Justiça dos EUA agride direito natural da mulher e estadualiza questão absolutamente federal

Direito tinha sido assegurado há quase cinco décadas 

Pedro do Coutto

Foi de fato absurda a decisão da Corte Suprema dos Estados Unidos proibindo a prática do aborto no país de forma indiscriminada e, agravando o absurdo, estadualizando um problema de saúde que é federal. O voto de uma parcela conservadora da Corte Suprema estabeleceu faixas estaduais de decisão, o que para mim, não tem cabimento.

No Texas e na Flórida, por exemplo, o aborto é proibido. Na Califórnia e em Nova York é aceito. Não faz o menor sentido. O problema da concepção diz respeito à saúde feminina; está condicionada aos direitos do corpo e não pode ser regionalizado. No caso da decisão, além do mais, houve um retrocesso enorme, como aliás focalizou ontem a jornalista Lígia Maria em artigo publicado na Folha de S. Paulo.

DIREITOS DO CORPO – Ela chama a atenção para um aspecto importante; a direita radical, inclusive a americana, é contrária ao aborto. Nos Estados Unidos a opinião pública, resultado de pesquisa realizada, apontou 59% a favor do aborto e 41% contra. Mas a questão não é só de maioria, pois não se pode obrigar uma mulher a gerar um filho ou uma filha que não deseja. São direitos do corpo que devem ser respeitados.

No Brasil, na última semana, verificou-se um debate absurdo sobre o direito de uma menina de 11 anos abortar, quando a lei estabelece claramente o direito garantido nos casos de estupro, risco de vida para a mãe, entre outros.

Na década de 70, uma pesquisa feita por uma entidade ligada a um grupo internacional chegou a conclusão que no Brasil eram praticados por ano 1,5 milhões de abortos, nos quais 20% acarretavam complicações hospitalares, exigindo em média dois dias de internação por paciente.  A grande arma contra o aborto e a gravidez indesejada é o planejamento familiar.

POLÍTICA DE PREÇOS –  Reportagem de Bruno Rosa, O Globo desta segunda-feira, revela que o futuro presidente da Petrobras recusou participar de entrevista no Comitê de Pessoas da estatal para avaliar a sua formação profissional e saber a sua habilitação para o cargo. Paes de Andrade recusou-se por escrito a ser entrevistado, e também negou ter recebido qualquer orientação para alterar a política de preços que vigora até o momento e que causou as substituições de Roberto Castello Branco, Silva e Luna e José Ferreira Coelho do comando da empresa.

Eu acho que ele cometeu um grave equívoco, pois não se trata de receber orientação para política de preço, mas trata-se de saber qual a sua própria orientação. Afinal, ele será o novo presidente da Petrobras. Ele não tem que ser orientado, mas orientar. Já começa mal o quarto presidente da empresa na gestão Bolsonaro.

EM DEFESA DE RIBEIRO – Reportagem de Fernanda Trisotto, O Globo, revela que Jair Bolsonaro praticou no domingo dois recuos. Primeiro, desistiu de substituir Braga Netto por Tereza Cristina como vice em sua chapa.

O segundo, o de voltar a defender o ex-ministro Milton Ribeiro. Talvez por influência da ameaça do pastor Arilton Moura que afirmou que abriria o jogo caso a sua esposa fosse importunada por qualquer fato relativo à questão dos pastores do MEC.

PROBLEMAS FINANCEIROS –  Levantamento do Datafolha, reportagem de Alexa Salomão na edição de ontem da Folha de S. Paulo, revela que 63% da população brasileira está sentindo queda no poder de compra, situação que se agravou de 2021 para 2022. Os 63% contém também aquela parcela de 26% que vive enfrentando sérias dificuldades.

O avanço da perda de poder aquisitivo é um processo social, a meu ver, muito grande e que como não poderia deixar de ser afeta bastante a imagem do governo. Essa realidade foi pela primeira vez levantada pela própria Alexa Salomão na edição de domingo, dia 26, também na Folha de S. Paulo.

Quarenta e sete milhões de brasileiros passaram de 2021 para 2022 em situação de extrema pobreza. Essa faixa representa 22% da população brasileira. O levantamento neste caso é do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social.

