Execução de presos políticos no Brasil foi uma política adotada a pedido dos EUA

Resultado de imagem para execução de opositoresPedro do Coutto

Documento enviado pelo ex-diretor do CIA William Colby ao Secretário de Estado Henry Kissinger, no governo de Richard Nixon, revela que a ditadura político-militar brasileira autorizou a execução de subversivos perigosos presos pelos órgãos de repressão. Reportagem de Juliana Dal Piva e Daniel Salgado, O Globo de ontem, destaca a descoberta desse documento pelo pesquisador da Fundação Getúlio Vargas Matias Spector, ao buscar informações a respeito dos governos militares brasileiro. Cento e quatro presos foram executados somente no governo Médici.

No encontro com o presidente Ernesto Geisel, William Colby comentou o assunto e segundo ele Geisel autorizou o prosseguimento de tal política em relação a subversivos perigosos. O encontro ocorreu em 1974, na presença dos generais Milton Tavares de Souza, Confício Dantas de Paula Avelino e João Figueiredo, que acabara de assumir o a chefia do SNI (Serviço Nacional de Informações) e que, cinco anos depois sucederia Geisel no Planalto.

VINCULAÇÃO – A pesquisa realizada por Spector acentua em cores fortes a estreita vinculação entre o governo Richard Nixon e os governos Medici e Geisel. Isso porque Kissinger foi secretário de Estado de Nixon, presidente dos Estados Unidos eleito em 68 e reeleito em 72. Em 74, renunciou no desfecho do processo de Watergate, sendo substituído por Gerald Ford, que confirmou Kissinger na Secretaria de Estado.

Em 76, Jimmy Carter ganhou as eleições para a Casa Branca. A partir daí começou a distensão brasileira porque ao longo de sua campanha Carter condenara a ditadura militar e a prática de tortura a presos políticos no Brasil e no Chile. A radicalização começava a ser superada pelos fatos. Isso ficou claro no caso brasileiro.

GOLPE DE 64 – A vinculação entre os governos de Washington e Brasília fora iniciada em 64, no episódio que culminou com a derrubada do governo João Goulart. O presidente dos Estados Unidos era Lyndon Johnson, que o destino fez com que, doze anos, depois o jornalista Marcos Sá Correa encontrasse numa biblioteca do Texas que leva o nome daquele presidente alguns documentos comprovando a participação americana na ruptura brasileira.

Marcos Sá Correa publicou reportagens no antigo Jornal do Brasil destacando o assunto. Os documentos em que se baseou encontravam-se à disposição de quem os procurasse na Biblioteca Lyndon Johnson.

POLÍTICA OFICIAL – Assim, o memorando de William Colby a Henry Kissinger assinala historicamente a sequência de uma política de internacionalização comandada pela Casa Branca nos países na América do Sul, entre os quais Brasil e Chile. Pode-se iluminar mais um vértice, abrangendo a Argentina na esfera chamada de Operação Condor. Mas esta é outra questão.

A importância maior da descoberta do pesquisador Matias Spector é o caráter revelador do que se pode chamar de prestação de contas do governo brasileiro aos Estados Unidos. Basta ler o memorando de Colby relatando a Kissinger a concordância do Presidente Geisel com a execução de presos políticos. O encontro entre Colby e Geisel foi em Brasília em março de 74. Nesse encontro, Geisel pediu dois dias para responder a colocação de Colby.

Depois do dilema de concordar ou discordar, segundo Colby, Geisel concordou, mas fez a ressalva : só no caso de subversivos perigosos e, mesmo assim, somente no caso de as execuções serem aprovadas por João Figueiredo.

PENA DE MORTE – De qualquer forma, Medici e Geisel adotaram a pena de morte no Brasil. Esta política só deixou de prevalecer a partir da eleição de Carter para presidência da República.

E a submissão do governo brasileiro à orientação e vontade da Casa Branca passa a ter, com Spector, um ponto de destaque negativo na História do Brasil.

9 thoughts on “Execução de presos políticos no Brasil foi uma política adotada a pedido dos EUA

  1. A CIA também disse que o Iraque tinha armas de destruição em massa.Ficamos sabendo que o Iraque nunca teve tais armas. Agora, com os generais mortos, aproximadamente, 30 anos depois, os americanos surgem incriminando os generais. Simplesmente, se intrometendo na eleição brasileira, porque eles não querem o militar no poder; nem eles nem a esquerda brasileira. TV Globo vai explorar o assunto até …….

  2. Bom dia.

    Podemos publicar reportagem de Nióbio, e sobre a cidade de Araxá? De que maneira FHC praticou crime de lesa-pátria? Podemos fazer também pesquisas de quanto é viável ou não terras indígenas montadas em nosso subsolo riquíssimo num país continental? Podemos fazer pesquisas dos lucros dos bancos e suas roubalheiras? Podemos discutir sobre imposto sobre grande fortunas e distribuirmos realmente para a população faminta, muito propalada pela esquerda, mas que LULA não fez nada. Eu sei o porquê.

