Enquanto a Justiça apodrece, as facções e as milícias estão crescendo e se estabelecendo

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Charge do Amarildo (Amarildo.com)

Carlos Newton

No desenvolvimento da civilização, as leis foram criadas para possibilitar a maior harmonia possível na sociedade, protegendo direitos e estabelecendo deveres. No caso do Brasil, já afirmamos aqui na Tribuna que o maior problema do país é a podridão da Justiça, que inclui o desrespeito às leis pelos próprios magistrados, como se constata ao acompanhar o dia a dia no Brasil, onde os ministros mais suspeitos do Supremo podem julgar suspeição do juiz mais eficiente do país. É o novo normal.

Em qualquer país, o fator que mais evita os crimes é o temor da Justiça. Por isso, quando a impunidade se instala, a Justiça se desmoraliza e a equilíbrio social sai do eixo, porque a criminalidade logo ocupa os vácuos de poder. É justamente essa circunstância que explica o perigoso crescimento das facções e milícias nas grandes cidades brasileiras.

TRÊS PODERES – Quando aprimorou os ideais democráticos do filósofo alemão John Locke e imaginou a divisão do Poder em Executivo, Legislativo e Judiciário, na sua obra “O Espírito das Leis”, de 1748 – o genial pensador francês Charles de Secondat, barão de Montesquieu, não contava com a posterior deturpação de suas teses, através da criação de um Quarto Poder.

Nos países mais desenvolvidos, onde realmente existe o primado da lei, esse Quarto Poder é a Imprensa, mas em nações ainda carentes como Brasil e México, existe hoje o Poder Paralelo do Crime, que ocupa bairros carentes e guetos para dominar a sociedade com suas milícias e facções criminosas.

No Estados Unidos e outros países, também existe esse problema do Poder Paralelo, com bairros ocupados pelo crime, sem que as autoridades possam intervir, como já ocorre até em Estocolmo, capital da Suécia. Mas ainda acontece em menores proporções, na comparação com Brasil e México, países infectados pela desigualdade social..

EXEMPLO DO JAPÃO – O crescimento das máfias faz parte desse processo internacional. No Japão, por exemplo, a sanguinária Yakuza cresceu a tal ponto que começou a influir na política. A solução encontrada foi um rigor total nas leis, com permanente tolerância zero.

Para não serem reconhecidos, os policiais japoneses até costumam usar máscaras, que são obrigatórias nos presídios. Todos os funcionários e guardas usam máscaras, para não serem reconhecidos, cooptados ou assassinados pela máfia. E os detentos têm de manter sempre a vista baixa, não podem olhar o rosto dos guardas. Quando o fazem, vão para a solitária.

No Brasil, é o contrário. Praticamente todas as penitenciárias estão dominadas pelas facções dos traficantes, que começam a conviver e dividir territórios com os milicianos, mais interessados em dominar a venda de água e gás de cozinha, a construção urbana, a distribuição ilegal de TV a cabo e a vende de “proteção” a comerciantes. Se as facções e milícias realmente se unirem, estamos liquidados.

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P.S.
É claro que o atual modelo brasileiro não pode dar certo. Pretender que a riqueza total possa conviver com a miséria absoluta é uma idiotice inaceitável. Se ainda estivesse conosco, padre Quevedo logo diria que “isso non ecziste”. Nas cidades, os criminosos estão soltos, mas a classe média passou a viver atrás das grades. Mas quem se interessa? (C.N.)

15 thoughts on “Enquanto a Justiça apodrece, as facções e as milícias estão crescendo e se estabelecendo

  1. Não sei se concorda. Mas parte desse problema, no Brasil, ocorre porque o Governo Federal deixou às polícias estaduais o enfrentamento do problema que, pela Constituição, é competência dele (Gov.Federal).
    Essa omissão vem desde sempre.

