Falta um tema na campanha eleitoral: os salários diante da inflação do IBGE

Resultado de imagem para salarios charges

Charge do Nef (Jornal de Brasília)

Pedro do Coutto

Reportagem de Larissa Quintino e Anais Fernandes, edição de ontem da Folha de São Paulo destaca o fato de os reajustes das aposentadorias e pensões do INSS serem menores que os índices inflacionários calculados pelo IBGE. De fato, essa questão devia ter encontrado maior destaque na campanha pela presidência da República. Afinal de contas, são praticamente 100 milhões de pessoas que compõem a força de trabalho brasileira. A reportagem focaliza somente o INSS, acentuando que pela diferença existente entre os dois fatores está levando aposentados e pensionistas no vermelho das dívidas que contraem.

Nessa análise tem que se incluirem os empréstimos consignados. Muitas dessas operações não foram sequer propostas pelos assalariados. Mas esta é outra questão.

DERROTA – O problema essencial é que a derrota dos trabalhadores em geral e dos funcionários públicos é que seus vencimentos estão sendo tragados pela espiral inflacionária. É grave o problema, deve ser uma preocupação por parte de Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Isso no plano federal.

Nas esferas estaduais o problema está entre o funcionalismo e sua situação diante do custo de vida. Vale acentuar que os funcionários públicos, no que se refere a perdas salariais, são muito mais atingidos do que os trabalhadores regidos pela CLT. Isso porque algumas categorias profissionais obtiveram reposições que as livraram das perdas monetárias. O mesmo não está acontecendo em relação ao funcionalismo de modo geral.

HÁ REDUÇÃO – E quando existe uma diferença entre o salário e a inflação, tal fato representa, na verdade, uma redução de vencimentos. E, claro, quando esse fenômeno ocorre, reflete negativamente nos níveis de consumo, o que, por sua vez, acarreta um espaço vazio na economia produtiva. Pois ninguém logicamente se dispõe a produzir em escala se os consumidores não podem comprar seus produtos como comprariam se não estivessem perdendo a corrida contra o processo inflacionário.

Surpreende, portanto, que os dois finalistas na disputa pelo Planalto do Planalto não terem sequer mencionado a raiz dessa questão essencial.

PERDEM SEMPRE – Vale acrescentar um aspecto decisivo que acentua uma contradição essencial: as reposições salariais sucedem , ou deveriam suceder as perdas inflacionárias. Mas não acontece isso. Quando as perdas inflacionárias são zeradas, no dia seguinte continua a correr a inflação para um novo período. Assim, os salários perdem sempre  em grau cada vez maior.

O dilema capital e trabalho necessita de um denominador comum capaz de reduzir as perdas sociais. Da mesma forma que o rendimento do capital não pode perder para a inflação, o salário devia situar-se no mesmo caso.

6 thoughts on “Falta um tema na campanha eleitoral: os salários diante da inflação do IBGE

  1. É preciso primeiramente preservar a rentabilidade das empresas, pois geram impostos e empregos. Também existe uma diferença salarial muito grande entre os servidores públicos, em que algumas categorias ganham algo inimaginável para a imensa maioria dos trabalhadores de qualquer categoria. É fácil descobrir quais são. São exatamente aquelas que não cumprem a lei da transparência. O nosso país como está é extremamente injusto. Só mais uma coisinha: fui tratar de um assunto na CGU mas o atendimento ao público é das 14:00 as 18:00. Pode? Fazem isso porque não somos nada.

  2. Sem falar na falta proposital de correção da tabela do IR, acarretando confisco. A tal lista vip da Receita Federal, desrespeitando diretamente a Constituição, mas como é feita por baixo dos panos, a mídia, muito afeita a isenções a abonos governamentais, não se preocupa tanto com isso como se preocupa com o que algum Bolsonaro diz, não impostando, o contexto ou intervalo de tempo. Outro fato é que muitas empresas consideram o mercado interno em segundo plano, priorizando as exportações. Quando a balança entre oferta e procura de um produto fica pendente, a inflação faz seu serviço. As empresas ganham mais de qualquer forma e o governo também, já que se intitulou, o sócio que só recebe pelo trabalho alheio. Esse círculo vicioso só foi quebrado nos países onde se prioriza a tributação nos ganhos e não na cadeia produtiva.

