Gilmar foi altamente contraditório, ao decidir que Cabral deve continuar preso

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Charge do Nani (nanihumor)

Jorge Béja

Ao analisar o pedido da defesa do ex-governador Sérgio Cabral para que ele permanecesse preso na cadeia de Benfica, o ministro Gilmar Mendes poderia, se quisesse, conceder Habeas Corpus de ofício e mandar libertar Cabral. Escrevi um artigo aqui na “Tribuna da Internet”, nesta terça-feira, que bem demonstra essa possibilidade legal. Mas o relator Gilmar Mendes preferiu se limitar ao pedido constante do HC, qual seja, para que Cabral continuasse preso no Rio e não fosse transferido para o presídio federal em Campo Grande (MS).

A decisão de Gilmar, que atendeu ao pedido e não concedeu a libertação de ofício, deixa o ministro, agora e doravante, em má situação, por uma questão de coerência jurídica.

CONTRADIÇÕES – A partir de agora, para Gilmar Mendes, será contraditório se votar, no futuro, contra a prisão de condenado em segunda instância, pois Sérgio Cabral, condenado apenas em primeira instância, não foi por ele posto em liberdade.

Também será contraditório para o ministro se ele votar, no futuro, contra as prisões preventivas prolongadas, pois Sérgio Cabral se encontra preventivamente preso há quase um ano e nem por isso o ministro lhe deu a soltura ao decidir sobre o pedido de Habeas Corpus.

Da mesma forma, também será contraditório se o ministro votar pelas prisões definitivas antes do trânsito em julgado das condenações, isto é, quando não cabe mais recurso algum. Sérgio Cabral está preso, ainda cabem recursos para os TRFs do Rio e do Paraná, para o STJ e para o STF, e nem por isso Gilmar Mendes mandou soltar o ex-governador.

PARA FINALIZAR – O juiz federal Marcelo Bretas e a Procuradoria-Geral da República, sem maldade, caíram na armadilha que Cabral preparou ao mencionar o comércio de bijuterias, miçangas e balangandãs ao qual a família do juiz se dedica. Moro não cairia nessa armadilha.

Por outro lado, foi Gilmar Mendes quem se enforcou ao não conceder a libertação de Cabral, cuja prisão contradiz os seguintes postulados e posições do polêmico ministro:

a) não às prisões preventivas prolongadas;

b) não às prisões após a condenação pela segunda instância;

c) não às prisões que decorrem de sentenças ou acórdãos ainda não definitivos e sujeitos a recurso.

E agora ministro Gilmar Mendes? Como serão suas decisões futuras?

43 thoughts on “Gilmar foi altamente contraditório, ao decidir que Cabral deve continuar preso

  1. Todos que não fossem risco assegurado para a sociedade, deveriam estar em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica(para ficar mais barato para o contribuinte, que é quem paga).
    Agora; teria que ser devolvido todo, todinho mesmo, o $ surrupiado, com juros, correção e multa; se necessário entraria até os bens de familiares de primeiro e segundo grau.
    Mas isto, realmente nunca aconteceu e JAMAIS, acontecerá.
    Hum, dois anos no máximo e voar para a esbórnia com o $ do contribuinte.

  2. O raciocínio que explica este artigo parte dos princípios e postulados gilmardianos que são
    bastante conhecidos e independem de comprovação:

    a) não às prisões preventivas prolongadas;

    b) não às prisões apos a condenação pela segunda instância:

    c) não às prisões que decorrem de sentenças ou acórdãos (decisões emanadas dos tribunais) ainda não definitivos e sujeitos a recursos.

    O caso Sérgio Cabral se encaixa em todas as hipóteses jurídicas gilmardianas:

    a) Cabral está preso preventivamente há quase 1 ano;

    b) Cabral não foi condenado pela segunda instância;

    c) Cabral não tem contra si sentença ou acórdão condenatório definitivo, contra qual não caiba recurso.

