Em apenas 4 anos, a Lava Jato já condenou 160 envolvidos em corrupção

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Charge do Alpino (Yahho Brasil)

Bernardo Bittar
Correio Braziliense

Ter uma Justiça que funcione e puna o criminoso independentemente do poder ou da conta bancária ainda desperta suspiros. É um anseio nacional. Estamos nos acostumando à ideia de que, em apenas quatro anos, a Operação Lava-Jato condenou 160 pessoas entre os principais políticos e empresários do país. No Superior Tribunal de Justiça, há nove governadores investigados e três denunciados.

Autoridades que desafiaram o Judiciário foram obrigadas a deixar os extravagantes palácios em que sempre viveram e trabalharam para dividir celas nas penitenciárias brasileiras.

LULA, O EXEMPLO – Há 10 anos, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) era o homem mais poderoso da República. Acabou sendo preso na semana passada, após seis ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitarem o pedido de habeas corpus da defesa.

Lula foi condenado a 12 anos e um mês pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá (SP). Ainda pairam contra ele mais oito inquéritos e processos. Poucos brasileiros acreditavam que isso pudesse acontecer.

CUNHA E OUTROS – Considerado até então um ótimo articulador político, o deputado cassado Eduardo Cunha (MDB) teve poder suficiente para colocar em xeque a atuação do mais alto cargo eletivo do país.

O ex-senador Luiz Estevão conseguiu fazer com que um processo contra ele se arrastasse durante muitos anos. Paulo Maluf (PP) fez a mesma coisa.

Geddel Vieira Lima (MDB) foi condecorado 11 vezes com medalhas importantes — como a Ordem do Mérito Naval em Grau de Grande Oficial, recebida em 2007. Nenhum deles escapou da Justiça quando seus crimes foram revelados.

TODOS SÃO IGUAIS? – “É um fato que as coisas estão aí acontecendo, mas ainda há desigualdade nesse meio. Falar que a lei chegou aos políticos é um fato, mas dizer que vale para todos ainda é precipitado”, diz o cientista político Glauco Peres da Silva, professor da Universidade de São Paulo (USP). Ele acredita que a punição não chega com a mesma rapidez a todos os casos.

“Esse discurso precisa ser mais bem entendido. Temos o foro privilegiado, a articulação política, os movimentos sociais… Mecanismos que deixam impune quem sabe usá-los”, ressalva.

Glauco explica que a grande evolução neste cenário é a possibilidade de acabar com o “você sabe com quem está falando?”. “Hoje não tem mais essa, a polícia investiga, e a Justiça prende quem comete crimes. Chegou aos políticos. É verdade e é simples de entender, mas ainda não chegou a todos”, observa.

MUITA COISA MUDOU – Símbolo de um tempo em que a Justiça, além de lenta, era seletiva, o deputado federal afastado Paulo Maluf (PP) foi preso aos 86 anos, velho e debilitado, por crimes cometidos há décadas. A trajetória do ex-governador de São Paulo sempre foi marcada por seguidas denúncias de corrupção, peculato e até lavagem de dinheiro. Seu nome figura, há muitos anos, na lista vermelha da Interpol.

“Concordei com a prisão, mesmo ponderando que o assunto é de uma sensibilidade enorme. Um senhor de idade não deixa de ser culpado dos crimes que cometeu quando era jovem. Agora, as pessoas vão ter medo”, afirmou a psicóloga Juliana Cardoso Gebrim, palestrante e professora aposentada da Universidade Federal de Goiás (UFG).

PEQUENOS PRAZERES – Em alguns casos, prender não é o suficiente. Personalidades como o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB) ainda conseguem burlar o sistema. O carioca deu um “jeitinho” e descolou uma sala de cinema na cadeia pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio, onde foi improvisado um motel.

Cabral também conseguiu complementar a dieta com camarão, bolinho de bacalhau, queijos importados e iogurte. “Pequenos prazeres”, disse ele à Polícia Federal durante o inquérito que apurava as regalias, que demoraram a acabar.

O CASO DE ARGELLO – O que reascende a esperança de que todos podem ser iguais perante a lei são casos como o do ex-senador Gim Argello (PTB) que, recentemente, teve um pedido de redução de pena negado pela Justiça por não ter alcançado nota suficiente no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Formado em Direito, o empresário não conseguiu a nota mínima na prova escrita nem na redação. Como todo mundo, poderá tentar de novo. Mas só recebe a recompensa se trabalhar duro e estudar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A Lava Jato já é uma marca na História Contemporânea. Tornou um fenômeno exemplar que se espalhou para outros países. Mostra que é possível fazer justiça, apesar das leis que ainda privilegiam os criminosos que podem contratar advogados de renome. Os brasileiros precisam reconhecer o trabalho desta nova geração da Polícia Federal, do Ministério Público e da Receita. Eles estão limpando e renovando este país. (C.N.)  

16 thoughts on “Em apenas 4 anos, a Lava Jato já condenou 160 envolvidos em corrupção

  1. -O Brasil é, realmente, um país virado ao avesso, onde bandido escolhe juiz e trabalhador é obrigado a sustentar vagabundo!

    “Em apenas 4 anos, a Lava Jato já condenou 160 envolvidos em corrupção”

    -E os ministros STF, que disseram que a “cauda”, formada pelas autoridades da Lava Jato, “não poderia balançar o cachorro”, composto pelos cérebros do Supremo?
    -Quantos julgaram e condenaram nesse mesmo espaço de tempo?

  2. Este Argello é uma figura abominável,além de ladrão claro.
    Quem quiser se divertir, é só procurar no youtube seu depoimento ao Moro, de rolar de rir o ladrão chorando para o juíz, patético !
    O vagabundo velho rouba e depois vai chorar, toma vergonha na cara safado !

  3. O ladrão que Moro tratou a pão de ló: a fantástica história de impunidade do tucano Pedro Barusco na Lava-jato

    Ex-gerente de Engenharia e Serviços da Petrobras, homem do segundo time da empresa, Barusco roubou o equivalente hoje a R$ 330 milhões em propinas de empreiteiras. Confessou que havia guardado US$ 98 milhões na Suíça. E exibiu-se: havia roubado sozinho.

    Pois nesta quarta-feira, dia 11/4, Barusco livrou-se das penas e não deve mais nada à Justiça. A juiza no despacho disse que o sujeito “cumpriu 739 horas e 36 minutos com ações de prestação de serviço social, 19 horas e 36 minutos a mais do que a pena previa”. Barusco tem créditos a receber.

    O gerente saiu da cadeia quando prometeu devolver o dinheiro e quando delatou o PT como recebedor de propina equivalente a pelo menos 1% dos contratos da Petrobras.

    A Lava-Jato aceitou que Barusco agia sozinho. Todos tinham chefe no esquema da estatal, em todos os partidos. Mas Barusco, não. Barusco roubava só pra ele….O mais imbecil dos brasileiros não acredita nessa história.

    Barusco foi poupado de dizer para quem roubava porque agia desde 1997 nos governos tucanos. Roubou por sete anos, de 1997 a 2002, nos governos de Fernando Henrique. E continuou roubando, na inércia, porque a engrenagem andava sozinha, nos governos do PT.

    Mas a Lava-Jato nos vendeu que Barusco era o único ladrão avulso. Porque a operação não podia mexer no que ele sabia. … não disse nada porque não pediram que dissesse. Barusco é o símbolo da impunidade dos tucanos na Lava-Jato.

    Com o dinheiro que roubou, Barusco e seus parceiros ocultos poderiam comprar 190 apartamentos tríplex iguais ao do Guarujá, que a Lava-Jato atribuiu a Lula e o condenou por isso. Barusco está solto… Todos os tucanos corruptos estão impunes e soltos.

    https://goo.gl/PdURau

    Lava Jato uma marca na História Contemporânea?

    Só se for de impunidade. Pois a grande maioria dos “condenados” são delatores que foram “premiados” para curtirem suas fortunas com penas risíveis.

    • -Tá bom!
      -Só que, ao invés de alguém reclamar da IMPUNIDADE querendo liberdade para o bandido de estimação, deveria era lutar para que os demais bandidos também fossem presos como ele, de maneira a limpar o país de todos os parasitas!

      -Dessa forma, fica evidente o desejo que aconteça uma “EVOLUÇÃO ÀS AVESSAS”, onde o objetivo final passa a ser não a igualdade no tratamento para que todos os bandidos sejam presos, mas uma igualdade para que todos sejam soltos!

