Havelange – Galvão Bueno

Vicente Limongi Netto
“Excelente a entrevista de Galvão Bueno com o presidente de honra da Fifa, João Havelange, no canal SporTV. Por incrível que pareça, vimos um Galvão Bueno contido, fazendo boas perguntas. Realmente um feliz momento profissional de Bueno. Parabéns. Havelange é o dirigente e desportista que uniu povos e nações com o futebol. Durante 24 anos presidiu a Fifa com competência. Foi decisiva sua participação para que o Brasil fosse escolhido para sediar a Copa de 2014 e o Rio de Janeiro as Olimpíadas de 2016. Deus o mantenha forte, lúcido, altivo, solidário e respeitado no mundo inteiro. Para o bem do futebol.”

Comentário de Helio Fernandes
Concordo inteiramente com você, Limongi, foi dos melhores momentos do Galvão, comedido, discreto, não pretendendo se destacar mais do que o entrevistado. Meus parabéns ao Galvão. Só que a conversa foi muito pessoal, (o que não é restrição) apenas deixou de fora, fatos marcantes de Havelange como presidente da Fifa. Vou citar três fatos que mudaram a história da Fifa e do próprio esporte mundial.

1 – Já falei no “Havelange conservador mas não intransigente”. Episódios que poucos conhecem. Em 1976, ainda “engatinhando” na presidência da Fifa, foi procurado pelo presidente da Federação da África do Sul, que comunicou: “Presidente, vim lhe dizer que não disputaremos a Copa da África, não jogamos com negros”.

Havelange, em pleno Apartheid, perguntou: “Vocês têm o apoio do seu governo?”. Confirmado, Havelange decidiu: “Se não jogam com negros não jogam também com brancos”. E expulsou a África do Sul. Que só voltou depois da libertação de Mandela e do fim da discriminação e violentação.

2 – Um pouco mais tarde, Havelange se convenceu que a China comunista, de 1 bilhão de habitantes (na época) não podia ficar fora da Fifa. Conversou com o general Chiang-Kay-Chek, este ficou irredutível: “Se a China comunista entrar, nós saímos”. Havelange respondeu simplesmente: “É o que vai acontecer”. Aconteceu.

3 – Quando Havelange assumiu, a Fifa não era nada, funcionava numa salinha, quase não tinha patrocinadores. Os patrocinadores surgiram para transmitirem a Copa, Havelange exigia: “A África Negra (37 países) tem que receber as imagens de graça, não pode pagar”. Todos concordavam, queriam a Copa para o resto do mundo. Até hoje, a África Negra, vê e ouve a Copa com a mesma imagem e som dos outros países. Havelange é o que se pode identificar como “conservador-progressista”.

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