Joseph Blatter, presidente da Fifa. Salário de 2 milhões e 400 mil dólares anuais. Plano de Saúde ETERNO, de 1 milhão e 200 mil dólares. Aposentadoria, (anterior), de 25 mil dólares mensais. Viaja pelo mundo inteiro, não paga nada, nunca, tudo é a FIFA

Era um burocrata acomodado, que, imitando o “presidente” Médici, dormia a sesta antes do almoço. Depois, à tarde, descansava do trabalho que não fizera, muito justo.

Vivia de um divórcio “amigável”, muito bem conduzido por ele mesmo. Não dava para fazer nenhum exibicionismo tipo Eike Batista, (seu pai não presidia estatal de minérios, vale para alguém, para ele não) mas se apresentava bem e sempre ordenadamente. Foi assim até 1998, quando ganhou a megasena, sem comprar bilhete e sem morar no Brasil.

Nesse ano, João Havelange, que transformara a Fifa de um pardieiro numa potência, e construíra espetacular edifício sede na Suíça, resolveu não se candidatar mais. Tendo ganho 5 eleições sem adversários, (1978, 82, 86, 90 e 94) cumpriu o que sempre dizia. “Quando perceber que chegou a hora, vou embora”.

Em 1998, na França, numa famosa e exclusiva entrevista ao jornalista Rodolfo Fernandes, quando este perguntou, “por que a Copa de 2002 em dois países, o senhor que não quis juntar nem a Bélgica e a Holanda?”, respondeu: “SACANAGEM com o João Havelange”. Saiu assim e e ele saiu do cargo.

12 dias antes da eleição, Havelange se rendeu à realidade, viu que ganharia fácil, mas o empecilho intransponível: as candidaturas precisavam ser registradas 30 dias antes, e ele já lançara precisamente Joseph Blatter. O presidente da Uefa, que sempre sonhara em presidir a Fifa, mas não tinha coragem de enfrentar Havelange, se registrou.

Disse a amigos: “Do Blatter eu ganho brincando”. Blatter venceu no primeiro turno, passou a ser presidente da maior organização esportiva (e até não esportiva) do mundo. Que além de tudo, controla a fascinante paixão coletiva do mundo, o futebol. A Fifa tem mais países filiados do que a ONU.

Naquela época a posse era durante a Copa, o presidente se elegia e se empossava nos trinta dias dos jogos. Blater se reelegeu em 2002 e em 2006. Só que neste ano, já dominando tudo, prorrogou o próprio mandato, a eleição passou para o ano seguinte. No caso, 2007.

Está eleito até 2015, quer dizer: no calendário dele, não existe o ano de 2011, Blater é o Papa Gregoriano dele mesmo. E nada surpreendente que em 2019, no fim do mandato, fique prorrogado novamente, até 2023. (Isto é expectativa, o certo é ficar até 2019).

Salários e bonificações
do Presidente da Fifa

Como jornais da Europa e correspondentes de jornais brasileiros, dizem, “quanto ganha Blatter como presidente da Fifa é um segredo guardado a sete chaves” (textual) vou revelar o que sei sobre o assunto.

Salário mensal: 200 mil dólares, livre de imposto. Portanto, 2 milhões e 400 mil dólares por ano. Apenas para comparação e estarrecimento: o presidente dos EUA ganha 430 mil dólares POR ANO, POR ANO, sujeito a imposto de renda.

Outra comparação: os executivos das grandes empresas, principalmente americanas, ganham de 4 a 5 milhões de dólares de bonificações de fim de ano. Fora o que recebem em ações. As empresas que foram beneficiadas pelo governo, (depois do que se chamou de crise) não podem passar de 1 milhão, fora todo o resto.

Um exemplo entre centenas: o representante do Banco da Suíça no Brasil, (São Paulo) recebeu em 2007, de “bonificação pelos resultados”, 10 milhões de dólares. Em 2008 e agora, 2009, essa bonificação foi reduzida, não consegui saber para quanto.

Aposentadoria – Blatter se aposentou em 1998, pouco antes da posse. Era funcionário antigo, embora jamais entrasse nos seus sonhos chegar a presidente da Fifa. Foi relativamente modesta, correspondente a 25 mil dólares, logicamente mensais. O salário pela presidência, completamente separado, como acontece com qualquer cidadão que se aposenta e continua a trabalhar. Na mesma empresa (no caso a Fifa) ou em outra qualquer.

Plano de Saúde – O do presidente Blater foi feito com empresa especializada, se chama de ETERNO. Quer dizer: paga uma vez, para sempre e cobre tudo, até que o cliente não precise mais. Custou 1 milhão e 200 mil dólares, pode parecer elevado, mas não é.

Façamos cálculos simples. Um Plano de Saúde razoável, para um homem com a responsabilidade de Blater, não custa menos de 8 mil dólares, portanto 13 mil reais mensais ou 96 mil dólares anuais. Como Blater já tem esse Plano há 11 anos, já teria gasto mais de 1 milhão de dólares. Está “no lucro” nesse tempo, e nos tempos que virão, todos esperam que sejam longos.

Viagens – Antes de ser presidente, Blatter morava em Zurique, hoje vive no mundo. Não usa talão de cheque nem cartão, corporativo ou não. Tudo é cobrado diretamente da Fifa. Suas viagens são agendadas por várias secretárias, sempre no melhor hotel, seja onde for. Não existem diárias normais ou taxas extras, ele nem sabe o que é isso.

* * *

PS – Além de todas as viagens oficiais, Blatter tem uma diversão, que pratica duas vezes por semana, lógico, quando tem tempo. Mora na Suíça, acorda cedo, telefona para um amigo em Paris, Londres, Roma, pergunta: “Vamos almoçar?”. Como a resposta é sempre positiva, manda preparar o jatinho, vai e volta no fim da tarde.

PS2 – Detalhe sobre o Plano de Saúde. Paga 1 milhão e 200 mil dólares adiantados. A empresa investe, Blater entra no hospital de qualquer país, é tratado pelos melhores médicos e operado sempre pelo mais importante cirurgião. Tudo incluído.

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