Intervenção militar na segurança pública é uma grande ideia a ser cultivada

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Charge do Alpino (Yahoo Brasil)

Carlos Newton

Em tempo de paz, os militares deveriam ser aproveitados para melhorar os serviços públicos do país. Uma das minhas propostas é seguir o modelo do Japão, país que obteve maior sucesso no combate ao crime organizado. Mas não foi nada fácil. Ao contrário do que acontece no Brasil, onde as facções criminosas se digladiam em intermináveis disputas, no Japão pós-Segunda Guerra, o líder Yoshio Kodama conseguiu unir todas as máfias do país, e surgiu assim a poderosa Yakuza.

Kodama era de extrema-direita e começou a patrocinar o Partido Democrático Liberal, para se infiltrar na política. A atuação da Yakuza foi se expandindo até que aconteceu o escândalo envolvendo a indústria aeronáutica Lockheed em 1976, quando se descobriu que, com intermédio da máfia japonesa, a empresa norte-americana pagou mais de US$ 3 milhões para subornar o primeiro-ministro Kakuei Tanaka.

LEIS MAIS RÍGIDAS – Para conter a Yakuza, foram aprovadas leis penais cada vez mais rígidas e o sistema carcerário no Japão se tornou tão implacável que a organização criminosa teve de ceder. Suas práticas foram se modificando, passou a atuar de forma menos acintosa no Japão, explorando prostituição, filmes pornográficos (inclusive de pedofilia), agiotagem, corrupção e outras atividades ilícitas.

A Yakuza não morreu, mas ficou sob controle. Ainda é tão poderosa que chega a surpreender. No grande tsunami de 2011, a organização criminosa respondeu à crise com mais eficiência do que o governo japonês, ao fornecer comida, água potável, cobertores e outros suprimentos aos moradores de algumas das regiões devastadas.

Hoje, a Yakuza atua mais agressivamente em vários países europeus e nos Estados Unidos, porque no Japão não tem como prosperar. A segurança pública no país está totalmente sob controle, apesar de a força policial ter menos de 300 mil homens, para uma população de 127 milhões de habitantes.

SEVERIDADE TOTAL – No Japão, a Justiça penal severa é fator determinante para a baixa criminalidade. Nos presídios, o regime disciplinar é draconiano. Existem regras sobre a utilização de banheiros e a arrumação das celas. Todos os horários dos presos são cronometrados. Visitas de familiares e comunicação com o mundo exterior são limitadas e monitoradas. Violações são punidas com rigor. Não existem presos gordos, porque a alimentação é controlada, não há cantinas.

Todos os funcionários das prisões, inclusive os diretores, trabalham usando máscaras de cirurgia, para não serem reconhecidos. Os presos têm de manter a cabeça baixa, não podem olhar para os policiais ou funcionários. Caso contrário, solitária…

O CASO BRASILEIRO – Acontece exatamente o contrário no Brasil, onde todos os presídios estão dominados pelas facções. Aqui, quando um novo funcionário começa a trabalhar, sua família recebe um telefonema descrevendo a roupa que ele está usando, seus horários, a rotina da casa e dos filhos, onde estudam etc. E sua mulher é avisada de que, se o marido não colaborar com a facção, a família sofrerá represálias. No dia seguinte, cortam a cabeça de algum animal (cachorro, bode etc.) e jogam por cima do muro da casa, para reforçar a advertência.

É por isso que todos os presídios brasileiros estão tomado por uma facção ou por várias, não existe exceção. A meu ver, é uma situação tão grave que apenas os militares podem dar jeito nisso, mas têm de seguir o modelo japonês.

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P.S.
1 – No Brasil, temos cerca de 60 mil homicídios por ano. No Japão, há apenas 6 (seis) assassinatos por ano. Você sabia?

P.S. 2Amanhã voltaremos ao assunto, com mais detalhes sobre como poderia ocorrer a intervenção militar no sistema prisional, caso Bolsonaro ou algum candidato idiota como ele ganhe a eleição. (C.N.)

