Entre o drama de Osmundo em 1997 e o Brasil de 2018, pouca ou nenhuma diferença.

O HCE recusou atendimento ao velho ex-funcionário

Jorge Béja

Queira ou não, e por culpa dos governos petistas, o Brasil desde a eleição e posse de Jair Bolsonaro passou a ter um 4º poder do Estado: o poder militar. Sim, as Forças Armadas. E que seja para o bem da Nação. Em plena democracia, os militares tomaram conta do poder. Sem alternativa, foi a escolha que eleitor fez na eleição de 2018. Nesta quarta-feira em Brasília, na transmissão do comando da Marinha, solenidade que Bolsonaro, de surpresa e sem razão plausível, chegou de lancha atravessando o lago Paranoá! (será que Bolsonaro quando chegar a vez da Aeronáutica vai chegar de paraquedas?), discursaram comandantes militares. E foram enfáticos quando afirmaram que a reforma de Previdência, de que tanto se fala e promete, não pode mexer com os militares, “que são homens e mulheres diferentes dos demais brasileiros”. Por isso merecem tratamento diferenciado, dizem eles.

É até aceitável e compreensível que os militares são diferentes mesmo. São brasileiros aquinhoados com enormes garantias de toda a sorte que o restante do povo não tem.

SEM GARANTIAS – Mas o decepcionante nos discursos foi a falta da defesa das mesmas garantias médicos-sociais e previdenciárias que o povo também imperiosamente precisa ter e não tem. Quanto a isso, o silêncio dos comandantes militares foi completo. Defenderam os integrantes das três forças e seus familiares e não defenderam a grande família que é o povo brasileiro que, sem farda, também tem os mesmo direitos que os fardados e seus descendentes têm.

E por favor, não venham dizer que, no âmbito do atendimento médico-hospitalar, os hospitais Salgado Filho, Getúlio Vargas e Souza Aguiar, para citar apenas três aqui no Rio, são iguais ao Hospital Naval Marcílio Dias, ao Hospital Central da Aeronáutica, ao Hospital Central do Exército e outros centros médicos e policlínicos militares também localizados aqui no Rio, onde nada falta e o atendimento é de excelência, ao passo que nos três primeiros citados tudo é penúria, dor e sofrimento, onde tudo falta e falta tudo.

Mas esse atendimento de excelência é exclusivo para os militares e suas famílias. Ninguém mais tem direito de ser atendido lá. E não adianta insistir. A resposta é negativa, embora sejam entes e órgãos sustentados e mantidos com o dinheiro do povo brasileiro. Também lá, nos citados centros médicos militares, não se obra por benemerência.

UM TRISTE EXEMPLO – Vejam agora um exemplo doloroso, maldito, concreto e verdadeiro que aconteceu em 1997 aqui no Rio. O fato é suficiente para dispensar maiores considerações neste artigo.

Osmundo Ferreira dos Santos, por 14 anos foi militar do Exército. Deu baixa e em seguida trabalhou por mais 16 anos seguidos como carpinteiro do Ministério do Exército. Em Julho de 1997, aos 92 de idade, passou mal e não foi atendido no Hospital Rocha Faria. Em estado grave a família procurou socorro no Hospital Central do Exército( HCE ). Afinal, o idoso dedicou 30 anos seguidos de sua vida ao Exército Brasileiro e o HCE negou a prestação de socorro.

Foi quando o jornal carioca O DIA publicou o drama de “seu” Osmundo. Quando li, vesti o paletó, deixei o escritório, peguei um táxi e procurei a família para ajudá-la. E com procuração dos filhos, dei entrada em 21 de Julho, na Justiça Federal, com um Mandado de Segurança contra o diretor do HCE, pedindo à Justiça que o HCE prestasse todo o atendimento médico, Inclusive internação, que “seu” Osmundo precisava.

E imediatamente o juiz Marcelo Pereira da Silva, da 27ª Vara Federal do Rio, aceitou os argumentos expostos na petição e expediu ordem para o HCE internar “seu” Osmundo e dele cuidar.

RECEBEU ALTA – A ordem foi cumprida no dia 22 de julho. Em 7 de agosto seguinte, o HCE dá alta ao paciente que, em casa, volta a piorar no dia 21 de novembro. Levado novamente ao HCE, o atendimento foi negado.

