Entenda o que Olavo de Carvalho pensa dos bilionários capitalistas que hoje financiam a nova esquerda

Frases do Carvalho - Home | FacebookMário Assis Causanilhas

Na segunda parte de sua análise, o antropólogo social Flávio Gordon explica as teorias do filósofo Olavo de Carvalho sobre globalismo e socialismo. A seu ver, os maiores empresários do mundo, que ele chama de metacapitalistas, investem na esquerda para conseguir se livrar da submissão ao mercado e ficar imunes a crises.

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O SOCIALISMO DOS GRÃOS-SENHORES E DOS ENGENHEIROS SOCIAIS A SEU SERVIÇO

Flávio Gordon     Gazeta do Povo

A ideia de que ricos de esquerda são uma impossibilidade é um vício de raciocínio contaminado com elementos de marxismo, a começar pela teoria da determinação material da consciência A hipótese acima resumida não é minha, mas do filósofo Olavo de Carvalho. Há quase duas décadas, Olavo já refletia sobre o tema, que até hoje soa inverossímil para a nossa provinciana classe falante.

Para qualificar tipos como Soros, Rockefeller, Ford – e, numa escala menor, talvez até o nosso Lemann –, o filósofo cunhou o termo metacapitalistas.

O NOVO SOCIALISMO – No artigo “História de quinze séculos”, publicado no Jornal da Tarde em 2004, os metacapitalistas são definidos como “a classe que transcendeu o capitalismo e o transformou no único socialismo que algum dia existiu ou existirá: o socialismo dos grãos-senhores e dos engenheiros sociais a seu serviço”.

Segundo Olavo, ao contrário do burguês capitalista clássico, que tinha na fortuna acumulada a base exclusiva de seu poder, os metacapitalistas fundamentam o seu poder também no controle do aparato político, burocrático e militar, assemelhando-se, nesse sentido, às velhas aristocracias europeias, apenas que, ao contrário delas – cujo poder era socialmente legitimado pelo prestígio conquistado graças aos triunfos militares contra os invasores bárbaros, ao tempo do colapso do Império Romano –, a nova aristocracia metacapitalista detém um poder tão substancial quanto ilegítimo, baseado unicamente no autointeresse e na formação de oligopólios financeiros e políticos.

UM EPISÓDIO EFÊMERO – Em comparação com a longa duração das ordens medieval e absolutista – que, juntas, somam quase 15 séculos –, a ordem liberal-burguesa propriamente dita, fundada no livre mercado, teria sido um episódio efêmero na história humana. Parecendo descrever precisamente o cenário atual do ano 2021, em que os donos das maiores fortunas ocidentais investem pesado no fomento ao radicalismo de esquerda e no cortejo à ditadura comunista chinesa, Olavo explica:

“Um século de liberdade econômica e política é suficiente para tornar alguns capitalistas tão formidavelmente ricos que eles já não querem submeter-se às veleidades do mercado que os enriqueceu. Querem controlá-lo, e os instrumentos para isso são três: o domínio do Estado, para a implantação das políticas estatistas necessárias à eternização do oligopólio; o estímulo aos movimentos socialistas e comunistas que invariavelmente favorecem o crescimento do poder estatal; e a arregimentação de um exército de intelectuais que preparem a opinião pública para dizer adeus às liberdades burguesas e entrar alegremente num mundo de repressão onipresente e obsediante (estendendo-se até aos últimos detalhes da vida privada e da linguagem cotidiana), apresentado como um paraíso adornado ao mesmo tempo com a abundância do capitalismo e a ‘justiça social’ do comunismo. Nesse novo mundo, a liberdade econômica indispensável ao funcionamento do sistema é preservada na estrita medida necessária para que possa subsidiar a extinção da liberdade nos domínios político, social, moral, educacional, cultural e religioso”, diz o filósofo.

“CONTROLE DO PROCESSO” – Com isso, os megacapitalistas mudam a base mesma do seu poder. Já não se apoiam na riqueza enquanto tal, mas no controle do processo político-social. Controle que, libertando-os da exposição aventurosa às flutuações do mercado, faz deles um poder dinástico durável, uma neoaristocracia capaz de atravessar incólume as variações da fortuna e a sucessão das gerações, abrigada no castelo-forte do Estado e dos organismos internacionais…”, salienta Olavo de Carvalho, acrescentando:

“Essa nova aristocracia não nasce, como a anterior, do heroísmo militar premiado pelo povo e abençoado pela Igreja. Nasce da premeditação maquiavélica fundada no interesse próprio e, através de um clero postiço de intelectuais subsidiados, se abençoa a si mesma”.

