Fachin determinou que operação contra Collor evitasse “exposição indevida”

Fachin disse que Collor merecia imprescindível “deferência”

Luiz Vassallo
Rafael Moraes Moura
Estadão

Ao autorizar a deflagração da Operação Arremate, que mira o senador Fernando Collor (PROS), o ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin ressaltou que o parlamentar merece ‘deferência imprescindível à autoridade pública investida de mandato parlamentar’.

A investigação mira suposta lavagem de R$ 6 milhões em imóveis, que teriam como laranja um assessor do Senado. Fachin proibiu ‘indiscrição’ aos agentes da Polícia Federal no cumprimento das buscas e apreensões.

EXPOSIÇÃO – “Determino, outrossim, que a autoridade policial evite exposição indevida, especialmente no seu cumprimento, abstendo-se de toda e qualquer indiscrição, inclusive midiática, bem como evitando o uso de armamento ostensivo”, anotou.

O ministro ressaltou a gravidade dos fatos investigados. “Com todas essas considerações, tenho como justificada a relação necessária entre a diligência requerida e os correlatos fatos a serem apurados, assinalando que o conjunto de informações traz, mais uma vez, um quadro criminoso de singular gravidade, com envolvimento, em tese, de autoridade de Estado”.

COMPRA DE IMÓVEIS – A Arremate foi deflagrada nesta sexta-feira, dia 10, e pôs nas ruas 70 policiais federais para o cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador em Maceió (AL) e em Curitiba (PR). Os crimes teriam ocorrido a partir da compra de imóveis em hastas públicas em 2010, 2011, 2012 e 2016.

Hasta é um ato da justiça pelo qual são vendidos bens de um devedor, para que, com o dinheiro da venda, possa-se pagar a um credor e as custas de um processo de execução de dívida.

LARANJA – Tarso de Lima Sarmento, assessor parlamentar júnior de Fernando Collor (PROS-AL), ganha R$ 4,6 mil mensais líquidos do Senado, mas é apontado como o laranja do parlamentar na compra de R$ 6 milhões em imóveis adquiridos em cinco leilões.

O Ministério Público Federal chegou à conclusão de que os valores dos imóveis arrematados por Tarso foram, em parte, pagos pela empreiteira CCB Engenharia, que, segundo os investigadores, possui contratos ‘vultosos’ com o Estado de Alagoas.

Ainda foi descoberto que Tarso faz transações financeiras com o filho de Collor, que chegou a emprestar ao assessor R$ 830 mil. Uma Range Rover de motor V8 declarada pelo próprio Senador ao Tribunal Superior Eleitoral, durante as eleições de 2018, estaria, na verdade, em nome do CPF do assessor.

3 thoughts on “Fachin determinou que operação contra Collor evitasse “exposição indevida”

  1. Como é que um pilantra deste, de há muito tempo, merece uma deferência especial!

    Fico a pensar com os meus botões, será que estamos vivendo num país extraterrestre, e ainda não percebemos…..

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