  3. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, analisa o fato da Campanha Presidencial chegar ao fim, sem um vigoroso exame das perdas Salariais impostas pela Inflação.
    O motor Econômico para funcionar bem necessita combustível (Massa Salarial), e que esse combustível tenha o máximo de Octanagem possível ( índice de aumento real Salarial).
    Nosso Orçamento Federal 2019, prevê o Salário Mínimo passando de R$ 954 para R$ 1.006 aumento de 5,45 pc, e aumento Aposentados INSS de 1,8 pc, aumento Zero para os Funcionários Públicos.
    Por que isso?
    Por que o Candidato MEIRELLES (73) MDB não propôs aumento geralSalários/Vencimentos/Aposentadorias de 20 Pc ?
    Lhes garanto que ele sairia fácil do 1 Pc nas intenções de Votos.

    Por que o mesmo Orçamento Federal, mesmo assim, ainda prevê para 2019 um Déficit Primário de R$ 139 Bi, um Déficit Nominal ( quando se acrescenta o Custo da Dívida Pública Federal) de R$ 539 Bi arredondados, e a boa Lei de Responsabilidade Fiscal, não permite gastar mais do que 60 Pc da Arrecadacao em Folha de Pagamento Salarial. E se não se cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, perde-se a CONFIANCA de que o Governo honre seus compromissos, e aí mesmo que a Inflação dispara.

    Nosso motor Economico está com pouco Combustível e esse de muito baixa Octanagem, como fazer para encher o tanque de gasolina de alta Octanagem?
    Só com REFORMAS. E os Candidatos fogem da palavra REFORMA, como o Diabo foge da cruz.

    É por isso que não tocam nesse Assunto que poderia lhes render milhões de Votos.

  4. Quer dizer Sr. Bortolotto, que muitos sonegam impostos em + ou – 400 bilhões por ano, outros não assinam a carteira de trabalho dos seus empregados, cerca de 11 milhões estão sem carteira assinada, as isenções fiscais são vergonhosas, outros descontam previdência e IR no contracheque dos empregados e não repassam ao destino, os cargos em comissão de não concursados vão a milhares.

    E o SR. vem falar em reformas, principalmente a previdenciária. Primeiro temos que acabar com as DRU’s onde são retirados da previdência social cerca de 30% de sua arrecadação todo ano.

    Algumas pessoas estão mal informadas sobre a previdência privada, o Sr. deve saber o que aconteceu no Chile com sua previdência privada.

    Tem auxílio doença?

    Tem aposentadoria por invalidez?

    Além das taxas cobradas, são elas:

    Taxa de administração
    Taxas de carregamento
    Taxa de Saída e outras mais.

    E a tributação varia de 10% a 35%.

  5. Prezado Sr. De olho no lance

    Muito boa sua argumentação sobre : Antes de fazer REFORMAS, reduzir em muito a Sonegação Fiscal, obrigar os +- 11 milhões de Empregados sem Carteira do Trabalho assinada, que a tenham, sonegação abjeta de recolhimento Encargos INSS, Isenções Fiscais , excesso de Funcionários em Cargos em Comissão e que não são Concursados, etc.
    Tudo isso ė necessário fazer ANTES.
    Mas na prática, a Sonegação Fiscal depende muito da Justiça que em suas 4 Entrâncias tornam os Processos muito demorados, os milhões de Trabalhadores sem Carteira do Trabalho assinadas dependem da RENTABILIDADE dessas geralmente pequenas Empresas, as Isenções Fiscais em certos casos são necessárias para combater maior Desemprego nas Recessões, o excesso de Funcionários em Cargos de Comissão ė necessário para dar emprego a milhares de Cabos Eleitorais sem o qual os Candidatos dificilmente ganham Eleição, espécie de Dano colateral da Democracia, etc.

    O senhor tem toda razão de citar tudo isso, mas como vemos são necessários mas insuficientes, dada a nossa péssima situação de Déficit Fiscal e alto Endividamento.
    Ganhe quem ganhar, a nosso juízo, terá que fazer REFORMAS DIALOGADAS com a Sociedade.
    A verdade é que Administramos mal nosso Estado, geralmente para ganhar Eleições, e depois dói consertar os estragos, geralmente cai a carga maior sobre os mais Pobres.
    Abrs.

  6. Exigir aumento de salários agora é a mesma coisa que obrigar os desempregados a pagar mais impostos para os funcionários público possam ganhar mais.

    Não existe almoço gratis. O pib caiu e a renda média do trabalhador também; não há espaço para da aumento aos servidores. Já basta a pessoa esta desempregada, ainda vai pagar mais imposto?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *