Indicado ao Nobel da Paz, cacique Raoni diz que coração de Bolsonaro ‘não é bom’ e pede respeito

Recebido por Macron, Raoni pediu colaboração em defesa da Amazônia

Rubens Valente
Folha

O líder indígena caiapó Raoni, que na próxima semana participará em Nova York de eventos paralelos à Assembleia Geral da ONU, disse que pretende um dia conversar com o presidente Jair Bolsonaro para pedir respeito aos indígenas. Para Raoni, Bolsonaro mostra que seu “coração não é bom” ao indicar que os índios devem viver como os não indígenas.

O nome do caiapó foi lançado por um grupo de indigenistas, antropólogos e ambientalistas como candidato ao prêmio Nobel da Paz de 2020 e oficializado pela Fundação Darcy Ribeiro ao comitê norueguês da premiação. Raoni, cuja idade é estimada em 89 anos, disse que não gosta de ouvir Bolsonaro dizer que os indígenas “querem ser como nós”, ou seja, não indígenas, conforme o presidente declarou algumas vezes.

“NÃO PENSA DIREITO” – “Não é bom, não é correto, ficar falando isso. Nós, indígenas, queremos morar na nossa terra. Viver lá. Deixa viver do jeito nosso, do jeito que a gente quer viver. É isso que nós queremos. Eu acho que ele [Bolsonaro] não pensa direito.

O coração dele não é bom. Eu não estou gostando”, disse Raoni em entrevista à Folha nesta sexta-feira, dia 20, em hotel em Brasília. As declarações de Raoni foram traduzidas pelo sobrinho dele Megaron. O líder caiapó disse que meses atrás pediu uma audiência com Bolsonaro, por meio do então presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Franklimberg Freitas, mas não houve resposta.

No final de junho, Bolsonaro revelou que o presidente francês, Emmanuel Macron, com quem Raoni havia se reunido em Paris, indagou se ele poderia receber no Brasil o caiapó. Bolsonaro disse que não, sob o argumento de que Raoni não representa o país ou os indígenas.

EM DEFESA – À Folha Raoni rebateu: “Eu não represento eles [indígenas do país], mas eu falo em defesa dos índios brasileiros, os primeiros habitantes daqui. Por eles é que eu brigo. Por eles é que eu defendo a terra, a floresta, o meio ambiente, e defendo o costume deles. Eu venho falando isso muito tempo, não é só agora que eu comecei a falar. Eu venho lutando para que vocês, todos os brancos, deixarem o índio viver em paz, na terra dele, na floresta dele”.

Raoni disse que não concorda com as críticas que Bolsonaro faz ao modo de vida dos indígenas. O presidente já afirmou, ao criticar ONGs, que os índios não podem ser vistos como “animais num zoológico”, em referência às terras indígenas.

SEM RESPEITO – “Eu fico preocupado do jeito que ele está querendo fazer conosco. Todo dia, toda hora ele critica, ele fala mal, ele quer diminuir terra, ele quer destruir nós. Porque ele não quer respeitar nós, não está respeitando nós, não está respeitando o índio”, afirmou.

“Se um dia eu chegar perto dele, eu quero falar com ele: ‘Deixar nós em paz, viver em paz, sem problema’. Eu quero falar para ele parar de criticar, parar de falar mal do outro. Vamos viver em paz, vamos viver todo mundo junto, vamos viver todo mundo trabalhando, vivendo em paz”, disse o caiapó. Raoni também diz ver com preocupação e condena o plano de Bolsonaro de permitir mineração em terras indígenas.

Há um projeto em estudo por um grupo de trabalho na Presidência. “Ele quer fazer só coisa ruim com nós. ‘Punu’ quer dizer feio, ruim, na nossa língua. Não é bom, não é normal. Não é boa ideia. Eu já ouvi isso, pessoas já me contaram”, afirmou o indígena.

RECONHECIMENTO – Sobre a candidatura ao Nobel da Paz, Raoni disse que uma eventual premiação não vai fazer seu trabalho parar. “Se eu ganhar, como eles estão falando, será como reconhecimento do meu trabalho, eu vou receber esse prêmio e vou continuar meu trabalho, defendendo o meio ambiente, a floresta. Vou continuar fazendo o que venho fazendo.”

