FMI aponta oportunidades para economia verde no pós-pandemia, mas o Brasil ignora…

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Rosana Hessel
Correio Braziliense

Em tempos de pandemia de covid-19, os desafios para a mitigação das mudanças climáticas aumentam, mas também criam oportunidades, na avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI), que, ao contrário de muitos negacionistas e críticos de agendas ambientalistas, reconhece que o aquecimento do planeta é uma realidade e está avançando de forma acelerada. 

“A atual recessão global torna o cenário mais desafiador para decretar as políticas necessárias para mitigação das mudanças climáticas e redução da desigualdade social. No entanto, existem também oportunidades no contexto atual para colocar o economia em um caminho mais verde”, destacou o relatório “Mitigando as mudanças climáticas: estratégias amigáveis de crescimento e distribuição”, divulgado na última semana.

AQUECIMENTO GLOBAL – No estudo que faz parte da safra de divulgações de capítulos do Panorama Econômico Global, o FMI reforça que “o aquecimento global continua acelerado” e defende políticas públicas voltadas para direcionar estímulos fiscais para a economia verde, afim de reduzir as emissões de carbono e acelerar um processo de retomada pós-pandemia.

“O aumento da temperatura média sobre a superfície do planeta, desde a revolução industrial, é estimada em cerca de 1 °C e acredita-se que esteja acelerando”, alertou. O Fundo destacou que, desde os anos 1980, cada década sucessiva tem sido mais quente do que a anterior, e os últimos cinco anos, de 2015 a 2019, “foram os mais quentes já relatados”, e 2019 foi, provavelmente, “o segundo ano mais quente já registrado”.

“Embora a mitigação das mudanças climáticas provavelmente aumente as receitas a longo prazo, limitando os danos e graves riscos físicos, a transformação econômica que requer pode diminuir o crescimento durante a transição, especialmente, em países fortemente dependentes das exportações de combustíveis fósseis e em aqueles com rápido crescimento econômico e populacional”, destacou o documento.

CRESCIMENTO DO PIB – Conforme dados do Fundo, um pacote de políticas públicas voltado para a economia verde aumenta a produção nos primeiros 15 anos em cerca de 0,7% do PIB global a cada ano (em média, durante esse período). Com isso, o PIB real global, “poderá crescer 120% nos próximos 30 anos, por conta dos estímulos fiscais para uma economia verde”.

O organismo internacional também reconheceu que, com a crise atual, houve uma grande retração no investimento, mas as políticas públicas podem garantir que uma recuperação de gastos consistentes com a descarbonização do planeta, proporcionando sinais de preços corretos e outros incentivos financeiros nesse sentido.

ESTÍMULOS FISCAIS –  Para o Fundo, um estímulo fiscal ainda será necessário após a pandemia, e, como isso, haverá uma oportunidade para impulsionar “a infraestrutura pública verde e resiliente” se houver um direcionamento dos recursos para essa agenda.

Nesse sentido, o FMI reforçou que a meta de reduzir as emissões líquidas de carbono a zero até 2050 será uma oportunidade para os governos desenharem políticas públicas de mitigação das mudanças climáticas, principalmente, combinado ferramentas focadas na precificação do carbono e nos subsídios ao desenvolvimento que permitam um mundo pós-covid mais sustentável, direcionados para a economia verde.

EMISSÕES DE CARBONO De acordo com a instituição, considerando que o preço do carbono reduz o valor real do Produto Interno Bruto (PIB), aumentando o custo da energia, o estímulo fiscal para a economia verde deverá impulsiona o PIB, tanto direta quanto indiretamente. Em primeiro lugar, adicionando diretamente valor agregado ao PIB por meio de aumento de gasto público e de investimento privado. Em segundo, indiretamente, reduzindo os custos de transição para uma produção de baixo carbono, diminuindo as emissões.

“O estímulo verde, primeiro, impulsiona a atividade, aumentando a demanda agregada. Depois disso, o investimento em infraestrutura verde aumenta a produtividade dos setores de baixo carbono, incentivando mais investimento privado nesses setores e aumentando o produto potencial da economia. Seus efeitos são grandes o suficiente para compensar confortavelmente o custo econômico de imposto sobre o carbono nos anos iniciais”, destacou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O problemas é que o presidente Bolsonaro e seus ministros têm ar condicionado em casa, nos carros e nos gabinetes. Por isso, não acreditam no aquecimento global. E la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

2 thoughts on “FMI aponta oportunidades para economia verde no pós-pandemia, mas o Brasil ignora…

  1. O principal culpado dessa desinformação é, infelizmente, uma parte da mídia sensacionalista inclusive as TI e profundamente desinformada que martela todos os dias sobre os efeitos do aquecimento global e pouco fala de suas causas reais.

    O assunto já está sendo discutido a décadas nos meios científicos. A principal explicação foi desenvolvida pelo cientista Sérvio Milutin Milankovitch em 1938 que estudou a órbita da Terra ao redor do Sol. Ele percebeu que existem variações nesta órbita que irão gerar ciclos de 23.000, 41.000 e 100.000 anos que correspondem a ciclicidade observada no gráfico acima e que causam as épocas de glaciações e de aquecimento

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