Equipe de Paulo Guedes negocia a inclusão de militar na reforma da Previdência

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Charge do Henfil (Arquivo Google)

Marcello Corrêa, Martha Beck e Gabriela Valente
O Globo

A equipe econômica do ministro Paulo Guedes negocia com os militares sua inclusão na proposta de reforma da Previdência. A categoria havia ficado de fora do projeto elaborado durante o governo Michel Temer e, inicialmente, também seria poupada em uma primeira versão do texto a ser apresentado pelo presidente Jair Bolsonaro. O cenário pode mudar, no entanto, com a avaliação de que os integrantes das Forças Armadas devam entrar na proposta para “dar o exemplo” de que todos devem contribuir para o reequilíbrio das contas públicas.

O sistema previdenciário dos militares é o que mais depende de repasses do governo, proporcionalmente. Segundo dados do Tesouro Nacional, todo mês, o governo precisa sacar de seus cofres uma quantia para bancar o desequilíbrio existente no sistema de aposentadorias dos servidores públicos civis, militares e do INSS. Mas as Forças Armadas são as que mais precisam de ajuda.

ALTO CUSTO – Os números, compilados a pedido de O Globo pelo economista Pedro Fernando Nery, consultor do Senado, mostram que 92% do custo com o pagamento de pensões a militares da reserva, reformados e dependentes são bancados pelo Tesouro. No regime dos servidores civis, esse peso é de 49% e no INSS a proporção é de 31%.

No ano passado, o déficit total ficou estimado em R$ 43,9 bilhões, um crescimento de 12,8% em relação a 2017. A dependência dos cofres públicos ocorre principalmente porque a contribuição dos militares para o sistema é pequena: a categoria para de trabalhar cedo, por volta dos 50 anos. A alíquota sobre o soldo, válida para ativos e inativos, é de 7,5%, destinada ao pagamento de pensões. Além disso, não há idade mínima, apenas a exigência de 30 anos de serviço para dar entrada no benefício.

Os militares defendem que o serviço tem especificidades que exigem regras diferentes, como disponibilidade total e ausência de horas extras.

TAFNER APOIA – Um dos especialistas que participaram da proposta de reforma que está sendo usada como base pela equipe de Bolsonaro, Paulo Tafner afirma que fazer normas específicas para os militares não é privilegiar a categoria. Repetiu uma frase que tem usado para defender essa parte da sua proposta:

– Se a gente tiver soldado velho, a gente perde a guerra no primeiro dia. Se eu fosse pegar em armas, primeiro, teria de colocar meus óculos antes e morreria antes de atirar – brincou.

Segundo fontes, os militares do governo têm uma proposta pronta, que ainda precisa ser validada com o comando das Forças Armadas. O desenho está sendo discutido com o time do ministro da Economia, Paulo Guedes, que defende que há espaço para avançar mais. Não há decisão tomada ainda, no entanto.

PROPOSTA MILITAR – Em novembro, logo após o resultado das eleições, os militares apresentaram a Bolsonaro uma proposta de reforma. O texto previa a criação de uma idade mínima de 55 anos, aumento do tempo de contribuição de 30 para 35 anos e a previsão de que a contribuição sobre o soldo fosse paga por cabos, soldados, alunos das escolas de formação militar e pensionistas — hoje isentos. Em troca, pediram ao presidente reajuste dos salários dos generais de mais alta patente.

 

A falta de coordenação do governo ao falar publicamente sobre a reforma da Previdência acabou atrapalhando o trabalho da equipe econômica para fechar o texto que será encaminhado ao Congresso.

CONFUSÃO – Segundo interlocutores do Ministério da Economia, o primeiro problema surgiu com a entrevista de Bolsonaro ao SBT, na qual ele disse, sem mais detalhes, que a reforma elevaria a idade mínima de aposentadoria para 62 anos no caso dos homens e para 57 anos no caso das mulheres.

Os técnicos passaram os dias seguintes tentando entender o que havia ocorrido, pois a idade mínima da reforma seria de 65 anos. As idades de 62 e 57 anos estavam previstas, mas apenas para servidores públicos e como um degrau inicial do processo de reforma.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O espírito de corpo dos militares é patético e inadmissível. Querem manter os privilégios no peito e na marra, valendo-se do fato de o presidente também ser oriundo das Forças Armadas. E o almirante Francisco Barroso dizia que o Brasil espera que cada um cumpra o seu dever… (C.N.)