    • The New York Times:
      Por mais dolorosa e desanimadora que seja a queda de um líder carismático, e por mais cansados que os brasileiros estejam da devastação política, não é hora de desistir. A história mostra que lutar contra a corrupção leva anos, mas também que êxitos graduais podem mudar as regras. Juízes como Sérgio Moro, que liderou corajosamente a acusação na Operação Lava Jato, demonstraram que o Brasil tem as instituições e os meios para enfrentar até mesmo os mais poderosos malfeitores.

    • Alex Lula Cardozo, porque todo o malandro se chama Lula. O Barusco está solto, hoje, porque fez a delação premiada que no final acabou com a prisão do meliante Lula da Silva. Ele foi condenado em 2015, a dezoito anos e quatro meses, e por ter feito a delação premiada, a condenação foi convertida em regime aberto tendo que usar tornozeleira eletrônica por dois anos. Em 11 de maio de 2015, o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot repassou ao presidente da Petrobrás, 157 milhões de reais desviados por Pedro Barusco acrescidos de outros valores em euros, dólares e outras moedas que foram convertido para reais.
      Mentira tem perna curta. E malandro morre pela boca.
      Qual bandido petista que já devolveu o que roubou, além do Lula, que não devolveu nada e sim teve o produto do roubo sequestrado?

      • Agradeço sua resposta sem ataques e xingamentos, e principalmente pelo uso de argumentos.

        Entretanto, a população esta dividida sobre o futuro da operação lava-jato.Um parte da população esta esperançosa (imagino que você esteja nela) e outra cética, na qual eu me incluo.

        Ate hoje, para o céticos, a operação Lava-jato tem promovido apenas a industria das delações premiadas, com bancas de advogados regiamente recompensadas, e criando uma ilusão de punição ao crime de colarinho branco, quando o que vemos é uma industria da impunidade, dos agentes privados.

        Há muitas outras críticas a operação Lava-jato, que não vem ao caso agora, mas a percepção para o céticos é que o Brasil não esta, e nem há indícios que o Brasil esteja caminhando, para um futuro de menos corrupção.

  4. Fico pensando na metologia e universo der amostragem dessas pesquisas. Suspeito que devem ser perguntas truncadas iguais aquela do referendo do desarmamento, que direciona a vontade do entrevistado para uma conveniente resposta; perguntas do tipo “você não quer isso não, quer?” ou “aquela roupa é muito bonita, não é?”

  5. Me lembro de um velho militante do trabalhismo, grande jornalista (já morreu) que participou do episódio da legalidade, resistência ao golpe em 61, em defesa da posse do Jango, que contava ter pensado na hora do entrevero: “com esse meu trezoitao eu furo aquele tanque velho ali…” …rs

  6. Não se engane com o que parlamentares petistas falam nos palanques e na mídia, nem com o que militantes e “isentões” dizem nas ruas e nas redes sociais. O PT formou coligação com os “golpistas” em mais de 1600 cidades nas eleições municipais de 2016 e desde o começo da Lava Jato está alinhadíssimo com o PSDB para destruí-la.

    Insisto: por que nunca houve ações reais e objetivas dos petistas para tirar de cena o partido apontado por eles como o grande problema do Brasil? Por que Lula nunca moveu um dedo para que a roubalheira do governo FHC fosse devidamente investigada?

    O fato é que os petistas, desde que assumiram o poder em 2003, só promoveram eventos em favor da corrupção, digo, em favor de Dilma e Lula.

    Na próxima semana, o STF julgará se aceita ou não a denúncia contra Aécio Neves. Haverá alguma manifestação organizada pelo PT, CUT e MST para pressionar a Suprema Corte a aceitar a denúncia? Os artistas da Globo irão à Brasília pedir que Aécio seja denunciando, julgado e preso o quanto antes?

    Ninguém da extrema-esquerda fará isso porque o PT precisa que Aécio continue livre, no cargo e roubando porque alimenta sua narrativa de que o partido é perseguido “enquanto Aécio e outros tucanos são protegidos”.

    http://www.ilisp.org/opiniao/ao-pt-interessa-que-aecio-e-alckmin-continuem-livres/

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