Em projetos e afirmações, Bolsonaro administra por achismos e revoga bom senso

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Charge do Iotti (Zero Hora)

Vera Magalhães
Estadão

Em “A Reforma da Natureza”, um dos livros da saga do Sítio do Pica-Pau Amarelo, Monteiro Lobato descreve como Emília, a partir de uma fábula contada por Dona Benta, se dispõe a mudar aquilo que ela julga estar errado na conformação da natureza. Tal como Américo Pisca-Pisca, o personagem da fábula, a boneca imagina alterar frutas, animais e tudo o mais e, na base da retórica inflamada e do voluntarismo, põe seu plano em marcha.

Pois Jair Bolsonaro parece ter se inspirado no método emiliano para decidir declarações e projetos de governo. Contra a tal “indústria da multa”? Aumentem-se os pontos para que se perca a carteira de motorista com 40, quiçá 60. Só faltou dizer que, liberados para correr, motoristas serão mais multados, e a tal arrecadação com multas pode subir.

MOEDA ÚNICA – O amigo Maurício Macri passa apuros na eleição argentina? Que tal dar uma forcinha reformando não a natureza, mas a moeda dos dois países? Mais! De todo o Mercosul. Assim como Emília rebatizou os bichos conforme sua conveniência, Bolsonaro também deu nome à sua moeda sonhada: peso real (que imediatamente virou surreal, porque os memes não perdoam).

Como se dará a sonhada integração monetária? Ele não sabe. Afinal, nosso reformador da natureza não entende de economia, como não se cansa de dizer. Mas acha, sabe-se lá baseado em que, que o peso real pode ser uma couraça para evitar a volta da esquerda aos países que o adotarem. Quase um amuleto.

AS DESCULPAS – O mais engraçado dos surtos de reformismo da natureza de Bolsonaro é que sempre há os acólitos desesperados para lhes conferir algum sentido. Então, no projeto da mudança nas regras de trânsito, os criativos passadores de pano viram um moderno liberalismo presidencial. Afinal (tentem acompanhar o raciocínio), não é função do Estado multar quem não colocar crianças em cadeirinhas, e deve ser interesse dos pais zelar pela segurança dos filhos.

Como se o trânsito fosse uma pista de autorama em que se controlam todas as variáveis e funcionasse no âmbito doméstico, em que as relações privadas – de fato – não carecem de regulação do Estado.

E para explicar para os liberais da brigada do Twitter – que diante de menções a John Locke ou Adam Smith perguntariam de que temporada de Game of Thrones eles eram – que os países com as economias de fato liberais do mundo têm leis de trânsito duríssimas simplesmente porque uma coisa não tem nada a ver com a outra?

SEM LÓGICA – Com a revogação do bom senso, lei número um da reforma da natureza bolsonarista, o óbvio deixa de ser assim tão óbvio. Como o fidalgo Visconde de Sabugosa, que tentava conferir alguma lógica às diatribes da Emília e tirá-la de enrascadas, ficam os providos de lógica no entorno presidencial tentando evitar o constrangimento de desmenti-lo ou minimizar o estrago de suas declarações. Nessa função se revezam os militares e os ministros que não duvidam que a Terra seja redonda, como Sérgio Moro, Paulo Guedes e Tarcísio Gomes de Freitas.

Já os entusiastas da reforma da natureza, que no reino bolsonarista às vezes ganha ares de cruzada pelos rabanetes ou qualquer outra bobajada ideológica, se sentem livres para voar diante dos inputs do chefe. O problema é que os arroubos desses reformadores não colocam abóboras no lugar de jabuticabas, como no sonho do Américo Pisca-Pisca da historinha da Dona Benta, mas religião, ideologia binária, vontade familiar e preconceito no lugar de dados, evidências, políticas públicas e pesquisas científicas.

É preciso que alguém convença o presidente que suas palavras e atos têm consequências. E que não se governa um País na base do achismo sem base concreta nenhuma.

12 thoughts on “Em projetos e afirmações, Bolsonaro administra por achismos e revoga bom senso

  1. Viajo constantemente e sei o quanto são importantes os detestáveis pardais, como são chamados. Mas cumprem a sua função, salvam vidas sim. O Presidente Bolsonaro precisa tomar consciência de uma coisa, se uma única pessoa for vítima do afrouxamento dessas leis ou fiscalizações, ele terá uma parcela de culpa. Pra quê assumir isso tão gratuitamente? O povo quer ouvir notícias que coloquem o país pra frente, que crie empregos, prosperidade. Sabemos da importância da reforma da previdência, mas esse ministro parece com o samba de uma nota só. Criem uma zona Franca no Nordeste, invistam em pesquisa básica e estimulem a interação entre indústria e centros de pesquisa. Pulverizem o crédito, enjaulem os banqueiros, devolva aos trabalhadores o que é deles, FGTS e outros recolhimentos que estão paralisados e por aí vai. Alguém já disse, a imaginação é mais importante do que o conhecimento. Parece que foi um tal de Albert Einstein. Ouvi dizer que ele sabia das coisas.

  2. Neste país, e é até por isso que ele está na contra-mão do resto mundo, a maioria , principalmente aquela que têm algum diploma do nosso ensino, que é um dos piores do mundo, se orienta pelo que acha.
    A maioria da nossa elite não se orienta por fundamentos reais.

    De maneiras que , o que a jornalista acha ou deixa de achar de alguém ou de qualquer coisa, não tem importância.

    Já, quem tem experiência de vida e ainda tem diploma em alguma universidade de primeiro mundo, é diferente e por isso merece um mínimo de confiança, como o Paulo Guedes e o Sérgio Moro.

    Bolsonaro, como todo presidente deste país e até de outros países do mundo, nunca foi especialista em dirigir nações. Não há cursos para isso.

    Geralmente , em todos os país, as decisões são tomadas em conjunto, depois de estudadas, entre o presidente e a equipe de governo.

    • O texto desta jornalista tem TODA IMPORTANCIA, TODA!
      Menos para “acólitos desesperados” como voce para manter o empreguinho de bot do aboborado….

      Quanta mediocridade. Este texto que Vera Magalhães escreveu é merecedor de prêmio;
      vêm um zé ninguém desmoralizar…

      • remedinho , remedinho…
        aqui nao e Cine Hólliúdi, Aussie boy!

        Então cara, onde fostes doutrinado?
        Na vida eremítica? Na fortaleza de gelatina?

        Se não passava pela cabeça sair do convento, como foi parar nesse empreguinho de bot online do Bozolado?

        Pra voce Presidente faz supletivo noturno?
        Vai domesticar carrapato na Suazilândia, maluco!

  3. O Problema é que o PR é puro sangue, ele não precisa passar verniz na cara antes de sair de casa. Humildade e simplicidade aliado a Ministros profissionais é o suficiente para administrar bem um país. Ser direto na veia incomoda demais …

  4. Difícil engolir certas coisas. Quem não lembra dos kits de primeiros socorros? Quem fosse achado sem em seu carro receberia sua “justa” punição, pois “alguém” achou que i$$o era importante ter dentro de seu carro. O brasileiro em sua “santa” estupidez, aceita bovinamente que pessoas mais medíocres que ele o façam de idiota. O farol aceso nas rodovias federais rendeu muito dinheiro aos cofres e mesmo depois de considerada ilegal pela falta de sinalização nas rodovias, Temer resolveu que não devolveria um tostão aos compatriotas, cidadãos, contribuintes, eleitores, descaradamente lesados. Importante notar que o brasileiro do alto de seu país tropical, abençoado por Deus e excessivamente iluminado, o que não ocorre nos países temperados onde isso existe a muito tempo, jamais poderia imaginar que o grande número de acidentes, eram pela falta de farol alto nas rodovias. A pérola veio mesmo da extinção do uso dos extintores de incêndio. Ninguém, absolutamente ninguém que conheço, se deu ao trabalho de retirá-lo de seu carro, pois sabem bem o que costuma vir dos CONTRANS do Brasil. O histórico desta revogação de uso é de embrulhar o estômago, será que alguém se lembra? De uma hora para outra resolveram mudar para ABC e quando começou a valer mesmo, ninguém achava mais. A bagunça começou a se tornar comoção e “resolveram” simplesmente banir seu uso. Francamente que não me venham cobrar seriedade depois disso. Antigamente a carteira era de validade indefinida e passou a ser de 4 em 4 anos, o paraíso das clínicas oftalmológicas e toxicológicas, além de sangrar o bolso dos contribuintes, pois os DETRANS cobram caro pelo serviço. Ser proprietário no Brasil é uma delícia, especialmente para os governos. Enquanto no Brasil o licenciamento anual é pago nos bancos e rebe-se o documento pelos correios, no Rio, paga-se o licenciamento, a vistoria “que acabou” e o seguro em 3 boletos distintos e aguarda-se até que o governo carioca se digne a entregar o documento. O que ninguém sabe quando. Além disso o carioca ainda paga e caro para transitar de um bairro a outro dentro de sua cidade. A justiça do Rio garante essa obrigatoriedade. A quem mora no Rio, a escolha é voltar para o Brasil.

