Lula, o enteado do Brasil: o filme

O próprio Luiz Carlos Barreto, que estava entusiasmado com a filmagem da vida do presidente, reconheceu: “Apenas 4 por cento do público previsto, assistiu o que na filmagem parecia extraordinário”. Fracasso de crítica e de bilheteria, sem recuperação.

Em toda a história do cinema brasileiro, nunca houve um número tão grande de cópias, cobrindo praticamente todos os cinemas. Lula, em tom amargo, compara o filme, com os “Dois filhos de Francisco”, recorde de assistência.

Sucesso completo: de financiamento. Todos queriam “dar dinheiro”, principalmente o alto empresariado e estatais. Ninguém sabe o que fazer com a sobra.

A obrigação de perder

Antonio Sepúlveda, Maceió
“Hélio, você disse que Golbery e Orlando Geisel criaram o domicílio eleitoral para invalidar a eleição do general Lott, que era militar e a favor do golpe. Por que então preferir a vitória de Negrão de Lima, que era da oposição? Me parece contradição, gostaria de explicação”.

Comentário de Helio Fernandes
Parece contradição, como você diz, e se não conhecer os fatos, ficará como sendo. O que acontece: isso estava dentro da “filosofia” de Golbery, e acatada inteiramente por Orlando Geisel, o estrategista da tortura. (Logo, logo, criaria o Doi-Codi, num pedaço da Polícia do Exército, terror completo. Esse Doi-Codi, que freqüentei com mais assiduidade do que gostaria).

A “filosofia” de Golbery era a seguinte: os militares queriam acabar com as eleições diretas, que Castelo Branco disse pessoalmente a Juscelino, “manterei de qualquer maneira, esse é o meu objetivo”. Mentiroso e sem convicção, acabou com a eleição, prendeu o próprio Juscelino.

Mas precisavam de uma desculpa. Golbery, que era apenas Major (passou para a reserva como coronel por causa das duas promoções obrigatórias) tinhas ascendência sobre os generais. Estes reconheciam: “Ele é um gênio”. Era mesmo, golpista e presidente da Dow Chemical, fabricante de napalm, que ganhava fortunas matando populações inteiras.

Golbery então convenceu os militares: “Se ganharmos a eleição, não teremos cacife para acabarmos com elas”. Como Lott podia vencer, invalidaram seu nome, Negrão ganhou fácil. Com a posse dele, foram para alguns generais que não queriam a ditadura (tinham medo do “comunismo”) e disseram: “Viram, toda vez que houver eleição perderemos para um corrupto”. (Negrão nem era corrupto).

(Em Minas usavam a mesma “filosofia” de perder como a melhor solução. O candidato era Sebastião Paes de Almeida, que não consideravam “suficientemente corrupto”. Optaram então pelo nome de Israel Pinheiro, por causa de suas ligações com Juscelino na mudança da capital. Israel foi presidente da Novacap, ganhou a eleição).

Como você vê, Sepúlveda, nenhuma coincidência ou acaso. Tudo planejado, premeditado, pensado e executado.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *