, ladrões de estrada!

    Ah! Desta mão, avaramente adunca,

    Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada.

    Aves da noite! Asas de horror! Voejai!

    Que luz, trêmula e triste como um ai,

    A luz do morto não se apaga nunca.

    Sempre bom demais ler Mário Quintana

  2. O poeta tentou por três vezes uma vaga à Academia Brasileira de Letras, mas em nenhuma das ocasiões foi eleito; as razões eleitorais da instituição não lhe permitiram alcançar os vinte votos necessários para ter direito a uma cadeira. Ao ser convidado a candidatar-se uma quarta vez, e mesmo com a promessa de unanimidade em torno de seu nome, o poeta recusou dizendo: ‘Só atrapalha a criatividade. O camarada lá vive sob pressões para dar voto, discurso para celebridades. É pena que a casa fundada por Machado de Assis esteja hoje tão politizada. Só dá ministro’.

    Li no FACE do grande Hélio Fernandes que para a vaga deixada por Carlos Heitor Cony. levantaram os nomes de Chico Buarque e Caetano Veloso. Amo “os olhos azuis verdes do mar”, mas acho que existem outros com obras literárias significantes como Affonso Romano de Sant’Anna, Marina Colasanti, Marta Medeiros, Adélia Prado, Lya Luft, os Nejars (pai e filho)
    Ao responder a uma entrevista sobre o assunto, Adélia.assim se pronunciou:
    – Por falar nisso, o que acha da Academia Brasileira de Letras? Qual é o seu sentido nos dias de hoje?

    Adélia: Eu não sei, porque a Academia acolhe pessoas que não são do meio literário. E ela é uma academia de letras! Quando eu vejo as pessoas se comendo umas às outras para ocupar a vaga do morto, eu acho aquilo uma tristeza, um sarcófago.

  3. “Eu escrevi um poema triste
    E belo, apenas da sua tristeza.”

    A tristeza produz belos poemas. Foi assim, com o’eterno” Cecilia Meireles, Poema do mais triste maio de Manuel Bandeira. Tristeza de Marta Medeiros. “Deve chamar tristeza” Fernando Pessoa. Todos de uma tristeza bonita. O poeta nasceu com esse dom de ver beleza em tudo. Vinicius dizia que “a tristeza que a gente tem/um dia vai se acabar”

  4. Muito verdadeiro. Está no Caderno H:

    “Não te abras com teu amigo
    Que ele um outro amigo tem
    E o amigo do teu amigo
    Possui amigos também”
    ― Mario Quintana

  5. Rua dos Cataventos: Soneto XVII | Por Mário Quintana [HD 5.1]

    A Rua dos Cataventos
    Da vez primeira em que me assassinaram,
    Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
    Depois, a cada vez que me mataram,
    Foram levando qualquer coisa minha.

  6. Como o espaço é destinado a promover os grandes poetas brasileiro, coloco, abaixo, um pequeno texto(também conhecido como artiguete), sobre a poética do cearense e grande poeta Belchior.

    É incrível a perfeição linguística e poética que se vê nas músicas do grande Belchior.”Galos, noites e quintais”é um exemplo claro disso.A alegria estará sempre presente em um rio , até o dia e4m que o homem destrua totalmente essa riqueza.

    Ou, a felicidade será notada num “bando de pardais”ou num ‘galo, quando havia , galos “..Até o dia em que tudo esteja desarvorado ou o simples cotidiano desapareça.

    A poética, na forma metafórica , é retratada nos textos belchiorianos de um modo simples , mas cheio de elegância estilística.E ai “veio o tempo negro e, à força”, em que o autor emprega com percuciência a crase.O tempo “força”está precedido indicador da crase porque há ali a junção do”a” artigo com a preposição, esta última comandada pela expressão “veio o tempo negro”

    Novamente numa aula de sensibilidade , o poeta associa força como algo fazedor de mal, ao afirmar que o tempo negro “fez comigo o mal que força sempre faz”.

    De fato, em regra , pela força nunca haverá mérito .Em seguida , no figurativa, sacramenta Belchior dizendo não ser feliz , “mas não sou mudo , hoje eu canto muito mais”.

    A música indica , numa época (1977) talvez tão sombria como a de hoje , um cenário de que aproximamos , em que se tem uma ausência de felicidade e, ao mesmo tempo, uma necessidade de se gritar, ainda que pela música ou pela arte.

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