Em 2018, plena crise, o lucro dos bancos no Brasil foi o maior da história

Resultado de imagem para lucro dos bancos chargesFabrício de Castro
Estadão

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Souza, afirmou que o lucro líquido registrado pelos bancos ao fim de 2018, de R$ 98,5 bilhões, foi o maior da história, em termos nominais. O montante corresponde a um aumento de 17,40% em relação ao verificado em 2017.

Souza pontuou que o BC sempre acompanhou o lucro dos bancos, mas, como houve mudanças monetárias ao longo do tempo, é possível afirmar, para fins de comparação, que o resultado do ano passado é o maior desde a adoção do real, em 1994.

MENOS PROVISÕES – Segundo Souza, o principal fator para o aumento do lucro líquido das instituições financeiras foi a redução, em cerca de R$ 20 bilhões, das despesas com provisões (inadimplências) em 2018, em relação ao ano anterior.

O diretor do BC afirmou ainda que as instituições somam hoje patrimônio líquido total de R$ 800 bilhões. “É o maior nível de capitalização desde 1994, em termos nominais”, disse.

Os dados do BC mostraram que o Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) dos bancos atingiu 14,8% ao ano em 2018. O porcentual é o maior em sete anos, desde 2011. De acordo com o diretor, apesar de a rentabilidade ter crescido nos últimos anos, para perto dos 15%, não existe hoje muito mais espaço para ela continuar aumentando. “A gente considera que isso se estabilizou”, afirmou.

ESTABILIZAÇÃO – Souza afirma que a estabilização ocorre porque o sistema ainda precisa passar por uma melhora de garantias. “A instituição não consegue ampliar as concessões de crédito sem melhorar as garantias”, afirmou. “Com garantias melhores, aí sim você consegue reduzir mais as provisões. Mas isso vai demorar uns dois anos ainda (para acontecer)”, afirmou, em referência ao efeito de medidas estruturais já tomadas pelo BC, como a adoção das duplicatas eletrônicas.

Ele citou ainda que, no Brasil, de cada R$ 1 que não é pago, ocorre recuperação de apenas R$ 0,13 pelos bancos. “Em outros países, chega a ser R$ 0,75. E essa é uma realidade histórica que não vai ser mudada sem um arcabouço jurídico.”

Apesar de os bancos terem uma rentabilidade próxima de 15% no Brasil, Souza afirmou que o sistema financeiro do País não é nem o mais rentável, nem o menos rentável. “Está na média”, disse. “No bloco de países emergentes, a rentabilidade do Brasil está bem próximo da média.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O final da matéria é patético. Os bancos só recuperam R$ 0,13 de cada 1 real, porque praticam as mais altas taxas de juros do mundo. O que ocorre no Brasil em relação aos juros dos cartões de crédito, que movem a economia, chega a ser imoral e evidencia que a equipe econômica deixa os bancos agirem livremente, sem o menor controle sobre as taxas. Apenas isso. E ainda querem autonomia do Banco Central, que desde sempre permite esse exploração do povo. (C.N.)

12 thoughts on “Em 2018, plena crise, o lucro dos bancos no Brasil foi o maior da história

  1. É o retrato acabado da política, do estado, do mercado e da população capturados por bandidos mancomunados que, no RJ, p.ex., estão as voltas com o poder paralelo das famigeradas milícias que já não sabemos mais quem é pior face à escravidão social, os milicianos clandestinos ou os bandidos, rentistas, agiotas e afins oficiais.

  2. Solução jurídica, só falta prisão para os devedores desses juros absurdos. Nosso país, não passa de colônia de exploração, que a elite põe os seus vassalos para garantirem seus lucros.

