Luciano Huck estabelece ritmo acelerado de articulações para concorrer ao Planalto em 2022

Huck se define nos perfis como “apresentador de TV e curioso”.

Joelmir Tavares
Folha

O discurso oficial é o de que ele está imerso em uma jornada de busca por conhecimento, mas a expressão “candidato a candidato” passou a ser vista como mais apropriada para o momento atual de Luciano Huck, 48. O empresário e apresentador da TV Globo, que esteve perto de concorrer ao Planalto em 2018, intensificou sua movimentação política nos últimos meses, em sinal de que a candidatura é uma vontade mais viva do que nunca.

Aliados de Huck ouvidos pela Folha confirmam que ele “está considerando” a possibilidade, embora a decisão concreta só deva vir mais tarde. Com a preparação, ele chegaria a 2022 com a ideia amadurecida, diferentemente do que ocorreu em 2018, quando acabou atropelado por acontecimentos e concluiu prescindir de uma estrutura sólida o suficiente para encarar uma batalha presidencial.

CAMPANHA – Gestos recentes, tanto de iniciativa dele quanto de atores externos, indicam estar em curso o surgimento de uma campanha para ocupar o espaço do centro na sucessão de Jair Bolsonaro (PSL), que já disse que deve tentar a reeleição.

Huck desde 2017 se articula ancorado no seu engajamento em movimentos que pregam renovação política. Ele agora estabeleceu um ritmo acelerado de conversas com líderes políticos e partidários, entrevistas à imprensa, palestras em eventos para formadores de opinião e aparições públicas para debater temas urgentes, como a crise na Amazônia.

“CURIOSO” – A face política do apresentador do “Caldeirão do Huck”, o programa das tardes de sábado que ele comanda na Globo há 19 anos, pode ser acompanhada nas redes sociais. Ele se define nos perfis como “apresentador de TV e curioso”. Ali, diante de seus 48 milhões de seguidores, posicionamentos de tom mais sério dividem espaço com fotos da mulher, a apresentadora Angélica, junto com os três filhos, vídeos de sua atração na Globo e selfies com amigos como Neymar.

Nos bastidores, o caldeirão de Huck também ferve. Ele passou a aproveitar as muitas viagens para gravações (chega a visitar três estados por semana) para reuniões com governantes e influenciadores. Foi assim, por exemplo, que esteve neste ano com os governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), e do Paraná, Ratinho Junior (PSD).

No encontro com o filho do apresentador Ratinho, Huck estava com Junior Durski, criador do Madero, rede de hamburguerias da qual é sócio. O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), também esteve no rol dos que sentaram com Huck. Há três meses, o tucano participou de evento no Instituto Criar, ONG fundada em 2003 pelo apresentador.

PONTES – A lista de interlocutores reflete proximidade com partidos que buscam se posicionar ao centro do espectro político. Hoje sem filiação, o comunicador estabeleceu pontes com o Cidadania, antigo PPS (destino mais provável caso efetive a candidatura), o DEM (jantou com o presidente da legenda, ACM Neto) e o PSDB (onde tem a bênção de Fernando Henrique Cardoso, há tempos entusiasta de uma aventura eleitoral sua).

FHC, que costuma ser ouvido por Huck em momentos decisivos, continua reiterando simpatia à candidatura para a Presidência da República. O núcleo embrionário em torno da ideia reúne figuras experimentadas: Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central (governo FHC); Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo (que passou por PMDB, PSDB, PPS e PSB e hoje está sem partido); e Roberto Freire, dirigente do Cidadania, disposto a tudo para garantir o “passe” do novato.

Também orbitam o projeto: o cientista político Leandro Machado, do Agora!, movimento que o apresentador integra desde 2017 e que formula políticas públicas; e o empresário Eduardo Mufarej, que teve a ajuda de Huck para fundar o RenovaBR, curso para novos políticos que depende de doações privadas e se diz suprapartidário.

CONSELHOS E ALIANÇAS – Atuando como assessores informais, eles se encarregam de dar conselhos ao apresentador e de aproximá-lo de potenciais aliados, tanto no ambiente político quanto no meio empresarial e no setor não governamental.

