Importar etanol é uma vergonha para o Brasil, que já foi o maior produtor

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Importação de etanol demonstra falta de planejamento

Vanderson Tavares

Temos em nosso país uma gigantesca área fértil, com pessoas de muito conhecimento e capazes de impulsionar nossa indústria álcool-açucareira, que poderia nos levar a um grande patamar na produção de etanol, capaz de frear a importação de etanol americano, até porque não é admissível que precisemos importar um produto em que temos plena condição de sermos autossuficientes.

Claro que em toda negociação entre países, existe aquela famosa troca, tipo “você compra isso meu e eu compro isso seu”. Sugiro que essa troca seja de fato por produtos necessários ao país, sem causar prejuízos ao produtor brasileiro, como está ocorrendo no setor sucro-alcooleiro.

EXCELENTE SAFRA – Como exemplo, neste ano de 2018 tivemos uma excelente safra de cana de açúcar no Estado do Rio de Janeiro, em particular em Campos dos Goytacazes e São Francisco de Itabapoana (grandes produtores de cana), fornecendo para as usinas da região, como a Usina de Paineiras (Itapemirim-ES), Usina da Coagro (Campos dos Goytacazes-RJ) e Usina de Cana Brava (São Francisco de Itabapoana-RJ), onde na safra (normalmente entre maio e outubro) aquece a economia dessas regiões, devido ao grande fluxo de colheita e transporte deste produto, para a produção de álcool, etanol e açúcar.

Torço para que o novo governo possa olhar com bons olhos para esses produtores, usinas e transportadores (caminhoneiros), pois são pessoas sérias e que buscam o desenvolvimento da nação, oferecendo produtos de excelente qualidade, enfrentando todas as dificuldades impostas por um governo que prefere favorecer a importação (com redução/isenção de impostos), do que motivar o produtor nacional, que necessita de incentivos fiscais e de facilidade de crédito para impulsionar a produção deste negócio que tanto gera riquezas e empregos, com efeito multiplicador.

NO VERMELHO – Em 2017, praticamente todas as usinas citadas acima trabalharam no vermelho até o final da safra, sem conseguirem honrar os compromissos de pagamento imediato a fornecedores, transporte e agricultores que entregam a cana de açúcar para que as usinas façam o processamento.

O governo precisa estudar incentivos fiscais para essa cadeia produtiva, pois o pequeno lucro dos caminhoneiros, diante dessa oscilação de preço do diesel, faz com que parem de escoar a safra, tamanho o seu prejuízo com combustível e manutenção dos veículos, porque todos sabem que peças para caminhão são de valor elevadíssimo. Apenas como exemplo, o pneu mais barato custa R$ 1.380,00 (à vista), e o frete de determinadas localidades para as usinas é de apenas R$ 18,00 a tonelada para o caminhão, que normalmente transporta 25 toneladas (se andar com menos que isso, é prejuízo certo).

PEQUENO LUCRO – E aí, tirando combustível (e pedindo a Deus para que nada quebre no caminhão), o transportador recebe em média R$ 250,00 pelo frete. Se o dono do caminhão for pagar motorista, seu lucro vai para aproximadamente R$ 120,00 (e tem que torcer para nada quebrar), pois só uma simples manutenção de caixa de marcha custa em média R$ 350,00 (geralmente é preciso fazer manutenção na caixa pelo menos umas duas vezes na safra, já levando R$ 700,00 do lucro do transportador).

Seria interessante que o novo governo conhecesse mais de perto essa realidade, pois se oferecer melhor infraestrutura (estradas adequadas ao escoamento da safra), incentivos fiscais aos usineiros e produtores, com certeza teríamos uma produção de excelente qualidade, com capacidade de motivar a toda cadeia produtiva e regiões que vivem desse negócio.

NA ENTRESSAFRA – É comum, quando se acaba a safra de uma determinada região, os caminhoneiros se deslocarem para outras regiões, com custo elevado de combustível.

Claro que seria superinteressante ter um aumento de produção em sua região, para que o produtor possa ter um ganho suficiente para cobrir seus custos e obter lucros dentro do esperado. E os caminhoneiros, tendo mais trabalho em sua região, não precisariam se deslocar para longas distâncias em busca do sustento de sua família.

Para se ter ideia disso, dando um exemplo dos caminhoneiros de São Francisco de Itabapoana-RJ, ao final da safra em outubro eles se deslocam para usinas no sul da Bahia (Usina da Dasa) ou para Pernambuco. Imaginem o gasto de combustível para esse deslocamento? E o esse custo é exclusivamente do caminhoneiro, ou seja, ao final da safra desses locais, se o caminhão não tiver tanta quebra, sobra para a empresa transportadora algo em torno de R$ 2.500,00 (nada mais além disso), pois se por acaso, no período de safra tiver muita chuva, os caminhões são impedidos de realizar o escoamento, até que a chuva pare e o solo seque, para retomada do transporte.