19 thoughts on “Equipe de Paulo Guedes negocia a inclusão de militar na reforma da Previdência

  1. A mamata esta apenas começando…

    Bolsonaro apaga tuíte que dizia que “era do indicado acabou”

    Em 2016, o presidente havia se referido ao escolhido para cargo na Petrobras como “amigo particular”

    https://goo.gl/XZUzSF

    11/01/2019
    ‘Amigo particular’ de Bolsonaro é indicado a gerente de Segurança da Petrobras

    09/01/2019
    Parecer da AGU obriga Ibama a anular multa contra Bolsonaro

    08/01/2019
    Filho de Mourão vira assessor do presidente do Banco do Brasil e triplica salário

    03/01/2019
    Secretário parlamentar de Bolsonaro atua em página de apoio ao candidato

  2. Tudo balela.

    Bolsonaro só queria se eleger.Nunca teve intenção de cumprir as promessas feitas.

    Mais um que enganou o povo.

    Governo que começou fraco e vai terminar pior ainda.

  3. Espero que os militares não ajam como deputados e juízes. Mas a tentação é grande. Uma proposta diferenciada é compreensível, mas não impede que os esforços e sacrifícios devam ser os mesmos que serão impostos às outras categorias. O que impede o regime de capitalização ser também aplicada aos militares? Qual a razão real que faz um oficial poder se aposentar com 50 anos exercendo cargo burocrático? O governo gasta na formação de militares desde as academias. Rapazes e moças se preparam para a vida miltar a partir de 14 ou 15 anos de idade. Acho que o tempo de formação nas academias deveriam se acrescentadas à idade de aposentadoria. Desta forma seria mais justo e honesto com o erário que banca também as academias. Assim, ao menos 7 anos seriam acrescentados na idade mínima. Muito justo pagarem, ao menos em tempo de serviço, a academia que os formou gratuitamente.

  4. Esses “crendeiros chipados” têm uma visão afunilada e segregada de tudo que vai de encontra as suas crendices. Um gestor que se propõe a governar para o bem-estar geral, só lhe resta uma vertente: ser eclético. Será se os tais “Capetistas” fizeram apenas coisas execráveis? Se é propósito de Bolsonaro e equipe, promoverem uma “despetização” radical, por que prometem revitalizar o bolsa família? Ou o novo governo quer manter do PT, somente os vestígios que possam render votos a baixo custo?
    Seguindo esse programa excludente, de quaisquer ação que possa remeter ao PT, de antemão, já deixa de propiciar algo positivo a determinadas comunidades. O capitão lançaria seu óculo de grau fora, por se tratar de um instrumento para VER MELHOR? Olha aí, gente! VERMELHOR, puro PT!
    Os militares também, por seus turnos e coturnos, costumam ter um conceito preconcebido de tudo.
    Meu genitor levou a liguagem da caserna para o colóquio familiar. -Certa ocasião, ele nos ordenou: “Formem em fila indiana!” Meu irmão primogênito volveu e retrucou: “Como fazer fila indiana, papai, se a gente tá no Brasil?” Se alguém aqui já tomou um tapa de mão aberta, já deve saber o que eu quero exprimir.

  5. Se houver fatiamento da previdência para semi-deuses militares, como chegar aos deuses do judiciário e Ministério público?
    É cortar na carne, de todos.
    Brasil é de brasileiro e não de juízes e militares!

  6. Tem uma coisa que ainda não consegui entender.

    Se a Reforma da Previdência Social é para melhorar as condições de Vida dos Brasileiros, porque não incluir nela os militares, os legisladores e os julgadores?
    Assim equiparando todos os Brasileiros.
    Porque excluir-los desta que promete ser a maior conquista de todas as já realiazadas pelo Povo Brasileiro?

    Que venham os militares, os legisladores e os julgadores para o Paraíso Prometido da Capitalização.

    “Nós brasileiros que aqui estamos, por Vós esperamos.”

    • Rubens querem colocar os militares e o povão. O Legislativo e Judiciário não serão tocados. Mas, o viés esquerdopata só ataca os militares já que eles não deixaram a tigrada (ANTA) implantar uma Venezuela aqui no Brasil. O inimigo número 1 dos esquerdopatas são os militares. Farão tudo para denegrir a imagem de uma das poucas Instituições que ainda mantém seus valores morais no país.

