Fux se diz “ultrajado” com vazamento de delação envolvendo um ex-assessor

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Fux foi citado num anexo de uma pré-delação de Jabob Barata

Mônica Bergamo
Folha

O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), disse nesta sexta (22) à coluna que está “chocado” com o vazamento de um anexo da pré-delação do empresário Jacob Barata, do Rio, que envolve um ex-assessor de seu gabinete. “Estou chocado com tamanha leviandade. Fica claro o desespero em querer ofender a honra e a dignidade de quem serve a nação”, afirmou ele.

“Publicou-se apenas uma insinuação, um ataque a um ministro honrado e sem máculas. Ministro que continuará a apoiar os esforços da nação brasileira contra a corrupção, dentro da lei. E que continuará um defensor perpétuo da liberdade de imprensa, mesmo quando ela erra”, afirma Fux.

SAIU NA VEJA – A coluna revelou que o STF entrou em alerta já na quinta-feira (21) com os rumores de que uma delação premiada poderia atingir um de seus ministros.

Nesta sexta-feira (22), a revista “Veja” revelou a existência de um anexo da delação que Jacob Barata tentou firmar com o Ministério Público Federal em 2017. Nele, Barata, conhecido como o “rei do ônibus” do Rio de Janeiro, diz que um ex-assessor de Fux, José Antonio Nicolao Salvador, teria sido o destinatário de uma propina de milhões de reais para ajudar a influenciar uma decisão judicial.

Segundo a publicação, Barata diz que, em 2011, ouviu do então presidente do conselho da Fretranspor, José Carlos Lavouras, que precisava retirar dinheiro do caixa para repassar ao assessor do ministro. Salvador foi demitido do gabinete de Fux em 2016 porque, segundo o magistrado, parecia ostentar um padrão de vida superior ao que seu salário permitia. O empresário Lavouras vive hoje em Portugal.

FUX SE DEFENDE – O assessor nega que tenha recebido recursos. A assessoria de Barata diz que ele desistiu da delação e confessou seus crimes. Aguarda ainda por uma sentença.

Fux diz que se sente “ultrajado” com a publicação da reportagem que, para ele, carece de fundamentos. “Ela se baseia não numa delação, mas numa proposta de delação, ainda não aceita, em que o que promete delatar diz que ouviu falar no pagamento de uma propina, mas não sabe de quanto e nem se ela foi efetivamente paga. A própria revista menciona que só examinei a matéria que afetava a entidade [Fetranspor] numa votação, segundo a revista, com ‘decisão totalmente previsível'”.

Segundo Fux, ele herdou o processo do ministro Eros Grau. “A decisão a favor do pleito já tinha sido aprovada por unanimidade pelo plenário antes de minha entrada no tribunal [STF]. A mim coube embargos de declaração, incapazes de mudar a decisão. E o plenário mais uma vez votou unanimemente.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É preciso entender que evitar vazamentos é impossível, porque já inventaram o pen drive e o e-mail, os depoimentos e inquéritos passam pelas mãos de várias pessoas, é muito difícil identificar quem vazou, a não ser que o jornalista indique sua fonte. Para quem é inocente, o jeito é ir respondendo às denúncias e esclarecendo as coisas, procedimento que muitos não fazem, como o ex-assessor Fabricio Queiroz, que está em lugar incerto e não sabido. Ou seja, está tacitamente foragido, junto com toda a família, sem que se saiba quem os está sustentando. Se é que vocês me entendem, como dizia o grande jornalista Maneco Muller. (C.N.)
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10 thoughts on “Fux se diz “ultrajado” com vazamento de delação envolvendo um ex-assessor

  1. ” “Publicou-se apenas uma insinuação, um ataque a um ministro honrado e sem máculas”, afirma Fux.”

    -É honesto? Então peça ao “leviano” para provar o que disse. E caso não consiga provar a movimentação dos milhões… cadeia nele e, de lambuja, também no Queiroz!

  2. Hipoteco minha solidariedade a Fux, um dos dois ministros concursados e que foi Juiz, tem a sua carreira no Judiciário.

    Eu o considero o mais sensato e conhecedor da Constituição no STF.
    Equilibrado, consciente da sua função, Fux ainda enaltece o Supremo com a sua conduta tanto ilibada quanto profissional.

    Lamento a reportagem, que explicita a conduta leviana, mentirosa, enganadora da mídia, que não aceita Bolsonaro como presidente eleito, e quer desestabilizar o país e governo.

    Fux tem os meus respeitos, admiração e reverência.

  3. Essa lei sobre o sigilo da fonte só favorece um lado. Tudo bem o jornalista não ser obrigado a revelar a fonte, mas, ao publicar ele se torna co-autor da acusação, furo de reportagem ou injúria ou seja lá o que for. O que não dá é o cara poder “inventar” qualquer nota e alegar que ouviu falar de uma fonte que ele não precisa revelar e nem se responsabiliza se for mentira. Assim não dá.

  4. Ás vezes, Aranha, nem fonte existe, trata-se da imaginação do mau repórter ou quer jogar verde para colher maduro.

    Indiscutivelmente, a imprensa tem páginas gloriosas na sua história mas, ultimamente, levada pela maré traiçoeira da política, tem se afogado nela mesma, perdendo credibilidade e vendendo cada vez menos jornais e revistas, além de audiências nas informações televisivas.

    Na razão direta do quanto o Congresso é desacreditado, a mídia lhe faz parceria, anda lado a lado com o antro de venais, na sua grande maioria de jornalistas que perdeu o rumo, lamentavelmente.

    • Quando desferimos críticas às instituições, temos uma tendência injusta a personalizá-las aos mais graduados. Todavia, deveríamos lembrar que grande parte dos servidores subalternos goza de estabilidade funcional e outras garantias. No caso do poder judiciario, sabe-se que os magistrados só fazem aquilo que eles não podem descarregar sobre os serventuários. Porquanto, esses auxiliares passam a deter um certo acesso, inclusive, a documentos sigilosos.
      Se, em casa, está difícil os pais fazerem os filhos observarem o estatuto doméstico, imaginem! Ora, especialmente, no serviço público, se um chefe chama atenção de um funcionário, por que está “preguiçando”, o admoestado envia logo uma representação ao RH, por assédio moral contra o superior.
      Não faz muito tempo, curiosos flagraram uma cena deplorável pelas ruas de São Luís: o desembargador, presidente do TJMA (com sua enorme pança), correndo atrás de um técnico judiciário e de um secretário judicial, ambos os fujões se revezavam no mister de carregar e escoltar um saco de dinheiro: cerca de R$ 600.000,00. A monta teria sido fruto de suborno, efetuado aos dois, por um figurão, a fim de cobrir a destruição de um processo que corria contra o pagante. O secretário judicial, porta o sobrenome da segunda família mais poderosa do Maranhão (Cutrim).

  5. Olha neste país podre eu não ponho a mão no fogo por ninguém.

    O ministro Fux deu a liminar do “auxílio moradia” para os magistrados que custou bilhões aos cofres públicos.

    Mas olhando o STF como um todo é um puro anjo dos céus.

    Apostaria na sua inocência e honestidade.

    • “Olha neste país podre eu não ponho a mão no fogo por ninguém.”

      Mentira, passador de notícias falsas.

      Você nem poe a mão no fogo pelo Boçalnaro e esta já está muito queimada.

      Mas como és masoquista…

    • Foi um dos maiores erros da carreira de Fux, amigo James Pimenta. Há outros, é claro, ninguém é perfeito. Mas comparado a determinados ministros atuais, Fux é um São Francisco de Assis em versão judicial.

      Abs.

      CN

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