Rogo aos novos Ministros de “Infraestrutura” e “Agricultura”, para que olhem com carinho por essa classe que sofre tanto para oferecer produtos ao mercado nacional e evitar onerosas importações que não têm a menor justificativa continuar comprando etanol de milho, vindo dos Estados Unidos, onde recebem incentivos fiscais, tornando-se uma competição desleal com nossos produtores.

21 thoughts on “Importar etanol é uma vergonha para o Brasil, que já foi o maior produtor

  1. O que eu sempre soube é que não há regras claras para a produção dessas usinas de acúcar. Os veículos produzidos para trafegarem com gasolina ou etanol, rodam a maior parte do tempo com a gasolina, haja vista o etanol ser um produto gravoso na maior parte das unidades da Federação, pelo fato de não obedecer aquele cálculo de só se abastecer com etanol se o seu preço na bomba for menor ou igual a 70% do da gasolina.
    A produção é direcionada (açúcar ou etanol) de acordo com a variação do acúcar no mercado internacional e, todos aqueles que se dispuseram a adquirir veículos que rodam ou com gasolina ou etanol, ficam prejudicados, pois a gasolina, muito mais poluente que o etanol é a mais utilizada.
    Enfim, mais um dos problemas a serem equacionados pela nova equipe em 2019.

    • -Harley, os ativistas e ONGs não estão nem um pouco preocupados com poluição.
      -Veja que construir um hidrelétrica gera muito mais “comoção” do que a construção de termelétricas!
      -Coisas da nossa corrupção, onde se fabrica e doença para gerar o “altruísmo” de vender remédio para o doente. Tipo o Detran do Rio de Janeiro e do resto do país.

      “A fumaça das chaminés deverá ultrapassar o desmatamento da Amazônia como nossa maior fonte poluidora.
      A mudança de perfil das emissões brasileiras é resultado em parte de uma boa notícia. O desmatamento da Amazônia é o mais baixo em décadas. Mas também reflete a redução da participação das hidrelétricas em nossa matriz de geração. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em 1998 mais de 88% da capacidade instalada brasileira era hidrelétrica. Ela caiu para 73% em 2012. As termelétricas passaram de 12% para 27% nesse mesmo período.”
      (Revista Época)

    • Olá caro Haley, me refiro na matéria, aos fatos de deslealdade com os custos para produção dos produtos derivados da cana de açúcar, onde o etanol produzido nos Estados Unidos, recebem bem mais incentivos que nossas usinas e produtores/empreiteiros.
      Forte abraço
      Vanderson Tavares

  2. Obrigado pela informação Francisco Vieira.
    Temos que retomar o caminho do bom senso. Inúmeras Torres de energia eólica têm sido instaladas há anos em diversos locais, gerando eletricidade para diversas comunidades desassistidas.
    O exército brasileiro perfura poços no Nordeste que são movidos por energia solar, atendendo dezenas de famílias que não tinham acesso à água potável.
    Desejamos que a parte de infraestrutura que será gerida por engenheiros militares possam ir ao encontro das mínimas necessidades das pessoas que vivem nos nossos rincões, abandonadas há muito tempo.

  3. Somos um pais , onde temos varias riquezas , temos que mostrar o mundoo nosso potencial e, nosso governo tem que ter mais respeito na nossas riquezas tais como:
    Agricultura, minerais, madeira , florestas e água.

  4. Mais uma atitude destrutiva e anti-patriótica do partido dos trambiqueiros. Esses traidores só se interessaram em apoiar republiquetas dominadas por ditadores esquerdistas.

  5. “Feliz foi Adão que não teve sogra nem caminhão”. O pior do excesso de carga não é o estrago no asfalto, mas no próprio caminhão. Pneus, molas, câmbio e rolamentos ficam totalmente comprometidos e vão pedir sua parte do frete. É prejuízo na certa. O caminhoneiro precisa de atenção das autoridades, é um herói anônimo.

    • Pedro, PERFEITO seu comentário!!!! É uma classe completamente esquecida. Só são lembrados QUANDO PARAM O PAÍS.
      Forte abraço,
      Vanderson Tavares

  6. Tudo funcionaria bem se o estado brasileiro não atrapalhasse, como sempre, há quase um século.

    Nos EUA tudo é privado, se paga menos impostos, menos burocracia,etc
    No caso do álcool, aqui se falava que o deles era mais caro, etc,etc,etc. e que, com isso e entre outras, se afirmava também que seríamos a bomba de combustível do mundo.