    Logo, seguindo os ditames gilmardianos, o próprio ministro deveria ter aplicado o disposto no artigo 654, letra “c”, parágrafo 2º do Código de Processo Penal e expedido ordem de soltura em favor de Cabral, inobstante o Habeas Corpus apenas pedisse que sua transferência para presídio federal não se realizasse:

    “Os juízes e os tribunais têm competência para expedir de ofício ordem de habeas corpus, quando no curso de processo ( a preposição “de” é indicativa de qualquer processo ) verificarem que alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal”.

    Como se vê, de acordo com a doutrina gilmardiana, Cabral sofre coação ilegal. E por que, então, o próprio doutrinador não mandou soltar Cabral?.

    É bem possível que os doutores advogados de Cabral, lendo este artigo e mais o comentário, ingressem, ainda hoje, com aditamento ao Habeas Corpus para pedir a libertação de Cabral, o que é processual e juridicamente possível. Já moralmente!!!!Se tanto ocorrer e a libertação for concedida, a grita será geral, principalmente no RJ. E mais: poderá beneficiar muitos outros que se encontrem na mesma situação de Cabral. É a lei. É a doutrina gilmardiana.

  3. Caramba Dr. Béja, jamais poderia imaginar esse ilustre e competente advogado auxiliando a banca que defende o injustiçado presidiário Sérgio Cabral.

    • Senhores leitores, pelo amor de Deus, não vejam Cabral em mim, mas, sim, o Direito, o esforço pela exposição da razão pura, o comentarista, o idoso advogado que sempre defendeu vítimas pobres de tragédias com pedidos de indenizações, sem nunca ter advogado na área criminal.

      O advogado que trabalhou 45 anos sem parar e não enriqueceu, mas que tem a consciência tranquila, perto dos 72 de idade.
      Nem eu nem a Tribuna da Internet estamos defendendo Cabral. Mas se preciso fosse eu até defenderia. Torno a lembrar a pergunta que fizeram a Sobral Pinto:

      — Dr. Sobral, o senhor defenderia uma pessoa que invadiu a casa da outra, estuprou, matou toda a família e roubou tudo que achou para roubar?

      — Sim, defenderia. Mesmo vomitando defenderia, principalomente para assegurar a aplicação da condenação, porque sem defesa, sem advogado, o processo é nulo.

      Desde o berço na minha casa sempre só se falou e ainda se fala em Direito, porque todos (meu pai e meus irmãos) foram juristas e um meu irmão, chegou a ser um jovem juiz de direito, que com 30 dias de judicatura imolou sua vida por um amor não correspondido. Que dor!!!

      Tudo que escrevi é matéria de Direito. E assim prosseguirei. É minha missão. É meu dever. E os prezados leitores precisam ficar sabendo, não é mesmo doutor Oigres Martinelli? Não é mesmo doutor José Carlos Werneck? Não é mesmo jornalista Carlos Newton?

      • …pois é, o direito (minusculo assim, perdoe). Enquanto doutrina humana, social, busca a perfeição. O que dói mesmo é que a cabeça de um GM não funciona em prol do Direito (agora maiúscula). O desgaste é notório para a profissão e a sequencia de contradições não colaboram nenhum pouco para uma avaliação pela população.
        Daí que apenas a condenação de SC em primeira instancia, dadas as enormes evidencias, provas, conluios, safadezas, escambos com bilhões do dinheiro público, delações, contas correntes, bens luxuosos, viagens nababescas, gastos pessoais, roupas, joias das arábias, são mais que suficientes para mante-lo na cadeia por muitos e muitos anos. Mesmo GM teria vergonha (acho!) de libertá-lo. Precisa mesmo de segunda instancia num caso como este?
        abraço a todos

      • Meu caro Dr. Béja.

        Atendendo ao seu nobre chamado, que muito me honrou, é claro que a razão está ao seu lado.

        Se me coubesse um conselho a lhe oferecer, eu diria: não se preocupe com a maioria, ela geralmente está equivocada.

        No Brasil, então, há a junção do “efeito manada” com a hipocrisia. Se o Sérgio Cabral é o demônio – e é mesmo! – sejamos justiceiros!!!!

