Há diferença definitiva entre o jornalismo e a publicidade paga pelo governo

Imagem relacionada

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Na edição de sexta-feira da Folha de São Paulo o professor Hélio Schwartsman publicou importante artigo sobre a diferença entre o jornalismo e a publicidade institucional paga pelo governo. A origem do artigo teve como base as ameaças do círculo mais próximo a Jair Bolsonaro de cortar a verba publicitária do Executivo para os jornais e emissoras de televisão que veiculam críticas ao próximo governo do país. 

A iniciativa do colunista conduz a um esclarecimento essencial, decisivo e definitivo que coloca em campos bem separados e eticamente fundamentais entre atividade jornalística absolutamente gratuita e os espaços publicitários, como se comerciais fossem adquiridos pelo governo para informar sobre suas atividades. Os dois extremos não se tocam.

CARACTERIZAÇÃO – Os jornais e emissoras de televisão, vale frisar, não aceitam veicular publicidade que não esteja bem caracterizada como tal. Perfeito. É preciso fixar bem os limites que separam uma coisa da outra. 

Na verdade, o governo não precisa pagar nada pela divulgação que obtiver através das matérias jornalísticas que partem da importância comum, sobre qualquer assunto  de interesse coletivo. 

O governo, através de suas empresas estatais, como a Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, pode realizar a divulgação paga. Trata-se de buscar fatia maior no mercado, digamos por exemplo, do sistema bancário. A Petrobrás, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica, disputam mercado e buscam a captação de recursos que dependem de sua maior presença na esfera publicitária.  Nesse ponto se igualam à publicidade comercial privada injetada pela AMBEV, pelos bancos Bradesco, Itaú e Santander e também pelas revendedoras de automóveis. 

DIFERENÇA CLARA – Creio eu que tenha citado as empresas que mais aplicam em investimentos no campo da publicidade. E com tal publicidade lutam por fatias cada vez maiores da comercialização de seus produtos.

Está clara a diferença entre os campos de atuação. A partir daí, com uma experiência cumulada ao longo de 60 anos de jornalismo, posso afirmar que se trata de um mito dizer que o tratamento atribuído ao noticiário político, econômico ou financeiro depende da maior ou menor participação das verbas publicitárias que se projetam no campo da comunicação. Vou até além

 As matérias mais importantes para firmação dos governos é absolutamente gratuita. Se houver pagamento por esse serviço, ele perde totalmente o crédito junto à opinião pública. Publicidade comercial é uma coisa, jornalismo independente é outra. Se algum governante pensa em se projetar através da publicidade comercial estará cometendo um erro enorme.

5 thoughts on “Há diferença definitiva entre o jornalismo e a publicidade paga pelo governo

  1. O PT provou que há mais interesses entre o público e privado no Brasil do que sonha a nossa vã filosofia. Captar recursos, é o discurso? Os milhões que os governos despejam na mídia como propaganda é para isso? Vale para quem jamais investiu? Não. Vale para um investidor experiente, também não.

  2. Hoje, está mais que provado, ninguém mais precisa dessa mídia descaradamente partidária. Temos a internet onde fakes e notícias verdadeiras podem circular de graça.
    Com a internet também , deve-se cortar a verba para campanhas políticas, pois com Bolsonaro foi comprovado que elas são produto da mesma corrupção das fortunas que vão para jornais e Tvs e que devem ser empregadas com as necessidades do povo.

    • Corrigindo: pelos gastos de Bolsonaro na campanha, uma micharia e , para não esquecer, sem tempo de TV, ficou cabalmente provado que é mais um crime que o estado comete contra a população, essas verbas para campanhas políticas como as verbas para a mídia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *