Flamengo, tua gloria é lutar, Marcio Braga não vai voltar, 76 anos sem nunca trabalhar, 333 milhões, quem vai pagar?

Antigamente, numa época em que a política era mais risonha e franca (e menos corrupta), se dizia com insistência: “Os comunistas só se unem na prisão”. O Grêmio e o Internacional não se entendem nem mesmo em liberdade ou na luta pela liberdade de ganhar ou perder.

Transferem para fora do campo a paixão que sacrifica a ética, que deveria ficar apenas dentro dele, quando se enfrentam e até contaminando a atuação que pode favorecer adversários.

Essa paixão que pode ser aceita até mesmo como tresloucada, não resiste à indignidade de entregar um jogo. Prejudicar um rival mesmo comprometendo a sua história., pode ser defensável? Em vez de paixão, se parece, se compromete e aparece como visível traição.

Vou vendo o jogo, escrevendo, refletindo, e transferindo o que acontece. Me surpreendo com o Flamengo jogando parado, 4 minutos e a bola não sai da área do time. Por que esse ritmo? Falta agitação, falta cadência, falta o vigor que o time ganhou a partir de determinado momento.

O Grêmio vai dominando o jogo, ao mesmo tempo dissipando e destruindo o que se falou durante toda a semana: que entregaria o jogo. E se alguém tivesse dúvida, o gol do Grêmio fortaleceu a tese da crença na humanidade. 1 a 0 contra o Flamengo, o Maracanã estremecendo não pelo excesso mas pela angústia dos quase 90 mil torcedores, sofriam tremendamente. Dentro do campo, os jogadores passavam o mesmo sentimento.

No segundo tempo, embora não fosse o mesmo Flamengo que veio com o surgimento e o fortalecimento do Andrade, era outro time, com outra meta a obter.

Consequência natural da conversa do Andrade, com a competência habitual, e a mesma humildade não subserviência que é a sua marca mais poderosa.

Apesar de tudo, o Flamengo jogava mal. O gol do Grêmio, foi marcado diante de 5 jogadores que assistiam, deixando a todos perplexos. Já no segundo tempo, o goleiro do Grêmio passou a ser um dos melhores em campo, méritos para ele e para o Grêmio, embora este não seja o Grêmio de outras épocas.

O segundo gol veio na hora certa, mas ficou nisso? Por quê? O que faltou? Essa vitória com um gol apenas de diferença, era o que se esperava? Foi o pior jogo do Flamengo depois de Andrade, excluindo naturalmente a derrota para o Barueri, que parecia o fim de tudo.

Infelizmente, os que se destacaram e colocaram o Flamengo no apogeu e permitiram a vitória e sustentaram o título de campeão, ontem ficaram até bem longe. Mas isso não significa que o grito de campeão tenha sido injusto ou imerecido. Na verdade a justiça e o merecimento, hoje moram na Gávea. Que também hoje, terão mais satisfação: retirar Marcio Braga da circulação. E fico satisfeito com as 4 afirmações do título destas notas, escritas antes do jogo começar.

Três satisfações extra-jogo-do-Flamengo. 1- O Botafogo não ter sido rebaixado. 2- O Fluminense ter construído uma trajetória que não parecia, era IMPOSSÍVEL. A palavra não pode ser usada? Pode sim. Eu mesmo, na 18º rodada, escrevi: “O Fluminense está rebaixado”. 20 rodadas depois, na 38ª, (a última), o Fluminense se classificou com um empate contra o Coritiba.

Errei?

3- Satisfação com o fato do Palmeiras, tido e havido desde o início como supercampeão, só porque tinha um treinador de 700 mil por mês, não se classificar nem mesmo para a Libertadores.

* * *

PS- Muitos me “acusavam” e me “acusam” de flamenguista. Sou sócio proprietário do Flamengo há mais de 50 anos, remido, não pago mais nada. Não me lembro de um presidente que eu tenha apoiado, embora tenha votado em muitos que se elegeram.

PS2- Flamengo é campeão? É uma satisfação, mas não total. O que eu saúdo nesse título é por causa do Andrade, o primeiro treinador negro a ganhar um título como esse. A “elite” ambiciosa do Flamengo tem que cumprimentar e aplaudir a humildade digna e vitoriosa do Andrade.

PS3- O que me agrada no grito de campeão, é permitir que o Adriano chore em campo e na entrevista coletiva, numa grandeza que não pode ser negada. Os que não entenderam que o Adriano saísse de Roma para vir morar numa favela, precisam reinventar a roda.

Nada é simples na vida, nada pode ser entendido, e principalmente negado, sem reflexão profunda. E olhem que o Adriano me frustrou, eu queria vê-lo artilheiro, sozinho. E podia ter sido, faltou sorte.

PS4- Petkovic, numa outra linha, aplausos mais do que merecidos. Aos 37 anos, reviveu, a sua alegria, emocionante. E ele sabia sempre a hora de fazer sinal para o Andrade, pedindo para sair. Petkovic jogava com a certidão de idade na mão e na cabeça.

PS5- Bruno, Angelin, (e o milagroso gol da vitória) e todos os jogadores. E para terminar: se o Flamengo não tivesse feito o segundo gol, ficaria satisfeito com o título indo para o Internacional. Por causa do meu amigo Mário Sérgio Pontes de Paiva, jogador extraordinário, comentarista que sabe o que diz, treinador competente e dirigente de clube, no próprio Grêmio.

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