Nessa mesma toada, Huck adota publicamente um discurso de conciliação e respeito às diferenças. Há alguns dias, em um seminário promovido pela revista Exame em São Paulo, disse ser uma pessoa “com a cabeça aberta”, avessa à lógica de polarização.

ESCANTEIO – À esquerda, contudo, ele direcionou ataques desde o segundo turno da eleição de 2018. Quando a disputa estava entre Bolsonaro e o petista Fernando Haddad, Huck falou: “No PT eu nunca votei e jamais vou votar. Isso é fato”.

No imbróglio entre Tabata Amaral e a cúpula do PDT de Ciro Gomes, o apresentador ficou do lado da deputada federal, eleita com o apoio da escola de políticos RenovaBR, uma das organizações de renovação que ele apadrinha.

No mesmo evento da Exame, no qual deixou na plateia a impressão de já falar como presidenciável, Huck alfinetou Lula (PT), ao criticar a retórica do ex-presidente. “O ‘nunca antes na história deste país’ só foi possível porque antes disso teve um governo que organizou e equilibrou o Estado”, afirmou, em alusão à gestão FHC e ao Plano Real.

SONHO MAIOR – Na palestra, Huck apresentou à plateia de executivos um conceito com jeito de slogan de campanha: disse acalentar um “sonho maior” para o Brasil, uma plataforma que envolveria diminuição da desigualdade, eficiência da gestão e crescimento econômico aliado a programas sociais.

O discurso que vem sendo testado pelo apresentador é uma evolução das ideias que difunde desde 2017, quando despontou como provável concorrente ao Planalto. Nas falas, sempre ressaltou a defesa da educação e da igualdade de oportunidades.

VISÃO HÍBRIDA –  O “país afetivo” a que ele se refere nas declarações seria o reflexo de uma visão híbrida, nem de direita nem de esquerda, que conciliaria valores liberais na economia com um dedo do Estado em políticas de enfrentamento à miséria. Ele emerge como “um excelente candidato para derrotar a disjuntiva nefasta entre lulopetismo e bolsonarismo”, na opinião de Freire. “Tem uma boa visão do mundo e compreensão política dos problemas brasileiros”, acrescenta o apoiador.

Enquanto tenta se colocar como alguém que circula bem da Faria Lima (a avenida do PIB em São Paulo) aos grotões do país (onde entrevista anônimos para quadros de seu programa), Huck e seus correligionários sondam o terreno. E no caminho há o governador paulista, João Doria (PSDB), apontado também como candidato a preencher a lacuna do centro.

POPULARIDADE – Ainda que o pleito esteja distante, interlocutores do apresentador já fazem cálculos e projeções de cenário. Dizem que ambos têm pontos fracos e fortes. Huck tem em suas mãos pesquisas demonstrando que é conhecido nacionalmente (graças a uma carreira de mais de 20 anos na TV) e goza de popularidade da classe A à E. Numa eleição, encarnaria a figura de outsider e conseguiria angariar apoio das celebridades de quem é amigo.

Doria, por outro lado, tem armas competitivas: controla a máquina do principal estado do país e a estrutura do PSDB, acumula experiência de gestão, rivaliza à altura em habilidade de comunicação e sabe também manejar o apoio de empresários e artistas.

Huck e Doria, não por acaso, viraram alvo de ataques de Bolsonaro — e pelo mesmo motivo. Em agosto, o presidente disse que ambos se aproveitaram da “teta” do BNDES, por terem comprado jatinhos a juros subsidiados pela instituição.

DENTRO DA LEI – O apresentador, em resposta, sustentou que a negociação foi feita dentro da lei. Depois decidiu se calar sobre o episódio, no estilo “quando um não quer, dois não brigam”. Recentemente, disse a amigos ter ficado com a impressão de que o escândalo pretendido por Bolsonaro teve efeito passageiro, já que, nas incursões país afora para gravações, ele não ouviu provocação ou comentário sobre o tema.

O entorno de Huck está consciente de que polêmicas nas quais ele se envolveu ao longo da vida voltarão à tona no contexto de guerra eleitoral. Além do jatinho, o grupo antevê adversários resgatando a amizade do apresentador com o deputado Aécio Neves (PSDB-MG).