        Disse aquilo para o juiz – não deveria ter dito – o juiz caiu na rede dele. Praticou uma vindita. Não ficou bem. Triste ter que dizer que o Gilmar Mendes tem razão nessa decisão.

        Razão para o Gilmar Mendes?! Quem há de dá-la a ele, outro espelho do Mal? Estará o beiçudo SEMPRE errado?

        Radicais, justiceiros, “manadistas”, hipócritas… infelizmente, a maioria do nosso povo é assim.

        E nós, operadores do direito, não podemos nos deixar levar por achismos. E, curiosamente – mas é explicável – qualquer boca torta perua nos assuntos jurídicos, como se fosse simples, fácil, como se fosse uma disciplina que desconhece a Antropologia, a Sociologia, a Psicologia, como se não houvessem princípios maiores a serem observados, como se bastasse o estabelecido em lei, em qualquer lei, mesmo que afrontosa ao direito – sem saber que leis podem ser inconstitucionais, até mesmo se denominadas como emendas Constitucionais… e a hora é tarde…
        Já me vou. Fique em paz coma sua consciência e com a sua Ciência, porque a maioria nem sabe que direito é ciência – são ciências jurídicas. Como se científica fossem só a Química, a Física, a Astronomia e as demais Ciências Exatas.

        O Conhecimento é um grande desconhecido, especialmente para os que acham que tudo conhecem.

        Boa noite, Dr. Béja. Não se arrependa de nem um linha que escreveu.

        • Caro Oigres Martinelli, a razão pode até estar ao lado do Dr. Béja, mas certamente que a Moral e os Bons Costumes GRITAM PELA PRESERVAÇÃO DA DESCÊNCIA, que ele, atendo-se ao falho direito cheio de armadilhas e evasivas, estraçalha e corrompe sem piedade! Vivemos em época de exaltação de um PRECIOSISMO RELATIVISTA que promove a criminalidade como jamais visto!!!!

  4. É verdade, Dr. Jorge Béja, é preciso que as leis brasileiras sejam seguidas. Afinal elas NÃO têm culpa por terem sido feitas de tal forma que os mais poderosos fiquem “quase sempre” imunes a elas…

  5. Depois de lidos por mim os argumentos do “direito”, concluo que o mesmo é um lixo!
    Claro que o clamor popular tem o poder de dobrar as leis, sempre é quando haja fundamentos lógicos pra isso.
    Senão não existiria o júri popular.
    O sapo de toga julgou neste episódio olhando o clamor popular, não há outra explicação plausível!
    A decisão caiu no colo do malandro é o bicho se borrou todo!
    Nas próximas decisões… o boca mole continuará a ser o boca mole de sempre!
    O sapo arregou!
    Isso se chama a força do povo!
    Pena que não vamos às ruas, se assim fosse nada disto estaria acontecendo!
    Simples assim!
    Atenciosamente.

    P.S- Seguindo o raciocínio das leis e dos Doutores, o Lula é um inocente e tremendamente injustiçado, porque o ladrão contumaz não tem nada no nome dele!
    Valha-me Deus!

  6. E alguém pode esperar alguma coerência em decisões proferidas pelo stf, atualmente uma côrte política e de compadrio? Não tenho dúvida de que se cabral, o ladravaz, fosse de outra facção teria sido solto.

  7. Caro dr. Béja,

    Não invejo a sua profissão, de advogado.

    Um bom profissional, da sua estirpe, precisa levar em conta fatores que a maioria das pessoas não compreende, não aceita, e critica o o defensor, pois a acusação compete ao Promotor ou Procurador, que também são advogados.

    Mas, especificamente no seu caso, a sua excelência como reconhecido jurista, agrega uma qualidade pessoal muito rara de ser encontrada hoje em dia:
    O senhor possui empatia!

    Ora, além de um notável advogado e colocando-se no lugar do acusado, de modo a lhe oferecer o melhor dos serviços e, ao mesmo tempo, honrando a sociedade que espera que atendimentos nesta ordem para que a justiça seja efetivamente realizada, o senhor vai se defrontar a vida inteira com comentários discordantes, com críticas improcedentes, haja vista o ser humano mais buscar a vingança, a reparação de uma forma ou de outra que a justiça em si, logo, o conflito entre advogado e a maioria dos cidadãos, que exigem e querem que o réu pague pelo seu crime, e tanto faz se de acordo com os trâmites legais ou não!

    Este é o impasse, a liturgia jurídica, os passos conforme a lei determina, que o senhor representa à altura os códigos criados pelo próprio homem, e que não devem ser desprezados por ele mesmo em certas circunstâncias.

    Meu caso, por exemplo, um ignorante, semianalfabeto, pertencente à plebe ignara, o que desejo fazer com Cabral?

    Se abomino a pena de morte, este pústula merece a prisão perpétua e trabalhos forçados, com direito a visitas uma vez por ano!

    Assim, Deus me deixou nesta condição, de somente aplaudir a inteligência, alheia, a capacidade das demais pessoas formadas, cultas, e que me obriga a entender quando algumas providências devem ser tomadas em qualquer processo quando um cidadão está envolvido, afora, meu caro dr. Béja, eu não ter a tão necessária EMPATIA!

    Um grande abraço.
    Muita saúde e paz.

    • Caro Bendl, se as leis fossem claras, os juízes seriam desnecessários. Em decorrência disto, a interpretação das leis é quase sempre livre, basta ver a profusão de sentenças contraditórias, mesmo dentro do STF. Então, cabe ao juiz ser, acima de tudo, correto na interpretação dos fatos. No caso do Cabral, e considerando todo o dano que ele causou, à sociedade, o Gilmar deveria ter negado o recurso. E, a proposta do Dr Béja para a concessão de um Habeas Corpus é coisa de advogado amigo e não de quem pensa na sociedade. Afinal, somos uma sociedade para que? Só para os eleitos e amigos?

      • Paulo2,

        Leis sem juízes ou juízes sem lei é anarquia!

        A começar que não haveria lei porque também não se teria legislativo.

        O eminente dr. Béja obedece a lei naquilo que ela propicia, mais nada.

        Não cria, não inventa, não a interpreta. Apenas e tão somente considera a essência da norma como parâmetros para nos esclarecer que Cabral poderia ter sido solto pelo Habeas Corpus, se este ministro o quisesse, pois poderia.

        Logo, o dr. Béja nos mostra a contradição de Gilmar Mendes e seus despropósitos quanto à prisão em Primeira Instância ou a detenção para investigações por um prazo acima do que estabelece a lei.

        O nosso advogado e articulista não defende a liberdade para Cabral, longe disso, quer vê-lo preso, e bem preso.

        O artigo visa criticar o ato de Gilmar Mendes, menos adentrar na questão da prisão de Cabral se justa ou não, se deveria ir para outro presídio ou permanecer no que está.

        Evidente que Cabral deve receber a pena máximo brasileira, 30 anos, que se torna muito menor em razão da progressão da pena por bom comportamento, ou seja, daqui a cinco anos, se receber esta condenação, o ladrão estará livre e gozando o roubo do dinheiro do povo!

        E não foi o dr. Béja o autor desta lei, diga-se de passagem, porém se no seu bojo concede que o larápio poderia ser até solto, condição que Gilmar ignorou, este ministro terá de enfrentar a si mesmo em futuras decisões, e este o motivo do texto, Paulo2, e não a liberdade de Cabral ou a exigência da sociedade, que também deveria votar melhor, indiscutivelmente.

        De nada adianta exigir prisão, condenação, punição, se continua a votar em ladrões, corruptos e desonestos, concorda comigo?!

        Um abraço.
        Saúde e paz.

        • Bendl,
          você escreveu, você disse o que eu não soube escrever nem dizer. É isso mesmo. Sua síntese, objetiva e perfeita, não necessita de mais uma palavra, uma vírgula, ou qualquer outro acréscimo, mínimo que fosse a fim de deixar claro o objetivo dos artigos, de ontem e de hoje.
          Forte abraço e muitíssimo obrigado.

