João Havelange: vitória sobre o apartheid, China Comunista na FIFA, televisão para a África de graça

Ao ler a Tribuna da Imprensa, fui surpreendido com um longo artigo, de tua autoria, intitulado “Constatação, convicção, conclusão de Havelange na FIFA”, e com o subtítulo “África do Sul expulsa, China Comunista aceita”.

Caro Helio, este teu artigo muito me sensibilizou, principalmente pela apresentação da carta que te havia escrito, das diversas considerações que fazes e, ainda mais uma vez, dá a conhecer ao público em geral, pontos importantes de minha Presidência na FIFA, se referindo à expulsão da África do Sul, por manter o “apartheid”, e pela aceitação da China Comunista, depois de uma ausência de 25anos da entidade internacional do futebol.

Essas decisões, na época, foram aceitas sob aplausos do Congresso que, na ocasião, muito me emocionaram, pois ficaram demonstradas a potencialidade e importância do esporte para o bem da juventude mundial.

Nessa tua exposição, falas também de toda a tua paixão pelo futebol e o teu acompanhamento quando da realização da Copa do Mundo, na Alemanha, afirmando o teu interesse por todos os assuntos que se relacionam com a Comunidade, seja ela local ou internacional.

O que me encanta no amigo é a visão geral de todos os problemas e a tua alegria, quando as soluções são encontradas, positivando a figura humana que tão bem representas como idealizador de um mundo justo para cada cidadão, neste imenso Universo.

Desejo ainda afirmar, meu caro Helio, que nessa tua exposição ficou patente o teu valor como jornalista e o interesse por todos os fatos que ocorrem, sejam eles políticos, econômicos, administrativos ou desportivos, mas verdade é que a tua presença em debates é sempre importante e valiosa.
Gratíssimo por essa publicação.

Com carinho,

João Havelange

Comentário de Helio Fernandes
Da maneira como você conta, parece tudo fácil. Quando os dirigentes da África do Sul, em pleno apartheid, te procuraram e disseram, “não disputaremos a Copa da África, não jogamos com negros”, não esperavam tua resposta. Isso foi em 1976, havias assumido a FIFA há 2 anos: “Se não jogam com negros, também não jogam com brancos”. Foram expulsos e você sabia que haveria oposição, mas a decisão foi a-p-r-o-v-a-d-í-s-s-i-m-a.

A FIFA cresceu em prestígio, os patrocinadores surgiram em grande quantidade. Depois da licitação, ganhou quem deu a melhor proposta, mas todos conheciam a tua exigência: teriam de abrir o sinal de transmissão para os 37 países da África Negra, de graça, não podiam pagar. Até hoje, assistem as Copas da forma como você estipulou.

E finalmente a entrada da China Comunista na FIFA. Você ficava assombrado e não escondia: como é que um país com 1 bilhão e 200 milhões de habitantes (na época) não via futebol, não assistia futebol, não se representava no maior órgão de futebol do mundo? Você queria as duas Chinas, foi conversar com Chiang Kai-shek, ele foi categórico e inabalável: “Se a China Comunista entrar, nós saímos”.

Não conseguindo convencer o general, respondestes: “Se é o que o senhor quer, que assim seja”. E a China Comunista está até hoje na FIFA.
Mas o mais importante, que você cita e lembra com grande emoção: por causa da atuação da FIFA e da tremenda repercussão das Copas, o mundo cria hoje 450 milhões de empregos.

* * *

PS – Durante os 24 anos na FIFA, Havelange visitou todos os países, alguns deles, várias vezes. Só não conseguiu ir ao Afeganistão, sempre em guerra. Agora, infelizmente, transformado na “guerra do Obama”

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