É sempre bom lembrar o talento e a garra de Ricardo Boechat, que há dois anos nos deixou

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Na rádio, Boechat tinha mais liberdade para o bom combate

Carlos Newton

Está fazendo dois anos que Ricardo Boechat nos deixou, justamente quando estava em sua melhor fase profissional e pessoal. Em meio a essa pandemia, imaginem o que estaria dizendo na rádio Band, diariamente, o incansável e irrefreável Ricardo Boechat…

Era o tipo de pessoa que ninguém consegue esquecer, com uma capacidade enorme de lutar o bom combate e fazer amigos. Um deles é o jornalista Nilo Dante, nosso amigo comum, que deu a Boechat seus primeiros empregos e postou nesta quinta-feira esse texto emocionante, enviado à TI por Mário Assis Causanilhas.

Vamos ler o artigo do genial Nilo Dante e “tocar o barco pra frente”, como recomendava o inesquecível Boechat.

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LEMBRANDO RICARDO EUGÊNIO BOECHAT
Nilo Dante

Em 11 de fevereiro de 2019, Ricardo Boechat morreu em um acidente de trânsito incomum, interrompendo abruptamente uma carreira de sucesso igualmente incomum, percorrida sem qualquer preocupação com os limites do abismo, o topo da montanha e a fronteira da loucura, que sempre estiveram por perto onde ele passou.

Frequentemente o Fator Incomum invadiu sua vida particular, também marcada por episódios de raro ineditismo, como o derradeiro: aquela pavorosa colisão nunca vista de uma enorme carreta com o pequenino helicóptero que tentava fazer um pouso de emergência, em estrada de grande movimento, com o Boechat a bordo.

Desde a juventude – quando perambulava em Niterói entre a procura do primeiro emprego e uma ingênua militância comunista – até alcançar o estrelato depois dos 50, na galáxia do rádio, Boechat protagonizou episódios tão espantosos, viveu situações tão inusitadas, lances tão desconcertantes que é difícil acreditar que tudo aquilo aconteceu.

Como já disse mais de uma vez, na vã tentativa de definir o rapazola que acolhi para o primeiro emprego no Diário de Notícias (e que me acolheu para o meu último, no Jornal do Brasil), antes de colocá-lo no escritório do Ibrahim Sued – outro gigante do nosso tristonho ofício e outro amigo inesquecível, que perdi há 26 anos – Boechat era “modesto como um franciscano, teimoso como uma estátua de bronze, impulsivo como um kamikaze, generoso como ninguém”.

7 thoughts on “É sempre bom lembrar o talento e a garra de Ricardo Boechat, que há dois anos nos deixou

  1. Alguns “pastores urubulinos” artibuíram a morte de Boechat ao fato de ele ser ateu confesso. A partir do seu desencarne, apenas os incrédulos têm morrido e seguirão morrendo. Quando for concluída a faxina, a terra será um Éden habitado somente pelos vivos ungidos e eternos.
    No Brasil havia duas inteligências visíveis, porque televisíveis e televisivas: Chico Anysio e Ricardo Boechat.

  2. Para muitos era foi um “guru”. Não para mim.
    Considero que ele sempre foi um comunicador como o são Datena, Ratinho e outros apenas com a diferença que ele antes de expressar uma opinião se enchia de ares de alta sapiência usando palavras eruditas.

  3. Bom amigo e excelente profissional. Começamos a ficar amigos, parceiros, quando Boechat ainda trabalhava com Ibrahim Sued. Bons tempos. Era maravilhoso vivermos dias iluminados com boas notícias.

  4. Subiu antes da hora por conta de um helicóptero sem manutenção (cujo dono está livre da silva). Se aqui estivesse, teria farto material para detonar, sem medo, esses medíocres que ocupam o noticiário. Com ele seria mais fácil “tocar o barquinho”

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