Meirelles decide ignorar ataques de Maia em disputa por candidatura governista

Meirelles segue no seu estilo sempre cauteloso 

Martha Beck e Cristiane Jungblut
O Globo

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, decidiu não reagir aos ataques feitos pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que partiu abertamente para a disputa pelo posto de principal candidato da base governista à Presidência. Segundo interlocutores do ministro, Maia está adotando como estratégia política buscar um adversário e chamá-lo para brigar. Por isso, a melhor forma de agir é não alimentar essa tática.

“Maia está atrás de um adversário, está chamando para briga. Ele tem que bater em alguém, mas esse não é o estilo do Meirelles. O ministro vai continuar com o mesmo discurso”, disse uma fonte próxima ao ministro. O aumento da temperatura entre Meirelles e Maia ficou claro no debate sobre mudanças na chamada “regra de ouro” — pela qual o governo não pode se endividar para pagar despesas correntes. Por causa da crise nas contas públicas, na última semana, a equipe econômica chegou a começar a discutir ajustes na “regra de ouro”, na casa de Maia, com o deputado Pedro Paulo (PMDB-RJ), que trabalha numa Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para reduzir o engessamento do orçamento no país.

ADIAMENTO – No entanto, logo em seguida, Meirelles disse que o ideal não seria flexibilizar a regra. Maia interpretou isso como uma tentativa da equipe econômica de jogar o assunto no colo do Congresso e afirmou publicamente que não colocaria nenhuma alteração na “regra de ouro” em votação. O presidente Michel Temer teve que chamar Meirelles e o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, ao Planalto para acalmar os ânimos. E para evitar mais problemas, o tema foi adiado para depois da reforma da Previdência.

Para desgastar Meirelles, o presidente da Câmara também tem dito a interlocutores que o titular da Fazenda deveria se dedicar à sua função de comandar a economia e não perder o foco com a agenda política. Ele também teria classificado Meirelles como um político “analógico”, quando o Brasil precisa de um político “digital”, com capacidade de se comunicar com jovens. No entanto, os interlocutores do ministro lembram que o próprio Maia, apesar de jovem, também não tem um discurso moderno que possa empolgar o eleitorado jovem.

MESMO DISCURSO – Além disso, afirmam essas fontes, Meirelles e o presidente da Câmara estão presos ao mesmo discurso econômico. Além de estarem, como possíveis candidatos, num mesmo patamar: flutuando com cerca de 1% das intenções de voto. “Os dois nadam na mesma raia. Ambos precisam trabalhar, cada um em sua área, pela aprovação da reforma da Previdência, por exemplo”, disse um técnico da área econômica.

Segundo essa fonte, Maia, que gosta de se colocar como um nome do mercado financeiro, vai se empenhar ainda mais pela aprovação da reforma da Previdência na Câmara. Isso poderia favorecer o avanço da agenda econômica e o próprio Meirelles. “Esse discurso do Maia pode até ser bom para o Meirelles, que conseguirá avançar na agenda de reformas”, afirma o técnico. Caso Meirelles opte por não sair candidato, os interlocutores do ministro dizem que ele vai ficar no comando da Fazenda até 31 de dezembro.

BOA IMAGEM – “Se não for candidato, ele vai ficar no cargo e poderá sair do governo se colocando como o ministro que tirou a economia da recessão, que aprovou o teto para os gastos públicos, a reforma trabalhista e provavelmente a reforma da Previdência”, diz um aliado do ministro. Com a pré-candidatura assumida, Maia faz uma maratona de reuniões com os partidos do chamado centrão e com integrantes do mercado financeiro para se viabilizar com o candidato desses dois setores, rivalizando com Meirelles diretamente, e inclusive com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Maia age em duas frentes: aumentou suas viagens pelo país e deve reforçar sua equipe, inclusive de comunicação.

Nas conversas, Maia diz que está “entusiasmado” e que seu nome é “para valer”. Nos próximos dias, Maia vai reforçar seu discurso na área econômica. Egresso do mercado financeiro, a agenda do presidente da Câmara é recheada por encontros com investidores e presidentes de empresas. A ideia, segundo um aliado, é reforçar conversas com grandes nomes da economia. Um dos interlocutores frequentes é o economista Marcos Lisboa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNa política, as aparências enganam muito. Quem fomenta essa suposta briga entre Meirelles e Maia é o Planalto, que tenta se livrar dos dois para fortalecer a candidatura de Temer à reeleição, uma realidade cada vez mais concreta. Maia e Meirelles não são inimigos e podem até se juntar contra Temer. Acredite se quiser. A política tem dessas coisas. (C.N.)