54 thoughts on “Intervenção militar na segurança pública é uma grande ideia a ser cultivada

  1. Acredito então, que os que vieram até agora não foram idiotas, apenas “trabalharam” para que as coisas chegassem ao ponto que estão. Comparar Brasil com Japão, fica difícil. Ter noção é deixar rolar o sistema infame que continua a destruir aos poucos o país?

  2. Outra realidade. A formação cultural sob bases do budismo, xintoísmo, contribuem
    Obs1. Há pena de prisão perpétua para o porte de arma ou munição no Japão; até a Polícia portando arma deve ser de maneira discreta.
    Obs2. A Educação, a Saúde e demais serviços públicos no Japão funcionam.
    Obs3. O país é altamente desenvolvido tecnologicamente e industrialmente, na criação de produtos manufaturados.
    Obs4. As políticas são direcionadas mais ao interesse público de gerações do que qualquer outro (exemplos na política de reaproveitamento do lixo, sustentabilidade)

  3. Estive recentemente no Japão por mais de 20 dias. Caminhamos muitos Km em qualquer hora do dia e da noite pelas zonas mais centrais de Toquio e outras grande cidades, A QUALQUER HORA DO DIA E DA NOITE, sem absolutamente nenhuma preocupação.
    Mulheres e ate mesmo famílias com crianças, andando anoite em ruazinhas, verdadeiros becos, com iluminação suficiente mas não ostensiva, usando celular, bolsas abertas, bicicletas na noite em frente a casas sem cadeados, bicicletas soltas nos parques, enfim um clima de absoluta LIBERDADE.
    Em todos estes dias, com exceção de raros agentes de transito, vi apenas UM Policial, numa bicicleta proximo a um parque.
    A felicidade proporcionada pelo poder andar sem preocupações é algo, quase indescritível e inacreditável para nós brasileiros.
    A mudança no Brasil, não vai ocorrer.
    Para mim temos consolidado o principio de que só otário segue a lei e temos a sólida convicção de que um dia nós também poderemos não seguir as regras.
    Por isso a leniência, a complacência, as leis moles, a policia impotente e a bandidagem de qualquer nível solta, livre e faceira.
    Resumindo, todos reclamamos, mas na realidade não queremos mudar pois isto pode impedir nosso acesso aos variados tipos de pequenos e grande privilégios que todos nos achamos merecedores.

    Além é claro da deliberada politica de todos contra todos que foi uma s poucas coisas que realmente “pegou” neste Brasil.
    Procurem quem defendeu e implantou com ferocidade esta politica e acharão um dos pilares de nosso descalabro como nação.

  4. eu creio que o exército deve declinar da missão no Rio e deixar que o Estado, e os cariocas que são contra, bem como essa esquerdalha canalha que temos na midia do Brasil, se fodam… depois, se der problema, chama o Batman, a fátima, o Bial, a turmas do GN em pauta, etc… rrr

  5. Cada caso é um caso.
    Aqui não é Japão e tudo indica que ainda vai piorar mais.
    A segurança começa com a auto defesa e isso quer dizer instrumentação e preparo para seu uso.
    Ou seja, estou com Bolsonaro que , apesar de ser um brasileiro, ainda consegue ver o óbvio.

    Aí vem outro brasileiro e diz que o policial armado até os dentes foi morto por um assaltante.
    Como brasileiro , ele não aventa a hipótese que de surpresa pode-se ser morto até com uma pedrada ou um canivete nas costas, mesmo estando armado com um canhão.
    E centenas de mortes evitadas, e por isso não é notícia, quando o bandido (a maioria deles nem usa arma para estuprar , por exemplo) vê uma arma na mão de uma mulher, que nem precisa atirar, para colocar ele em fuga?

