Governo do Rio ainda está à procura do “legado” da intervenção militar na segurança

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Fuzis são de uso exclusivo das Forças Armadas e polícias

Carlos Newton

Recordar é viver, como diziam os compositores Aldacir Marins e Macedo. Por isso vamos lembrar que em fevereiro de 2018, quando decretou a intervenção militar na segurança do Estado do Rio, o então presidente Michel Temer estava encantado com a possibilidade de se candidatar à reeleição. Havia um grande número de pré-candidatos e ele achava que, se a intervenção desse certo, poderia ter cerca de 20% dos votos e passar para o segundo turno, porque sonhar ainda não era proibido, todos sabem.

Ao final de quase onze meses, a intervenção federal terminou e o novo governo do Rio de Janeiro ainda está procurando o “legado” da atuação dos militares. Sabe-se que o número de homicídios caiu, mas isso aconteceu na grande maioria dos estados e não pode ser atribuído especificamente à intervenção militar. No mesmo período, o número de tiroteios nas comunidades subiu 57%, ao invés de diminuir.

R$ 1,2 BILHÃO – Na doce esperança de se reeleger, Temer destinou R$ 1,2 bilhão para os interventores militares. Deste total, eles gastaram R$ 447 mil para pagamento de viagens ao exterior, com diárias e hospedagem, tudo em sigilo, sem revelar quantas pessoas viajaram e o que fizeram. E o único resultado dessas viagens foi a compra de blindados leves italianos, tipo “Lince”, que foram incorporados ao patrimônio do Exército.

Aliás, no final os interventores gastaram cerca de R$ 1,1 bilhão, mas dois terços desta quantia (R$ 740 milhões) foram investimentos em novas armas, materiais e equipamentos para as próprias Forças Armadas – a maior parte para o Exército, é claro. Segundo informações de O Globo, que não foram contestadas, apenas um terço do orçamento (R$ 370) foram gastos para equipar as forças de segurança do Estado do Rio – PM, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros.

Aí surge a pergunta que ninguém jamais responderá: Que intervenção foi esta, em que a maior parte do dinheiro foi gasta para equipar as Forças Armadas?

O pior de tudo é a diferença de concepção. Enquanto o governador Wilson Witzel defendia que fossem “abatidos” os criminosos que portassem fuzis e outras armas proibidas, como metralhadoras e granadas, o interventor/general Braga Netto, afirmava: “Não tenho atirador meu, posicionado, escondido, esperando para eliminar um elemento que está parado, só porque ele está com um fuzil”.

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P.S. 1
Desculpe o ilustre chefe militar, que é membro do Alto Comando do Exército, mas o novo governador está certo. O que ocorre no Rio de Janeiro e em todo o Brasil é uma guerra civil não declarada, e as forças de segurança têm de reagir à altura.

P.S. 2 Espera-se que o ministro Sérgio Moro transforme logo em crime hediondo a posse de armamentos privativos das polícias e das Forças Armadas. Espera-se também que os policiais brasileiros, que são vítimas desses facínoras, possam enfrentar essas quadrilhas de igual para igual, como se dizia antigamente. (C.N.)

13 thoughts on “Governo do Rio ainda está à procura do “legado” da intervenção militar na segurança

  1. Até pouco tempo atrás o Rio era a segunda economia do país, atrás apenas de São Paulo. Quase a totalidade de tudo que se extrai de petróleo no país é destinado em pagamento de royalties ao Rio. Contrapondo-se a isso, o Rio figurava entre os índices mais baixos do país, quando o assunto era educação, saúde e segurança públicos, além de pouco ou nada dar a seu contribuinte em matéria de infraestrutura, seja de transporte público, seja de malha viária ou férrea. Quando se pergunta onde foi parar tanto dinheiro, começa-se perceber que tantos anos de descaso e decadência moral, não se muda em alguns meses. Não são raros os vídeos na rede com policiais reclamando que na ponta da corda são eles que se arriscam para prender os bandidos e quando não são corruptos e os prendem, outros atores entram apenas para ganhar e não raro, os bandidos voltam as ruas. Não há intervenção que resolva este estado de coisa. Não é atoa que se estabeleceu como “lei do tráfico” o que impera nas comunidades, eles sabem o que funciona.

  2. Estamos em guerra civil. Guerra de guerrilhas e ataques terroristas. A mídia, sempre complacente com a violência dos traficantes bandidos, se preocupa demais em cobrar dos policiais atitudes impossíveis. Não é difícil perceber que tratar assassinos inconsequentes como seres civilizados é uma perda de tempo. Passou da hora da mídia ficar do lado da sociedade desarmada e apoiar medidas de emergência ou esforços de guerra.

  3. A bandidagem tomou conta do Rio de Janeiro, são facções de todos os lados, traficantes, milicianos, é inacreditável como ficou este estado, na linha amarela, o bandido saiu de uma fresta e assaltou um motorista de taxi, na Penha, uma família foi obrigada a entregar o carro a uma quadrilha, pois eram mais de 5 bandidos, é impressionante com acabou o medo desta bandidagem, vamos esperar para ver o governo atual.

  4. mas por favor, alguém esperava que as forças armadas, em alguns pouquíssimos meses, resolveria algum dos problemas da segurança do Rio?

    O Rio apodreceu ao longo de décadas. A sociedade teve parcelas que se omitiram e outras que participam da bagunça geral.
    As mesmas mães/pais que choram a morte dos filhos, escondem a verdade, na maioria dos casos, da participação real das “vitimas” nos crimes organizados.

    Os governantes do Rio, nos tres níveis de poder, são conhecidos e reconhecidos, eleitos e reeleitos pelo eleitorado carioca.

    Ai, como que por passe de mágica, limitada aos locais e passos pré-estabelecidos, chamam as forças amadas, num flagrante reconhecimento a incompetência, convivência geral da sociedade/governos, para SOLUCIONAR TUDO!

    Na verdade, o Rio deveria servir de laboratório para a reconstrução social do país!

    Se as forças armadas tivesse feito o que precisava, hoje estaria sendo amaldiçoada por todos: pelas vítimas verdadeiras, pelas suas famílias e pela sociedade em geral.

    Falta vergonha na cara, caráter e vontade de reconhecer os erros e os responsáveis. Enquanto a culpa for empurrada para os outros, não haverá solução.

    Os omissos e os inocentes continuarão pagando a maior parcela da conta da desgraça.

    Fallavena

  5. Caro Fallavena, você tem razão.

    Além disso, não devemos esquecer que as ONGS defensoras de “direitos humanos” – para bandidos – fizeram intensa pressão sobra a atuação militar.

    Até a Defensoria Púbiica – dos delinquentes – se meteu no assunto que era exclusivamente de segurança do cidadão.

    Os militares foram tolhidos.

    Fuzil, na mão do lelinquente, é arma de ataque, de agressão.

    Por isso, penso que delinquente portando armas proibidas devem levar tiro na cabeça sim.

    Enfim, depois de longos anos, cheguei à conclusão que o ex-policial e ex´deputado Sivuca sempre teve razão quando dizia que “bandido bom é bandido morto”. Um sábio.

  6. Não tem atirador escondido pra matar um cidadão do mal, SÓ PORQUE ELE ESTÁ COM UM FUZIL?
    Só um general de ar-condicionado brasileiro pra falar uma MERDA dessas.
    Isso deve ser o que os generais de ar-cond aprendem nos cursos de estado maior de generalidades das ffaa. Lá eles devem aprender que, pela prostituição federal, o militar deve aproximar-se do trafica armado com uma metranca ou fuzil inofensivo e pedir que o mesmo faça a gentileza de entregar a arma, pelo dano que a mesma possa causar ao próprio e/ou a outrem. Aí o trafica o entope de pipoco e o manda ser babaca no outro lado do gosth, ou seja no aquém do além.
    Sabe quando o governador vai encontra o legado da intervenção? Nunquinha!
    Vade retro, abestado!

  7. Se tem que matar bandido vamos logo matar o Queiroz, o Cabral o Cunha (A mídia diz que os indicados por Cunha foram mantidos por Onix então vamos matar o Onix. É uma estupidez achar que tem que sair matando. Polícia tem como dever precípuo prender e apresentar a justiça para ser julgado. Só pode matar no “estrito cumprimento do dever legal”. Fora do serviço pode matar em legitima defesa sua ou de outrem”. Todo cidadão pode matar em legítima defesa, no uso regular do direito e no estado de necessidade”. Esses institutos chamam-se “Excludentes da antijuricidade”. Esta é uma das primeiras lições do direito penal. “QUANDO um bandido é morto podendo ser preso é um serviço negativo para sociedade’. Pois o bandido bem interrogado pode dar informações que levem à quadrilha e conseqüentemente a ação será mais ampla e proveitosa. Witel esse judeu que está sendo processado fala que foi juiz, fuzileiro. em nenhuma das duas funções aprendeu que tem que sair matando. Fuzileiros são Força de Elite da Marinha e não aprendem isso. O que falta é planejamento. Hoje temos “drones” é fácil saber onde se reunem os bandidos e por onde podem fugir. Um cerco bem feito durante o dia prende todos sem perder um um homem.

  8. A notícia é mentirosa. Os recursos da intervenção foram gastos na totalidade com as polícias e Corpo de Bombeiros. Foram empenhados mais de 97% dos recursos. As polícias do Rio receberam em menos de 1 ano o equivalente a 6 anos de orçamento normal. Compareçam ao Comando Militar do Leste e se informem melhor antes de divulgar mentiras. Há farta documentação comprovando isso.

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