          • Caríssimo,

            Eu quem devo agradecer as suas palavras.

            Antes de mais nada, precisamos obedecer o que está escrito, e o que se pode ou não fazer dentro do estipulado.

            Ou assim ou anarquia!

            E se temos como característica justamente a falta de educação e ensino condizentes com o tamanho deste país, imagino o regime anárquico, que exige antes de mais nada total e plena responsabilidade de cada cidadão, como não seria o Brasil!

            Entenderia Anarquia como baderna, quebra-quebra, menos um sistema que, em tese, seria até melhor do que o divulgado comunismo, o socialismo, o capitalismo, pois diretamente atribuindo à cada pessoa a responsabilidade de as demais viverem bem, sem lei, sem a presença do Estado, apenas e tão somente o comportamento de cada cidadão!

            Logo, quanto mais atrasada uma nação, mais leis, e mais possibilidades de serem interpretadas de acordo com a capacidade do advogado contratado na defesa do réu.

            Pode se dizer o que se pensa, menos que este defensor esteja agindo contra a sociedade, poios quem deve ser criticado, neste caso, é o legislador que, justamente, deixou a lei promulgada elástica com a intenção de, amanhã ou depois estar no banco dos réus, a chance de se livrar da cadeia!

            Outro abraço, dr.Béja.

        • Bendl, Se as leis fossem perfeitas os juízes não seriam necessários e isto não seria um caso de anarquia. Julgar significa interpretar as leis (pois elas são imperfeitas). Então o juiz julga pelo conhecimento mas nem sempre pela lei e nisto o Dr Béja peca pela parcialidade em relação ao caso Cabral. Não é este artigo, mas os muitos que ele já escreveu, subliminarmente apontando caminhos para salvar quem de fato deveria continuar preso. O Direito, não é matemática, que é precisa em suas equações, está todo nas entrelinhas.

          • Meu caro Paulo2,

            Obrigado pelo diálogo que estamos tendo.

            Se não tivéssemos leis não haveria juízes, o sistema seria outro, que eu não saberia.

            O advogado não pode ser acusado de parcial quando defende a lei ou o seu cliente.

            Mais a mais, o que o homem faz não é perfeito, lógico, então sempre teremos brechas que serão usadas em benefício ou prejuízo de alguém, contrariando também ou a maioria ou uns e outros.

            E julgar, meu amigo, definitivamente não é interpretar as leis, isso é hermenêutica, julgar é punir, condenar, com bases JUSTAMENTE NO QUE DIZ A LEI!

            Quem mais delas entende é profissional, um advogado, que pode ser um juiz, promotor, delegado de polícia, cuja função orbita os códigos existentes.

            Aplicar a justiça INDEPENDE DE LEIS, pois significa equilíbrio (olha a balança como símbolo), e não olhar a quem se aplica (olha o pano impedindo a visão do julgador).

            Eu, por exemplo, que não sou advogado, aliás, nem curso superior possuo, durante muito tempo da minha vida fui um juiz, pois na condição de pai e não havendo lei que me orientasse como agir quando um dos meus filhos errava, a minha maior preocupação era ser … justo!

            Penso que estamos misturando questões que são estanques, ou seja, mesmo que estejam interligadas são independentes, tais como a justiça com as leis, a punição com justiça, e leis com punição.

            O exemplo acima (eu, pai), mostra claramente que, mesmo sem lei, mesmo um critério para punir, mesmo sem julgamento, eu decidia conforme meus sentimentos quando um filho meio que se alargava, então a mistura de leis, justiça, condenação, punição, se torna uma sopa intragável, se a cada um desses itens não se der a devida importância, menos quando em conjunto, pois o resultado jamais será unânime!

            Em outras palavras:
            leis, julgamento, condenação e punição, JAMAIS, Paulo2, redundarão em JUSTIÇA!

            Outro exemplo:
            O povo que sustenta esse aparato dos poderes constituídos está sendo injustiçado de todas as formas, MESMO HAVENDO LEIS que o protejam.

