Lula 44%, Bolsonaro 26%, Ciro Gomes 11% e Doria 6%; o quadro não mudou em dois meses

Dificilmente o quadro apresentado poderá ser revertido até as eleições de 2022

Pedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha publicada nos jornais desta sexta-feira assinalou um aumento da reprovação do governo Bolsonaro, mas a perda de popularidade não influiu no quadro projetado para as urnas de 2022, caso as eleições fossem hoje. Na realidade, houve uma confirmação das tendências do eleitorado brasileiro. Relativamente ao primeiro turno, Lula alcançaria 44 pontos, contra 26 de Bolsonaro, 11 de Ciro Gomes e 6 de João Doria.

Feita a simulação para o segundo turno, Lula atingiria 56% dos votos contra 31% de Jair Bolsonaro. O mesmo panorama do mês de agosto. Verifica-se que do primeiro para o segundo turno, Lula sobe de 44% para 56% e Bolsonaro evolui de 26% para 31%. Na Folha de S. Paulo, Mauro Paulino e Alessandro Janoni, presidente e diretor do Datafolha, comentam o resultado sobre a reprovação do governo Bolsonaro. Mauro Paulino e Alessandro Janoni acentuam que, comparando-se o crescimento da reprovação com o registrado em dezembro, verifica-se uma queda de 21 pontos do presidente da República porque, enquanto sua reprovação subiu, a sua aprovação desceu.

RECUO DA APROVAÇÃO – Conforme assinalei no artigo de ontem, são dois movimentos interligados. Não se pode medir apenas o aumento da rejeição, mas também o recuo da aprovação, isso inclusive vale nos dois sentidos, sejam eles a favor ou contra o desempenho do governo. O Globo focalizou também a pesquisa do Datafolha. A reportagem foi de Sérgio Roxo. Na Folha de S. Paulo, além de Mauro Paulino e Alessandro Janoni, referiram-se à pesquisa o jornalista Igor Gielow.

O favoritismo de Lula da Silva e a descida de Bolsonaro em quatro degraus, na minha opinião, acentuam que dificilmente o quadro poderá ser revertido no final do próximo ano, já que nós nos encontramos há apenas 12 meses de distância das urnas sucessórias. Ontem, por exemplo, o presidente Bolsonaro assinou decreto elevando o Imposto sobre Operações Financeiras num percentual por volta de 30% sobre as transações de pessoas físicas, incluindo cartões de crédito, o IOF subiu de três para quatro pontos. Relativamente às empresas, o IOF subiu de 3 para 4,3 pontos.

Os acréscimos evidentemente vão se refletir no custo de vida e no poder de consumo da população, uma vez que as empresas vão repassar a diferença e as pessoas físicas vão pagar diretamente a transferência do seu bolso para os cofres do governo. A reportagem de Fernanda Tissot, Gabriel Shinohara , Eliane Oliveira e Ivan Martinéz-Vargas assinala que o produto causado pelo aumento do tributo vai garantir o Bolsa-Família para 54 milhões de pessoas, que corresponde a 20% da população brasileira, pois cada família tem uma média de quatro pessoas.

DO BOLSO DOS ASSALARIADOS – Verifica-se assim, que o governo não está transferindo recursos do Tesouro para a população mais pobre. Está retirando de assalariados os recursos para assegurar benefícios sociais. Não há transferência do capital ou do trabalho. Há transferência do trabalho para o desemprego e para o combate à fome.

O panorama político geral do país continua a ser de falta de perspectiva, já que os preços continuam em ascensão e os salários permanecem em retrocesso. Não estão somente estagnados, o que já seria um desastre, mas estão sendo diminuídos, o que é inclusive inconstitucional. É preciso levar em conta não só o valor nominal dos vencimentos, mas o seu valor em função do ritmo inflacionário. Nos últimos 12 meses, a inflação já registra um avanço de 9,6%.

TAXA SELIC – Na próxima semana, segundo a análise da jornalista Miriam Leitão, O Globo e TV Globo feita na manhã de ontem, o Banco Central deve elevar a taxa Selic de 5,2% para 6,2%. Um acréscimo percentual de 20%. É preciso considerar, entretanto, que o acréscimo vai representar mais 1% sobre R$ 6 trilhões que é a dívida interna brasileira, pois uma coisa é a incidência de 5,2% sobre R$ 6 trilhões, outra é a incidência de 6,2% sobre os mesmos R$ 6 trilhões. Alguns comentaristas fazem uma análise que se choca com a realidade.

