Lembrando o dia em que Marx ressuscitou

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Charge do Diego Novaes (Arquivo Google)

Percival Puggina

Em meados de setembro de 2008, havia muito mais rolhas de espumante no lixo de Porto Alegre e, presumo, em todo o país. Festejavam a ressurreição do camarada Marx. Talvez menos por Marx e mais pelo fim de capitalismo, abriam-se garrafas como quem liberta o pensamento para os vapores da utopia. A imaginação conduzia a delírios de prazer com a antevisão de bancos quebrando, empresas fechando portas, filas quase soviéticas às portas das padarias, pedintes nas ruas e multidões no seguro desemprego e no bolsa família.

Seria a afirmação do papel do Estado como grande pastor do povo, na uniformidade obediente da miséria. Justiça e igualdade servidas em fumegantes conchas no grande sopão do socialismo. O maldito capitalismo, enfim, estertorava.

NA ERA BUSH – “Quando aconteceu isso?” perguntará o leitor destas linhas. Assisti a essas comemorações da esquerda em Porto Alegre, mas elas se devem ter reproduzido em todo o Brasil por ocasião do tsunami que atingiu a economia mundial na crise causada pelo descontrole na emissão de créditos imobiliários no governo Bush.

Com o pedido de falência do banco Lehman Brothers em 15 de setembro de 2008, a palavra subprime explodiu nas manchetes e telas de TV. No dia seguinte, a água bateu no queixo da maior seguradora norte-americana, a AIG, e já não se falava noutra coisa… O sistema financeiro estava desabando em cascata. A economia capitalista mergulhava e era incerto se havia oxigênio suficiente nos pulmões.

MAROLINHA – Enquanto, no mundo inteiro, os governos e empresas apertaram o cinto preparando-se para as incertezas da travessia, aqui no Brasil, lembro bem, houve duas reações simultâneas e diferentes. A mais conhecida foi a de Lula, então no seu segundo mandato, período em que começou a se ver como uma divindade.

Quando advertido para o que estava acontecendo e sobre a inconveniência de assumir compromissos onerosos como a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, Lula desprezou a crise dizendo que, no Brasil, o tsunami era simples marolinha. Seguiram-se anos de multibilionária transferência de recursos para os companheiros do setor público e do setor privado nacional, para a turma do Foro de São Paulo e para parceiros ideológicos africanos. Marolinhas não intimidavam Lula.

RESSURREIÇÃO – Essa foi a mais trágica das reações brasileiras à crise da economia mundial em 2008 e nos anos seguintes. A outra, jocosa, é a que trago à reflexão dos leitores. Naquelas noites, em meados de setembro de 2008, havia muito mais rolhas de espumante no lixo de Porto Alegre e, presumo, em todo o país. Festejava-se a ressurreição do camarada Marx. Enfim o trem da história chegara à estação onde o velho alemão, determinado e confiante, esperava por ele. Cumpriam-se os fados e a História se curvava às previsões do profeta.

Estou jogando palavras, de fato. No entanto, elas caem sobre realidades que vi há quase dez anos e a elas se moldam. Com vocábulos piores, era isso que muitos diziam, naqueles dias difíceis, sobre o que estava em curso nos centros vitais do organismo capitalista, os infernos liberais dos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha. Dez anos depois, o trem passou e a história seguiu seu curso no mundo livre. O petismo produziu no Brasil seu próprio tsunami financeiro e moral. A Venezuela é a mais recente experiência fracassada de comunismo e as economias capitalistas prosperam como há muito não acontecia. Quem tiver condições avise o Marx que ele perdeu o trem.