  6. “hoje morrem cerca de 60 mil pessoas por ano assassinadas, cerca de 20 mil pessoas desaparecem no país por ano” e não mais aparecem.
    General Villa Boas

  7. “O Japão executou dois condenados à morte por vários homicídios ocorridos nos anos 1990, elevando para 21 o número de execuções realizadas sob o Governo do primeiro-ministro conservador, Shinzo Abe, revelou o Ministério da Justiça.”
    19/12/2017

    -Igualzinho ao tratamento dado à Suzane, não?
    -Pois é! No Japão, o Estado lutou para acabar com a máfia. No Brasil, a máfia está no Estado, trabalhando diuturnamente no Supremo, na Presidência e no Congresso para livrar os bandidos da cadeia.
    -Quem não se lembra da luta homérica do Doutor Márcio Tomaz Bastos e do Supremo para acabarem com rigidez das penas e desfigurar a Lei de Crimes Hediondos?

    • No Japão se uma pessoa perde algo na rua , desde uma carteira cheia de dinheiro a um guarda-chuva furado , quem encontra entrega a um policial que leva o objeto até um ” delegacia ” especializada na devolução de perdidos ….

      • -Pois é!
        -Lá que tem tudo organizado, metem na cadeia quem não segue as regras. Aqui, neste país-puteiro, além de não ter nada, ainda soltam quem destrói o que já não temos.

        • Lá tem o maior índice de esclarecimento de crimes , aqui muitas vezes a perícia não tem nem RX.
          A Polícia Civil do Rio ainda usa plataforma Windows XP ….. Uma época o Disque Denuncia ia por malote .

          • Amigo, acaba de ser negado recurso do canalha do Dirceu,volta para a cana, beleza pura !

  8. Bom dia,
    A diferença que no Brasil o garantismo quer ressocializar monstros, com todas as regalias.
    Vai implantar um sistema carcerário desse nível aqui ver se consegue. kkk
    Lá a cadeia é pra punir, a escola pra educar/socializar e o governo visa o bem comum da sociedade.
    Aqui apenas locupletação total.
    O vitimismo, o coitadismo, o paternalismo, o garantismo e outros ismos mais, na qual o governo é culapado e responsável por tudo é que estraga esse país.

  9. Algumas vezes, já postei este questionamento aqui:
    1- No Brasil, o que não presta é a maioria da população?
    2- Ou a minoria perniciosa está muito bem articulada e entrelaçada ao Estado?
    3- Nas polícias e nas favelas: quem não é bandido, é cúmplice ou omisso por uma questão de sobrevivência?
    Façamos apenas uma experiência: despojemos os nossos policiais de suas armas e apetrechamo-los com um spray de pimenta. Esse modelo de policiamento exixste; existe na Islândia.
    Ou seria mais fácil trasplantar a Islândia para cá?

  10. Menos, menos ……
    As FA não são subempregadas, a sua missão constitucional é muito bem executada, portanto, que cada um fique na sua seara!
    Que se melhore o desempenho dos outros órgãos de segurança pública.

  11. abril de 2011:

    Carlos Newton

    Já tinha ouvido falar a respeito, mas não sabia os detalhes. Agora o comentarista Mario Assis, ex-secretário estadual de Administração, nos envia um e-mail que demonstra a estranhíssima liberalização concedida pela nova lei criminal, que em breve estrará em vigor. Isso quer dizer que, além pretender desarmar os homens de bens, o outro objetivo é manter os criminosos fora da cadeia. Como dizia o Barão de Itararé, “era só o que faltava”.

    No caso de diversos crimes graves, como o homicidio, por exemplo, a nova legislação proíbe não somente a prisão em flagrante, como também a prisão preventiva, que poderia ser determinado por juiz singular. Aí dá vontade de perguntar ao Francelino Pereira, que país é esse? E ele responderia, com aquele sotaque de mineiro do Piauí: “Uai, meu caro, é o país da impunidade, ainda nao percebeu?”

  12. PS 2 – Não entendi bem…Se um candidato idiota igual Bolsonaro ganhar a eleição, ele pode resolver o problema da violência, mas se for um inteligente, não vai ter jeito, é isto????…

  13. Isto aqui quem comanda já são os traficantes! Já somos um narcoestado!

    -Os senhores não viram a ex-presidente da Coréia do Sul ser algemada e presa?
    -Os senhores também não viram a imprensa “sugerir” que quem colocou a vida das crianças em perigo, naquele assalto em frente a uma escola, não foi o assaltante, mas a policial que reagiu e o matou?