COMPROMETIMENTO – A pobreza infantil, em consequência, compromete o futuro de 19 milhões de crianças e adolescentes que sofrem com a perda do poder aquisitivo de seus pais.  A piora das condições de vida ocorreu de forma generalizada.

A concessão do Auxílio Brasil, primeiro na escala de R$ 600 em 2020, causou algum efeito naquele ano, mas a queda do auxílio para R$ 400, como era previsto, desgastou o poder da iniciativa para um socorro imediato não contra a pobreza, mas contra a fome. Uma consequência do recuo social da população de menor renda.

20 thoughts on “Justiça dos EUA agride direito natural da mulher e estadualiza questão absolutamente federal

  1. Simples: Faz sexo no Texas e na Flórida e se engravidar e quizer extrair o tido “fortuito indesejável” viaje pela Rota “666”, à Califórnia ou Nova Iorque e retorne vazia, emoldurada e pincelável novamente!
    Se a humanidade dependesse desse tipo de mãe, o mundo conteria 500 milhões, conforme estipula o Primeiro dos 10 Mandamentos inculcados nas Pedras Guias da Geórgia!
    Falando nisso o Estado da Geórgia é favorável ou contrario ao aborto?
    Se for contrário, é desobediente e terá que por abaixo aquele “monumento” à redução populacional!

      • “A maldição do aborto”
        “dos filhos de Israel. Também sacrificou, e queimou incenso nos altos e nos outeiros, como também debaixo de toda a árvore verde.” [2 Crônicas 28:1-4].

        Precisamos compreender que o aborto — como uma forma moderna de sacrifício de crianças — atrai a mesma energia espiritual que o rito de Moloque. As mulheres de Canaã sacrificavam seus filhos e filhas aos demônios, tudo com vistas a garantir algum tipo de benefício para si mesmas:

        “Demais disto, sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demônios, e derramaram sangue inocente, o sangue de seus filhos e de suas filhas que sacrificaram aos ídolos de Canaã; e a terra foi manchada com sangue.” [Salmos 106:37-38].

        Hoje, no Ocidente, raramente nos referimos a Baal ou Moloque, mas usamos no lugar o nome mais familiar de Lúcifer. Como o senhor tenebroso deste mundo, ele é o mesmo hoje que era na antiga Canaã e continua a exigir sacrifícios de sangue regularmente. Para este fim, seus seguidores precisam fomentar guerras cruéis e sem sentido aqui e ali em todo mundo para garantir que sangue inocente seja derramado continuamente em sua honra. Entretanto, as ofertas sacrificiais que mais lhe agradam são aquelas em que as mães modernas fazem como suas predecessoras cananitas faziam e voluntariamente sacrificam um de seus próprios filhos.

        Isto pode parece exagerado, porém a história oferece confirmação. As mesmas forças tenebrosas que são retratadas de uma forma sensacional nos filmes do cinema produzidos em Hollywood têm uma contraparte muito real no mundo invisível.

        Podemos não gostar de pensar no aborto como uma forma de sacrifício de crianças, porém muitos que trabalham na indústria do aborto estão plenamente cientes da dimensão sobrenatural que existe. Eles sabem que, quando uma mãe “sacrifica” ou entrega a vida de sua criança, ela faz isso para garantir uma vida melhor para si mesma. Por mais que se possa sracionalizar, não há como negar que alguém irá morrer para que outro possa continuar a desfrutar a mesma qualidade de vida. Tanto a criança recém-nascida na antiga Canaã e as crianças nascituras na Europa moderna estão sendo submetidas ao mesmo destino pela mesma razão.”

        “O Aborto É Terrivelmente Destrutivo.”

  2. Os pobres que se danem se não tiverem recursos pra pagar as despesas de fazer aborto em outro estado.
    Chama atenção que todos os estados que proibiram são aqueles cuja economia era baseada na agricultura no passado e que lutaram pelo direito de ter escravos.

