Empresário delator relata entrega de dinheiro vivo a deputados federais do Rio

Júlio Lopes, do PP, é um dos acusados de corrupção

Italo Nogueira
Folha

​O empresário Leandro Camargo afirmou em delação que os deputados federais Francisco Floriano (DEM-RJ) e Júlio Lopes (PP-RJ) receberam propina do empresário Miguel Iskin, apontado como organizador do cartel internacional em pregões do Into (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia) e da Secretaria de Saúde do Rio. O colaborador afirmou também que os dois mantiveram uma forte disputa por cargos de direção no Into, sempre intermediada por Iskin.

A delação de Camargo, homologada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, foi uma das bases para a Operação Ressonância, deflagrada na semana passada. Ele é dono da Per Prima, então fornecedora do Into.

APOIO POLÍTICO – O empresário relatou que Floriano pressionou o ex-diretor-geral do Into, Christiano Cinelli, a lhe dar propina a fim de garantir apoio político na manutenção do cargo. Camargo então se tornou um intermediário entre Cinelli, Iskin e Floriano. Foi acertado então um pagamento mensal de R$ 150 mil por mês, delatou.

A primeira parcela foi paga em duas “viagens” de Camargo, de acordo com o relato. A segunda, de R$ 50 mil, ocorreu em 6 de janeiro de 2017.

“O deputado ficou muito insatisfeito, pois disse que esperava um valor maior, visto que sabia quanto a Oscar Iskin [firma de Miguel Iskin] havia ganho no final do ano e que tomaria as providências para tirar o Miguel do esquema”, afirmou o colaborador. Floriano ameaçou ainda tirar Cinelli do cargo porque o então diretor-geral não honrou “o compromisso com a ‘bancada da saúde’ do Rio de Janeiro”, relatou o delator.

AOS GRITOS – Na semana seguinte, o deputado foi visto no Palácio do Planalto aos berros se queixando sobre a demora na nomeação de um apadrinhado no Into. “Se a Secretaria [de Governo] não resolve, então a Casa Civil vai ter que resolver. Se eu não for recebido ainda hoje, vou chutar a porta dos gabinetes”, gritou o deputado, segundo relato do jornal O Globo à época.

Camargo afirma que três meses depois Iskin jantou com o deputado e acertaram a nomeação de Naasson Cavanellas, designado em abril de 2017. Naquele mês foi deflagrada a Operação Fatura Exposta, que prendeu Iskin. O empresário foi solto em dezembro, por liminar do ministro Gilmar Mendes, do STF.

MAIS PROPINAS – De acordo com o MPF, a prisão não interrompeu as cobranças de propina. Camargo relatou que ainda sob a gestão do atual diretor, André Loyelo, foi abordado por pessoas ligadas à direção solicitando propina. O nome de Floriano foi mencionado por um deles, em janeiro deste ano. Loyelo foi preso na quarta-feira (4).

Camargo declarou também que “presenciou quando o deputado Júlio Lopes esteve na casa de Miguel Iskin para buscar dinheiro, que foi entregue em um saco cinza, desses auto-adesivos, com uma quantia de R$ 100 mil”.

A informação sobre o valor foi dada, segundo o delator, por Gustavo Estellita, sócio de Iskin. “Estellita disse que não tinha sido o primeiro pagamento feito ao deputado, que esse era mais um pagamento. Estellita disse: ‘Já pagamos um puta dinheiro para esse cara e até agora não resolveu nada'”, declarou Camargo à PGR.

TODOS NEGAM – Floriano afirmou, via assessoria, “que não conhece qualquer das pessoas citadas” e “que nunca manteve encontro com qualquer uma delas e que nunca recebeu qualquer tipo de recurso ilícito”.

Ele disse ter indicado Loyelo ao cargo de diretor-geral do Into “baseado em critérios técnicos”. “Em relação ao episódio no Palácio do Planalto, o parlamentar nega, como já havia feito na época, o comportamento atribuído a ele, tendo, inclusive testemunhas que confirmam sua versão.”

Júlio Lopes disse que a delação de Camargo é “absurda, mirabolante”. “Um sujeito que não se constrange em dizer que deu ouvidos a um comentário de outra pessoa. Não pode ser séria uma delação que se vale de fofocas insidiosas”, disse em nota.

8 thoughts on “Empresário delator relata entrega de dinheiro vivo a deputados federais do Rio

  1. Assim, como um simples advogado é tratado de doutor pela plebe, sugiro darmos aos nossos cafajestes um título honorífico. Pensei em Cafa, para abreviar o cafajeste. Exemplos: o Sr Cafa Renan tem o direito de se defender; o Cafa Lula deveria ser enforcado. E assim por diante. Boa idéia ou devemos chamá-los pelo título completo CAFAJESTES? Uma ressalva: em se tratando de um juiz da segunda turma da Suprema Bosta, talvez devêssemos ajuntar um Dr Cafa – afinal, eles são doutores!

  2. Com o pode, Bolsonaro há 28 anos vivendo na política do Rio e não sabia de nada – igual os componentes de todos as quadrilhas sob a forma de partidos políticos para assaltar o estado …

      • O povo é muito sem noção. Tudo é o Bolsonaro! Foi citado? Não! “Ah mas ele é do Rio…” Taqueopariu!

        Me lembrei do meme:

        Repórter: Bolsonaro, você prefere café ou suco?
        Bolsonaro: Suco.
        Reportagem: Bolsonaro quer acabar com a indústria do café no Brasil deixando milhares de mulheres e trans desempregados.

        Kkkkkkkkk… ridículo

        • E todos nós somos brasileiros, portanto, segundo a lógica idiotizante, todos somos corruptos igualzinho os políticos, lula, aécio, cunha,etc…

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