O caiapó negou que a defesa da Amazônia feita por chefes de Estado da Europa esconda um interesse dos governos estrangeiros nas riquezas da Amazônia, como dizem Bolsonaro e generais que integram seu governo. “É mentira. Eu não penso assim. Eu vou lá na Europa, presidentes me recebem, outros ministros, outras pessoas grandes de outros países me recebem e não falam assim para mim”, afirmou.

PRESERVAÇÃO – “Eles querem ajudar a defender, ajudar a preservar a cultura do índio, o costume do índio, preservar a floresta, preservar o meio ambiente, preservar a Amazônia. Eles não falaram para mim que eles querem vir aqui roubar. Eles querem ajudar a preservar”, disse Raoni.

“Tanto o papa [Francisco] quanto todos os presidentes, os ministros, falaram isso para mim: ‘Nós vamos ajudar a vocês para preservar a Amazônia. Não é só para vocês lá no Brasil, é para todos nós. Nós queremos preservar a floresta amazônica para ter um clima para poder respirar melhor.”

Indagado sobre o motivo pelo qual ele busca se reunir com chefes de Estado estrangeiros, Raoni disse que “lá eles apoiam”. “Não só eu, estão apoiando todos os indígenas da Amazônia. Aqui só ele [Bolsonaro] pensa diferente. Quer destruir, quer acabar, quer poluir. Poluir rio, destruir a floresta, queimar a floresta, queimar o cerrado. Lá não, o pessoal quer ajudar a preservar. E aqui, não, nós que estamos morando aqui a gente está vendo, a gente está escutando Bolsonaro falar. Quer destruir.”

DEMARCAÇÃO – Raoni disse ainda que na quinta-feira, dia 19, se reuniu com o presidente da Funai, o delegado da Polícia Federal Marcelo Xavier, e indagou se era verdade que Bolsonaro não vai mais demarcar terras indígenas no Brasil. Bolsonaro fez essa declaração várias vezes antes e depois das eleições de 2018. Mas, segundo Raoni, o presidente da Funai lhe disse coisa muito diferente e culpou a imprensa.

“Quando Bolsonaro falou isso, eu fiquei preocupado. Mas eu fui lá ontem [19] falar com o presidente da Funai sobre demarcação. ‘Toda terra que não está demarcada nós vamos demarcar, a Funai vai demarcar’. Foi assim que o presidente falou para mim”, disse.

EM ANDAMENTO – “O presidente [da Funai] falou que vai ver todos os processos que já estão em andamento para levar para ministro assinar, para demarcação. Ele está acusando vocês [jornalistas]. Que a imprensa que fica falando [errado], não fala a verdade”, afirmou.

O líder caiapó disse que vai aguardar o cumprimento da palavra do presidente da Funai. “Eu ouvi o presidente falar e falei para ele. ‘Presidente, eu vou acreditar na sua palavra, eu estou acreditando no que você está falando para mim. Agora, se você fizer errado, eu vou vir aqui falar com você’.”

15 thoughts on “Indicado ao Nobel da Paz, cacique Raoni diz que coração de Bolsonaro ‘não é bom’ e pede respeito

  1. Cidadãos brasileiros:

    Comecem a guardar a flufa do umbigo e da máquina de secar roupa…

    Após 4 anos de Governo Bozolado não restará um graveto sequer para acender um fogo…

    “Nolite te bastardes carborundorum”

  2. Um francês, de raiz católica, educado por jesuítas…

    Que ganhou o premio Nobel de Medicina em 1912 por desenvolver novas técnicas para suturar os vasos sanguíneos, resultado de profunda impressão que teve de uma FACADA PRESIDENCIAL (em 1894, quando o presidente francês Sadi Carnot foi assassinado com uma faca, Carnot sangrou até a morte, os cirurgiões que trataram o presidente não puderam reconectar sua veia porta com sucesso).