  7. O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos EUA enviou uma carta ao Secretário de Estado norte-americano Mike Popeo
    para reprende-lo por sua aproximação com Jair Bolsonaro .
    A Carta Pública sugere que Popeo não endosse o comportamento de Bolsonaro , mas levante objeções as recentes ações antidemocráticas praticadas por Bolsonaro .
    A carta salienta que os EUA sempre foram comprometidos com a democracia , educação , prosperidade , segurança e direitos humanos .
    O documento diz , não esta claro que Bolsonaro compartilha com estes valores .
    As redes sociais do Comitê reproduziram o conteúdo .

  8. O viés da seita comunista continua. Atacam Bolsonaro que nem começou o governo e agora voltaram o cano para os militares. Eu até entendo os comunistas, já que foram os militares que não deram o apoio para a Anta transformar isto aqui em uma Venezuela. E não adianta, o discurso de mentiras não cola mais na opinião pública. O povo já acordou e sabem do que os esquerdopatas são capazes.

  9. 10 Propostas passadas à Bolsonaro quanto à previdência dos trabalhadores:

    1°- Ninguém poderá mais fazer greves, manifestações, se associar a sindicatos (ou associações representantes de classe) e a partidos políticos.

    2°- É proibido falar do governo. Entrevista só se for autorizado.

    3°- Não há mais FGTS para ninguém;

    4°- Não será mais pago hora-extra, em hipótese alguma;

    5°- Não existe adicional noturno à ninguém;

    6°- Não será pago periculosidade à ninguém;

    7°- Insalubridade somente será paga em alguns casos raríssimos, muito específico;

    8°- Caso o empregador necessite, o empregado estará disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem custo algum para o empregador;

    9°- Férias será a critério do patrão. Podendo ser interrompidas por necessidade do serviço. Não adianta se planejar.

    10°- O trabalhador pode ser mandado à qualquer lugar do país, com ou sem família. Com ou sem tempo determinado. E para outros países também. Tudo a critério do patrão e a qualquer momento.

    Com estas 10 medidas o trabalhador poderá se aposentar com 30 anos de contribuição, porém, seguirá contribuindo para a previdência até o seu falecimento, nem que viva mais de 100 anos, continuará pagando;

    – Quando se aposentar o trabalhador receberá um bônus 4 salários em vez do FGTS (lembrando que ninguém tem direito a FGTS)

    ACHARAM UM ABSURDO?????????

    Pois é assim o sistema previdenciário dos militares. E mesmo assim as missões constitucionais e os interesses da nação continuam sendo cumpridos desde o Império.

    • Cuidado Luiz que os vagabundos avermelhados vão logo jogar pedra. O negócio hoje neste blog é falar mal de militar e de Jair Bolsonaro. Eles não entendem o que vc colocou, para estes psicopatas e doentes o que importa é dinheiro no bolso, para estes vagabundos democracia é na Venezuela e em Cuba que matam que não concorda com as suas idéias. Que Deus ilumine Jair Bolsonaro para limpar do país esta cambada de vagabundos que só pensar no dinheiro público. Eles tentarão de todas as formas sabotar o país.

  10. Prezado Carlos Newton

    Peço venia, mas você está mal informado (desinformado), pois os trabalhadores CLT descontam para o INSS 8% ( os empregadores contribuem co 12%), ao passo que os militares descontam 12% para a “seguridade”, mesmo após a transferência pata a reserva, logo descontam mais que os os trabalhadores CLT.
    Quanto ao atendimento médico, este não é “de graça”, pois os militares descontam para os respectivos Fundos de Saúde e pagam “indenização” para determinados procedimentos que demandem utilização de insumos, como filmes e reagentes.
    Se o atendimento médico é de boa qualidade, isto se deve à boa administração dos recursos destinados a essa atividade e à eficiência do setor de saúde.
    Devo ressaltar, ainda, que os militares possuíam, desde os tempos do império, o Montepio Militar, integrado por suas contribuições e por eles gerido para sua “aposentadoria” e pensão de suas dependentes (esposas e filhas solteiras).e era superavitário (diga-se bem gerido) Esse fundo foi absorvido (se não me engano nos idos do presidente Juscelino) em troca do pagamento pelo Tesouro Nacional, e não pela “seguridade social” (atual INSS) da “aposentadoria” e pensões.
    Prezado Carlos Newton, sugiro que, como ótimo e veterano jornalista, se informe antes de emitir certas opiniões, certamente seguindo as águas dos maus e facciosos jornalistas.
    Saudações
    Adalberto Nunes Neto

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