Para isso o posicionamento também já está dado: Huck era, nas palavras de um interlocutor, “amigo de balada” do tucano, que caiu em desgraça após a Lava Jato. O apresentador disse que sentiu “enorme tristeza” com o que foi revelado pelas investigações e que se decepcionou com Aécio, para quem fez campanha na eleição presidencial de 2014.

DANO AMBIENTAL – A parte negativa de seu currículo tem ainda uma condenação por dano ambiental em sua casa de Angra dos Reis (RJ), pela qual pagou multa de R$ 40 mil, afirmações do passado consideradas machistas e a vez em que supostamente estimulou turismo sexual no Brasil durante a Copa de 2014.

Antes de revisitar essas questões, ele terá que resolver sua situação na Globo, onde tem contrato até 2021. Questionada, a emissora não comentou o caso específico de Huck, mas disse ter “uma política interna sobre eleições ainda mais rigorosa do que a lei”.

Segundo a nota, o canal “respeita a liberdade de manifestação de pensamento, expressão e informação” dos funcionários, “mas entende que posicionamento pessoal e profissional não podem se misturar”.

FORA DO AR – A Globo afirmou que, no período que antecede anos eleitorais, lembra a profissionais de seus quadros “sobre as regras que, entre outras restrições, impedem que contratados da emissora que desejem se candidatar permaneçam no ar em qualquer programa”.

Procurado pela Folha, Huck preferiu o silêncio. Sua assessoria informou que ele não conseguiria dar entrevista. A primeira das perguntas enviadas a ele era: “O senhor quer ser candidato a presidente da República em 2022?”.

34 thoughts on “Luciano Huck estabelece ritmo acelerado de articulações para concorrer ao Planalto em 2022

  1. Este cara não tem moral para ser candidato a nada.
    Beneficiado pelo ladrão, Cabra, com desapropriação de área em Angra dos Reis, próxima da casa dele.
    Já esqueceram?
    Beneficiado pelo por linha de crédito especial do BNDES para a compra de avião.
    Já esqueceram?
    Isto tudo pode não ser ilegal, mas é, absolutamente imoral.
    É um crápula querendo ser presidente, candidato da globo lixo.
    Não vale porra nenhuma.

  2. Na matéria está escrito que o animador de auditório possui “a bênção de Fernando Henrique Cardoso, há tempos entusiasta de uma aventura eleitoral sua”.

    FHC não precisa fazer mais nada no e pelo Brasil. Sua obra já está acabada e completa com a nomeação de Gilmar Mendes para o STF-Supremo Tribunal Federal.

    Obrigado defensor do Imposto Sobre Grandes Fortunas (desde que não seja a sua).

  3. Pelo visto vamos ter de aturar por mais quatro anos essa conversa boba de Luciano Huck candidato a presidente. Impressiona a falta de senso comum desses analistas de mídia que gastam tempo escrevendo sobre isso como se fosse coisa séria. Huck nunca vai ser candidato, não foi ano passado apesar de todo o oba-oba da mídia, nem vai ser em momento nenhum. Ele vai perder muito dinheiro se deixar a TV para se candidatar, e não vai poder voltar ao seu programa depois de sua derrota, porque sua reputação ficará queimada na campanha e a Globo não irá dar espaço a um adversário do próximo presidente, seja quem for. Os petistas e os bolsonaristas o demolrão facilmente numa campanha eleitoral, e não adiantará muito a grande imprensa “true news” vir em socorro de seu queridinho. A Globo já não tem o poder que tinha no passado, não faz a cabeça das pessoas como antigamente, não conseguiu nem impedir que o seu arqui-inimigo Crivella se elegesse no Rio. Além disso, o PT adora odiar a Globo. Ano passado o PT anunciou que adoraria concorrer com alguém o símbolo da Globo na testa. E além de tudo, Luciano Huck é um perdedor garantido numa campanha eleitoral, porque construiu uma imagem ilusória de sujeito supercertinho que acaba sendo um alvo fácil para demolidores de reputações. Na política, quem posa de limpinho demais acaba arruinado por quem lhe descobre a menor mancha. E as manchas da vida de Huck já estão bem à vista. Huck não tem a casca grossa de um Bolsonaro ou de um Lula para sobreviver às campanhas difamatórias que caracterizam as eleições.

  4. Esse povo da tv acha que a administração de um país é semelhante à produção de seus programas, aparecendo somente o que está na frente das câmaras e podendo editar o que não agrada. Nessa linha, o atual ocupante do Alvorada poderia abdicar o trono e dedicar-se às produções televisivas. Tudo a ver com seu estilo autopromocional.

    • Senhores, independente dos argumentos aqui expostos,todos brilhantes,o mais importante a meu ver,o candidato tem que ter experiência no executivo.

      No mínimo,como Prefeito.
      Contra cenar com o legislativo, judiciário,com os “probrema”, administrativos públicos.

      E,efetivamente ter vivenciado com todos os segmentos da sociedade.

      Vocês imaginam,por mais boa vontade,Eu queira ser chefe di redação do blog TI,ou jornal,sem nunca ter vivenciado como repórter,ter pego uma caneta um caderno e correr atrás da informação.

      Sem falar,das técnicas do jornalismo, ética, linguagem escrita,etc,e noções administrativas de um jornal.

      Não passa di heresia minha postulação.

      Ora, dar vozes e incentivar esses paraquedistas,a ser candidato por mais democrático que seja, é di enorme irresponsabilidade…

      Estamos assistindo esse filme,
      lamentável mente.

  5. Apesar de ainda ser muito cedo para se comentar sobre a sucessão de Bolsonaro, em face de o seu governo estar deixando a desejar e, em outros aspectos, claudica, tropeça e se arrasta, até que é procedente antever os candidatos futuros para o Planalto.

    O nome de Luciano Huck comprova a carência absoluta de alguém egresso da política ou do parlamento para 2022, e poderá surpreender.

    A continuar essa administração que não vê o povo como prioridade, porém como coadjuvante ou até mesmo figurante, haverá mais de três anos para o pobre e miserável desviar os seus votos para alguém conhecido, além de proporcionar à população prêmios e atenção!

    “Ah, mas Huck não é político, não tem condições, tem o rabo preso …”

    Pergunto:
    Nessas últimas eleições, por acaso os candidatos não tinham cada um o rabo preso?
    Bolsonaro, Ciro, Haddad, FHC, Álvaro Dias, Boulos … alguma vez deram algo para o povo ou somente têm tirado do povo?!

    Mais a mais, saliento sobre o poderio da Rede Globo, que atinge todo o território nacional, facilitando a divulgação do nome de um dos seus apresentadores.

    Outro aspecto:
    Huck tem viajado para os quatro cantos do país, de modo a ser visto ao vivo, de a população conhecê-lo pessoalmente.
    Lata Velha, Quem Quer Ser um Milionário, e outras atrações onde o povo é beneficiado, até 2022 Luciano tem muito para crescer, ainda mais se a classe política continuar não só decepcionando como roubando, explorando e manipulando o cidadão!

    Se o apresentador tem contra si ter aproveitado o BNDES para adquirir o seu avião – medida alcançada para mais de cem pessoas -, de ter uma casa a beira-mar em local discutível … resgato a célebre pergunta de um programa humorístico:
    – Sou, mas quem não é?

    Aliás, em se tratando de candidatos …. estamos mesmo muito mal!

  6. Em relação ao digno Dr° Ciro Gomes, não responde a nenhum processo por improbidade administrativa…

    Dr° Ciro Gomes,tem é uma VERVE afiada.

    É um SER,de inteligência superior,uma sensibilidade aguçada…

    Por,favor, NÃO TEM, nenhum candidato com currículo igual ao Ciro Gomes,e que tenha compromisso com a nossa gente,com a nossa terra.

    CIRO GOMES,encarna o espírito di NACIONALISMO,di BRIZOLA, ENÉAS.

    • Luiz Fernando, concordo plenamente com o teu comentário.

      Não sei o porquê de tanta marcação com Ciro Gomes.Até o meu amigo gaúcho bate forte no Ciro.

      Eu não tenho conhecimento que o Ciro tenha participado de qualquer ato ilícito ou ético dentro dos cargos que ele ( Ciro), administrou.

      Abraços.

      • Meus caros amigos Celso – Fortaleza e Souza/Poa-RS,

        Lamento que eu não esteja sabendo como dar a entender que não bato em Ciro Gomes, pois se dá o contrário, Ciro é quem nos agride!!!