    Que, bancado pela Fundação Rockefeller, desde 1906, defendia a criação de diferentes classes humanas biológicas, implementando um regime de eugenia forçada governada por uma elite intelectual, e que a imortalidade só deve ser acessível a pessoas cuidadosamente selecionadas.

    Que quando publicou seu best-seller, “Man, the Unknown”, vendia 1000 cópias por dia e, na época, era o segundo em vendas, atrás somente de ‘E o Tempo Levou’.
    No mesmo livro, ele recomendou o uso de câmaras de gás para livrar a sociedade de certas populações.

    Que dirigiu a Fundação para o Estudo de Problemas Humanos criada pela TFP francesa, no governo de Vichy, governo nominal da França (État Français motto: “Travail, Famille, Patrie”) e atuou no PPF – Partido Político Fascista e anti-semita durante a segunda guerra, quando colaborou com a Alemanha nazista, atuando no programa de eugenia introduzido pelo governo nacional-socialista de Adolf Hitler,

    Que com sua morte foi poupado de julgamento por seu papel na implementação de políticas de eugenia e o envolvimento com as câmaras de gás nazistas,

    Que teve seu nome removido da solução ‘Líquido de Dakin’ (chamada anteriormente Líquido de Carrel-Dakin) ainda em uso nos dias de hoje,

    Que teve seu nome removido de praças e de inúmeras ruas por todos os cantos do Planeta.

    …….
    Cedo demais para saírem por aí dando o nome do Bozolado pra escola, como aconteceu no Piauí (14/8/19) ??

    O nome do frances, Alexis, Alexis Carrel…
    Imagine se um dia um tanto dos comentários do Alex Cardoso, aqui na TI, forem verificados como verdades…

    Se Raoni pode ser indicado para o Nobel da Paz, e Bozolado ser nome de escola, então tudo, absolutamente tudo é possível…

    É o nosso Mundo se esvai, em meio a esses sórdidos destaques da atualidade, como Macron, Bozolado, Raoni, um bando de fichinha barata na história da humanidade, lideres de merda, cuja trajetória, medíocre, cai a pó …..

    • Se, ha décadas, quase um século atrás ja era assim e vendo no que estamos metidos hoje, da para enquadrar toda essa desgraça como os primeiros resultados científicos advindos do consumo dos grãos de soja geneticamente modificados …

      Ouvi que a Marvel apresentou sua ultima saga do X-Men de forma geopolítica, isolando os mutantes (as minorias) numa ilha, esperando que a ONU reconheça a ilha como um pais soberano.
      Por questões ideológicas, os países não signatários do acordo dos X-Men com a ONU nessa saga são a Coreia do Norte, a Venezuela, o Irã e… O BRASIL!

      E de pensar numa terra onde pode-se beber hoasca livremente mas a maioria preferiu comer soja no Cheetos…
      Adeus Mundo, já era.

  3. Índio de araque, usando fantasia de carnaval, não representa a maioria do Xingú, como ele chegou na Zoropa, remando em canoa feita com tronco de mogno?Ou usando a tecnologia no homem branco malvadão? Hipócrita, mais falso que uma nota de 3 reais, recebido no 1o.mundo como figurinha exótica, bicho em extinção, eis a real!”Olha, um índio, essa coisa ainda existe?Todos os brasileiros são assim?Vamo dar espelhinho e roubar as suas riquezas naturais, contentam-se com qualquer esmola, ensinem a falar nossos idiomas, fica mais fácil para tapear”!Eis a realidade.

  4. Bom dia , leitores (as):

    Senhores Rubens Valente ( Folha ) e Carlos Newton , já que o Presidente Jair Messias Bolsonaro , tanto critica quanto acusa sem provas , porque qual cargas d’água , até agora ele não propôs nenhuma ” AUDITORIA ” para saber quem são os verdadeiros beneficiários dessa imensidão de terras demarcadas em nome dos ” ÍNDIOS BRASILEIROS ” ?
    E por tabula saber o que foi feito com as terras desapropriadas e entregues aos membros do MST , que por sinal andam sumidos .