Os bancos, conforme eu digo sempre, não são devedores da taxa Selic, e sim credores. É preciso acrescentar que a taxa Selic não pode ser inferior ao índice inflacionário do IBGE, pois, nesse caso, produziria juros negativos que são inaceitáveis pelo sistema financeiro, como todos sabem, e inevitáveis para todos nós, consumidores.

PACTO – O ex-governador Geraldo Alckmin e o ex-prefeito Haddad firmaram pacto sobre a eleição ao governo de São Paulo do próximo ano em que ambos devem ser candidatos.de que se um dos dois for ao segundo turno terá o apoio do terceiro colocado. Foi levantada a possibilidade de ambos estarem na etapa final da disputa e de um dos dois enfrentar o atual vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB), candidato de Doria. Caso se confirme a segunda hipótese, a expectativa é que um conte com o apoio do outro.

A reportagem de Sérgio Roxo e Gustavo Schmitt, O Globo, destaca bastante o tema e as articulações entre Alckmin e Haddad. Eles, no fundo, são adversários do governador João Doria que certamente disputará a reeleição porque a pesquisa do Datafolha revelou que o atual governador possui apenas 6% das intenções de voto para a disputa presidencial.Essa é a hipótese mais provável, mas se Alckmin não concorrer ao Planalto, o pacto firmado fica valendo para a disputa.

A disputa pode ser também contra Guilherme Boulos, Márcio França ou Arthur Do Val, mas a hipótese mais viável, na minha opinião, é a união desses dois políticos contra João Doria. Se Alckmin e Haddad firmaram um pacto prevendo o apoio de um ao outro, é porque Geraldo Alckmin vai apoiar Lula contra Jair Bolsonaro nas urnas de 2022. O tema vai repercutir no PSDB em vista do partido não poder apoiar Bolsonaro na sucessão, pois este chegou a propor, quando deputado, que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fosse fuzilado.

20 thoughts on “Lula 44%, Bolsonaro 26%, Ciro Gomes 11% e Doria 6%; o quadro não mudou em dois meses

  1. É de estranhar que o Bolsonaro continue com 26%. Deveria ser muito menos a considerar o seu desempenho nas queimadas da amazonia, o descaso com o sofrimento do povo e seus imbroglios nos contratos de vacinas super-faturadas.
    Notem que no dia da “independencia” ele se deslocou para SP para fazer propaganda eleitoral e gastou uma fortuna com seus sobrevoos de helicoptero. É uma lástima esse sujeito.

  2. Acredito piamente em Pedro do Coutto, mesmo sem conhecê-lo pessoalmente.
    Seus artigos denotam honestidade, e um indiscutível defensor dos desvalidos, a ponto de eu poder dizer que temos esta identidade em comum.

    Mas, repudio a pesquisa.
    Não acredito nessas números, simplesmente isso.
    Há uma grande parcela do povo que endeusou o insano e assassino Bolsonaro,
    Pois esses eleitores não só continuarão votando nesta aberração, como existem milhões de outros brasileiros que jamais votarão em Lula!

    Salvo um fato gravíssimo como este, sobre a Cloroquina, se devidamente apurado e a conclusão acusar Bolsonaro, haverá a chance de ser derrotado ou sequer disputar o Planalto, caso contrário está irremediavelmente eleito.

    • Bendl

      Mas quem vai ser louco de acreditar em pesquisas?
      Principalmente nos dois mais conhecidos .
      Eles institutos manipuladores erram em todas as eleições…..
      A melhor pesquisa e caminhar nas ruas e verificar o que o povo “conta”.. em dois dedos de prosa…

  3. Segundo o DataFalha (instituto de pesquisa criado por petralhas e para petralhas), Lula já está eleito com 1000% dos votos. O TSE, através do sistema de apuração fraudulento e secreto, encabrestado pelo petralha Barroso, se encarregará de confirmar a previsão do instituto.

    Quem, em sã consciência, ainda acredita no Datafolha?

  4. Esta é a realidade Sr. Turíbio.

    Lula ladrão se elege com folga.

    Ciro Gomes deu uma subida até boa 12% e não 11% como está no artigo do Coutto , mas insuficiente ainda para ameaçar o Lula ladrão.