        E já teci tantos comentários a respeito, que não preciso repetir os motivos pelos quais não vejo no candidato do PDT as condições necessárias para um bom governo.

        Vá lá, nos três temos pensamentos diferentes, onde neles estão contidos, simpatia, antipatia e empatia.
        Lá pelas tantas, nutro por Ciro uma antipatia gratuita por que não?
        Mas sou eu comigo mesmo, com as minhas observações, constatações, experiência de vida, comparações, análise dessa política nacional deletéria e deplorável, que somente enaltece uns e outros, enquanto nos condena à humilhação, às injustiças sociais, à indignidade.

        Para concluir, de modo que vocês me compreendam e entendam os porquês da minha aversão a Ciro, partiu dele mesmo, na sua campanha ao Planalto, a minha intensidade contrária à sua candidatura:
        Afora deixar bem claro que o seu maior objetivo seria unir as esquerdas e ser o seu candidato único, Ciro cometeu a insanidade e irresponsabilidade de afirmar que, uma vez eleito, ele libertaria Lula!

        Ciro ousou ciscar no terreiro onde havia um galo e ativo, e foi expulso através dos garrões do garnisé, conhecido como Lula.

        Hoje, ao se apresentar para entrevistas, Ciro lambe as feridas publicamente, ao acusar Lula de bandido – e ele sabe os crimes de Lula, conforme declarou na última entrevista -,e que merece estar na cadeia!

        Resumo da ópera:
        Como acreditar neste candidato?
        Como não levar em conta a sua instabilidade partidária, e político que hoje afirma o Flamengo ser um time do Rio e, amanhã, que o Flamengo é de Minas gerais?!
        Como não considerar que Ciro primeiro fala, e depois pensa no que disse?
        De que forma não devo me rebelar contra esse político que, em plena campanha e no Ceará, acusou o meu povo, o gaúcho, vociferando que somos racistas,pois a nossa preferência era por Bolsonaro??!!

        Como podem ver, tenho as minhas razões, e até perceber uma certa sinceridade em Ciro, uma certa coerência, uma certa linha de raciocínio com início, meio e fim, um certo objetivo em qualquer segmento da vida nacional, e não sair disparando a sua verborragia sobre qualquer assunto, querendo se mostrar competente e dono de fórmulas mágicas à resolução de nossos problemas mais graves, Ciro não encontrará em mim um apoiador, pelo contrário.

        Um forte abraço a ambos amigos meus.
        Saúde, gurizada, e muita!

        • Dissem,O CIRO GOMES, está assinado ficha no PSL…

          Dissem,O Ciro,vai assumir no lugar do posto Ipiranga..

          Dissem,a maioria dos comentaristas são saltitantes,mudam de comentários do acordo com circunstância….

          Dissem que Collor Melo, será líder do Bolsonaro no senado..
          houve já troca de partido….

          Dissem que Collor, já votou 2 vezes no Lula

  7. Werneck, meu caro amigo,

    Não aposta!
    Teima, mas não aposta!

    O povo tem uma predileção especial para “aprontar” nas eleições.
    Devo ser mais velho, Werneck, pois fui testemunha de “candidatos” eleitos que surpreenderam o país:
    Cacareco, Macaco Tião, Dilma, Collor …

    Logo, Huck tem uma longa estrada para imprimir velocidade à sua candidatura.

    Não será o meu candidato, mas também não posso afirmar que não o será, dependendo da nominata daqueles que querem o Planalto.
    Ainda mais se, por obra do destino, permanecer no segundo turno Huck e Lula ou quem o o ladrão e genocida indicar.
    Aí, meu caro amigo, meu voto será para Huck!

    Abração.
    Saúde, muita saúde!

  8. Dilma II – A volta

    “Brasília ficou mais vazia. Como abastecer aviões públicos e privados sem combustível?
    “São cinco horas da manhã e estou na fila para comprar comida e, se tiver sorte, papel higiênico. Penso muito no passado mais recentes de meu país tão quebrado hoje, país que sempre foi regido pelo seu passado; hoje analiso-o do futuro. Em que ano estou? Minha lembrança mais antiga jaz no deserto, quando o Califado Islâmico tomou conta do Oriente Médio, chegando até as bordas de Israel-Palestina, já considerada ‘área insolúvel’. Depois da bomba que o presidente Trump lançou no Paquistão — hoje conhecido como Talebania, muita coisa aconteceu nesses anos loucos.

