“Extravio” histórico e profético

Norma Alcides de Oliveira, Rio de Janeiro:
“Fiquei assombrada com a tua revelação: “Meu depoimento de 6 horas na CPI do Terror, logo depois da destruição da Tribuna da Imprensa, desapareceu dos anais do Senado”. Estou revoltada e ao mesmo tempo considero que a degradação do Senado não é de hoje ou de agora. Por favor, me explique, quantos senadores foram cumplices ou conheceram o fato e se esconderam, silenciosos e complacentes?”

Comentário de Helio Fernandes:
Teu assombro não é maior do que o meu. Só quando precisei do texto e fui procurar no Senado, tomei conhecimento do “extravio” do depoimento. Eu sabia que era contundente, estavam ali, para a posteridade (?), os nomes de todos os que planejaram e executaram a vingança contra o jornal. Se não foi vingança, como se pode chamar esse ato, praticado por uma ditadura que acabara em 1979, com a farsa da anistia ampla, geral e irrestrita?

Mais tarde, completei quando houve o monstruoso atentado ao Riocentro, no 1º de maio do mesmo 1981. (Logico, depondo 36 dias antes, não podia saber que tramavam aquele massacre para continuarem no Poder).

O atentado contra a Tribuna foi o teste final e preparação para o 1º de maio, quando centenas de jovens morreriam, o SNI diria que foi uma “ação comunista”, continuariam no Poder. Os homens da rua do Lavradio e do Riocentro, todos do SNI, que pretendiam manter o Poder que ocupavam e garantir que no Planalto-Alvorada seus chefes continuariam intocados e mais poderosos do que nunca.

Não sei quantos senadores souberam da escamoteação do meu depoimento. Muitos. Mas ainda não é tarde para a recuperação desse documento realmente historico. A palavra está desgastada, a paciencia da opinião publica também, o que farão os senadores que se REVOLTAM com as patifarias de agora?

Só para registrar uma data: os escandalos de agora devem ter começado com o desaparecimento do depoimento. Ou foi trabalho apenas da MESA de então? Muitos senadores foram cumplices e aproveitadores da ditadura. Está aí Sarney que não me deixa mentir. Sem a ditadura não seria presidente.

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