“A liminar judicial foi para aquela ocasião e agora precisa outra”, disse a direção do hospital.É inacreditável mas foi verdade. E no dia 26 de novembro de 1997 “seu” Osmundo morre em casa.

A morte de “seu” Osmundo foi manchete de primeira página do jornal O DIA, que havia escalado o repórter Humberto Medina para acompanhar o caso desde o início. E a matéria foi de página inteira. E nesta página 13, a publicação da despedida de seu advogado, que escreveu o texto chorando de revolta:

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“SONHO DE FUTURO VISOU ILUSÃO“

Perdoem os que desprezaram o seu laborioso passado, crucificaram sua velhice e escarneceram da sua enfermidade. Morreu o carpinteiro Osmundo. No anonimato de homem simples e humilde, ele viveu do trabalho e para o trabalho. Apostava no futuro. Acreditava na construção de um Brasil sadio, com ordem e progresso. O tempo passou e o futuro chegou. E a resposta foi cruel. As madeiras que suas mãos transformaram em obras de arte, o cupim destruiu. Seus sonhos não passaram de ilusão. A tranquilidade que esperava ter na velhice foi desastrosa. Não fossem o empenho de sua pequena família e as mãos amigas que lhe foram estendidas, sua vida não teria se prolongado um pouco mais.

Como dói a morte de seu Osmundo. Hoje, dia do sepultamento, nada mais justo e cívico que cobrir o caixão com o Bandeira Nacional, na forma que a lei permite: para homenagear um grande brasileiro. E, também, como desagravo e súplica de perdão, por tanto abandono e maldade que sofreu no fim da vida. Adeus, seu Osmundo”.

QUESTÃO DE TEMPO – Hoje, com a volta dos militares ao poder, mesmo no regime democrático, muitas histórias como a de “seu” Osmundo vão se repetir. É questão de tempo. E as perspectivas e os sinais iniciais deste novo governo — ao sentir dos discursos dos comandantes militares — não são promissores.

Se passados 9 dias, só se viu e ouviu desencontros, desmentidos, favorecimentos, nepotismo, vaidades… o que não irá acontecer com 90, 900 e mais dias e meses passados?

25 thoughts on “Entre o drama de Osmundo em 1997 e o Brasil de 2018, pouca ou nenhuma diferença.

  1. Fora de pauta.

    Dr. Jorge Béja, por gentileza, quero fazer uma pergunta ao Sr.

    Em 1999 foi criado o fator previdenciário onde quem estava neste ano com 25 anos
    de contribuição ao INSS não foi afetado pelo fator, então nos dez anos seguintes,
    para homens, se aposentaram pelo teto se contribuíram para isso.
    A partir de 2010 até 2015(quando foi criada a fómula 85/95) os trabalhadores que
    contribuiam para o INSS sofreram redução na aposentadoria de 30 a 40%, então em
    um espaço de tempo de 5 anos os trabalhadores foram extremamente prejudicados pois
    em 2015 a regra mudou para melhor.

    Pergunta:

    Os segurados que se aposentaram entre 2010 e 2015, por ser uma parcela pequena.
    Não teriam, baseado no Direito, alguma forma de terem sua aposentadoria
    melhorada? Já que, no meu ponto de vista, foram extremamente prejudicados.

  2. Prezado Dr Beja,

    Será que o senhor omitiu, por ignorância, desinformação ou má fé em seu comentário sobre a discrepância entre os hospitais militares e os do governo do Rio de Janeiro que os militares são administrados com competência e os civis com política? Que os militares descontam de seus vencimentos uma parcela razoável para mantê-los.
    Saudações
    Adalberto Nunes Neto

  3. As tão necessárias reformas só vão acontecer para o pessoal do andar de baixo. Quem fala em reformar as aposentadorias do Judiciário, do Legislativo? Falam em reformar as aposentadorias do pessoal do andar de baixo do Executivo, este já está acostumado a ganhar pouco mesmo. E do povo trabalhador, aquele que levanta as 5 da matina e pega o “saunão”, novidade carioca oferecida a quem vai de ônibus para o trabalho. É para nós, a turma que que puxa saco e por isto puxa carroça que a prometida “reforma’ da Previdência vai acontecer. Para Suas Excelências, togadas ou fardadas não vai.