  3. Desde quando assassinar um feto é retrocesso?
    Desde quando o presidente nomear um vice é recuo?
    O caso da menina do Brasil não foi estupro, foi sexo consentido entre os dois meninos.
    A suprema corte americana dá de mil a zero na nossa.
    Por força da guerra Rússia/Ucrânia e outros fatores a inflação está no mundo todo.
    Assim como não foi o Lula que inventou o roubo, não foi Bolsonaro que inventou a inflação.

    • A suprema corte norte-americana não decidiu NADA!

      Não vai mudar nada na questão do aborto dentro do território daquele país esquisito lá do Norte.

      Nos Estados onde o aborto é permitido, vai continuar sendo permitido. Nos Estados onde o aborto é proibido, continuará proibido.

      Somente vira-latas brasileiros é que são tolos o suficiente para bajular esse estranho país do Norte!

  4. O aborto não é uma questão religiosa, muito menos de saúde, ou de cunho individual. É uma questão de humanidade.
    O naciturno já é um ser vivo. A diferença é que não consegue evoluir até que saia do ventre da mãe. Mesmo após o parto um humano ainda é completamente dependente de outros humanos.
    É uma questão de HUMANIDADE.
    Engravidou por estupro ou acidente? Não interessa, foi gerado um novo ser HUMANO. Que depende por nove meses d mãe, e depois aí sim poderá depender de qq outro ser HUMANO.

    • Lula e seus comparsas sairam do ventre da mãe e rebeldemente evoluiram pro lado marginal!
      Um aborto generalizadoque impediria prejuizos para os brasileiros!
      Mas, tinha que acontecer esse “parto”….pra nunca mais voltar

  5. Mais uma Barrosíada.
    Barroso afirma que a Suprema Corte americana vai enfrentar uma “crise de legitimidade” pela decisão que reviu direito constitucional ao aborto.
    Quando a decisão não é alinhada à agenda esquerdista, é “ilegítima”. Já quando segue a agenda, ao arrepio da Constituição, é legítima.

  6. No geral vai continuar a mesma coisa dentro daquele estranho país do Norte.

    Os Estados onde o aborto é permitido, continuará sendo permitido.
    Os Estados onde o aborto é proibido, continuarão proibido.

    Somente vira-latas brasileiros é que, não sabendo como é estranho aquele país do Norte, é que vai querer insinuar que eles são os “melhores.

  7. Desculpe os termos, mas este sr. Pedro do Coutto é um completo ignorante, como alguém assim pode escrever um texto jornalístico?

    Primeiro que a Suprema Corte dos EUA não proibiu o aborto, apenas estabeleceu que se trata de legislação a ser definida pelos estados.

    Segundo que evidentemente o aborto não esta contemplado na constituição americana, portanto nunca foi um direito constitucional ou coisa que o valha.

    Terceiro que os EUA são uma federação e as leis são definidas pelos entes desta federação, da mesma forma que pena de morte e outros temas sensíveis.

    E pra completar a ignorância (ou será o mal caráter mesmo) ainda cita o caso brasileiro dizendo que o aborto é liberado em caso de estupro, esquecendo que existe um limite de tempo para o procedimento e que o estupro no caso é presumido.

    É por causa deste tipo de jornalista que a imprensa tem caído no descredito no mundo todo, ou o dito jornalista não tem a mínima ideia sobre o assunto que esta discutindo ou mente mesmo por mera militância.

  8. sr. Pedro do Coutto é aquele faz o comentario do comentario do comentário; sempre baseado no que o Globo, Folha de São Paulo e Estadão escrevem. Por isso suas análises são sempre erradas. É o jornalismo sem fontes.

    • Só que o “jornalista” é o sr. Pedro do Coutto e não eu. Se é para fazer comentário, que pare enganar escrevendo comentário como se artigo ou a análise politica fosse. Que lhe fique aberto espaço na caixinha de comentário e se limite a isso. Nos pouparia de ter que ler estes absurdos que escreve, ou melhor, que reverbera.

  9. Eu leio todos os jornalões e não faço artigo simplificando o entendimento deles, só navegam com o leme virado a bombordo (esquerda).
    Só escrevo o que penso, não sou chegado a print, observem que os artigos assinados por Carlos Newton e José Carlos Werneck são bem melhores que os printados. Bem, essa é minha opinião.

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