Meirelles ultrapassou Temer, ao anunciar que governo terá candidato em 2018

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Numa entrevista a Marina Dias e Júlio Wiziack, manchete principal da edição de ontem da Folha de São Paulo, o ministro Henrique Meirelles afirmou que o governo terá candidato próprio nas urnas de 2018 e esse candidato não será Geraldo Alckmin, tampouco o deputado Rodrigo Maia. Ao excluir o governador de São Paulo de uma aliança entre PSDB e PMDB, o titular da Fazenda sustentou que Alckmin não segue a política econômica traçada pelo Executivo. Quanto a Rodrigo Maia, assinalou que o presidente da Câmara é muito jovem e, como tal, pode esperar. Henrique Meirelles lembrou que tem 72 anos.

O ministro Meirelles disse também que a saída do PSDB do governo terá consequências eleitorais negativas para os tucanos na medida em que o eleitorado compreender a importância das reformas fiscal e previdenciária.

AUTOLANÇAMENTO – Na prática, Meirelles se apresentou evidentemente como candidato do governo, embora tenha acentuado que só decidirá sua candidatura no mês de março. Mesmo porque, digo eu, se ele for mesmo o candidato do Planalto terá que deixar o Ministério da Fazenda no início de abril. Mas a questão essencial não é essa.

A questão essencial é que Henrique Meirelles assumiu o primeiro plano das articulações políticas do Planalto tomando a frente do próprio Michel Temer. Nitidamente, ele ultrapassou o presidente da República e também o próprio PMDB, principal partido da base parlamentar. Afinal de contas, deveria caber a Michel Temer decidir a orientação governamental a respeito da sucessão presidencial de 2018. Meirelles enfeixou o poder de articulação do Planalto, ultrapassando a disposição de Temer de comandar o processo eleitoral do próximo ano.

Além disso, ao minimizar a importância política do presidente da República, Henrique Meirelles assumiu o comando, não só de sua própria candidatura, como também  da escolha do rumo eleitoral a ser seguido por Michel Temer.

EM QUAL PARTIDO? – As contradições não terminam aí. Henrique Meirelles disse que vai decidir sobre sua candidatura em março. Mas por qual partido?

Até agora ele está filiado ao PSD. Assim, está assumindo a dianteira de uma decisão que deveria caber ao atual chefe do Executivo e aos comandos partidários da legenda. Meirelles seguramente sequer consultou Michel Temer, uma vez que caberia a este desencadear o processo a partir de uma decisão política clara e direta.  Meirelles avançou o sinal. Temos, agora, que aguardar a reação do presidente da República.

Michel Temer terá que abordar o assunto diretamente, ou então através de um pronunciamento do ministro Eliseu Padilha, na forma em que agiu no caso do distanciamento entre o Planalto e o PSDB. Distanciamento que se reflete em dois Ministérios, já que antecipou a permanência de Aloysio Nunes nas Relações Exteriores. O governo assim livrar-se-ia de Antonio Imbassay e Luislinda Valois.

SERIA UMA OPÇÃO – As pesquisas apontaram 2% para Meirelles e o Datafolha ressaltou que 87% não votariam em nome apoiado por Michel Temer. Mas isso para Meirelles, no momento, não é fator importante. Fator importante, para ele é se tornar uma opção entre Lula e Jair Bolsonaro.

Falta apenas combinar tudo isso com o eleitorado brasileiro. Henrique Meirelles assumiu o comando do governo. Porém, o universo do voto é bem mais complexo do que traçar uma política econômica cujo desfecho depende das urnas.

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