    Ciro tem que chegar a uns 22% até começo do ano que vem, segundo alguns caciques do PDT aqui do Ceará.

    Coutto, mostra mais uma vez , no artigo, que é Lulista roxo , como se dizia antigamente.

  5. Se o boçal for eleito (e isto pode acontecer), será a desgraça do Brasil: o povo terá o castigo merecido. Um enorme desemprego, MUITA fome, insegurança, mortes,educação zero. Talvez assim os fanáticos aprendam alguma coisa ou descambemos para uma guerra civil. Minha esperança é que as FFAA não fiquem do lado desse indivíduo sem consciência e que nutre um sincero desprezo pelo povo.

  6. Infelizmente não teremos um governo novo.
    O Congresso Nacional deveria mudar as regras eleitorais diante do que dos exemplos a vista dos nossos olhos e no mundo. Daquele político que não quer largar o poder.

    Tem o que se elege, e, depois de se reeleger… coloca uma marionete para permitir o retorno num terceiro e quarto mandato. Ex.: Vladmir Putin > Dmitri Medredev > Putin

    Ou temos o exemplo do Hugo Chavez. Outrora tudo como exemplo pelo Bolsonaro. Que depois de tentar pela força (golpe) foi eleito democraticamente. Fez um governo populista. As massas lhe entregando maioria Legislativa. Com apoio popular, promoveu mudanças profundas nas estruturas do Estado Venezuelano. Em parte graças aos boicotes sucessivos da oposição às eleições seguintes. O que permitiu aos chavistas formarem amplissima e folgada maioria no Legislativo, criando mais vagas no Tribunal Constitucional Venezuelano. Com o acréscimo, Chavez teve maioria nos três poderes. Mudou todas as regras constitucionais e todo entendimento na interpretação normativa por aquele tribunal lhe foi favorável.

    Dito tudo isso. O que vemos no Brasil?
    Simplesmente o Legislativo como expectador dos acontecimentos e nós é que cruzemos os dedos.

  7. 1) O problema do atual presidente se reeleger é que ele vai mexer nas leis para se perpetuar no cargo, tornando o País nova Monarquia… que vai de pai para filho.

    2) Muito cedo para estas pesquisas, eleições, às vezes, se ganham à noite, na madrugada de sábado para domingo da votação. Aguardem…

    • Comungo da mesma opinião.
      Sempre tive a impressão de que, senão o plano principal, mas de alguma forma cogitado. É a restauração (da casa anterior Bragança) ou nova uma monarquia (Bolsonaro’s) – a aproximação muito antes das eleições (2018) das duas famílias não seria à toa. Algo tem em comum. Simbolizando a união de ambas num cobiçado futuro regime pelo casamento dos filhos ( será?)

  8. Como disse Millôr, só acredito na descrença, eu digo, tenho a certeza que não vou conseguir sair vivo desse mundo.
    Está havendo uma divergência de opinião, no artigo da Grã-fina, Bolsonaro vai ser defenestrado antes das eleições e pode ser preso.
    Já Pedro do Couto acha que: “Feita a simulação para o segundo turno, Lula atingiria 56% dos votos contra 31% de Jair Bolsonaro.
    Bolsonaro vai ter 31%, hehehhehe

  9. As pesquisas das ditaduras partidária e midiática, mancomunadas, são “genocidas”, estão matando fechando uma questão que tem que permanecer aberta até julho do ano que vem e, por conseguinte, matando dezenas e até centenas de candidaturas infinitamente melhores que estas impostas pelas ditas-cujas, à moda atentado à Democracia, campanha suja e antecipa, e ninguém fala nada, nem o TSE. Que país e que gente é essa, Renato Russo ? Na época da famigerada ditadura, da qual todos morríamos de medo, a bandidagem não era tão despudorada e nem tão explícita. Os candidatos eram escolhidos em convenções abertas, disputadas democraticamente, no voto, tinha até observador para conferir a lisura da disputa. Agora os donos de partidos, ou seus sócios, se jogam como candidatos, ditatorialmente, quando tem alguma disputa é só de fachada, as tais pesquisas não tem critérios de escolha de possíveis candidatos, põe na lista de presidenciáveis só os nomes dos seus cupinchas, com outros nomes que não tem condições de atrapalhá-los, tudo armação, e a mídia as repetem à exaustão, a moda lavagem cerebral e não chamam a essa safadeza de atentando a Democracia, porque tb é cupincha dos mesmo$,

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