    -Pois é! Enquanto no Japão e na Coréia do Sul as autoridades dão aos bandidos o que eles merecem, aqui nesta república da impunidade, tem TOGADO mandando apurar se criminoso preso foi algemado “indevidamente” e ignorando, sumariamente, o sofrimento das suas vítimas! Tem cabimento isso em um lugar civilizado? Esses doutores representam a população ou os traficantes?

    -E ainda fica PM BURRO dando a vida pelo “cumprimento das leis”, enfrentando bala de fuzil de peito aberto, as acusações da “imprensa financiada pelo crime organizado” (Desembargador Sartori) para denegrir as ações policiais e deixando viúva e órfãos abandonados ao descaso das mesmas autoridades que se preocupam com as necessidades dos presidiários.

    -Tem é quer deixar o crime subir na escala social até chegar nos parentes dessa elite omissa, cheiradora e comparsa dos manos! Morrer por esse bando de safados?

  14. Tenho me perguntado as razões pelas quais os governos não têm dado certo no Brasil!?

    Apesar da má vontade de alguns com Juscelino, este foi o único que trabalhou para o desenvolvimento do país, levando o progresso para os cidadãos e à coletividade com a construção de Brasília.

    De lá para cá, crises e mais crises, afora regimes de exceção, tais como a ditadura e a cleptocracia.

    Se os militares têm contra si a violência utilizada no combate aos comunistas – torturas e corpos desaparecidos -, os “democratas” se notabilizam pelos roubos cometidos e total abandono do povo, culminando com o caos na segurança, saúde e educação, em face dos desvios de verbas, que enriqueceram dirigentes e partidos políticos, conhecidos como verdadeiras quadrilhas.

    Portanto, se a intervenção militar fosse uma ideia a ser levada em conta na segurança, o Rio é o exemplo que até mesmo o Exército sucumbe às dificuldades impostas pelos opositores do governo federal, que não vale nada, claro, mas deu o braço a torcer da sua incompetência ao pedir pela intervenção naquele Estado da Federação.

    Mas, a medida não surtiu o efeito desejado ou esperado pelo povo.

    Desde o início, os militares foram advertidos e limitados quanto aos meios que poderiam empregar contra bandidos armados até os dentes e com armas sofisticadas, haja vista organizações e agremiações que se apresentaram como defensoras dos Direitos Humanos, e que elaboraram grandes resistências ao comportamento dos soldados, que mais seriam meros sentinelas em certas esquinas do que efetivamente combatentes dos inimigos da sociedade, os traficantes, membros de milícias e facções criminosas

    O Rio continua violento, inseguro, e nada é feito de visível em benefício da segurança, restando à sua população que tenha sorte em cada saída de casa para trabalhar e voltar para seu lares porque a morte está à espreita de qualquer pessoa, naquela que foi um dia a Cidade Maravilhosa!

    Inacreditavelmente, tem gente que torce para o insucesso da intervenção por motivos meramente políticos, enaltecendo sobremaneira que o país está mesmo dividido, e nada poderá mais uni-lo novamente, conduta que incide diretamente nos insucessos desta falsa democracia existente, que, se elege candidatos escolhidos pela maioria – justamente porque a falta de ensino e educação limitam o discernimento, o senso crítico -, temos tido no Planalto somente frustração e decepção, pois a história demonstra que os corruptos e incapazes estão nos governando, e que se faz urgente e imperioso que esse método que concede poderes ilimitados aos partidos seja modificado.

    Quanto a nos compararmos com o Japão ou qualquer outra nação, trata-se de um exercício de imaginação sem fundamento algum, haja vista que basta invertermos a situação para se constatar o quanto estamos distante de povos civilizados e altamente desenvolvidos:
    O Japão poderia ser o Brasil de hoje e, os japoneses, o povo brasileiro?