    • Diz a Constituição, no parágrafo 1º do artigo 144, ao tratar da competência da Polícia Federal:

      I – apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, ASSIM COMO OUTRAS INFRAÇÕES CUJA PRÁTICA TENHA REPERCUSSÃO INTERESTADUAL OU INTERNACIONAL E EXIJA REPRESSÃO UNIFORME, segundo se dispuser em lei;

      II – PREVENIR E REPRIMIR O TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES E DROGAS AFINS, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência;

      III – exercer as funções de POLÍCIA MARÍTIMA, AÉREA E DE FRONTEIRAS;

      III – exercer as funções de POLÍCIA MARÍTIMA, AEROPORTUÁRIA E DE FRONTEIRAS;

      • No entanto, historicamente a Polícia Federal mais atuou em crimes financeiros, previdenciários, deixando o combate ao crime organizado, que movimenta drogas e armas q cargo e sobrecarregando as policiais estaduais, que por sua vez nem combatem o crime local com eficiência e tem atuação como enxuga gelo no combate ao crime organizado e gerando consequências mesmo para elas, pela proximidade, como a corrupção da polícia militar e civil, fora que não tendo órgãos de controle financeiro na sua esfera (Bacen, Receita), há dificuldade de identificar e cortar o braço financeiro das organizações.

        • Leão da Montanha, meu caro … Bom dia!

          Tal situação se chama de FOQUISMO … antes tinha o nome de Cangaço.

          O Centralismo Democrático de Moscou não aceitava o FOQUISMO bolado por Che Guevara exatamente porque pressentiam no que daria kkk KKK kkk

          Em 1936, Nossa Senhora apareceu em PE e avisou que o Cangaço iria para as cidades … com banho de sangue … parecido com o que então acontecia na Espanha.

          Sds.

  2. É! Do jeito que a coisa vai, não demorará muito para que os anéis sejam retirados junto com os dedos.
    O crime, cada vez mais se organiza. O estado, que deveria ser “politicamente organizado”, cada vez mais se desorganiza, sendo que as “facções e milícias”, cada vez mais assumem as feições de “instituições”, e as instituições, assumem as feições de “facções e milícias”. Chegamos as vésperas do desastre.
    Os interesses privados, passaram a prevalecer sobre os interesses públicos, o estado passa a ser dominado por classes de privilegiados, que apenas veem os seus motivos e desejos, relegando a imensa maioria a condição de “contribuinte ou pedinte”, que com o dinheiro de uns, tentam manter vivos outros.
    Os poderosos tentam se manter no poder, com arremedo de regime a qual chamam de democracia, enquanto os alijados nas periferias, vão se organizando baseados na força bruta.
    Certamente o embate entre o poder real e marginal, se dará e é bem provável que só haja perdedores, e ai as consequências serão inimagináveis.
    Já esta passando da hora de todos lembrarem que são brasileiros, e que se o barco afundar, todos se afogarão, portanto é melhor esquecer as ideologias e outros ranços políticos voltarmos a nos organizar, porque os “alijados”, já estão fazendo.
    Que alguém proponha um pacto para que se tente reverter a situação, porém uma coisa é fundamental, HONESTIDADE. Sem esta virtude incrustada na vontade de cada um, vai ser difícil se chegar a algum lugar.

  3. Disse tudo caro C.Newton, quem se importa? Hoje cada um se defende e vive como pode, o Estado a cada dia mostra mais e mais a sua inutilidade. É o Deus nos acuda institucionalizado.

  4. Comentário muito bem feito do comentarista Ching Ling mas, ao final, propôs algo inimaginável para o país, nessas alturas:
    Pacto.

    As razões que ele mencionou no seu ótimo texto servem para eu lhe mostrar a impossibilidade dese acordo, em face de vaidades, obsessão pelo poder, que significa carta branca e impunidade, e acesso aos cofres públicos, simplesmente o motivo de sucumbência de nossos governantes e “representantes” do povo, o poder Legislativo.

    Os interesses e conveniências pessoais, políticas, partidárias, sobrepujam qualquer possibilidade de pensarem no povo e país.
    Pelo contrário, o cidadão ainda é um certo entrave para que as castas, elites e poder econômico assumam as rédeas do comando nacional de vez.

    Apesar de o Executivo ser apenas marionete nas mãos do sistema, que se preparou há anos para dominar esta nação e seus habitantes, a falsa democracia brasileira ainda usa o cidadão para dissimular que as eleições são a legítima comprovação do regime democrático, enquanto sorrateiramente rouba, explora e manipula o povo inculto e incauto, analfabeto absoluto e funcional, incapaz de discernir por si só o que seria importante para o Brasil e para ele mesmo, e totalmente destituído de senso crítico.

    Não haveria lugar mais atraente, mas fácil de manejar que o Brasil.
    A única condição para dominá-lo totalmente seria impedir o acesso à educação/ensino apropriados, intenção obtida, e hoje colhe os frutos de milhões de pessoas que não sabem se a capital do Estado da Paraíba é João Pessoa ou é a pessoa do João.

