Fellinianamente, é preciso comemorar os 100 anos do genial diretor Federico Fellini

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O que seria do mundo se não tivesse existido Federico Fellini?

Carlos Pronzato
A Tarde

Há cem anos nascia em Rimini, na Itália, em 1920, um dos maiores diretores do cinema italiano, Federico Fellini. Narrador imprescindível de mundos imaginários e reais, sempre tingidos de bruma e sonhos, suas obras talvez se encaixem naquilo que alguém disse alguma vez sobre William Shakespeare: “se o mundo acabasse, a obra do bardo inglês bastaria para traçar o perfil da alma humana”. Da mesma forma, como seria o mundo sem Federico Fellini?

Ou como seria o mundo do cinema sem o prestidigitador de Amarcord? Certamente seria um mundo inóspito, destituído dos saborosos e únicos personagens que povoaram imaginativamente o coração circense pleno das primorosas fábulas do teatro de variedades, do filho do caixeiro viajante Urbano Fellini e Ida Barbiani.

NA CINECITTÁ – Numa entrevista, o Mágico de Rímini, disse: “Nasci, vim a Roma, casei e entrei em Cinecittá. Não tem mais nada”. Toda a sua vida girou em torno da sétima arte. Primeiro como roteirista (antes tinha atuado como ilustrador em diversas publicações), assinou quase 30 filmes, e depois como diretor, outros 25, ganhando cinco Prêmios Oscar (La Strada em 1954, Noites de Cabíria em 1957, Oito e meio em 1963, Amarcord em 1973 e um honorário em 1993, pouco antes da sua morte nesse mesmo ano), além da Palma de Ouro em Cannes, em 1960, por A Doce Vida e outras tantas distinções nos maiores festivais do mundo.

Com sua esposa, Giulietta Masina, construiu uma notável parceria artística ao longo da sua vida e com Marcello Mastroianni, seu alter ego, um binómio de sucesso atemporal sendo que a reunião dos três finalmente aconteceu no belíssimo Ginger e Fred indicado ao Oscar de Melhor Filme estrangeiro em 1986.

NEORREALISMO – Entre os seus primeiros filmes, partícipes do neorrealismo italiano, e a complexidade do universo onírico expresso em suas obras posteriores, mergulhou profundamente nos mistérios e labirintos da memória e da invenção pura da sua imaginação barroca num contínuo exercício de criatividade, que apesar de roteirista, filmava praticamente sem roteiro, entregue ao risco da aventura da sua sensibilidade.

A radiografia da sociedade italiana da época, com todos seus componentes: o fascismo, a Igreja, a infância, os desejos, o circo, todos os seus tipos e arquétipos (em determinado momento se aproximou da psicanálise jungiana) que a sua obra abordou são universais, e o seu sobrenome tornou-se marca felliniana de tudo que é exuberante, irracional, autêntico e livre.

A arte por excelência do século XX, o cinema, deu a Fellini as ferramentas para a tradução do seu universo particular em seus filmes com os quais cada espectador tem a possibilidade de exercitar a sua própria travessia interior, e se a trilha for de Nino Rota, tanto melhor.

2 thoughts on “Fellinianamente, é preciso comemorar os 100 anos do genial diretor Federico Fellini

  1. Foi preciso ler esse artigo pra entender o motivo do Carlos Newton comentar que la nave se vá, felinianamente.
    Entendo mais como um surrealismo incidental na questão política ideológica.
    Fritando os ovos: Lula e Dilma estavam mais para ‘A Comilança’ e como contraponto, depois deles a cuanga se arrasta felinianamente.
    Não sou muito chegado a filme italiano mas registro a musa italiana belíssima que homenageei bastante em minha juventude, Sofia Loren.

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