Isentar INSS de empresas em troca de mais empregos é ilusão, fantasia pura

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Charge do Tiago Recchia, reproduzida do Google

Pedro do Coutto

A equipe liderada por Armínio Fraga, formada por orientação de Paulo Guedes, para elaborar um projeto de reforma da Previdência Social, incluiu em seu trabalho básico a desoneração completa das empresas para com o INSS, considerando que isso ampliará a oferta de emprego no país. É uma ilusão, fantasia pura.

A matéria do repórter Marcelo Correa, edição de O Globo, destaca em página inteira o assunto focalizado no título. Esta matéria foi publicada ontem. Na quarta-feira Flávia Lima, Paulo Muzzolon e Alexia Salomão, Folha de São Paulo também haviam destacado o assunto.

PERDAS BILIONÁRIAS – A proposição, de acordo com o secretário da Previdência Marcelo Correa, faria a arrecadação do INSS perder 275 bilhões de reais em sua receita. Mas os autores da matéria acham que na FSP assinalam que essa diferença substancial de receita seria compensada com a recuperação do mercado de emprego. A equipe de economistas está sendo orientada por Marcos Cintra, responsável pela área tributária. Uma das alternativas focalizadas seroa a recriação de um tributo semelhante a CPMF que incidiria sobre a movimentação financeira do país. Esse tributo poderia oscilar de 0,4 a 0,45% em cada operação financeira realizada.

DE VOLTA AO FUTURO – Marcos Cintra afirmou o seguinte: “Estou propondo a total desoneração da folha. O principal motivo da reforma tributária é causar um choque de empregos”. A afirmação me remete ao passado, quando o ministro Delfim Netto sustentou que a distribuição de renda avançaria, recorrendo à ficção: “Primeiro é preciso fazer o bolo crescer para depois dividi-lo”. Acho que todos hão de concordar que tal operação ao mesmo tempo simples e fantástica não aconteceu.

Agora a fantasia enfrenta a barreira  da realidade. A desoneração claro, será excelente para os empresários, mas catastrófica para os assalariados, uma vez que a Previdência perderia ainda mais recursos do que perde até hoje com a sonegação.

SONHAR, SONHAR… – Um outro economista da equipe, Paulo Tafner, sustenta que a proposta, em 10 anos atingiria o triplo da atual receita. A desoneração, segundo a Folha de São Paulo, atingiria também os Fundos de Pensão que complementam as aposentadorias dos servidores das empresas estatais. No papel tudo são flores, descobertas num caminho amaciante. Mas é que a teoria na prática ganha outra dimensão.

Enfim, a Folha de São Paulo e O Globo colocaram à disposição de toda a opinião pública a elaboração do projeto para mudar a Previdência Social. Os militares teriam um sistema previdenciário próprio. Isso no Brasil, país cujo salário médio é de 2.300 reais mensais. Assim fácil é calcular o efeito da desoneração das empresas.

7 thoughts on “Isentar INSS de empresas em troca de mais empregos é ilusão, fantasia pura

  1. Querem quebrar a Previdência Social para sobrar só a previdência privada, que não é previdência é simplesmente uma aplicação financeira, não gera aposentadoria, não tem auxílio doença nem aposentadoria por invalidez.

    Vide o exemplo do Chile.

    ” atingiria também os Fundos de Pensão”
    Querem também quebrar os fundos de pensão.

    Quem tem fundo de pensão e está aposentado, fique com uma pulguinha atrás da orelha.

    “NUM CREU NEU SE FINOU-SE”
    “Chico Anysio”

    E vem mais, muito mais…….

    KKKKK

  2. Agora estão aparecendo os gênios da economia com essas propostas mirabolantes e esdrúxulas.

    Na prática já vem acontecendo essa desoneração da folha, sem gerar um único emprego sequer. São os famosos PJ (pessoa jurídica), que o sistema Globo vem aplicando a tempos, cujo resultado prático é perda de receita do INSS. Em princípio voltada para salários do Faustão, do Boni, do Luciano e agregados, agora se tornou uma babel geral.
    Os empresários empreendedores estão contratando trabalhadores de todos os setores, incentivando-os a abrirem firma para que possam contratá-los. O resultado dessa manobra será com toda certeza, o colapso das contas e o desequilíbrio atuarial do INSS e obrigará o governo a implementar aportes bilionários para manter as atuais aposentadorias. Sei que ninguém quer essa consequência, mas, os fatos caminham para esse desastre infernal.

  3. Há de haver uma fórmula de transição entre os dois modelos de financiamento previdenciário,pois o emprego formal vai ser reduzido constantemente, ao longo do tempo, inviabilizando o atual modelo em futuro próximo, mesmo com todas as medidas saneadoras possíveis.

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