Há 20 anos a noite chamava para levar Jose Lino Grunewald, um grande poeta da arte

José Lino Grunewald, um notável revolucionador das artes 

Pedro do Coutto

O título desta matéria reproduz um verso de Goethe utilizado no fundo para tornar mais leve ou menos pesada a passagem da dimensão humana, creio eu, para uma dimensão eterna. Quero dizer, para uma outra realidade que nos escapa. Uma dimensão onde os relógios não tem ponteiros como a imagem de Ingmar Bergman nos “Morangos Silvestres”, ou no segredo dos morangos, conforme o título original.

Mas José Lino Grunewald foi um poeta da arte, repousando e abrangendo mais a literatura e o cinema. Deixou um legado e um espaço que também corresponde à eternidade que caracteriza as obras de cultura produzidas pelos seres humanos.

HOMEM/MULHER – Falo em seres humanos porque não gosto da expressão que destaca o ângulo singular da palavra homem. Sempre incluo as mulheres, que igualmente produzem cultura. Fica melhor assim.

E a cultura, como já foi definida, é a passagem do ser humano pelo mundo, sua estrada, sua sombra, ele mesmo. E assim os ensaios de arte tornam-se fundamentais, sobretudo na medida em que revelam e traduzem a pintura, escultura, música, teatro, cinema, literatura etc.

José Lino Grunewald abordou e interpretou produções de arte enfatizando-as seus ângulos livres e poéticos. Fez descobertas subliminares sobre os filmes densos, com os dirigidos por Ingmar Bergman, por exemplo.

SEMPRE NA VANGUARDA – Seus estudos sobre cinema, arte que destaca o comportamento humano, ficarão para sempre, como a obra dos cadernos de cinema do francês André Basin, que projetou a importância dessa arte surgida em 1895. Grunewald foi além. Ao produzir sua arte~, abriu também a realidade artística muitas vezes oculta distante da compreensão comum.

Esteve na ruptura concretista que abalou a poesia tradicional, que se refletiu em uma modernização marcada pelo movimento que explodiu em 1956 e deixou suas marcas. Muitas remetidas para o passado recente. No concretismo, verdadeiro rock and roll da poesia, Grunewald formou no bloco ao lado de Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Décio Pignatary e Ronaldo Azeredo. Foi importante no seu tempo a ruptura do limite tradicional, como ressaltaram à época os poetas Manoel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade.

José Lino, meu amigo por tantos anos, na sua caminhada deixou marcas para sempre, como o verso conjugado entre a imagem e o texto que este induzia. Sua passagem ficou eternamente assinalada pela beleza de suas obras, sempre marcadas pelo toque poético que iluminou sua vida. Sua presença faz falta.

GUEDES FARSANTE – De volta aos áridos dias de hoje, reportagem de Julia Lindner e Manoel Ventura, O Globo deste sábado, destacou amplamente o despropósito do ministro da Economia, Paulo Guedes, ao retomar sua proposta de unir o auxílio de emergência a ajustes fiscais que ele imagina necessários ao combate a pandemia.

Sua proposta, já apresentada em 2019, prevê redução de salário de servidor e a revisão de benefícios fiscais. Guedes desprezou a existência do coronavirus desde o início de 2020. Agora, tenta inventar a roda.

2 thoughts on “Há 20 anos a noite chamava para levar Jose Lino Grunewald, um grande poeta da arte

  1. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, Escritor de vários Livros de Política/Sociologia/Economia, Pioneiro das Pesquisas Eleitorais IBOPE, etc, Professor Universitário, e que nos honra no TRIBUNA DA INTERNET, faz comovente homenagem pela passagem de “20 anos em que a Noite” levou seu grande amigo e Colega Sr. JOSÉ LINO GRUNEWALD.

    JOSÉ LINO GRUNEWALD foi Jornalista, Poeta, Crítico de Cinema, Tradutor, etc, e como nos conta o Sr. PEDRO DO COUTTO, um grande Artista.

    Que bonito, a amizade e a admiração, entre gigantes intelectuais deste calibre.

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