  5. Eu fico é admirado, depois de mais de 25 anos de governos canhotos milhares de boas almas de ONG’s trabalhando em favor deles, milhares de km² de terras, eles ainda vivem como indigentes, me vem a mente a pergunta o que que de errado está acontecendo, essa degringolação toda foi só em 9 meses?

  6. A foto que estampa a visita do cacique Raoní à França, recebido pelo presidente francês, tendo ao fundo pessoas olhando para nosso indígena e sorrindo, a demonstração dessa gente não é de alegria pelo aborígene brasileiro, mas como se ele fosse uma atração de qualquer Jardim Zoológico!

    E Raoni se presta para essa palhaçada, para esse espetáculo deprimente de superioridade européia, enquanto ainda considera que a maioria do povo é como o indígena, logo, as nossas riquezas devem ser preservadas pela Europa, um continente responsável!

    Certamente interesses que não são nada nacionais, o objetivo não é contemplar Raoni com o Prêmio Nobel da Paz, mas reativar reações contrárias ao Brasil pelos maus tratos às tribos ainda existentes em nosso território.

    Portanto, o indígena enfeitado colabora com essa intenção francesa e de outras nações sobre a nossa Amazônia, a ponto de declarar que o coração de Bolsonaro “não é bom”.

    Raoni queria um palácio para morar?
    Um séquito para lhe acompanhar em suas visitas internacionais?
    Queria ser embaixador do Brasil na França?
    Ou não se dá conta que está sendo criminosamente usado por interesses e conveniências estrangeiras?

    Portanto, aonde estão as organizações não governamentais que recebem vultosas quantias para “cuidar” de nossos indígenas?
    Para evitar que sejam expostos como animais raros em zoológicos na Europa?

    Se os franceses querem se divertir com Raoni, seus beiços estendidos, suas penas, seus cocar, colares que usa, a sua pele curtida pelo sol, a sua idade avançada para alguém originário de nossas matas, bastaria que andassem com quadros de Hitler, com imagens de Pétain, traidor francês, acusado de colaboracionista com os nazistas, fotos do Duce, lembranças de Stalin, que cultuassem Franco e Salazar, que comemorassem os refugiados que morreram fugindo do terrorismo, da fome e sede de seus países, que foram colônias dessa mesma Europa no passado recente, da destruição cometidas pelos europeus nas suas guerras intermináveis e constantes.

    Que fizessem festivais sobre o país que mais polui o ar com suas minas de carvão;
    que pior trata os imigrantes;
    que reverencia reis e rainhas e não se importa com o cidadão comum, necessitado de atenção.

    Uma pena que Raoni não tenha negado ir à Europa, para se mostrar como possivelmente o último elo perdido com nossos antepassados mais distantes, na mente obtusa e limitada do europeu, que não olha para seu próprio e imenso rabo!

  7. Raoni, além de um ,ega-patife, um vagabundo, é um assassino. Leiam:

    Raoni, se alguém não lembra, é aquele cacique que, nos anos 80, exibia orgulhosamente aos jornais a borduna com que matou onze peões de uma fazenda. Não só permaneceu impune, totalmente alheio à legislação brasileira, como foi recebido com honras de chefe de Estado na Europa. O papa João Paulo II, François Mitterrand e os reis da Espanha, entre outros, o receberam como líder indígena. Raoni, com seus belfos, se deu inclusive ao luxo de expor sua pintura em Paris. Um dos quadros do assassino atingiu US$ 1.600 em uma lista de preços que começava a partir de mil dólares. No final do ano passado, Raoni recebeu o título de Dr. Honoris Causa pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso). Enfim, isso de universidades homenagear assassinos está virando praxe acadêmica. Fidel Ruz Castro também é Dr. Honoris Causa pela UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina.

    Mas, pelo jeito, estadista nenhum se informou sobre a vida pregressa do cacique. Enfim, nestas décadas em que estadistas apertam a mão e abraçam um Kadafi, matar onze peões não é currículo. Os europeus, que há muito acham que o Brasil está invadindo a Amazônia (ouvi este papo de minha professora de sueco, em 1971, em Estocolmo), estão sempre dispostos a apoiar qualquer celebridade que lute contra represas e estradas no Terceiro Mundo.