    • Não são só os juros extorsivos, mas tb os tributos, taxas e afins, todos extorsivos, aliás já tem muitas quadrilhas e quadrilheiros por aí, fantasiados de partidos e políticos que já estão tentando tomar até casas de moradia de pobre coitados que levaram décadas para construi-las para abrigarem a si e suas famílias, via execução fiscal, IPTU impagável atrasado, via judiciário, são mais pobres coitas que serão jogados em favelas, ou debaixo de pontes e viadutos, por conta do sistema político apodrecido, capturado por bandidos. Enquanto isso, os marajás, os banqueiros, rentistas, agiotas e afins deitam e rolam no lucro arrancado do sangue, suor, lágrimas e vidas humanas, confinados numa espécie de senzala do capital tão selvagem quanto velhaco.

  3. Realmente a mídia brasileira deveria ser estudada. Achava que no STF estava o câncer do Brasil, mas estava enganado, com esta mídia o Brasil jamais sairá do buraco do terceiro mundo. Os lucros dos Bancos subiram porque diminuíram as provisões para devedores, no operacional até caíram. E mesmo que tivesse subido qual o problema de uma empresa lucrar no país? Valha-me Deus! Ainda estamos na Idade Média.

    • Não há problema nenhum em lucrar, desde de que a lucratividade seja honesta, justa, plausível, o problema reside no extorquir, roubar, sob o manto da legalidade, com a conivência dos poderes constituídos, que deveriam exigir dos aproveitadores compromisso e responsabilidade social, como o país e a sua gente.

      • Vc não entendeu o que escrevi, mas tudo bem. Para resolver este problema, o governo tem que colocar matérias de investimento nos banco escolares. Se o povo tivesse mais cultura, não cairia nos juros exorbitantes dos bancos. Ninguém é obrigado a pegar dinheiro emprestado, chega nesta situação, na maioria das vezes, por desconhecimento de um pouco de planejamento que poderia ser ensinado nos bancos escolares.

  4. [ Muito difícil fazer os excluídos compreenderem certas coisas, porque a inexperiência da primeira intervenção não cuidou de sua instrução, e indolência dos nem aís nunca ligou nem liga para isso.

    Por outro lado a canalhada sempre foi esperta e diligente -só estando bem caída pelo olho muito grande também próprio da inexperiência: circula nas redes um vídeo perigosíssimo, que incita a ignorância a acreditar que os comunas combatem a reforma da previdência porque ela geraria um monte de investimentos e a economia do país mudaria da água para o vinho, robustecendo muito o governo Bolsonaro -o que esses comunas segundo o vídeo não desejam.

    Nada a ver.

    .Armação canalha e covarde porque a reforma é para pagar, do dinheiro da aposentadoria e demais benefícios devidos ao povo, e do dinheiro pago pelo povo, a dívida externa formada pelos juros dos bancos no sustento da esbórnia da canalhada.

    Pelamãe … Até os excluídos têm a obrigação -para não passar recibo de otários- de desconfiar do maciço apoio dos bancos e do governo à reforma: dos bancos, porque é elementar que só apoiam seus próprios interesses; do governo, porque assim estão defendendo os interesses dos bancos, e não do povo, que em sua infantilidade ignorante endeusa o capitão.

    Estivesse rolando uma intervenção castellista e a coisa seria muito outra …

  5. Bolsonaro em relação a Lula parece até um caso patológico. Pelo menos dois títulos, Bolsonaro já conseguiu tirar de Lula, mãezona dos banqueiros ( à moda nunca os banqueiros ganharam tanto dinheiro quanto no meu governo) e dos pobres, com a decretação do décimo terceiro para o bolsa miséria, não obstante o Mourão, na contramão, querendo extinguir o décimo terceiro de quem trabalha duro o ano inteiro pela própria subsistência. Será que estão querendo construir um país de miseráveis. Convém avisá-los de que isso já não deu certo no Haiti, que está logo ali.

  6. Antônio, boa noite.
    Eu não previ meu desemprego e dos meus filhos desde 2016.
    Estou trabalhando na informalidade, assim como meus filhos.
    O que falta nesta terra abençoada é a tão decantada “empatia”.
    Abraço.
    PS: Meu erro é gostar da construção Naval/offshore que a ‘presidenta’ mandou para o sudeste asiático a ‘mando de não sei quem’ e o famigerado ‘vampiro’ continuou com o processo e aprofundando-o.

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