Juros de 7 por cento ao ms? S no Brasil

Pedro do Coutto

Reportagem de Geralda Doca, Vivien Oswald e Patrcia Duarte, O Globo de 15 de setembro, com base em pesquisa da Associao Nacional do Executivo de Finanas, revelou que os juros medos cobrados no financiamento ao consumidor desceram nomes de agosto para 7,08 pontos, o que corresponde a uma taxa anual de 127,2%%. Desceram? Sim.

Mas porque, eis a explicao, em agosto de 2008 eram de 7,21%. Ou 130,5 a/a. Impressionante. Sobretudo levando-se em conta que a inflao calculada pelo IBGE para o espao agosto deste ano agosto do ano passado de 4,3. Quer dizer simplesmente que o mercado cobre pelos financiamentos, ao ms, quase o dobro da taxa inflacionria oficial de um ano. Praticamente vinte vezes mais. Ou dois mil por cento efetivos. Absolutamente incrvel.

Num panorama assim difcil acreditar que a inadimplncia registrada em face de atraso de pagamento a partir de noventa dias esteja apenas no patamar de 8%. Impressionante a capacidade de resistncia da sociedade brasileira presso financeira em torno da magia do consumo. Magia bem o termo.J que a mgica o oposto da lgica.

A elasticidade do mercado fantstica, uma vez que a estrutura de financiamento no se rompeu apesar de os salrios dos trabalhadores serem reajustados em valores anuais iguais aos da inflao. Como explicar a multiplicao da capacidade de contrair dvidas? Ainda por cima, levando-se em conta o alto nvel de desemprego.

E o peso dos impostos federais, estaduais e municipais que absorvem, como o prprio governo divulgou, 36% do PIB.Todos ns, assim, trabalhamos trs meses por ano para pagar os tributos que desabam sobre ns.O Banco Central nada diz sobre o universo dos juros.Mas eles no existem sem consequncia. Pois na vida no existe ao sem reao, efeito e reflexo sem causa.

Paralelamente, temos de considerar que o volume de crdito no mercado, como o chefe do Departamento Econmico do BACEN, Altamir Lopes, revelou, j atingiu (h cerca de dois meses) a escala de 1 trilho e 100 bilhes de reais.Enquanto isso, a massa salarial situa-se em torno de, no mximo, 800 bilhes.

No difcil chegar a este clculo.A Caixa Econmica Federal divulgou no Dirio Oficial de 27 de abril de 2009 que, em 2008, a arrecadao total do FGTS atingiu 48,7 bilhes.Como o Fundo de Garantia resulta da incidncia de 8% sobre as folhas de salrio, encargo que cabe aos empregadores, para se identificar o total dos vencimentos pagos aos regidos pela CLT basta multiplicar 48,7 bilhes de reais por 12,5.

Mas existem os funcionrios pblicos.So 6,7 milhes entre federais, estaduais e municipais. Somando-se os vencimentos dos trabalhadores particulares com os dos servidores pblicos vamos concluir que o total no ultrapassa 800 bilhes. Cinquenta por cento abaixo do nvel de endividamento. A sociedade brasileira respira. Est acima da linha dgua. Mas at quando? Mantido o atual ritmo, o endividamento atingir nveis to insuportveis quanto indisfarveis.

A explicao para o fenmeno no fcil. Mas parte do princpio de que os seres humanos situam-se alm do princpio freudiano do prazer, ttulo, alis, de um dos livros da coleo do gnio de Viena. o nico caminho capaz de conduzir a um esforo de compreenso lgica de uma situao essencialmente mgica. Porm psicologia parte, o que acha o Banco Central do panorama do crdito? Eis a uma pergunta interessante.

Isso porque tudo tem um limite e o limite para a flutuao de uma nova bolha parece estar muito prximo no horizonte. Caso contrrio, nenhuma teoria econmica clssica poder se sustentar na prtica. Um enigma.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.