        • Eu também, senhora leitora. Defendi muitos Osmundos, os mesmos que a senhora diz existir e por eles sofrer também.. Defendi-os. Conheci-os. Amei-os. Por eles chorei muito. A eles dei tudo de mim pelo dever de dar. E hoje, perto dos 73, sou um mulambo. Quase, quase, um deles.
          São fatos verídicos na minha vida profissional, toda toda doada ao próximo sem vez, sem voz, sem nada.

          • Sem vez, sem voz, um profissional exemplar, com o conhecimento e a pena em favor de desvalidos? Não, doutor, não. Sua missão ainda não chegou ao fim, embora já tenha marcado caminhada iluminada, com a mão estendida a quem precisou e precisa.Temos lido sua saga, em favor de quem pouco ou nada tem.

  4. BRASIL acima de Todos.

    Brasil é o eufemismo que eles utilizam para se auto referirem.

    Todos é o eufemismo que eles utilizam para se referirem a Nós.

    E morrem de rir, quando veem uma Fração expressiva de Nós em coro brandindo o Bordão com o qual dialogam com esta Fração excitada e mobilizada.

    No começo, este tipo de abordagem sempre aparenta dar certo.

  5. Realmente lamentável o viés comunista soltando informação distorcida. Até entendo que a boquinha acabou, mas as informações deveriam ser levantadas para não agir de má fé. Hospitais militares são verdadeiras açougues, onde falta tudo, não tem verba para nada. Militares tem recorrido a planos de saúde,pois os hospitais militares falta de tudo, principalmente material humano com experiência ou tem algum médico que vai servir para ganhar 7 mil reais. Parece que quem escreveu isto vive no mundo paralelo ou então em um mundo vermelho. Lamentável, pois a idade deveria trazer junto a sabedoria de opinar com responsabilidade.

  6. O Professor Jessé de Souza diagnosticou corretamente o Fator Determinante da Mobilização deste contigente de Feitores, contra os governos anteriores a Temer.

    Diz ele:

    “A Classe Média em geral, aí incluso os militares, não foram às ruas pelo fim da corrupção, mas sim por ver seus privilégios de classe ameaçados pela chegada dos menos privilegiados durante os governos FHC, Lula e Dilma.

    Ou seja.

    O problema não foram os seus graves erros e pecados, mas sim os pequenos avanços realizados pelos trabalhadores.

    Exemplificando: aeroporto não é lugar de pobre. Lugar de pobre é na rodoviária.

  7. A esquerda abarrotou o país de estatais e cargos a serem ocupados por apaniguados, abarrotou a Seguridade Social com os agraciados do “bolsa ditadura” e muitos outros. destruiu a economia, irrigou contas no exterior e obras internacionais com o dinheiro do BNDES, mas tem sempre um culpado e nunca são eles. O presidente atual foi forjado no meio militar, não há como fugir disso, atacar a toda uma classe, não é um bom combate.

  8. É o tal do sonho errado para os simples mortais, que o golpismo ditatorial, o partidarismo eleitoral e seus tentáculos, velhaco$, não se cansam de impor ao Brasil, há pelo menos 129 anos, e o brasileiro comum, coitado, que sobrevive fora dos cercados dos me$mo$, à moda masoquista, não se cansa de embarcar na canoa furada dos me$mo$, há pelos menos 129 anos. É como já disse o Gabeira em relação ao lulopestismo: ” sonhamos o sonho errado” Vocês sonharam o mesmo sonho errado outra vez, repetiram o erro. Jamais urubus cantão iguais a pintassilgo. Leão é Leão, e escorpiões são escorpiões. Prefiro dar ouvidos ao destino que grita nas ruas do país: ” Leão, Leão, Leão, Revolução, a Mega-Solução”. Sonhemos o sonho certo, irmãos.

  9. Apesar da distância incalculável entre mim e o dr.Béja no que tangem a conhecimentos, formação acadêmica, o articulista um célebre e notório advogado, culto, um humanista, pessoa exemplar – mesmo com esta distância -, entendo o nobre jurista e lhe apoio integralmente neste artigo em tela.

    O Brasil se transformou em caldeirão, onde as categorias profissionais que possuem poder, e que pertencem aos Três Poderes, ABANDONARAM O POVO, deixaram-no à mercê das circunstâncias e más intenções de governantes, que mais ainda dramatizam a existência do cidadão comum em obrigar-lhe a pagar esta orgia de dinheiro gasto em salários e aposentadorias especiais para nababos!

