“Meu caminho pelo mundo, eu mesmo traço, a Bahia já me deu régua e compasso…”

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Gil, que é tricolor, mandou um abraço ao Flamengo

Paulo Peres

Site Poemas & Canções
O administrador de empresas, político, escritor, cantor e compositor baiano Gilberto Passos Gil Moreira, conhecido como Gilberto Gil, na letra de “Aquele Abraço”, traz seu momento histórico e eufórico como reação, que invoca a liberdade (da qual Gil esteve privado algum tempo) em todos os seus aspectos pitorescos: Carnaval, Banda de Ipanema, Chacrinha, Flamengo e Realengo.

                                                                                                                                                                   A menção de Realengo, bairro suburbano carioca, é uma provocação aos militares do período da ditadura, tendo em vista que Gilberto Gil ficou preso na Escola Militar do mesmo bairro, hoje Comando da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada, sediada na Praça do Canhão e, posteriormente, Gil foi exilado.

“A Bahia já me deu régua e compasso”, mas nem por isso deixo de reconhecer que “o Rio de Janeiro continua lindo! O Rio de Janeiro continua sendo!”. afirma Gilberto Gil.

Naquele mesmo 1969, o Fluminense tinha acabado de ser campeão carioca em cima do Flamengo, vencendo o jogo final por 3 a 2 e Gil, ferrenho tricolor, estava no Maracanã e vendo a triste massa rubro-negra indo embora, mandou outro irônico “Abraço” como se dissesse “valeu, o importante é competir”. A música foi lançada durante o exílio do artista em Londres no Lp Gilberto Gil, em 1969, pela Philips.

AQUELE ABRAÇO
Gilberto Gil

“O Rio de Janeiro continua lindo,
O Rio de Janeiro continua sendo,
O Rio de Janeiro, fevereiro e março,
Alô, alô, Realengo, aquele abraço.
Alô torcida do Flamengo, aquele abraço.
Chacrinha continua balançando a pança,
E buzinando a moça e comandando a massa,
E continua dando as ordens do terreiro.
Alô, alô, seu Chacrinha, velho guerreiro.
Alô, alô, Teresinha, Rio de Janeiro.
Alô, alô, seu Chacrinha, velho palhaço.
Alô, alô, Teresinha, aquele abraço.
Alô moça da favela, aquele abraço.
Todo mundo da Portela, aquele abraço.
Todo mês de fevereiro, aquele passo.
Alô Banda de Ipanema, aquele abraço.
Meu caminho pelo mundo, eu mesmo traço.
A Bahia já me deu régua e compasso.
Quem sabe de mim sou eu, aquele abraço.
Pra você que me esqueceu, aquele abraço.
Alô Rio de Janeiro, aquele abraço.
Todo povo brasileiro, aquele abraço.”

5 thoughts on ““Meu caminho pelo mundo, eu mesmo traço, a Bahia já me deu régua e compasso…”

  1. Esta frase “a Bahia já me deu régua e compasso” é de uma realidade muito profunda.
    Gil é completo.
    Excelente compositor, cantor, instrumentista, diretor, arranjador, bom de palco, é um dos músicos mais completos do Brasil.

  2. Independente de sua ideologia politica, gosto de Gilberto Gil. Fui a muitos dos seus shows. É uma alegria no pal. Ele canta,pula, dança, fala com o público. Amo suas composições. Vejam que linda, esta:
    “”Se eu quiser falar com Deus Tenho que ficar a sós Tenho que apagar a luz Tenho que calar a voz ,Tenho que encontrar a paz, Tenho que folgar os nós Dos sapatos, da gravata Dos desejos, dos receios Tenho que esquecer a data Tenho que perder a conta Tenho que ter mãos vazias Ter a alma e o corpo nus” (Gil)

  3. Quem nunca amou aquele abraço tão especial de um amigo, de um parente!!!
    Gil, no seu abraço menciona pessoas, lugares, clubes, figuras do dia-a-dia. Teresinha, Chacrinha, Realengo que rima com Flamengo, embora ele seja tricolor (o Fluminense que Nelson Rodrigues dizia que era um único time tricolor, outros eram de três cores).
    Aquele abraço simbolizado nos braços abertos do Cristo Redentor – abraço sincero, envolvente.
    Na carona do abraço do Gil, deixo aquele abraço para o Carlos Newton, Paulo Peres, articulistas e comentaristas que dão vida à esta maravilhosa TI

  4. Em 2011, Gil fez sta linda canção para sua mulher Flora:

    “Imagino-te já idosa
    Frondosa toda a folhagem
    Multiplicada a ramagem
    De agora…
    Imagino-te futura
    Ainda mais linda, madura
    Pura no sabor de amor e
    De amora…”

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