15 thoughts on “Lembrando o dia em que Marx ressuscitou

  1. Governo Lula comunista, em que os banqueiros nunca ganharam tanto dinheiro como no seu governo. As empreiteiras, se encheram do obras, com super faturamento, para dar margem a corrução. As multinacionais, com isenções fiscais foram muito bem com a ajuda do governo. Para os miseráveis uma bolsa família, para torna-los menos miseráveis e garantir votos.
    A Venezuela, tem um presidente que quer ser ditador, pouco se importando com o povo e o futuro do país.
    É preciso, que se esclareça, o que é o comunismo de Marx.
    Ainda tem muita gente que vê comunista até na própria sombra..

    • A teoria na prática é outra.
      Há mais nela, prática, do que imagina nossas vãs filosofias.
      O comunismo de Puginna é o que existe e sempre existiu desde 1917. O outro, o “maravilhoso” dos livros, carece de elementos suficientes para que possa dar o conforto, ou melhor, o paraíso que ele promete , aqui neste planeta. Pelo contrário.
      Ele é coisa da mente humana e não da nossa natureza e, a mente “pode” tudo.

        • Obrigado Jacob.
          O de Marx é um delírio , que traz e trouxe ilusão de salvação à sociedade e que aplicado resulta no comunismo do qual Puginna se refere, o que é outra coisa, mas real.

    • A história prova que os comunistas em sua grande maioria foram financiados por banqueiros.

      Lenin, Mao Zedong, Fidel Castro etc etc etc, todos tem em comum a ajuda de banqueiros ocidentais que financiaram a empreitada comunista.

      Lula não fugiu a regra de comunistinhas pegarem dinheiro com banqueiros.

  2. Caro Nélio Jacob … Bom dia!

    Podemos entender o que seja Comunismo a seguinte mistura de Engels, Marx e URSS, em https://pt.wikipedia.org/wiki/Trabalhadores_do_mundo,_uni-vos! com:
    O slogan político “Trabalhadores do mundo, uni-vos!” (no seu original alemão Proletarier aller Länder, vereinigt euch!), um dos mais famosos gritos de protesto do socialismo, vem do Manifesto Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels. A real tradução é normalmente tida como “Proletários de todos os países, uni-vos!” ou “Proletários de todo o mundo, uni-vos!”.
    É algumas vezes estendida para “Trabalhadores do mundo, uni-vos, vós não tendes nada a perder a não ser vossos grilhões”, misturando as três últimas frases do Manifesto Comunista.
    A máxima socialista foi adotada como lema da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, dissolvida no final de 1991.”

    Saudações do chegamais.

    • Quanto à Crise Capitalista de 2008, é coisa muito mais complexa do que narra o Puggina. Podemos considerar:
      1 – Economia parada com Bush, o Pai;
      2 – Candidato Clinton vence o Bush com o “é a economia, estúpido”.
      3 – Robert Rubin é nomeado Secretário do Tesouro nos dois mandatos de Clinton … Rubin era da Goldman Sachs … segue o currículo dela https://pt.wikipedia.org/wiki/Goldman_Sachs
      4 – Nos Governos Clinton, a Economia Americana se recuperou pela supervalorização das ações nas bolsas … tal fenômeno de Capitalismo Financeiro ainda persiste!!!
      5 – Com muito dinheiro sobrando, os bancos passaram a emprestar sem muitos cuidados – nos EUA não se pode ter avalista; o próprio banco é que corre os riscos de prejuízo na inadimplência.
      6 – Vou só lembrar ao Puggina que o Capitalismo Americano foi salvo com medidas a la Engels/Marx com o Estado Americano investindo pesadamente em Bancos e Empresas kkk KKK kkk é só ler o link da Goldman Sachs.

      Abração do chegamais.

    • Caro Lionço Ramos Ferreira,
      Muito grato pela explicação. O que entendo superficialmente como comunismo de Marx e Angels, não tem nada haver com as ditaduras implantadas em diversos países.
      Um forte abraço, saúde e paz.

