Governador da Bahia aponta que fim da produção da Ford no país expõe a falta de planejamento no país

Governador do PT desiste de ir a evento com Bolsonaro na Bahia | VEJA

Rui Costa diz que o país entrou em retrocesso institucional

Camila Mattoso
Folha

O fechamento da fábrica da Ford em Camaçari (BA) expõe um problema de fundo, segundo o governador Rui Costa (PT). A seu ver, o Brasil abandonou planos para estimular uma produção mais elaborada, dedicando-se basicamente à produção de commodities agrícolas. Os riscos da política, somados ao baixo crescimento (que minou as vendas), completaram um cenário que está levando o país a se tornar uma grande fazenda.

“Não há planejamento. O que pensamos nos últimos cinco anos para aumentar o investimento em tecnologia e a industrialização? Nada. Estamos satisfeitos em nos tornarmos uma grande fazenda”, afirma.

FIM DA PRODUÇÃO – Nos últimos meses, ele disse ter acompanhado a redução de margens da Ford, mas foi apenas nesta segunda-feira, dia 11, à tarde que foi informado do fechamento da unidade no estado. Ele tenta atrair chineses para assumir a produção local, um terreno com 50 milhões de metros quadrados e um porto.

“Não dá para imaginar que o Brasil já teve uma indústria relevante, que viu florescer a indústria do petróleo, que teve grandes construtores disputando contratos para obras internacionais ter entrado nesse vazio”, afirma. “Há cinco anos, o Brasil vive uma crise institucional forte, que paralisou as reformas e os investimentos. O capital é avesso a risco e o Brasil se tornou um país de alto risco”.

Costa diz que os executivos da Ford lhe apontaram um cenário devastador. A previsão deles é a de que apenas em 2023 a demanda voltará a crescer e que mais indústrias do setor automotivo deverão anunciar a saída do Brasil nos próximos meses. “O câmbio foi a R$ 5, R$ 6. Quem vai bancar uma diferença de custos dessa? No ano passado, o setor industrial teve um aumento de 30% para produzir no Brasil”, diz.

POLÍTICA EQUIVOCADA – Parte do problema se deve à política equivocada do governo Jair Bolsonaro em acionar políticas anticíclicas, para mitigar os efeitos da crise. A discussão posta em 2020, lembra ele, era conceder um auxílio emergencial de R$ 300, mas por uma briga política, Bolsonaro resolveu pagar o dobro, sem qualquer cuidado com o cadastro dos beneficiados.

“Isso gerou uma explosão do consumo, faltou cimento, material de construção. Gerou uma inflação interna e agora acabou o dinheiro. Mais racional teria sido pagar R$ 300 por mais tempo. Evitaria o pico na demanda e ajudaria as pessoas neste ano ou a pandemia acabou?”, diz. O governador afirma que, após dois anos, Bolsonaro não tem nada a mostrar e que isso cobrará um preço eleitoral, pois prevê que a paralisia seguirá em 2021.

“Eu pergunto qual é o plano deles para a educação? E para a saúde? Na semana passada, ele falou que a mão de obra no Brasil não tem qualificação. O que ele está fazendo para melhorar isso? Qual é o plano deles para melhorar nossa infraestrutura logística? Não tem. Tudo o que estão entregando foi iniciado em 2012, 2013”, afirma o governador, referindo-se ao governo de Dilma Rousseff (PT).

DESGASTE – Pelo andar da carruagem, Rui Costa prevê que Bolsonaro vive um processo de desgaste crescente e que, em algum momento, os recém-aliados do centrão vão pular do barco.

“Essa aventura retórica não se sustenta por muito tempo”, diz. “Os aliados dele aqui na Bahia, por exemplo, os que têm cargos no governo, os políticos do DEM, nem eles dizem que estão com Bolsonaro”. Apesar da aliança de seu partido com o DEM no Senado e com o MDB na Câmara, Costa diz que não se pode extrapolar esses acordos para 2022.

10 thoughts on “Governador da Bahia aponta que fim da produção da Ford no país expõe a falta de planejamento no país

  1. JB é um presidente SEM partido. Ele acha que pode e vem governando sem partidos. Uma hora pede ajuda aos evangélicos, que NÃO é partido. Dependendo da situação apela para a bancada do boi que não é partido. Se necessário age em nome dos militares, que não é partido. Atualmente fala se no Centrão, como se fosse um partido.
    Enfim tem tudo, e não tem nada de concreto. O negócio dele é passar o tempo de preferência com bons barracos.

  2. Esse governador precisa ter melhores assessores.

    As montadoras americanas há anos não estão conseguindo competir com as japonesas, coreanas, alemãs e chinesas.

    Chrysler já foi comprada pela FIAT.

    Ford tem vários processos no mundo devido alguns modelos terem pego fogo devido erro de projeto e os custos dos recall. Em 2016 Ford fechou as fabricas da Indonésia e Japão.

    Nos EUA, em 2019/2020, Ford resolveu parar a produção de automóveis e só manter Picapes. O mesmo que estão fazendo na América do Sul.

    GM começou a transferir suas montadoras para China.

    Fiat-Chrysler, Peugeot e Citroën estão se fundindo.

    As alemãs Volkswagen, Mercedes Benz, BMW, Porsche, Audi agora são um grupo só.

    Renault–Nissan–Mitsubishi formam outro grupo.

    Este é o resultado do mundo Globalizado.

  3. Quanta hipocrisia, o PT é um dos partidos que mais atrapalha as mudanças que precisam ser feitas. O que eles gostam mesmo é de trocar dinheiro público por verbas eleitorais advindas de contratos fraudulentos com grandes industriais.
    Esse é o tal planejamento do PT, impedir reformas reais que melhorem a produtividade e vender favores a empresários, no famoso capitalismo de compadres.

  4. Perguntem aos coreanos e japoneses se confiam em carros da Ford, vendiam sucata no Brasil, o risível Ka e a imitação de Suv Ecosport, décadas de incentivos e subsídios, secou a teta vão embora! Indústria do Petróleo, construtoras disputando contratos internacionais…na base da corrupção!O que vcs petralhas fizeram em 16 anos?Roubaram incansavelmente!Crie vergonha na sua fuça, não está falando com seus correligionários!

    • Uau as declarações de um governador pestista, tanto ele quanto o Pinóquio se equivocam neste caso, a montadora americana sinalizou a saída quando fechou a fábrica em São Paulo, daí para frente era só uma questão de tempo o encerramento da produção nas demais. Para não ficar ainda mais para trás os americanos preferiram ir embora. Não sei se valerá a pena ter chineses montando carroças chinesas por aqui.

  5. No governo petista houve muito mais fechamento de indústrias do que agora.
    Sei que Bolsonaro é péssimo mas é melhor que luiz inacio e dilma.
    O caso não cabe muitas análises pois o que precisamos mesmo é desenvolver tecnologia e não ficarmos chorando com a saida de uma ou outra empresa.
    O quadro econômico do Braail é desesperador porque o setor produtivo não aguenta pagat impostos para o estado que entrega quase tudo que é arrecadado para pagamento de funcionarios públicos que não prestam bons serviços, trabalhadores de estatais ineficientes e militares ociosos.
    Se não houver uma reforma administrativa que corte pelos menos a metade do custo do estado, imediatamente, o país vai colapsar brevemente, e aí não teremos como remediar.
    É bom que toda a sociedade se mobilize rapidamente para fazermos isto em primeiro lugar.
    Depois pensaremos em refirma tributária para redução de impostos já com estado enxuto.
    Podem anotar, é isso ou nada.
    Se cairmos nessa estória de bolsonaro x lula, vamos dar com os burros n’agua pois ambos não estão nem aí para nós, e muit menos para i Brasil.

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