    Na medida que jamais os nipônicos poderiam permitir um país com os poderes constituídos que temos, e nunca seriam uma nação onde os índices de analfabetismo absoluto e funcional atingissem níveis tão avassaladores, a conclusão é óbvia:

    Com o alijamento pelo governo de um Ensino e Educação condizentes à grandeza deste território, o nosso destino será as eternas comparações com nações desenvolvidas, e que propiciam a seus povos alta qualidade de vida, exatamente o contrário do que oferecem nossos governantes ao longo de décadas, haja vista que somos inimigos de nós mesmos, inacreditavelmente!

  15. Caro Francisco Bendl;

    Com já fiz críticas ao governo Juscelino aqui, me sinto na obrigação de responder. Da minha parte, não se trata de mera “má vontade”, me baseio em dados históricos, analisados com senso crítico. Sei que JK é praticamente uma unanimidade, mas há muita desinformação e uma maciça propaganda em favor dele. Interessante que de algum modo se parece mesmo com o período Lula: uma abundante oferta de capital internacional especulativo e demanda por matérias prima brasileira. Jorraram dólares para o Brasil no período, produzindo o mesmo ufanismo que vimos há pouco, que jogou o
    Brasil na crise de hoje. Crescer com muita pressa dá nisso, como você mesmo se referiu num comentário: voo de galinha. Já no governo Jango se viu as consequências, inclusive políticas, que nós conhecemos bem. Não quero me estender, se tiver lido meus comentários anteriores sobre JK seria o suficiente.

    • Não gosto muito de frases feitas, mas tem algumas geniais e com cara de verdade absoluta, como essa do Nelson Rodrigues (esse tem várias): toda unanimidade é burra. O exemplo mais cabal e recente está hoje num quadrilátero da PF, em Curitiba. Vôos de galinha quase sempre acabam em catástrofe.

  16. Prezado Levi,

    Grato pelo comentário endereçado a mim, em princípio.

    Juscelino e Brasília correspondem aos casos de amor e ódio que foram incutidos na mente do povo.

    Existem os que detestam a construção da capital, e aqueles que a consideram decisiva para um crescimento que tivemos na década de sessenta, e corroborada pelos militares;
    da mesma forma quem considera JK um grande presidente, como alguns o rotulam como um dos piores que tivemos.

    No país, jamais teremos a unanimidade, mesmo que os acontecimentos dizem o contrário ou que a realidade seja explícita, na cara.

    Exemplifico:
    Lula é um ladrão, genocida, uma figura nociva e nefasta, no entanto, tem quem o idolatre, quem o defenda, quem o quer mais uma vez no Planalto para nos roubar e explorar, independente dos males e crimes que comprovadamente tenha praticado.
    Juscelino, um presidente que ofereceu aos brasileiros uma chance de crescimento, de progresso, de trabalho;
    que apresentou o Norte ao Sul, o Leste ao Oeste, que definiu o Brasil como um território, e não várias regiões que não se conheciam;
    que impulsionou a indústria automobilística;
    que construiu estradas;
    que trouxe para o Planalto Central milhares de cidadãos ansiosos por uma oportunidade de serem alguém na vida, de terem a sua casa, o seu emprego, uma meta viável de realização.
    E tal iniciativa com a construção de Brasília está escancarada como prova indesmentível do quanto ajudou o brasileiro, e contribuiu para a sua existência ter tido meios de se promover, lá, no Goiás, no DF.

    Dito isso, se houve a inflação, se houve endividamento do Brasil, temos de reconhecer que foi para o bem do povo, Levi, que encontrou um objetivo na sua vida, que saiu do seu estado e foi para um local inóspito, no meio do cerrado, mas com esperança, com propósito!

    E, o sonho se transformou em realidade, digam o que disserem, pois eu estava lá, fui testemunha ocular da história, como se diz, lá descendo na rodoviária ainda incompleta em 1.959!

    O que aconteceu com Lula?
    O crescimento não houve, apenas momentaneamente o poder aquisitivo se tornou melhor, mais consumo e mais emprego, mas era falsa esta conquista, sem alicerce, pois Dilma, a sua sucessora, arcou com as consequências de um mercado interno aquecido, e que jamais suportaria a produção de nossas indústrias, pois externamente o mundo estava em crise em 2008!

