Mangabeira Unger, um profeta entre originalidade audaciosa e lugar-comum

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Mangabeira está lançando seu novo livro

Otavio Frias Filho
Folha

​O filósofo brasileiro Roberto Mangabeira Unger está lançando um novo livro, “Depois do Colonialismo Mental – Repensar e Reorganizar o Brasil” (Autonomia Literária). Novo livro em termos, pois se a segunda parte do volume é composta de artigos publicados na imprensa, principalmente neste jornal, a primeira é um ensaio em que o autor burila, mais uma vez, as ideias que o inspiram desde a segunda metade dos anos 1970.

Os escritos de Mangabeira, pela originalidade audaciosa, deveriam interessar todo brasileiro preocupado com o país.

Ele descarta tanto as políticas autoritárias do marxismo, que falharam no teste da prática, quanto as vertentes autonomistas da extrema-esquerda. Além de repelir também o pensamento de direita, por ser retrógrado e mesquinho, ele é ainda um crítico acerbo das combinações de liberalismo e social-democracia que estiveram em voga nas últimas décadas, por se limitarem a humanizar aspectos do capitalismo, em vez de “reinventá-lo”.

DUAS FONTES – As origens de um pensamento assim peculiar e intransigente estão em duas fontes. De um lado, o “progressismo” que vigorou nos Estados Unidos da primeira parte do século 20, sobretudo nos governos reformistas dos dois Roosevelt, que canalizaram a pressão popular crescente no rumo do estímulo ao pequeno negócio e da regulamentação dos oligopólios. De outro, a fé em fórmulas redentoras que se encontra tanto no puritanismo americano como no catolicismo messiânico brasileiro.

Mangabeira começa onde começaram tantos de seus antecessores, pelo descompasso entre as potencialidades incalculáveis do Brasil, dadas por sua unidade, vitalidade e sincretismo, e o pouco que se obteve até agora em termos de realizações emancipatórias.

REFORMISMO – Seu texto vem embalado numa fulgurante retórica baiana que pode iludir. Suas ideias sobre educação, por exemplo, não estão longe do que virou lugar-comum no tema, ou seja, máxima prioridade a um ensino que capacite as inteligências para resolver problemas concretos e desenvolva sua visão crítica do mundo.

Quais os estratos a serem mobilizados por esse reformismo radical? São os emergentes, com sua paixão por subir na vida, são os batalhadores, que tendem a seguir aqueles, são as massas menos qualificadas, que têm pouco a perder.

Aqui sempre caiu a linha divisória entre nosso autor e os petistas, que ele via como representantes da aristocracia operária de São Paulo –mas isso até ceder ao canto de sereia de Lula, dois anos após ter clamado pelo impeachment deste, para assumir em 2007 uma etérea Secretaria de Planejamento de Longo Prazo (que Reinaldo Azevedo apelidou inesquecivelmente de “Se Alopra”).

CONTRAPESOS – Até mesmo o mecanismo de freios e contrapesos, considerado em ciência política a maior contribuição dos redatores da Constituição americana à democracia, é rejeitado por Mangabeira, que nele vê uma fórmula conservadora de desacelerar e esfriar a política, quando esta deveria ser conduzida pela paixão sob as rédeas da razão. O autor propõe uma mistura de democracia representativa e direta, com recurso frequente a plebiscitos e “recalls” de governantes.

Os social-democratas brasileiros, para voltar por um momento a eles, são imitadores acanhados, que desejam fazer do Brasil uma “Suécia tropical”.

Mas o que haveria de tão errado nisso? Ora, diz Mangabeira, a tarefa mundial do Brasil é mostrar que é possível associar “pujança e ternura”. Somente isso poderia traduzir nossa verdadeira grandeza, definida como disposição para nos colocarmos em pé e irmos além de nossas próprias possibilidades. É certamente esse aspecto da utopia mangabeirana que sensibiliza artistas ambiciosos, como Caetano Veloso, autor do prefácio.

AMBIÇÃO SAGRADA – E, de fato, o que é apresentado como ambição sagrada de todo um povo talvez se reduza a uma dimensão estética que mesmeriza profetas. Será que a ambição das pessoas comuns, normais, não consiste apenas em ter uma profissão decente, uma remuneração condigna, uma vida familiar em segurança, algum lazer de vez em quando? Será que vale a pena passar pelos horrores da revolução, da “política de alta energia”, para poder ostentar um título de originalidade? Isso é existencial ou frívolo?

Sobretudo num pensador que se diz dedicado à prática e à experimentação, sua vida não se pode dissociar de suas ideias. Mangabeira se mantém numa sinecura na Universidade Harvard para, a cada eleição, fazer uma incursão pela Terra de Santa Cruz. Antes assessorava líderes voluntaristas, tumultuários, como Brizola e Ciro Gomes. Depois passou a tentar candidatura própria pelos partidos mais implausíveis, e são também inesquecíveis as caras e poses de Napoleão de hospício que ele fazia para as câmeras. Talvez se trate, afinal, mais da grandeza de Mangabeira do que do Brasil.

11 thoughts on “Mangabeira Unger, um profeta entre originalidade audaciosa e lugar-comum

  1. Há muito que ninguém leva Mangabeira Unger a sério, se é que algum dia ele foi levado a sério. Lembro que em 2002 a Veja comparou a dupla Ciro Gomes e Unger a Pinky e Cérebro, dos desenhos da Warner Bros (não que Pinky merecesse ser comparado a Ciro, o ratinho simpático do desenho nunca foi desbocado). Não sei pra que se dar ao trabalho de escrever um artigo para criticar o excêntrico Unger, e promover um livro que ninguém vai ler.

  2. ♪♫♪♫
    u’a Manga “madura
    na beira da estrada
    tá bichada Zé, ou tem
    marimbondo no pé”
    ♪♫♪♫

    Lula já está preso.
    Quando irão prender o Temer??
    Quando irão prender a Dilma??
    Quando irão prender o Mantega??
    Quando irão prender o/a ……….??

    • Quando irão prender o $istema podre inteiro, ou seja, o golpismo ditatorial, o partidarismo eleitoral e seus tentáculos, velhaco$, que perfazem a a república 171 dos me$mo$, de porteira fechada ? Só Deus no céu, sobretudo, e abaixo Dele a Revolução Redentora na terra, em pareceria, podem responder isso, porque o resto o mundo inteiro já sabe que é tudo mais dos me$mo$, mais sofismas, mais bravatas, mais 171, mais cinismo, mais hipocrisia, mais canalhices…

  3. O título é meio à Marina Silva, digamos.
    Parece ser do tipo “isentão”.
    Reinventar uma ideologia é possível, mas será possível reinventar o capitalismo?
    Educação que desenvolva “visão crítica”… Hummmm…
    É daqueles intelectuais que não resistem a uma boquinha do Estado.
    Democracia direta? Seriam os sovietes?
    Plebiscitos e recalls? Maduro que o diga.
    Caetano Veloso autor do prefácio?! Chega! Não li e não gostei.

  4. Integração sul-americana? Sério? O Brasil precisa competir no mercado mundial e esquecer essa merda do sul do qual faz parte. Dinheiro tem cor: é verde e não tem pátria nem ideologia nem associação nem religião. Aux armes!

  5. É sempre bom ler receitas para melhorar o Padrão de Vida médio Brasileiro.
    O Prof. Mangabeira Unger começa descartando :
    1- Políticas Autoritárias Marxistas ex. Cuba, para os quais a raiz de todos os males é Propriedade Privada dos Meios de Produção.
    2- Políticas Autoritárias da Extrema-Esquerda que Estatizam a maior parte da Economia, ex. Venezuela.
    3- Políticas de Direita por seu pensamento “retrógrado e mesquinho”??? Ex. Projeto Brasil Potência da Revolução Civil-Militar 64.
    4- Políticas Liberais e Sociais-Democraticas ex. PFL e PSDB pq não reinventam o Capitalismo???? Ou seja as Políticas dos ûltimos +- 35 anos de “Re-Democratizacao”.
    Lamentavelmente o Artigo não fala nada das ideias do Livro.

    A nosso ver, a melhor solução para o Brasil dar Bom Padrão de Vida Médio para TODO o seu Povo, é a Terceira Opção descartada: O Projeto Brasil Potência da Revolução Civil-Militar 64, sob a boa Constituição de 67, com Eleições Indiretas para Presidente da República via um grande Colégio Eleitoral, e ênfase na Iniciativa Privada NACIONAL em vez da Estatal como foi.
    Operar sempre com Equilíbrio Fiscal e crescentes Superávits no Balanço de Pagamentos Internacional ( Balanço de todas as Riquezas que entram e que saem do País). As Riquezas que entram tem que ser crescentemente
    Maiores do que as.que saem.
    Abrs.

  6. O conteúdo escrito neste livro do Mangabeira Unger deve ser igual a esse Comentário. Com interpretação confusa e difícil de entender o que o autor realmente quis dizer aos seus leitores.
    Bom, como o Mangabeira é intelectual, talvez eu é que seja o leigo e não entenda nada de Sociologia, Economia, Filosofia, Bem Estar Social, Esquerda versos Direita e a manjada discurseira e conselhos de muitos intelectuais.
    E para piorar, o autor(a) desse comentário nos brinda com um link de um Site Chapa Branca.

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