  3. A união é natural nos humanos e por isso vivemos em grupos.
    Acontece que ela tem um limite que acaba quando ela começa a interferir na nossa natureza de milhões de anos (O Homem já está pronto.Shakespeare).
    Por essas e outras nem dentro de uma família ela pode ser possível, quanto mais com o vizinho ou com o resto da sociedade. (existe mais entre o céu e a terra do que imagina…) .
    O que é da natureza , é incontrolável e a natureza é sábia. Como resultado disso, na prática, o individualismo se mostrou infinitamente mais benéfico ao coletivo do qualquer delírio humano de achar que pode tudo o que pensa.
    Como exemplo, podemos pegar um povo disciplinadíssimo como o Alemão que depois da II Guerra viveram na prática dois regimes opostos, o do individualismo e o do coletivo. Precisa dizer mais alguma coisa?

  4. Esse tal de comunismo nada mais é que o velho capitalismo de estado, onde certos grupos se apoderam do poder e passam a ditar as regras.
    Grupos que jamais conseguiriam enriquecer pelos meios normais, passam a ser proprietários do estado, desfrutando de toda a riqueza pública.
    Eles passam a gerir o governo em proveito próprio, criando castas de privilegiados, assim como fez o PT, que de comunista talvez só tenha o mau cheiro.
    Países como Cuba e Coréia do Norte, já estão em estágio mais adiantados quanto a apropriação do estado por certos grupos, que até já instituíram as ditaduras hereditárias, que no caso cubano, já esta causando problemas, o herdeiro natural foi preterido pelo tio e resolveu praticar o suicídio.
    A tal ditadura do proletariado, que parece já até saiu de moda, dá mais ou menos a cor de como é o regime comunista na sua essência, leva todo o sindicalismo para dentro do governo, que passam a viver como lordes e destroem a economia clássica, que vive do trabalho e produção de riquezas.
    No imaginário desta gente dinheiro dá em árvore ou cai do céu e na pior das hipóteses, a casa da moeda resolve a parada.
    Talvez o lírico comunismo preconizado por Marx, jamais seja implantado em algum lugar do mundo, porém este sistema que usa o seu nome e já foi testado em vários países, só produziu cadáver e miséria.

  5. A nosso ver, laboram em erro os atuais Neo-Marxistas, quando associam Crises artificiais do Sistema Capitalista ( Propriedade PRIVADA dos Meios de Produção), criadas pelas Águias Financeiras Capitalistas, com o colapso do Sistema Capitalista erroneamente profetizado por KARL MARX devido a concentração progressiva da Riqueza/Renda no 1%, e Miserabilidade dos restantes 99%, o que asfixiaria o CAPITALISMO por carência de Demanda.
    Com uma Produção cada vez maior, e uma Demanda cada vez menor, isso redundaria em colapso do Capitalismo.

    Isso ainda está muito longe de acontecer, e tenho certeza de que o Capitalismo nunca vai permitir se chegar a esse Ponto Crítico.

    O que acontece é que o Banco Central dos EUA, “artificialmente”, através de Expansão Inflacionária do Crédito ( Bolhas), e depois do estouro da Bolha, Contração Deflacionária do Crédito, criam as condições para que as Águias Financeiras que sabem como “surfar a Onda, e especialmente a hora de cair fora”, levem os seus Lucros para Paraísos Fiscais.

    Com isso, “artificialmente” todos os ganhos de PRODUTIVIDADE da Economia são transferidos da População em Geral, para uma Minoria de Águias Financeiras.

    Nada a ver com colapso do Sistema Capitalista.

    Enquanto a Massa do Povo não entender bem esse sistema de Sanfona Creditícia ( Expansão e Contração), e suas consequências, ele continuará a ser repetido de tempos em tempos.

  6. Mais iludidos como o 51 existiram na História, um deles que se destaca logo no início da Revolução Russa foi Lenin, o teórico dizia àqueles que lhe avisavam que as coisa não funcionavam como queria o ditador. Dizia o “místico’, pior para a realidade. Deu no que deu, mas infelizmente nem a memória nem o conhecimento da História são um privilégio de muita gente.

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