    Ora, fosse verdade o tal crescimento com Lula, e não haveria o desemprego, que bate recordes; a inadimplência inigualável na história; os juros extorsivos; a insegurança pública;a saúde deteriorada; um ensino Fundamental e Médio aquém das necessidades da gurizada!

    Quem fez melhor para o Brasil do que Juscelino, Levi?

    Me aponta um presidente eleito, após o regime militar, que mereça algum elogio nosso, qualquer reconhecimento no que diz respeito à realização do povo, ao seu crescimento pessoal e coletivo como à época de Juscelino!

    Não tem, Levi, não existe.

    Agora, culpar a cidade, a capital, o local, como causas da corrupção, da incompetência, da venalidade, das negociatas, da impunidade, dos roubos que os homens públicos praticam, tanto é uma injustiça com Brasília, como da mesma forma com Juscelino!

    Juscelino enriqueceu com o poder?
    Teve contra si processos por corrupção?
    Roubou as estatais?
    Usou os fundos de pensão para enriquecer o seu partido político?
    Aparelhou o Estado?

    Juscelino fez o Brasil surgir para o mundo e para ele mesmo, para o povo, para dar um norte para pessoas que nasciam e morriam sem qualquer chance de progresso!

    Lula jamais se pareceu com Juscelino, Levi, mesmo que aparentemente, haja vista que as obras de Juscelino estão aí, para quem quiser ver, enquanto as de Lula, existem somente nos bolsos dos petistas!

    E também estou me baseando em fatos históricos, na realidade, nos acontecimentos indesmentíveis.

    Juscelino e Brasília colaboraram sobremaneira para nosso desenvolvimento, mesmo que ridículo hoje em dia;
    Lula, o PT, e demais ex-presidentes, têm contra si a responsabilidade pelo caos e crise que padecemos em todas as áreas fundamentais para o Brasil há 32 anos.

    Logo, acusar a construção de Brasilia como ainda responsável pelas nossas dificuldades é o mesmo que culpar o pobre do Pedro Álvares Cabral pelas falcatruas que temos sido vítimas até os dias de hoje!

    Ora, e de lá para cá por que nossos mandatários nada fizeram para corrigir a rota?!

    Tu podes discordar de mim, claro, ainda mais politicamente, mas o bem para esta nação que a construção de Brasília ocasionou – e me refiro à população, ao ser humano, ao brasileiro -, respeitosamente digo que é impossível qualquer argumento que seja econômico, social, político ou religioso, para negar o desenvolvimento que sentimos pela primeira vez na história desse país com Juscelino!

    Um forte abraço, Levi.
    Saúde e paz.

    • -Se o Juscelino não tivesse construído Brasilia, o dinheiro que seria empregado estaria hoje guardado, mesmo com essa imensa quantidade de ladrões no país?
      -Ou teria sido embolsado e sumido?

      Abraços.

      • Meu xará, de Brasília – DF,

        Pergunta adequada e pontual, parabéns.

        Lógico que não haveria Brasília, e os roubos teriam sido muito maiores do que estão registrados até o presente momento.

        O Brasil seria uma espécie de deserto do Saara, sem a quantidade de areia deste, mas absolutamente abandonado, corrupto até a medula, desorganizado, uma nação de miseráveis.

        Nossos parlamentares seriam nossos paxás, e teríamos uma vida ainda nos moldes do Feudalismo.

        Pois sem a construção de Brasília, as estradas que rasgavam o país de alto a baixo e de um lado para o outro, decididamente a indústria automobilística que impulsionou as nossas indústrias, continuaria a se expandir na Argentina, lembro.

        Além de deixar de fomentar a fabricação de autopeças, pneus, plásticos, material elétrico, eletrodomésticos, esta nação seria uma espécie de Papua Nova-Guiné, oferecendo somente bananas para o turista e exportação!

        Um abraço, Francisco.
        Saúde e paz.

  17. Alguns comentaristas que pululam por aqui, fazem comentários totalmente fora do contexto e bobos.Na realidade, como dizia uma amigo meu , já falecido:

    É besteira muita.