  5. Será que a verinha não está falando do NINE (que se mijava em público totalmente bêbado) que nunca leu um livro ou da anta batizada com diploma de economista, (FALSO) que quebrou uma lojinha de 1,99?
    Fiquei confuso agora…
    Esses sim tinham gabarito pra governar o Brasil, né verinha?
    Nunca governaram na base do achismo. Jamais!!
    Çei! Kkkk
    Atenciosamente.

    • Ela esta falando do BOZOLADO, que sim parece bêbado mijado falando em publico, que se leu nunca entendeu um livro, equiparando-se a anta e que vai quebrando o Brasil com um PIB de 0,99%….

      Tá claro agora?

      Governar na base do ‘não sei’, da mentira, da falta de um programa de Governo, é como descer a serra num ônibus sem freio!!!
      La vem o BOCAL, King of Talkey, descendo a ladeira!!!
      Sai de Baixo !!!!!!!

      PS: ‘Verinha né’vale 4000 do que tu pesa…
      Seguramente,
      Certamente,
      Obviamente,
      Concominantemente,
      Óxente,
      Tem’gente’que’não’se’manca’da’porca’mente…..

  6. Deu no Estadão:

    NOTICIAS DA DIREITA, TFP (e a PQP) :

    O Centro Difusor do Pensamento Conservador zela pela imagem, no sentido de não ser político, parecer independente da Igreja e do governo.

    A pauta conservadora do governo lhes agrada, aplaudem Damares Alves, e também apoiam a luta travada pelo governo contra o que chamam de ecoterrorismo, o ambientalismo no qual enxergam a “insidiosa transformação de vermelhos em verdes”.

    Para o príncipe D. Bertrand Maria José Pio Januário Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança, segundo na linha sucessória real e um dos líderes do movimento de restauração da monarquia, “Deus criou a natureza para nós, homens”. “O homem é o jardineiro de Deus. E eles (ambientalistas) acham que o homem é o grande predador.”

    Ao seu lado, Adolpho Lindenberg completou: “Esse movimento ecológico é infiltrado por ideias panteístas”.

    Como Bolsonaro, os dois criticam a política indigenista dos governos anteriores.

    Defendem que a fé cristã seja ensinada às tribos como forma de levar a civilização a esses povos.

    Tanto um quanto outro também compartilham das ressalvas do presidente ao “movimento
    negro”, a quem acusam de fomentar o racismo.

    “Todos temos sangue negro em nossas famílias. Até na minha. Uma pesquisa encontrou um negro chamado Ludovico Moro”, revelou o príncipe.

    Seu colega concordou. “Essa insistência do movimento negro cria o problema racial no Brasil, problema que nunca houve.”

    …………………………….

    Pra voce que leu ate aqui este monte de infamias.
    Pra voce que tem tempo pra essa monstruosidade burguesa.
    Pra quem acredita que alguma coisa que preste possa realmente sair desse tipo de gente, MEUS PÊSAMES!

    O diluvio, a praga, o vírus, a guerra, não faz seleção via o social.

    Voces estão no Século errado, fedendo a naftalina, e nunca, mas NUNCA, terão voz e poder como tiveram no passado.

    R.I.P. bando de múmias do inferno!

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