Também em 2004, em palestra proferida na OAB de São Paulo, Olavo explica o problema de maneira ainda mais clara, esclarecendo o porquê de o establishment financeiro mundial (Wall Street, Davos, Fundação Rockefeller, Fundação Ford, Fundação Open Society etc.) apoiar invariavelmente movimentos e organizações de viés estatizante e socialista.  

SEM SUBMISSÃO AO MERCADO – “Para entender isso” – diz Olavo – “é preciso investigar um mecanismo que é gerado pelo próprio capitalismo, e que funciona assim: o sujeito, dentro da economia de mercado, prospera e enriquece de tal maneira que, quando chega num ponto, percebe não ter mais motivos para continuar submetido às oscilações do mercado. O mercado que o produziu, daí por diante, se torna uma ameaça. Então é preciso cair fora das leis de mercado para garantir a permanência da grande fortuna pelas gerações seguintes. O indivíduo, então, entra com um tipo de consideração que já não é capitalista, mas que é de ordem dinástica… A partir desse momento, a abordagem que essas pessoas fazem da sociedade já não corresponde a uma perspectiva capitalista, mas a uma perspectiva de tipo aristocrática… Quando essas grandes fortunas começam a raciocinar em termos dinásticos, elas têm de vencer o próprio mecanismo da economia de mercado que as constituiu, e só tem um jeito de fazer isso: você tem de dominar o Estado. Isso quer dizer que o poder dessas grandes organizações é econômico até certo ponto, mas depois se converte num poder político-militar que independe do curso dos assuntos econômicos porque detém os meios de dirigir, dominar e estrangular o mecanismo do mercado. A essas pessoas [donas das grandes fortunas] eu chamo de metacapitalistas. Metacapitalistas são aqueles que começaram como capitalistas, mas já transcenderam essa condição e se tornaram uma espécie de nova casta aristocrática”.

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9 thoughts on “Entenda o que Olavo de Carvalho pensa dos bilionários capitalistas que hoje financiam a nova esquerda

    • Vc tem razão, é muito delírio sem noção, um enorme desserviço para a população e, sobretudo, para o encontro de alguma possível solução. Sinta o drama. Dia desses, no início da pandemia, tive que ir ao banco onde me deparei com um professor e advogado, e um sindicalista, conhecidos de longa data, engajados na política há muito tempo, e num bate-papo rápido sobre como resolver o Brasil, o professor e advogado me sai com esse papo furado de que a culpa de tudo é de todas as desgraças do Brasil é de uma tal “nova ordem mundial”, financiada por um tal “George Soros”, etc. e tal. Frustrado, porque achava que era eu o autor da nova ordem, pedi ao cidadão que explicasse então que raio de “nova ordem é essa”, pelo amor de Deus, porque a maldita velha ordem da qual somos todos reféns é o que está nos matando. O Cidadão, com o zoião esbugalhado, desconversou, não soube explicar nada e bateu em retirada. Veja vc até onde e a que ponto chegou a demência petulante da ignorância..

  1. Excetuando os exageros,o Prf° Olavo,tem razão nas suas observações,em nova versão…
    Diversificação dos negócios.

    O capitalismo não tem bandeira ideológica.
    Capital,o dinheiro, economia, é totalmente liberal.
    Mas,para cuidar dessa economia liberal,os donos do liberalismo,($$$$$),criam Gendarmaria,onde os GENDARMES são “democraticamente”,eleitos cuidando dos seus “interésses”.

    Politburo Chinês, não foge a regra…

  2. Concordo totalmente com a ideia do astrólogo-filósofo, sim este metacapitalismo é o sonho dos megabilionários, esta gente já começou a ditar as regras para o funcionamento do mundo, veja-se o comportamento dos donos das redes sociais, de uma hora para outra se acham no direito de censurar este ou aquele, baseado em critérios que eles dizer serem os corretos. E quem é que disse que estes megabilionários sabem o que é correto, o que é bom e o que é mal? O mundo do Grande Irmão já está acontecendo e ainda não nos demos conta.

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