É possível acreditar nessas pesquisas eleitorais que nos empurram goela abaixo?

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Charge do Newton Silva (Charge Online)

Jorge Béja

Grande parte do eleitorado desconfia das pesquisas eleitorais (sou um deles). As pesquisas são tão suspeitas e perigosas para a honestidade de um pleito, majoritário ou não, que o Código Eleitoral (Lei 4.737, de 15.7.1965), na sua versão original proibia, nos quinze dias anteriores ao pleito, a divulgação, por qualquer forma, de resultados de prévias ou testes pré-eleitorais (artigo 255). E o perigo era – e continua sendo – de tal ordem, extensão e amplitude, que até a Lei 9.504, de 30.9.1997 manteve a proibição prevista no Código Eleitoral de 1965.

Diz o artigo 35-A da lei superveniente: “É vedada a divulgação de pesquisas eleitorais por qualquer meio de comunicação, a partir do décimo quinto dia anterior até às 18 horas do dia do pleito”.

SUPREMO – Mas foi o STF – sempre ele – que acabou com o cuidado que as legislações estabeleciam em benefício do eleitor e em prol da lisura dos pleitos.  O STF, ao julgar as Ações Diretas de Inconstitucionalidade de números 3.741-2, 3.742-1 e 3.743-9, em setembro de 2006, declarou inconstitucional o artigo 35-A da Lei 9.504/97, levando de roldão o artigo 255 do Código Eleitoral, que também deixou de ter validade.

Foi a partir daí que começou o “carnaval” de pesquisas, múltiplas, variadas e suspeitas pesquisas. Até chegar ao ponto da sua divulgação no dia anterior ao pleito.

Aquela proteção que a legislação de 1965 e de 1997 garantia ao eleitor, para que não sofresse mínimo sugestionamento, foi derrubada, desgraçadamente.

GOELA ABAIXO – E desde então as pesquisas nos são enfiadas goelas abaixo, como sendo elas a expressão da verdade. De uma verdade que a população eleitora não sabe e não viu. Tenho 72 de idade e nunca fui ouvido por instituto algum. Nem eu nem o universo de meus conhecidos que também me dizem que nunca foram ouvidos. Mas as pesquisas estão aí, todos os dias. E sempre com aquela lenga-lenga “a margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, o que torna a pesquisa 95% exata e segura”.

Exata e segura coisa nenhuma. Primeiro porque uma pesquisa que terminou num dia não pode ser divulgada no dia seguinte.

ONDE ESTAMOS? – Mas o respeito a esta proibição legal não existe. E o que se tem visto, lido e ouvido são os tais institutos dizerem que fizeram pesquisas até o dia que antecedeu ao torná-la pública.

O que é isso? Onde estamos? E a lei que é taxativa ao dispor que para cada pesquisa é preciso aguardar cinco dias após seu registro na Justiça Eleitoral para só então divulgá-la.

Confira-se  o artigo 33 da Lei 9.504/1997: “As entidades e empresas que realizem pesquisas de opinião pública relativas às eleições ou aos candidatos, para conhecimento público, são obrigadas, para cada pesquisa, a registrar, junto à Justiça Eleitoral, até cinco dias antes da divulgação, as seguintes informações”. E segue a ordem das sete informações que a lei exige.

PARA CONTESTAÇÃO – Esse prazo de 5 dias, que nunca é respeitado, é para que os legitimados e interessados possam conhecer todos os sete itens da pesquisa e contestá-la, se for o caso. Não basta o registro para, em seguida, divulgar a pesquisa. É preciso aguardar cinco dias para só depois, inexistente contestação, torná-la pública. Ora, uma pesquisa que tenha terminado, por exemplo, no dia 24 de agosto de 2018, não pode ser divulgada no dia seguinte, mas somente após o dia 29. Está na lei. Mas a lei não é cumprida.

E como podem os institutos garantir que a pesquisa é exata, confiável, infalível, desde que levado em conta “a possibilidade de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos”? Não precisa ser matemático, contabilista, ou especialista em ciências contábeis para se chegar à conclusão de que pesquisa alguma, além de poder ser facilmente manipulada e induzida, nunca, jamais, em hipótese alguma estará exata e correta.

INDECISOS – Exemplo-hipótese, de fácil compreensão: num pleito em que concorrem 5 candidatos, cada um é apontado pela pesquisa como detentor de 7% de intenções de votos. Que indecisos somam 55%. E 10% dos pesquisados não quiseram responder à pesquisa. Desse total de 100% apurados, apenas 35% disseram qual o seu candidato, contra 65% que preferiram silenciar e se dizerem indecisos. Ora, como se pode afirmar que, mesmo levando em conta a possibilidade de erro de 3 pontos percentuais, a pesquisa se revela correta, exata e confiável, se 65% dos que foram ouvidos nada disseram?. 