    Leio nos jornais que Raoni continua enganando na Europa. Na quinta-feira passada, finalizou em Paris sua campanha “Amazônia em Risco” com uma boa notícia. Ele conseguiu arrecadar quase 18 mil euros – cerca de 48 mil reais -, para construir uma aldeia indígena na fronteira entre o Mato Grosso e o Pará. O local servirá como proteção da área onde vive a tribo caiapó que estaria ameaçada e tem sido alvo de conflitos intensos.

    Detalhe: no começou de sua carreira como líder indígena, Raoni era txucarramãe. Por razões que fogem ao humano entendimento, de repente virou caiapó. A verdade é que nem a imprensa nacional lembra que o cacique matou onze homens indefesos e muito se orgulha. Só lembra quem tem essa mania detestável de consultar arquivos do passado.

    Nas duas últimas semanas, o líder indígena encontrou o presidente François Hollande e com o presidente da Comissão Europeia, João Manuel Barroso, na França, além de se reunir com representantes de associações de defesa de meio ambiente na Suíça e na Holanda. Na pauta do cacique estavam a preservação da Floresta Amazônica, a proteção dos povos indígenas e a controversa construção da usina hidrelétrica de Belo Monte cujas obras foram iniciadas em junho de 2011.

    Há alguns anos, vi uma reportagem no 60 Minutes sobre uma região da Índia que abrigava quarenta milhões de habitantes. O programa começava mostrando mulheres e crianças carregando em baldes, para próprio consumo, uma água preta e lamacenta. Outras juntavam esterco de vaca, usado como combustível. Havia um projeto de uma represa para abastecer de energia elétrica e água potável a região toda. Uma ONG vetou o projeto junto ao Banco Mundial, com a argumentação de que a represa ameaçava uma espécie qualquer de tigre. A represa gorou e quarenta milhões de pessoas continuaram a beber água podre e cozinhar com esterco de vaca.

    A reportagem entrevistava em Nova York, em um elegante apartamento, a porta-voz da ONG que conseguiu sepultar a represa. Não sei se a moça percebeu a ironia, mas o repórter a filma enchendo um copo de límpida água de torneira. O repórter quer saber por que privar milhões de pessoas de água limpa. A moça dizia mais ou menos o seguinte (cito de memória): não queremos que aquelas populações adquiram os hábitos de consumo do Ocidente. É como se dissesse: esses hábitos do Ocidente são privilégios de ocidentais. Vocês aí, continuem catando esterco de vaca.

    Nos dias em que vivi no Paraná, durante semanas foi vedete dos noticiários televisivos um pequeno pássaro, uma espécie de pardal, que estaria ameaçado de extinção. Chamava-se curiango-do-banhado e habitava nos arredores de Curitiba. Durante longos minutos, o bichinho era exibido em seus ângulos mais simpáticos, sempre com a mensagem: corre perigo de extinção. Ano seguinte, foi a vez de uma nova espécie de tapaculo, da família Rhinocryptidae, batizada com o nome popular de macuquinho-da-várzea. Também vivia nos arredores de Curitiba. Algumas semanas mais tarde se soube ao que vinham o curiango-do-banhado e o macuquinho-da-várzea. Para preservá-los, era preciso preservar seu habitat natural. E para preservar seu habitat natural, as tais de ONGs fizeram uma ferrenha campanha para impedir a construção de uma barragem que abasteceria a capital paranaense.

    Os ativistas do Primeiro Mundo sempre apoiarão qualquer vivaldino – não importa quantos tenha assassinado – que defendem causas que impedem ou retardam o desenvolvimento do Terceiro Mundo. Imagine alguém exigindo a paralisação da construção de uma usina hidrelétrica na França, Alemanha ou Estados Unidos, logo nestes dias em que a energia nuclear vem sendo contestada. Seria tido como insano. Mas se a represa – ou usina – for no Brasil, é atentado ao meio-ambiente e aos “povos da floresta”, como agora se convencionou chamar os bugres.

    Toda honra e toda glória – e também euros – ao assassino Raoni.

    Janer Cristaldo

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