            Por que não são aplicadas?

            E queremos que as leis, o julgamento, a condenação como consequência desse processo, e a sentença prolatada que responde pela punição, logo, a tão pretensa e desejada justiça, sejam efetivamente aplicadas contra uma pessoa?!

            Bem ou mal teremos de entender que esses meliantes de grande importância nacional teriam de ser rigorosamente punidos mediante um código específico, haja vista que roubaram o POVO, o dono do país, o chefe, e não submeter esses ladrões ao mesmo sistema que um cidadão é punido quando erra.

            Outro abraço.

  8. Ele se ateve ao mérito do pedido e não a outra situação que seria motivo de outro pedido. O STF abriu a possibilidade de prisão em segunda instância, mas deveria ter tornado obrigatória. Como decidiu pelo, “sim”, “não”, “talvez”. Deixou suficiente insegurança jurídica ao deixar para o entendimento do magistrado mais acima, a decisão em cada caso. Gilmar em não dar o que não foi pedido, não erra, apenas não manteve sua estupidez jurídica ao impôr sua vontade. Gilmar errou sim, em tirar o tapete e enxovalhar os magistrados das instâncias inferiores e quanto a isso ele não demonstra pudores. Cabe também um adendo sobre o “sorteio” de quem julgaria o HC. Dos 11, ele foi o agraciado ou pediu para julgar? Por sorte temos os juízes das instâncias inferiores fazendo o trabalho que os do STF, como esse aí, tem negado ao seu país.

  9. No comentário anterior eu apostava que Cabral não partiria para mato Grosso do Sul , depois da decisão do juiz Bretas e confirmação do Des. Abel , levaram uma semana para e não embarcaram Cabral , isso já era sintoma que não seriam despejado do spa benfica , inclusive o nome do spa é bem sugestivo não acham ?

  10. Dr. J. Béja ontem mesmo, em resposta a um comentário meu, o sr. expôs esta sua análise da decisão do min. Mendes e suas contradições. Achei brilhante a análise e muito pertinente.
    Lamento que o cidadão Mendes continue perseguindo seu objetivo de desmoralizar todo o judiciário, usando a lei para defender os seus amigos e seus interesses mercantis (desculpe mas detesto Mendes e tudo o que representa e faz)….
    Como nas altas esferas a transferência de Cabral é uma questão política e para a sociedade é uma questão moral, adorei ver sua posição: defender a lei e cobrar coerência de um incoerente.

  11. O Brasil precisa ser reiniciado ou mesmo formatado, conforme se faz com um disco rígido de um computador.

    É preciso começar do zero! Apagar tudo! Nossas leis, em sua grande maioria, são verdadeiros lixos sob a forma de ordens!

  12. É absolutamente necessário lembrar que, por ocasião da prisão de Sergio Cabral(21/11/2016),o ilustre articulista solicitou por livre e expontânea vontade e mesmo não sendo advogado constituído do bandido,habeas corpus em favor dele.

    https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwjDgpn_0Z3XAhXITJAKHWbCC_UQFggsMAE&url=http%3A%2F%2Fpolitica.estadao.com.br%2Fnoticias%2Fgeral%2Cjustica-nega-habeas-corpus-a-cabral%2C10000089696&usg=AOvVaw2WLHOw8vbJEnhioeLX8O-v

    • Impetrei, sim. E se necessário, impetraria novamente. Sou advogado. Odeio o pecado, não o pecador. Foi o que declarei à época da prisão de Cabral a todos os órgãos de imprensa que me procuraram. Nada escondi. Até esta própria Tribuna da Internet publicou a íntegra do Habeas Corpus que foi liminarmente negado pelo desembargador-federal Abel Gomes sob o argumento de que se trata de HC com fundamentação abstrata. E da decisão pessoal do relator não recorri e os autos foram para o arquivo do TRF do Rio.

      O leitor crê que me constrange relembrar o meu gesto. Digo que não sinto o mínimo constrangimento. Naquela época a prisão me pegou de surpresa. Ao menos noticiado, nada existia contra o ex-governador, nenhuma investigação, nenhum inquérito, nenhuma ação penal. Prenderam primeiro para investigar depois.

      Torno a dizer: aquele meu gesto é para ser relembrado. Sou advogado. E toda vez que o caso Cabral for assunto de artigo meu, por favor, leitor, relembre-o, indique sempre o link para provar que você não está mentindo, porque sua palavra, seu escrito, sua voz não bastam.

      Vergonha sentiria se eu fosse protagonista de corrupção. Externei, nos artigos de ontem e hoje, questões jurídicas sobre a amplitude do instituto do Habeas Corpus. Não, mais. E a finalidade é repassar aos leitores o pouco — muito pouco mesmo — que aprendi ao longo dos 45 anos do exercício da advocacia exclusivamente cível.

      • Deixa claro que este leitor sabia e, sabendo, calou, quando deveria agir. Dizendo agora que sabia, vamos indicá-lo ao Ministério Público para ser arrolado como testemunha. Sim, testemunha de acusação, pois nos conta agora “que o Rio inteiro sabia que ele roubava”. Inclusive o leitor, obviamente. Vamos lá. Vamos agir em benefício da aplicação da Lei e da distribuição de Justiça. É fácil.

    • O vaidoso, muitas vezes arrogante, porém sempre presunçoso, impede que não perceba o quanto é ridículo costumeiramente!

      Tenta fazer com que o narcisista entenda, tenta!

  13. A redação de um homem sábio:

    Darcy Leite novembro 1, 2017 at 12:04 pm

    É absolutamente necessário lembrar que, por ocasião da prisão de Sergio Cabral(21/11/2016),o ilustre articulista solicitou por livre e expontânea vontade e mesmo não sendo advogado constituído do bandido,habeas corpus em favor :

  14. ( gilmar mentes ) mente para si própio . Por outro lado , tal parecer demonstra quanto este país é desprovido de estabilidade jurídica e o judiciário uma farsa , um teatro onde um julgamento é uma peça teatral , que pode terminar de varias maneiras , tudo vai depender do CPF do réu.

  15. Béja, mais uma vez, reconheço que fostes perfeito no artigo e nos comentários. Tudo refinadamente técnico.

    Bendl, aceite meus parabéns pelos comentários agregativos e construtivos, tudo que precisamos para nossa sempre livre Tribuna da Internet. Para a formação de uma imagem sadia e sem mentiras dos temas abordados.

  16. Prezado Celso,

    Muito obrigado pela consideração.

    Posso te assegurar que os meus comentários reproduzem fidedignamente meus pensamentos.

    Eles são absolutamente verdadeiros, legítimos, e jamais me preocupei com o “politicamente correto”, se eu constatasse que deixaria de ser legítimo o meu recado, a minha mensagem, a minha opinião.

    Não posso e não devo do alto dos meus 68 anos de idade dourar a pílula.

    Evidentemente que posso estar errado em vários artigos abordados onde deixei a minha interpretação a respeito, mas fui levado pelas minhas convicções. e enquanto eu não obter dados efetivos que me forcem a mudar de ideia sigo com as mesmas velhas e surradas maneiras de ver o mundo, a inconstância do ser humano, e as nossas eternas e mesmas dificuldades, entrando e saindo governo com as promessas de sempre.

    Um grande abraço.
    Saúde e paz.

  17. Prezado Dr. Béja,
    Peço desculpas pelo meu comentário.
    Não vejo na sua pessoa a figura de Cabral.
    Seus comentários, sempre transmitidos com muita didática, trazem muita luz para minhas análises sobre os tempos que estamos vivendo.
    Já tive oportunidade de me valer, em acaloradas discussões, de seus sólidos ensinamentos.
    Fui emotivo e acabei agindo como torcedor de futebol, quando vê um pênalti não marcado.
    Tenho esperança de alcançar sua capacidade espiritual de saber separar o pecado do pecador.
    Forte abraço, saúde e paz !

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