    O máximo de contribuição eram de 20 salários míninos, FHC passou para 10, LULA o comunista que quer o ‘bem do povo”passou para 7.

    Outra, LULA vetou a queda do Fator Previdenciário, agora não quer mexer na aposentadoria? E olha que não quero também, pois o problema deste país, está na corrupção, na isenções, na não cobrança dos diversos impostos dos RICOS.

    Bem dizia Hélio Fernandes que não queria estas reportagens de CTRL C e CTRL V, pois aí, foi o outro quem disse, e não a TRIBUNA DA INTERNET que está se mostrando uma possível GLOBOLIXO. Hoje concordo com o Hélio Fernandes, mas não largo minha posição de soldado, se me fiz entender, para engrandecer este espaço.

  3. Carlos Newton você coloca estas reportagens para cadastrar possíveis adeptos dos militares?

    Se for, eu sou, mas fique sabendo que até eles sabem que você não é. Cada um com suas escolhas e assim assumamos. Acredito, que esta mensagem/reportagem montada talvez por eles, militares, seja o último ato administrativo, para não terem telhado de vidro e verem que mesmo assim a população preferem o seu tempo.

    Desculpe-me aos muitos honestos que foram e meus sentimentos sinceros aos familiares, se acreditam em mim, pois transformarão todos nós em duvidar até da sombra. Entretanto, até hoje vocês estão vendo o que seus maridos, filhos, netos foram enganados por uma minoria da cúpula esquerdista.

    Mães, pais, avôs, avós, queiram isso, seus filhos, seus parentes foram enganados e lhe agradecerão, pois onde estiverem , Jesus sabe quem é quem, mesmo os humanos errando aqui na terra sem saberem, pois foram induzidos. Parece que estas foram as ultimas palavras de Jesus. Agora os que tramaram isso tudo, o ranger de dentes os esperam, pois já estão sofrendo aqui, e todos sabem que não houve injustiças, vide o que estamos passando, e não quero nem imaginar o que lhes esperam lá embaixo. O pior é que eles não acreditam, estão entorpecidos pelo dinheiro de César.

    E CN, você não contrói uma pauta desenvolvimentista neste blog para ficarmos correndo atrás do rabo como se fôssemos cachorros. Desculpe-me a expressão, mas esta é a realidade.

    • -Fico pensando nos que morreram defendendo os atuais “democratas”.
      -Nos que passaram noites enfiados no mato defendendo os fetos do futuro PT.
      -Nos que foram torturados e não confessaram o paradeiro dos camaradas. Tudo em vão! Usados e descartados!

      Caíram feitos patos na lábia do José Dirceu, do Aloysio, do FHC e da Dilma e não sabiam que estavam defendendo os futuros ladrões e destruidores do país.
      Por isso não é bom ser ingênuo e sempre que ver muita bondade e altruísmo gratuitos, se perguntar “onde está o dente de coelho”.
      Mas não foram apenas eles os patos; até hoje a farsa e a promessa de se conseguir RIQUEZA SEM TRABALHO, vencer na vida sem precisar estudar e de se construir uma nação sem qualquer esforço, físico ou intelectual, ainda consegue enganar muita gente.

      Abraços e bom dia.

  4. E talvez daqui a 40 anos a CIA liberará documentos sobre o que anda agora fazendo e mandando outros fazerem para combater o ‘terrorismo’, a ‘ameaça russa’, etc… E exporá sua nobre indignação diante de seus aliados de hoje…

    Até em seriados da TV, tipo “Homeland” e assemelhados, mostram oficiais americanos ameaçando supostos terroristas de serem deportados para países aliados do mundo árabe, e dizendo que não questionam o tratamento de presos lá. Pode-se imaginar o que dirão os americanos no futuro desses aliados que lhes prestam serviços sujos…

  5. Pedro do Couto, tudo o que escreves é correto. Os Militares da America do Sul principalmente foram “obrigados a aderir os designos dos EEUU.Só faço uma observação: Acho que a “Operação Condor foi a mesma operação que envolveu Brasil, Chile, Argentina, Bolívia e acho que no Perú teve um assasinato de um militar. Sem esquecermos que até hoje existe uma dúvida muito grande quanto as mortes suspeitas de Jango, Juscelino e Lacerda. Podemos ainda incluir Tancredo Neves que teve morte suspeitissima no final do governo Figueiredo. (uma operação que todos cirurgiões diziam não ter risco, de repente leva Tancredo à morte). Gostei muito de seu texto, Pedro.

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