Juros custam mais que sade e educao juntas

Pedro do Coutto

O balano oramentrio publicado pelo secretrio do tesouro Nacional Arno Hugo Augustin Filho, publicado no Dirio Oficial de 30de setembro, revela que, no perodo janeiro-agosto, os gastos do governo federal com o pagamento de juros para rolagem da dvida interna atingiram 124,7 bilhes de reais superando as despesas com sade e educao juntas. Com a sade foram despendidos 58,3 bilhes. Com a educao 45,3 bilhes de reais. As duas parcelas fundamentais somadas totalizam 103,6 bilhes. Por a se tem uma idia do peso tanto dos juros quanto da dvida interna no custo oficial, ou,como classificam setores do empresariado,no custo Brasil. fcil calcular o montante do endividamento interno.Como os juros so de 8,75% ao ano, podemos praticamente multiplicar por 12 o valor dos juros para chegarmos ao total da dvida.No fosse ela, e o pas teria muito mais recursos para os programas sociais que exigem volume muito maior do que aquele que lhes consignado.Problemas imensos se acumularam atravs do tempo, devendo se considerar que a populao do pas cresce velocidade de 1,2% ao ano. A cada doze meses, portanto, surgem mais 2milhes de pessoas no pas. Trata-se de uma demanda elstica que se projeta, sobretudo no dficite existente, no que se chama de dvida social. Muito maior que as dvidas interna e externa juntas. Afinal quais os problemas que atingem tanto o setor de sade, principalmente este, quanto o de educao, que tm sua verdadeira origem no dficit de habitao, da falta de saneamento bsico, da questo alimentar, o qual, por sua vez, tem como uma das fontes o problema salarial. No fim das contas, como o IBGE divulgou recentemente ao anunciar o PNAD 2008, 71% dos que trabalham no pas ganham de 1 a 3 salrios mnimos.

Acima de 10salrosmnimos, situam-se apenas 2,8% da populao. E vale acentuar- a mesma Pesquisa Nacional por Amostragem de Domiclio informou que 9,4% no possuem rendimento algum. Como vivem? No se sabe. Mas no podem viver bem. Os dados salariais so de grande importncia para o nvel de sade. A escala de saneamento tambm. O dficit de moradias, calculado em torno de 10 milhes de unidades, torna-se um fator que acrescenta dificuldades sade como um todo. Vivemos assim um crculo vicioso. Investe-se pouco em sade pblica, como a estatstica da SNT demonstra, e os encargos so crescentes, inclusive adicionados pela falta de saneamento do meio.Incrvel que a dcima economia do mundo em termos de PIB possa apresentar indicadores sociais inadequados.Falta distribuio de renda.Ela tem se concentrado atravs do tempo. Um dos fatores dessa concentrao os juros pagos rede bancria. Inclusive j foram mais altos.

Quando o presidente Lula assumiu em 2003, eles estavam na escala de 26%a/a. Foram descendo gradativamente e agora chegaram a 8,75. Mas esta no toda a questo. que enquanto a taxa baixou, o volume da dvida subiu. Era de 700 bilhes em 2003. Hoje atingiu o dobro. Juros foram crescendo de um lado, o estoque do endividamento crescendo de outro. De qualquer forma o consumo aumentou. As dvidas pessoais tambm em consequncia. Inclusive no poderia ser de outra maneira, pois no existe dbito sem crdito e vice-versa. Mas o universo dos emprstimos tornou-se mais flexvel e passou a apresentar prazos mais longos.A renovao dos emprstimos figura no rol das explicaes lgicas para o fenmeno.Mas esta rolagem do crdito pessoal no pode durar para sempre.Os juros custarem mais no pas do que a Educao e a Sade tambm no.

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