    Como o tempo é o melhor juiz, ficou provado mais uma vez que as coisas aqui neste país estão, com esse nosso Estado, na contra-mão do mundo.

    E aí está o resultado: importamos álcool dos EUA.
    A lição : ainda temos que aprender muita coisa com eles.

    • Olá Mário Jr,

      Concordo em gênero e grau com seus comentários.
      Não podemos ficar nos comparando aos parâmetros de países desenvolvidos, pois estamos muito longe disso, ou melhor, deles.
      Vou dar um exemplo bem clássico de nossas distâncias com relação aos países desenvolvidos. Houston-TX (capital do petróleo americana), lá tem um gigantesco aeroporto, que deve ter umas 12 pistas só para decolagem, e tem tipo um metrô no estacionamento do aeroporto. Este aeroporto deve ser no mínimo, umas 10 vezes o tamanho do galeão. a cidade de Houston, que é hiper desenvolvida (e que conheço muito bem, pois minha irmão lá mora), existem pistas com 16 vias (8 para cada sentido). Agora vamos fazer um comparativo com a capital do petróleo brasileiro, que é a cidade de Macaé (ao qual sou nascido). Por incrível que pareça, existem vários bairros com esgoto a céu aberto (nos moldes de periferia miseráveis), onde inclusive a cidade decretou estado de calamidade pública devido as fortes chuvas que caíram nesta semana. Só um exemplo que posso mencionar por ter vivido lá até meus 24 anos, existem ruas no centro da cidade, que quando chove, alagam de uma maneira que não passa nem ônibus. Os administradores não podem culpar o aumento de cidadãos da cidade, pois essas ruas alagam desde que me entendo por gente, resumindo, não podemos nos comparar com países que buscam se desenvolver, utilizando o mesmo de imposto de seus cidadãos, ao contrário de nosso país, que buscam criar impostos para qualquer demanda social necessária.
      Torço para que nossos gastos públicos sejam reduzidos com o programa de privatizações de estatais DEFICITÁRIAS, onde o poder público são incapazes de gerir.
      Desejo-lhe uma excelente semana.
      Saudações,
      Vanderson tavares

  7. Fora que o álcool é ecologicamente um combustível mais limpo, agride menos o motor do seu carro, com álcool o desempenho é melhor e tem o preço mais em conta.
    Levando em conta que a gasolina não é pura e tem 25% de álcool e outros solventes , o álcool também sai na frente nesse quesito.
    Seria interessante para o Brasil a retomada desse processo.

  8. Parabéns, texto muito lúcido…esperamos que de tudo que você escreveu, quem sabe alguma autoridade possa ter acesso e ver a grande valia que tem em sua colocação.

  9. Oi Vanderson, bom dia,

    Somente agora tomei conhecimento dos seus comentários. Muito obrigado pelas suas informações. A despeito dos incentivos mais polpudos recebidos pelos produtores de etanol de milho norte-americanos, existe um gap (fosso) muito grande entre as facilidades de escoamento da produção deles e da nossa, muito bem explicado por vc quando se refere à qualidade das rodovias lá existentes e aos protótipos das que temos no Brasil, com honrosas exceções no Estado de São Paulo.

    Tenho bastante esperanças no nosso Brasil, por exemplo, quando os engenheiros militares começarem a trabalhar e tocar obras como a BR163 (Cuiabá/Santarém) e os nossos bravos caminhoneiros poderem escoar as safras daquela região com custos infinitamente menores, não para o Sudeste e sim para os portos do Norte do Brasil, não só pelo fato de não ficarem presos dias e mais dias nos atoleiros, mas diminuindo consideravelmente os tempos de percurso. Os ambientalistas terão muito trabalho naquela região para preservamento das nossas árvores, altamente cobiçadas pelos madereiros inescrupulosos.

    Um grande abraço, gostei do seu artigo.

  10. Gostaria de parabenizar ao ilustre amigo Vanderson Tavares, pelo belo trabalho realizado.
    As informações proferidas com base técnica em dados fundamentados nas pesquisas realizadas. Certamente nós impulsionam a debates por meio de conhecimentos, favorecendo a politização madura dos feitos e efeitos em nosso Brasil.
    Parabéns e um forte abraço.
    Que Deus nos abençoe sempre!

    • Caro amigo Aridimar,
      Obrigado pelas lindas palavras.
      Em meus artigos publicados. Buscarei sempre trazer temas com fontes verdadeiras, que é a marca registrada deste jornal online.
      Forte abraço,
      Vanderson Tavares

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