Agora, deixando o exemplo-hipótese para passar à realidade. Num cenário com Lula ou sem Lula, como se pode garantir a exatidão de uma pesquisa se muito mais de metade do eleitorado brasileiro não declarou voto, se absteve, recusou a pesquisa e/ou se mostrou indeciso? É óbvio que nada pode ser garantido.

49 thoughts on “É possível acreditar nessas pesquisas eleitorais que nos empurram goela abaixo?

  1. Eu prefiro acreditar na definição que o C.N., às vezes coloca aqui, tal seja ” … é a arte de torturar os números até que no frigir dos ovos eles confessem os resultados que interessam ao torturador…”, com a ajuda inestimável da mídia martelando-as reiteradamente nas cabeças dos destinatários da tortura, à moda nazifascista, tipo lavagem cerebral. Se uma mentira repetida mil vezes vira uma verdade, imagine uma pesquisa repetida à exaustão pela mídia manipuladora.

    • Sr.Lauro, perdoe-me, ande nas ruas e converse com o povo mais humilde. A tal da maioria silenciosa.
      O construção do herói de filmes e folhetins foi construído inconsciente ou burra mente a favor da Jararaca.
      E podem falar o que quiserem, mas ela não é burra.
      Vai surfar.

  2. O Lula, ou o poste, leva estas eleições com um pé atrás das costas.
    Facilitaram as coisas para ele. Se a conspiração(golpe) não fosse perpetrada, se a mídia ignorasse a Jararaca……
    Mas não, forneceram o desastre chamado Governo Temer/PSDB, vincularam a imagem dele toda a semana acusando-o.
    A sabedoria popular já sabe….falem mal, mais falem de mim.
    O Cara ainda está preso…..no imaginário popular é um prato cheio.
    Certo ou errado, construíram um Herói, um mito(real).
    Se o Roberto Marinho estivesse vivo, nada seria assim.
    Deve estar se revirando no túmulo, tamanha burrice.

  3. Quadrilhas dominam os três poderes e fazem tudo para que a população continue subjugada. Assim a roubalheira permanece. Fácil, fácil.

    • Vixe,, quase o eleitorado todo.

      É ser muito ingênua para acreditar neste tipo “pesquisa” onde uma pessoal pode votar a quantidade que quiser.

      Ha, ha, ha

      • Pedro Bó, só dá pra votar uma vez por aparelho. Só as pesquisas compradas da esquerda valem? Só o que vocês dizem tem valor, isso está para acabar. Saiba que Bolsonaro vai dar uma “lavada” nos outros candidatos.

        • Essas pesquisas não tem valor científico, portanto ela é fajuta.

          As pesquisas usa uma parte da matemática chamada de Estatística.Usa também a probabilidade, e tem uma fórmula para possibilitar o cálculo do erro.

          Não me interessa saber inglês.

          Vai aprender a conjugar verbo, criatura.

          E também adorei ser chamado de Pedro bá

          Abraços.

          Beijos.

          • Tem, saiba ler opiniões contrarias e são sair atacando as pessoas as chamando de ingênuas. Isso é ser grosseiro e não faz parte de um diálogo civilizado, como é o costume por aqui.
            Goste ou não, também vai ter que aceitar Bolsonaro Presidente, com ou sem pesquisa.

  4. Parabéns pelo artigo Dr. Beja. Ele contém muitas coisas que eu náo sabia com relação a legislação eleitoral. O STF é o grande mal do Brasil, e os institutos de pesquisa transgridem o tempo todo. Uma vergonha!

    Dr. Beja, o que o senhor pensa sobre as urnas eletrônicas? Veja o video abaixo. As afirmalçoes do advogado no STF é de estarrecer.

    Advogado deixa MINISTROS inquietos ao mostrar as FALHAS da URNA ELETRÔNICA
    https://www.youtube.com/watch?v=brfm4G1DGHQ&t=5s

    Qual a sua opinião sobre o voto impresso? Deveriámos este ano votar com cédulas de papel, como no passado?

    Uma forma de auditar os votos não é requerido por lei? Se não, isso não estimula a fraude? É correto termos somente o presidente do TSE + 23 pessoas apurando os votos?

    A credibilidade do resultado das eleições esta em cheque desde 2014, onde houve vários indícios de fraudes. Tudo muito, muito nebuloso.

    • Talvez não seja bem assim, a virada do Aécio sobre a Marina, mas, isto sim, a virada das pesquisas em favor do Aécio contra a Marina, conduzindo os indecisos e os maria-vai-com-as-outras à moda boiada. E dinheiro é o que não faltou, com a Friboi, a Odebrecht e CIA na parada, investindo da dar com pau o fiofó do povo, digo, o erário na reta.

    • A tal urna eleitoral, infelizmente, já nasceu com grave defeito de fabricação, que é a ausência da famigerada tecla ” vão à merda”, que, caso estivesse lá seria com certeza a mais disputada pelo eleitores consciência, cuja ausência, ao que parece, será suprida pelos seus representantes mais próximos, a saber: nulos, brancos e abstenções. Quanto a urna, não fosse o $istema político tão furado, mais furado do que queijo suíço, valeria a pena discutir o equipamento. É a mesma coisa que discutir a problemática brasileira no varejo sem antes resolver o país no atacado, em Brasília, sede de um dos congressos mais picaretas do mundo que só faz o que convém aos seus próprios interesses.

  5. Contestar pesquisas é como vestir antolhos.
    Sim, existe, e há, possibilidade de manipulação.Mas felizmente é o ganha pão desses institutos, se errarem demais morrem de fome.
    Vivem de sua credibilidade. No meu entender, a eleição já está definida.
    Os oprimidos votarāo em quem se espelham.

  6. Gostaria de obter a relação dos municípios e bairros onde essas pesquisas são realizadas. Se em determinadas regiões historicamente algum candidato tem muitos votos, é claro que vai obter um grande percentual ali. Nas últimas eleições, os institutos de pesquisa cometeram erros absurdos.
    Quanto à extraordinária preferência pelo presidiário de Curitiba, nunca saberemos se são reais. Afinal, os institutos sabem que Lula não será candidato, portanto esses percentuais pró Lula não poderão ser confrontados com o resultado das eleições.

    • Quanto à extraordinária preferência pelo presidiário de Curitiba

      dia 8 de outubro constataremos, lula já era, a esquerda já era, e os outros vão começar a babar ovo do capetão.

  7. Não passam de enquetes travestidas de “pesquisas”, com um número ridículo de entrevistados. Visão apenas manipular a opinião pública em favor de seus candidatos preferidos. Uma delas chega ao absurdo de induzir o voto em um dos candidatos, que substituiria o corruPTo preso!

      • Na prática a teoria é outra. No país surreal do tomaladacá, tudo é possível. Vivemos sob o teto de um república face a qual a política, o estado, o mercado e a população encontram-se capturados, dominados e manipulados por bandidos mancomunados, onde a honestidade, a verdade, a boa-fé e a coisa certa encontram resistências terríveis, tornam-se chata e duras de vingar, mas a esperteza, a malandragem, a malícia, a má-fé e cia, vingam e prosperam que uma beleza.

      • Diz a sabedoria que quando se escreve muitas páginas para tentar justificar uma tese, é por falta de razões visíveis, palpáveis. Arrazoados, cotas, sentenças, seguem a mesma lógica.

  8. É possível acreditar nessas pesquisas eleitorais que nos empurram goela abaixo

    logico que não, a tão famigerada metodologia é só pros trouxas, as pesquisas honestas e precisas não vão pro TSE, vão pra gaveta dos pagadores Os institutos são todos espertalhões, não tem santo nesse meio.

      • Elas não gastam, investem. Vide investimento fabuloso das “empresas” nas campanhas, eleições e golpes, o quanto já custou ao país.

    • VTI,
      De onde vc tirou isso, quem te disse isso, ” o povo quer um governo militar” de onde saiu essa barbaridade, as pesquisas mostram o contrario, não vi nenhuma pesquisa perguntado se queriam a volta dos militares, e se tivesse com certeza seria só as vivandeiras de 64 que não devem ser muitas, (pois 64 foi a 54 anos).
      Estamos em uma democracia onde quem quiser se candidatar (desde que cumpra algumas regras) pode não existe impedimentos.
      Os grupos de poder são sim safados, destorcem os números a seus interesse, vc é um homem vivido, inteligente culto e super informado, conhecedor dos meandros desse puliticus, e as puliticas que fazem e as agencias de pesquisas são um elo dessa corrente que aprisiona os eleitores.

