Lula, perdido entre a vontade de ficar, e a incerteza de como conseguiria isso, se perde na dúvida, não acredita nem mesmo nas opções. O que fazer?

Lula esteve com Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina. Veio pedir ao presidente do Brasil que seja mediador da paz no Oriente. Lula aceitou, conversaram demoradamente. Abbas disse então, “já decidi não concorrer a um novo mandato”.

O presidente brasileiro protestou, dizendo: “Agora você não pode abandonar seus companheiros, tem que ficar no cargo”. Revelando surpreendente conhecimento, Abbas respondeu: “Só se você também se candidatar”. Lula riu mas não disse nada.

Apesar de viajar pelo mundo, passando rapidamente pelo seu país, Lula não se descuida nem se esquece da própria sucessão. Não há menor dúvida: gostaria de continuar no Poder, ficar ininterruptamente até o possível ou o impossível. As duas palavras, para ele, têm o mesmo sentido.

Muitas vezes Lula se sente confuso, incerto, duvidoso, tumultuado nas escolhas e no que desejaria que acontecesse. Não acredita em Dona Dilma como candidata, sucessora ou realizadora. E mergulha em profunda descrença, a respeito dele mesmo e do país. Seria melhor para todos, que a eleição de 2010 não tivesse a sua participação?

Em reflexões isoladas, considera que “já fez tudo o que devia fazer”. Não tem com quem conversar, confessar, em alguns momentos chega a acreditar que o isolamento foi provocado por ele mesmo. Não tem partido, raros pode chamar de amigos, não se incomoda de perder para um adversário, o que o mortifica é não ganhar com um correligionário.

Mas num rompante, no silêncio vazio e não apenas de sons ou de palavras, ele não ouve a própria voz, que do fundo da alma, tenta gritar ou esclarecer: “Correligionários? Onde estão eles, quem são, se escondem em algum lugar?”.

De qualquer maneira, Lula tem instantes de instabilidade, sente saudades de outros tempos, pensa mais nas três derrotas, (1989, 1994, 1998) do que nas duas vitórias, (2002, 2006) se volta para o futuro tentando adivinhar ou constatar: “O que acontecerá realmente em 2010?”.

Das ruínas de toda essa divergência com ele mesmo, emerge Lula dos últimos tempos, que se julga insubstituível, não pelo que fez mas pelo que “dizem” as pesquisas. Surge ou volta então, não o sindicalista (verdadeiro) e sim o estadista (imaginário), que considera que está de corpo inteiro na observação de Obama: “Esse é o cara”.

Será mesmo? Já ouviu dizerem que o presidente dos EUA estava fazendo uma colossal gozação, não existe uma só pessoa a quem possa perguntar a verdadeira dimensão da afirmação.

“Devo tentar continuar no governo?”, é a pergunta que se depreende de suas reticências. “Sem essa continuidade, Dona Dilma seria uma opção que poderia apresentar aos 80 por cento que me apóiam e desejam que eu permaneça?”.

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PS- Chega a ficar ainda mais furioso com FHC, que foi quem descobriu ou inventou essa caminhada ou esse descaminho inconstitucional da reeeleição.

PS2- De qualquer maneira, quando fala publicamente sobre a importância da soma de palanques, Lula estará tentando traçar o próprio destino? Ou não acredita no destino dos outros, mesmo avaliados por ele?

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