    “Mas vou me ater às memórias do Brasil.

    “Aqui, passados muitos anos, lembro ainda do calafrio que senti no dia em que Dilma voltou ao governo. Lembro-me de seu olhar gelado de vingança, perdoada pelo Senado, graças à aquisição de três senadores por dez milhões cada um.

    “Lembro-me de Dilma proclamando na ladeira do Planalto: ‘Vamos retomar a Nova Matriz econômica! Gasto público é vida!’.

    “Mantega já a esperava lá no alto, vendo a equipe econômica do Temer se esgueirando pelos fundos. E aí foi aquele carnaval bolivariano.

    “O MST encheu a esplanada de miseráveis erguendo enxadas, depois de terem arrasado a agroindústria, a CUT convocou milhares dos 12 milhões de desempregados e, de ônibus e sanduíches de mortadela, animou-os com a promessa de trabalho, protegidos pelos black blocs, agora nomeados a ‘guarda revolucionária da Presidenta’. Acabou a insuportável Lei de Responsabilidade Fiscal, voltaram pedaladas muito maiores, pedaladas agora chamadas de ‘revolucionárias’, até que o real despencou face ao dólar, sendo cotado a R$ 13,788. Aí, elementos desobedientes e, segundo o PT 2, da ‘direita neoliberal’, começaram a reclamar da fome, querendo fazer greves. Muitos sem teto invadiram a sede da Petrobras para fazer suas moradias.

    “Mas Dilma e seus assessores logo conclamaram brilhantes intelectuais, professores e artistas para explicar ao povo que seu sofrimento era ‘belo e corajoso’, porque eles estavam penando por causa dos ricos e que um dia (sempre falavam ‘um dia’) o Brasil seria um paraíso social. O povão, como sempre, não entendeu nada e continuou passando fome, só que mais conformado, porque nossos intelectuais tinham explicado que há uma ‘pureza doce na miséria’, que a dor dignifica e fortalece para as lutas futuras. E proclamaram: — ‘é melhor um país pobre do que desigual. Que todos sofram igualmente!’. Os miseráveis se sentiram importantes, porque sofriam em nome do socialismo.

    “Mas a nova crise, chamada por Dilma de Crise 2, não dava refresco. A inflação cresceu com todos os seus demônios, batendo a ‘bela marca’ de 1992, de 80% ao mês. Imediatamente, a Nova Matriz Econômica 2 revigorou a inesquecível tradição do passado — a correção monetária. E o Brasil reviveu os dias emocionantes com a volta do overnight. As maquininhas de ‘tlec tlec’ para a remarcação encheram os supermercados (cada vez mais vazios) com a doce melodia dos anos de ouro da inflação. Mas, segundo o Governo da Presidenta — Parte 2, canalhas neoliberais e a mídia conservadora diziam que a vaca ia para o brejo.

    “A pressão foi grande, e os assessores do Planalto notaram, preocupados, que Dilma começou a delirar, falando compulsivamente que ‘ela não era vaca no brejo’, que ‘gasto público é vida’, que a mandioca e os homens sapiens iam nos salvar, que ela iria saquear (usou a palavra) o Tesouro acumulado pela ‘burguesia’ de direita no Estado para financiar um grande consumo de geladeiras e fogões. A medida fascinou os pobres que se acotovelaram em frente as vitrines de TVs e liquidificadores. Só que ninguém podia mais comprar nada.

    “Dilma engordou brutalmente — tinha gastado dez vezes mais em comida para o Alvorada, numa compulsão compensatória.

    “Mas a pressão ficou tão grande que ela caiu em depressão profunda e foi internada numa clínica de sonoterapia, onde dormiu até o fim do mandato, pois os médicos recomendaram que ela não visse ‘a cagada que tinha aprontado de novo’.

    “Lula sucedeu-lhe em 2018, continuando em 2022, criando uma dinastia de si mesmo, reeleito em vários mandatos, até 2034, quando ele já não falava mais e tinha sido mumificado num carro de vidro que desfilava entre a multidão de fiéis ajoelhados. Quando se iniciou a decomposição, seu corpo foi entronizado no Museu Bolívar, um palácio de mármore vermelho desenhado por Oscar Niemeyer.

    “A partir daí, tudo começou a desmoronar. A própria ideia de ‘País’ ficou questionada porque, na realidade, tínhamos virado um arquipélago de poucas ilhas de vida social, cercadas de merda por todos os lados.

    “Alguns chegaram a sugerir que o Brasil fosse cortado em pedaços, ficando o ‘capitalismo escroto neoliberal’ em São Paulo e o Nordeste com uma espécie de socialismo-feudal, uma mistura de Renan (96) com o bolivariano ex-Maduro, devorado por milícias famintas em 2025.

    “A corrupção diminuiu muito nessa época, não pela operação Lava-Jato, mas porque não havia mais grana nenhuma no Tesouro para roubar.

    “Brasília ficou mais vazia. Como abastecer aviões públicos e privados sem combustível?

    “Poucos políticos vagavam pela Praça dos Três Poderes abordando até transeuntes em busca de algum bom negócio. Eduardo Cunha, 87, acusado do assassinato de Janot, foi morar em um ‘trust’ na Suíça.

    “Nessa fase, houve o Segundo Crash da Bolsa de NY, entre nuvens de suicidas e filas de desempregados.

    “Aqui foi uma surpresa. O Brasil afundou mais ainda e nada aconteceu. Houve, claro, legiões de famintos atacando os supermercados, mas logo ficou claro que a miséria é autorregulável. Muito simples, explicaram os acadêmicos: a fome diminui a população, dado benéfico para a incrível falta de comida, provocada pela decisão acertada do Governo de jamais cortar gastos fiscais.

    “As lembranças me emocionam por sua dor e delícia. Sofro com o fim do país, mas sorrio com um prazer meio perverso, rememorando os estrambóticos delírios da política porra-louca. A fila andou. Consegui entrar no supermercado com minha carteira de consumidor na mão. Mostrei minhas digitais. Numa prateleira, ainda há uma caixa de biscoitos. Corro, mas um cara chegou antes e levou. Pergunto ao agente militar do supermercado onde é que está o papel higiênico.

    “Acabou, disse ele. E, ao ver meu suspiro de desconsolo, riu irônico e acrescentou: ‘Limpa com o dedo!…’”.

    – Arnaldo Jabor

  9. Parafraseando o senhor Albuquerque Lima..

    Esse Jabor, é um crápula,um porra louca..

    Esses caras, Jabor,Faustão,Huck,e outros Globais.Edir Macedo,e outros ditos evangélicos.
    Vivem nos EUA,aplicam $$$,nas bolsas NY,e paraíso fiscais…

    Senhor Everaldo Maciel,ex receita,sabe dos descaminhos dessas gentes.

  10. Oportunista e hipócrita até o talo. Explorou a perseguida da tiazinha e feiticeira até não poder mais, e agora posa de casal de comercial de margarina com aquela inútil da Angelica.

  11. O Programa de Governo será o “Isquenta” ??? Deus nos proteja, já passamos do fundo do poço e ainda termos essa figura deslumbrante e desnecessária para a grandeza do Brasil é assinar Atestado de Óbito em voto eletrônico !!!

  12. Como dizia o Coronel Virgílio Távora duas vezes governador do Ceará e, com bastante competência:

    A política é arte de engolir sapos.

    Se em 2022 eu estiver vivo, e o Ciro for realmente candidato a presidência, votarei nele com toda certeza.

    • Caro César, ninguém bate em desconhecido.

      Quem é deletério,nocivo a saúde,a educação,ao nacionalismo, chama- se Bolsonaro.

      Na realidade é Olavo de Carvalho,manda nesse desgoverno, através zero 01,02,03,essa diarréia diária…

      Lamentávelmente,nosso amigo Bendl, não percebeu o perigo iminente.

      Digo mais,os militares se retiraram da cena, não querem se comprometer com famiglia Bolsonaro..e sua apologia aos anos de chumbo.

      O dito cujo, não tem a governabilidade..

      Algo,vai acontecer em breve,irmãozinho Mourão, terá uma missão importante.’ ..

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