    Portanto, Ching Ling, esquece essa questão de pacto, pois não só irrealizável quanto impossível que os poderes constituídos se unam em prol do Brasil e do seu povo.
    Mais uma questão:
    esquece porque inexistente, a HONESTIDADE como necessária neste acordo, pois tu não só estás querendo um milagre como estás pedindo para quem só tem o mal como rumo, a corrupção como meta, o roubo como objetivo.

    Abraço.
    Saúde e paz.
    Feliz Páscoa.

  5. 1) Dica de leitura para o fim de semana:

    2) Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antonio de Almeida, um clássico da Literatura Brasileira.

    3) O autor (1644-1694) nasceu em Macaé, RJ. Era médico, escritor e jornalista, Escrevia no antigo Correio Mercantil.

    4) Conta a história de um malandro… que se torna Sargento…

    5) Profético ! ?

    • Antonio Rocha. Há muito li esse livro. Os escritores brasileiros de outros tempos são fantásticos. Hoje em dia é de uma pobreza… que tenho preferido estrangeiros. Se tiver algum que indique agradeceria.

      • Desculpe minha “audácia”, mas tenho uma sugestão de leitura, após ler teus comentários:
        O VENDEDOR DE PASSADOS, de José Eduardo Agualusa, angolano.
        Na contracapa encontramos a sinopse do livro, a saber:

        “Félix Ventura escolheu um estranho ofício: vende passados falsos. Os seus clientes – prósperos empresários, políticos, generais, enfim, a emergente burguesia angolana – têm o futuro assegurado. Falta-lhes, porém, um bom passado. Félix fabrica-lhes uma genealogia de luxo e memórias felizes, e consegue-lhes os retratos dos ancestrais ilustres.

        A vida corre-lhe bem. Uma noite entra-lhe em casa, em Luanda, um misterioso estrangeiro à procura de uma identidade angolana. Então, numa vertigem, o passado irrompe pelo presente e o impossível começa a acontecer. Sátira feroz, mas divertida e bem-humorada, à atual sociedade angolana, O Vendedor de Passados é também (ou principalmente) uma reflexão sobre a construção da memória e os seus equívocos.”
        .

  6. Paradoxos:

    Conhecer, e conhecer a fundo!, que um dos maiores problemas brasileiros atuais são as organizações crminosas que integram o governo paralelo – leia-se MILÍCIAS -, e fazer campanha e votar em coiteiro de milicianos há décadas!!!

    .

    Importante: o mesmo se aplica ao citado como “maior juiz do país” que aceitou cargo nessa QUADRILHA que ora governa o Brazil.

  7. E além de colocar agentes locais (polícia militar e civil) diretamente combatendo o tráfico, com seus baixos salários, o que deixa próximo da corrupção, teve aí que para “compensar” passou-se a fazer vista grossa para os bicos e mesmo a participação desses em empresas de segurança privada, muitas irregularidades… e outras com foco no crime mesmo.

  8. Não discordo de Batista Filho quanto as razões que mencionou no comentário acima, afirmando sobre a “quadrilha que ora governa o Brasil”.

    Mas, alerto que não é somente no Executivo que bandos de criminosos estão incrustados mas, principalmente, e porque este poder é uma quadrilha plena, o parlamento seria o nosso maior inimigo!

    Vou mais além:
    até mesmo no Judiciário, nos tribunais superiores, são visíveis os sinais e acenos que também algumas organizações criminosas atuam livremente, dificultando sobremaneira que possamos apontar qual delas seria a mais nefasta, nociva e perniciosa, que age contra o Brasil e seu povo.

    A meu ver, e pelo fato de uma de suas funções é fiscalizar o Executivo, função que foi substituída por acordos espúrios com este poder, eu diria que o Legislativo por ser totalmente corruto, ladrão, vagabundo, que legisla em causa própria, que somente atua em seu próprio benefício, seria a quadrilha que manda e desmanda neste país.

    E corrobora com esta atuação criminosa decisões egressas do STF, que garantem a impunidade, que mantém o sistema, que impedem que a Justiça seja feita contra aqueles que nos lesaram e ocasionaram prejuízos incalculáveis para o Brasil.

    Sem a participação dos demais poderes, o Executivo teria seus tentáculos mais curtos e fracos.

    Saúde e paz.
    Feliz Páscoa.

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