    Ora, se o Legislativo e Judiciários são as novas e atuais castas nacionais, e os militares voltaram ao poder, de certa forma nada mais “correto” que seus vencimentos sejam equiparados à nata dos que recebem valores acima de cem mil reais por mês!!!

    Obviamente, na razão inversamente proporcional aos benefícios, aposentadorias, assistências médica e odontológica, hospitais, consultas imediatas, assim como cirurgias e consultas com especialistas imediatamente, o povo se situa na outra ponta, a frágil, a que quebra, a que rebenta, que o joga ao solo nocauteado pelo descaso, pelo desprezo, pela indiferença dos potentados!

    O salário de menos de mil reais para o trabalhador é a prova indiscutível, indesmentível deste escárnio, deste deboche, que se soma à gritante carência da saúde pública!!!

    Pois, o que se comenta, e como se fosse a salvação da lavoura, diz respeito à Previdência Social do … cidadão comum, a grande culpada pela grave crise nacional que ora vivemos!!!

    Muito menos se comenta que, a Previdência dos militares, ocasiona déficits maiores que a nossa, do humilde, ofendido, mal tratado e humilhado cidadão brasileiro!!!

    Por outro lado, quem não entendeu até agora como eu e o dr.Béja agimos com relação à política, espero que em definitivo saibam que somos isentos e imparciais!

    Se, antes, tínhamos obrigação de cair de pau em cima do PT e Lula, agora somos obrigados a fazer o mesmo com o atual governo naquilo que fizer de errado, de injusto, logo, criticável!

    Se Bolsonaro contribuir para aumentar a discriminação contra o povo, aumentar as injustiças sociais, mais ainda nos sacrificar e explorar para que os Três Poderes gozem de uma condição inigualável não só no Brasil, mas no mundo, o ex-capitão enfrentará um jogo duro, de se dividir a bola com muita força, e azar se houver canelas quebradas!

    Dito isso, a continuar aumentando as distâncias de uma vida já miserável do povo em comparação à milionária e nababesca dos militares, parlamentares e magistrados, ADIANTO QUE NOS ENCAMINHAMOS MESMO PARA UMA REVOLUÇÃO INEVITÁVEL, onde a determinação dos governantes em nos aniquilar através da violência e saúde pública deteriorada, salários miseráveis, e ainda sustentarmos com opulência outras categorias, então a solução é irmos à luta, e tomar à força o que nos roubaram e tiraram ao longo do tempo!

    Tanto faz cairmos por uma bala perdida ou porque levamos um tiro à queima-roupa de um ladrão, se, na defesa do que é nosso tombarmos pelos fuzis dos militares, mas estaremos nos fazendo presentes como POVO, CIDADÃOS BRASILEIROS, SERES HUMANOS!!!!!

    BELO E IMPORTANTE ARTIGO, DR.BÉJA.

    Um forte e grande abraço.

  10. Eu, de mim para mim, sempre combati com veemência o modus operandi de pessoas parasitas e inúteis. Creio que uma das grandes maldades dos governos ditos esquerdistas foi a inversão de valores: a sobreposição do improdutivo ao produtivo, do idôneo ao depravado, daquele que quer ao que não quer….. E o que é mais grave: para compensar as “desvantagens por livres escolhas” dessas lástimas, os governos tentaram compensá-las alijando os direitos e arrancando o dinheiro dos idiotas que carregam o país nas costas.
    O desprezo por essa casta imprestável seria uma maneira de levá-a repensar sua condição de germes, num intestino que se esforça para ser sadio. Cabe aqui uma ressalva para excepcionais e incapazes.
    Quanto aos militares, um modo de eles comprovarem suas imprescindibilidades, seria travar uma guerra com um exército bastante experimentado, como o colombiano, por exemplo. Pois os históricos marvócios, nos campos do Paraguai e Itália, não são muito convincentes!

  11. Bom dia leitores(as):

    Senhor Carlos , não se deixe iludir e enganar dor nenhum advogado , pois recorri administrativamente ao INSS ,pedindo correção de meu beneficio , mas foi negado e depois recorri à justiça ,tive o mesmo resultado ,daí saiu uma decisão padrão do “Supremo Tribunal Federal – STF” , tornando todas as ações com esse fim nulas e improcedentes , e se você ainda bobear terá seu benefício reduzido .

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