6 thoughts on “Meirelles decide ignorar ataques de Maia em disputa por candidatura governista

  1. O Brasil esta ‘uma merda’
    13 milhões de desempregados (e esse careca nefasto forja um 2% de IPCA)…

    Até o jornal, para limpar as necessidades dos mais necessitados, é podre! e só olhar para Folha (o jornal)….

    E, se virar a Folha, para usar do outro lado, pode achar impressa a cara do Meirelles, ou até mais ‘da mesma’, pode ser o ‘Estado’ jornal mais premiado do País em 2017, que ficou em segundo lugar geral entre os mais premiados de 2017, atrás apenas da TV Globo….

    Ainda bem que A TV Globo não e impressa!
    Não existe ‘jornal’ higiênico em 3D…

  2. Realmente, quem está no poder acaba perdendo contato com a realidade. Toda essa disputa entre Temer, Maia e Meireles não tem sentido nenhum. Qualquer candidato com algum vínculo ao atual governo está fadado a perder feio. Lembram das campanhas vexaminosas dos dois donos do poder, Aureliano Chaves e Ulysses Guimarães, em 1989?

  3. Todos os nomes que são citados como candidatos a Presidente só favorecem Lula. Se muito o Bolsonaro. Observem que nem Geraldo Alckmin, nem Marina Silva, nem Ciro Gomes sequer estão aparecendo na mídia. Estão simplesmente estagnados nas pesquisas. Em política, uma coisa é o que se diz por dentro, outra é o que é dito para o público. Será que o PT tem interesse na absolvição de Lula, ou será melhor sua condenação pelo TRF-4 de Porto Alegre para que a partir daí ele seja vitimizado e falado 24 horas em todas as mídias? Será que a condenação de Lula não o beneficiará politicamente? Lembram-se que Tancredo Neves lutou contra as eleições diretas em 1984 porque isso beneficiaria diretamente Ulysses Guimarães? Em política, não duvidem, tudo é possível. Não sou filiado nem ativista e sei disso. Imagine o que se passa dentro da política e a gente nunca fica sabendo. Aguardo comentários.

  4. Nenhum dos dois, Meirelhes e Maia têm bagagem para comandar o país nesse momento difícil que enfrentamos, por culpa exclusiva da corrupção generalizada que grassa no país, como uma praga destruidora do futuro.

    DEM e PSD, os Partidos dessas duas figuras emblemáticas, elitistas e autoritárias, não podem de maneira alguma dirigir os destinos do Brasil. Por que não? Porque estão comprometidos com o grande capital financeiro, que não gera empregos, somente lucros para as matrizes da Europa e EUA.

    Temo pelo futuro da nação, e lembro de Ulisses Guimarães, que dizia que o próximo Congresso é sempre pior do que o anterior. Vou mais além, deve mesmo ser bem pior, pois a onda conservadora que varre de norte a sul, as consciências dos eleitores, principalmente da bancada evangélica crescendo assustadoramente, justamente àqueles representantes, que votam contra a classe trabalhadora e a favor de pautas empresariais, o que já vem chamando a atenção dos fiéis, que não são nada bobos.Quem quer ser enganado pelo canto da sereia, que seja, contudo, não poderão reclamar depois. Veja bem, o pastor Everaldo foi solenemente ignorado pelos evangélicos, nas eleições presidenciais.

    Nós precisaremos pensar muito antes de votar em qualquer um, principalmente naqueles que prometem mundos e fundos e depois não cumprem nada e aí advém a desilusão e o sofrimento, que estamos passando agora.

    Olho o país, suas agruras, divisões, desemprego, contas públicas no vermelho, rebeliões nos presídios, greves de policiais, roubalheiras em série, desequilíbrios regionais e o exemplo aterrador da dissolução do poder da URSS, dividida em várias nações, por culpa de Gorbachev e Yeltsin, os cupins e traidores do,, povo soviético e penso nessas figuras emblemáticas que querem o poder para si próprio, sem compromisso com a unidade dos Estados Federados. Há risco iminente de enfrentarmos, uma Primavera dos Trópicos, que atinge atualmente a Venezuela.
    A Primavera Árabe foi um sopro de liberdade, mas estava embutida num Cavalo de Tróia, que destruiu o sonho de democracia e trouxe desgraça e desagregação das nações, principalmente a Líbia, destruída e esfacelada pelos drones assassinos, pilotados por europeus e americanos.

    Eta mundo injusto!

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