    Uma pergunta ao grande moderador, jornalista Carlos Newton:

    Se o Japão tem índice de 6 assassinatos por ano, qual seria o da Suécia, da Suíça?

    Abraço.

  18. 1) Licença … Sociolinguística:

    2) Os tiroteios diários no RJ viraram rotina. E a população já inventou uma expressão de espanto, surpresa, serve para tudo, mesmo que não tenha a ver com violência…

    3) “Que tiro foi esse?”

  19. Caro Bendl;

    No momento em que você diz que “é impossível qualquer argumento” hesitei em responder a sua tréplica, pois nesse caso estaria inviabilizado qualquer diálogo, mas em vez de interpretar literalmente preferi atribuir a uma força de expressão da sua parte, então respondo em tópicos, pra facilitar:

    – Logo adiante você conclui com “negar o desenvolvimento que sentimos pela primeira vez na história desse país”. Duas coisas, primeiro: não estou negando, pura e simplesmente, estou fazendo uma análise, por um ponto de vista que foge ao senso comum (que é como tem que ser, caso contrário seria supérflua, desnecessária). Segundo: o Brasil foi o país que mais cresceu no planeta ao longo do século XX, portanto não foi “a primeira vez”.

    – Esse processo de desenvolvimento teve início com o movimento tenentista, se consolidou a partir da Revolução de 30 e durante o período getulista quando o Brasil saiu da condição de país semifeudal, rural, para a de um moderno, urbano e industrializado.

    – De modo que todo esse desenvolvimento a que você se refere é fato, mas se deu ao longo do tempo, já havia uma base estruturada quando JK assumiu, e com as obras e medidas que tomou promoveu uma aceleração, obviamente.

    – Quanto a indústria automobilística, Getúlio criou a Fábrica Nacional de Motores (FNM), estatal, depois de economia mista, dentro do seu projeto de desenvolvimento nacional sustentável. JK, por sua vez, criou o GEIA, privilegiando o capital privado e atraindo a vinda de 5 multinacionais do setor para o Brasil.

    – A analogia que faço entre JK e o período Lula se refere apenas a conjuntura econômica internacional altamente favorável ao Brasil, nos dois períodos. Quem compara Lula a JK é ele mesmo e seus adeptos, assim como a Getúlio, Mandela, Cristo, e até a Deus, como já li num blog lulista.

    – O projeto de interiorização da capital foi estabelecido já na primeira Constituição republicana. Para o seu cumprimento Floriano Peixoto criou uma Comissão Exploradora que fez duas missões ao local, mapeou e desenhou o Quadrilátero Cruls, que correspondia a área de Brasília hoje, embora maior.

    – A interiorização era necessária, não sou contra a construção de Brasília em absoluto, apenas questiono a forma, eu diria apressada, como foi feita. Talvez tenha faltado um melhor planejamento, por exemplo: vários países tem sede administrativa e política em cidades diferentes, quem sabe se a primeira fosse pra lá e a segunda permanecesse no RJ teria sido uma solução mais racional.

    – Vejo Brasília como uma bela e gigantesca obra de arte a céu aberto, mas ela não se restringe ao plano piloto. O projeto original de Lúcio Costa e Niemeyer foi distorcido em muita coisa, mas é uma contradição gritante que uma cidade cujo desenho arquitetônico teve a participação de um comunista esteja hoje cercada por um cinturão de pobreza, quando não de miséria, numa desigualdade absoluta, como é o caso das cidades satélites.

    – Além de naturalmente apaixonado por urbanismo, é também uma disciplina correlata a minha área de estudo.

    Não vou recomendar porque é um calhamaço de 460 páginas, enfadonho pra quem não é da área, mas tenho um livro, A Crise das Cidades, Wolf von Eckardt, onde o autor faz críticas e cita críticas de outros arquitetos de renome a Brasília, sem deixar de reconhecer a sua importância e beleza, é claro.

    – O agigantamento corporativo das grandes empreiteiras e sua associação ao poder teve início na construção de Brasília. E já havia corrupção, registrando-se que não tenho conhecimento de que JK tenha se envolvido. Até pela urgência das obras houve uma grande incidência de acidentes de trabalho, inclusive com morte de candangos anônimos, sem parentes conhecidos, enterrados como indigentes (ver livro Mil e Uma Coisas Que Aconteceram em Brasília e Você Não Sabia, Hélio Queiroz).

    – Respondendo a sua pergunta, eu apontaria sem vacilar Itamar Franco como o melhor presidente que nós tivemos nesse período. Pegou um pepino enorme com a queda do Collor, agiu com discrição política, não conspirou nem articulou nos bastidores, assumiu e passou o bastão num clima de absoluta normalidade. De quebra, criou as condições e reuniu as pessoas certas para o maior feito político-economico desse período: o Plano Real e a estabilização da moeda. Claro que FHC também teve um papel importante, e até o Ciro Gomes deu uma colaboração como ministro. Nós que vivemos há mais tempo temos a exata noção da tragédia que é uma inflação de 80% ao mês.

    – Lula deixou o governo com 87% de aprovação, uma unanimidade portanto, simbolicamente. A Juscelino é uma unanimidade indiscutivelmente, e eu também reconheço que foi um grande estadista, carismático e competente. Mas nem por isso acima da crítica, nem um nem outro.

    – Respeito e dou muito valor as suas vivências pessoais, mas é preciso um certo distanciamento no tempo para analisar um momento histórico. Por outro lado, claro que esse discurso dos “500 anos de dominação” é uma empulhação ideológica, ou um equivoco, mas em relação ao período de Juscelino para hoje, historicamente recente, é perfeitamente possível, sim, se estabelecer relações de causa e efeito. Até pela grandiosidade dos seus feitos, que você afirma e eu concordo, tanto para o bem quanto para o mal.

    Desculpe se me estendi demais, paro por aqui, embora tivesse outros pontos a ponderar.

    Esteja em paz você também.

  20. P. S. – Jamais, de forma nenhuma, “culparia” Brasília, muito menos o seu povo, pela corrupção no Brasil, ou algo do tipo. Não tem nada a ver, seria uma estupidez da minha parte.

    • Meu caro Levi,

      Não tens ideia do valor que dou a este tipo de diálogo que estamos tendo!

      Respeitoso, educado, onde colocamos nossos pontos de vista para serem analisados mediante observações, constatações e conhecimentos de cada um de nós sobre a história!

      Ora, simplesmente estamos enaltecendo este espaço democrático, pois se discordamos aqui e ali, podemos perfeitamente chegar a um denominador comum para as arestas serem aparadas.

      Logo, agradeço penhoradamente a tréplica, que me impulsiona a te agradecer pela consideração, e afirmar que aprendo muito com comentários deste nível, que resgatam a história, os acontecimentos, os episódios que mudaram a vida nacional.

      Quanto à observação no teu P.S., evidente que não a dirigi prá ti, mas existem uns e outros que culpam Brasília pela corrupção, algo tão impróprio quanto inexplicável, e que uma pessoa inteligente como és jamais apelaria dessa maneira.

      Por favor, quando quiseres me contestar, deves fazê-lo, pois a intenção de um blog salutar, útil para se registrar nossos pensamentos, ideias, conceitos e interpretações, exige este exemplo de troca de ideias, de diálogo, de fatos que sejam indiscutíveis.

      Na medida que me dás razão em vários pontos, o mesmo faço contigo, que precisamos analisar o contexto de maneira racional, e não levados pela emoção, que altera a verdade.

      Sobre Itamar, lembro que foi presidente porque Collor renunciou antes de sofrer o impeachment, então pegou o bonde andando.
      Nestes casos, qualquer correção da rota anterior seria lucro, afora ter ficado pouco tempo no Planalto, logo, imune às tentações do poder, evidentemente.

      Mas não lhe tiro os méritos e tampouco os deprecio, pelo contrário, ainda mais que sucedia Collor e era antecessor de FHC, queres companhia pior?!

      Outro abraço.
      Mais saúde e paz.

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