  9. Até 2010 as pesquisas apresentavam o número de entrevistas por CIDADE. Desde 2014 não apresentam mais. Apenas dizem genericamente o nome das cidades e bairros aonde foram feitos os questionários.
    Hélio Fernandes em 2010 já comentava esta distorção, que “entrega” a manipulação das mesmas:
    “Esses dados mostram a fragilidade das pesquisas. Primeiro que essa Sensus, (do ínclito e ilustre ex-vice-governador) não tem a menor credibilidade. Irresponsável e inexplicável: Porto Alegre com mais de 1 milhão de habitantes, 15 entrevistados. Um município com pouco mais de 8 mil habitantes, as mesmas 15 pessoas respondendo.”
    Ele falava de Saubara, BA, com 8.776 eleitores aonde foram entrevistadas 15 pessoas. E em Porto Alegre com 1.043.389 aonde foram entrevistadas também 15 pessoas. Estes dados ficavam à disposição, mas agora perceberam que é “conveniente” esconder. E o TSE calado…

  10. É isso Dr. Béja. Lula tem, segundo a pesquisa, 39% sobre os 35% que declararam votos, o que daria uns 14% do total de votantes.
    Fui à fonte do DataFolha: a maioria dos supostos entrevistados são de cidades do interior dos Estados com menos de 50 mil habitantes. A maioria tem ensino fundamental ou médio, com renda familiar de até 3 salários mínimos e 24% se dizem simpáticos ao PT.Claro que direcionando deste jeito, Lula iria obter uma boa porcentagem. Mas mesmo assim, 14% mostra a derrocada deste partido.

    • O Datafolha também não disponibiliza a quantidade de entrevistas feitas em cada cidade. O que você verificou foi apenas os locais aonde elas foram feitas (quase 1000 locais). Pode ser que em Sobral tenham sido feitas 10 entrevistas e em Curitiba também fizeram 10 entrevistas. Como Curitiba tem 1.700.000 pessoas e Sobral cerca de 150 mil, a proporcionalidade estatística já estaria deformada.
      Desafio os institutos de pesquisas a disponibilizarem a quantidade de questionários feitos em cada local. Du-vi-de-o-dó que eles ousem mostrar estes números. E o TSE calado…

  11. Sobre a entrevista do Paulo Guedes à globo News.

    Primeiro começou sem explicar como conseguiria 2 trilhões de reais, enrolou falou falou falou, não respondeu direito e parecia o entrevistador.

    Falou sobre França, Jacobinos… ele deve ter visto aquela série do Netflix.

    Caso se torne ministro passará o governo todo vendendo empresas e muitas delas estratégicas.

    Como na década de 1990 venderam venderam, gastaram reservas cambiais ou seja quebraram o Brasil.

    E para não me alongar vou lembrar daquele grampo telefônico também na década de 1990 nas privatizações:

    “Estamos no limite da irresponsabilidade”

    PS. CIRO GOMES da de 10 x 0 nele.

  12. Desta vez sou obrigado a concordar com o Indultado.

    Não que não haja maracutaia nas pesquisas, não é isso.

    O ilustre advogado questiona, em tese, os métodos empregados pelos pesquisadores.

    Mostra desconhecer uma parte da Matemática, chamada Estatística. A perfeição da Matemática é tão grande, e absoluta, que ela consegue fixar até a própria margem de erro.

    Bola fora, Dr. Advogado.

    • Dr. Oigres,

      pelo amor de Deus, peço ao senhor que me trate com distinção, com expressões tão elevadas quando o senhor é. Gosto muito do senhor. E esse “Bola fora, Dr. Advogado”, de um colega para outro colega que tanto o estima me causa doloroso sentimento. Que o senhor discorde de mim. Mas não me rebaixe, não me despreze “o ilustre advogado…mostra desconhecer….”.
      Não me trate assim, querido colega, querido leitor, querido irmão. Que entre nós tudo seja justo e perfeito, amparado pelas colunas da paz, do amor, da concórdia, da elegância.
      Muitas felicidades, muita paz para o senhor e todos os seus.

  13. Dados de pesquisas de preferência merecem tanto crédito, quanto o julgamento que uma fonte noticiosa faz do próprio dono.
    Quem financia essas enquetes, direta ou indiretamente, vai querer aparecer por baixo. Aliás, às vezes, eles até simulam uma situação de rabo de fila. Mas fique certo, nas avaliações sucessivas, a cotação do privilegiados vai aparecendo em uma disparada ascendente. Aí o eleitor otário também vai crescendo com o número falacioso, dando vida e materializando o truque da “matemágica” enganadiça.

  14. Dr. Béja. nunca fui entrevistada, nem conheço ninguém quem tenha sido. Mas que existe, existe. É como dizia Darcy Ribeiro sobre a existência de Deus. Só não posso provar.

  15. Só mesmo gente muito ingênua, desavisada ou comprometida pode acreditar nessas pesquisas que, em todas as eleições,cometem os mais grosseiros êrros de avaliação.
    O Sebastião Nery até escreveu um livro sobre esses êrros primários e bem diferentes do que se apresentam depois de computados os votos.

  16. Também acredito que o objetivo é fazer o eleitor acreditar no já ganhou ,como disse o Lauro e ou alinhar as pesquisas
    com o programa das urnas.

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