Ministro da Defesa já admite inclusão dos militares na reforma da Previdência

Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa, durante entrevista à GloboNews — Foto: Reprodução

Ao tomar posse, em janeiro, ministro defendeu excluir os militares

Por G1 — Brasília

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, afirmou nesta sexta-feira (dia 8) em entrevista ao programa Roberto D’Avila, na GloboNews, que os militares já fizeram “sacrifício”, mas podem fazer “mais alguns” ao comentar a reforma da Previdência Social. O governo ainda não enviou a proposta ao Congresso Nacional, mas o secretário da Previdência, Rogério Marinho, já afirmou que o presidente Jair Bolsonaro quer que a reforma seja para “todos os segmentos”.

Segundo o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, porém, a “ideia do segmento militar” é deixar para um outro momento as mudanças nas aposentadorias de militares.

OLHANDO PARA TRÁS – “O mais importante é que o governo está vendo que todos façam sacrifício, é hora. Mas eu, como ministro da Defesa, não tenho que ver o sacrifício de 1º de janeiro até hoje. Tenho que ver os sacrifícios anteriores que os militares fizeram ou contribuíram e, basicamente, vejo a constituinte de 1985, a Constituição de 1988 e chegou em dezembro de 2000, no último dia de 2000, dormimos de um jeito e acordamos com a medida provisória 2215, que tiraram vários direitos adquiridos nossos. Ali, a contribuição foi muito forte e sem debate”, afirmou.

Questionado, então, se o tema ainda tem que ser “muito” debatido, respondeu: “Muito debatido, porque o sacrifício dos militares e da família militar já aconteceu. Podemos discutir mais alguns? Podemos”.

FHC FEZ CORTES – A MP mencionada pelo ministro, cuja numeração à época era 2131, foi assinada em dezembro de 2000 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo então ministro da Fazenda, Pedro Malan, e reestruturou a remuneração dos militares das Forças Armadas. Posteriormente, em 2001, foi reeditada sob o o número 2215.

De acordo com o colunista do G1 Valdo Cruz, a equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, defende incluir os militares na reforma da Previdência, mas a área política do Palácio do Planalto avalia os militares têm de estar um capítulo à parte, com mudanças por meio de projeto de lei complementar.

ATÉ MAIO – A reforma a ser apresentada pelo governo é uma proposta de emenda à Constituição (PEC) e, conforme a estimativa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, pode ser votada pelos deputados até maio. No Senado, a expectativa do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, é votar o texto três meses depois.

A proposta será aprovada se tiver o apoio mínimo dos parlamentares (308 dos 513 deputados e 49 dos 81 senadores) e for aprovada em dois turnos na Câmara e no Senado.

OUTROS TEMAS – Sobre a crise na Venezuela, disse o ministro Fernando Azevedo e Silva:

“Torço muito como ministro da Defesa e brasileiro vizinho dos venezuelanos para que a crise deles se resolva rápido entre eles. O que me preocupa é o agravamento da situação interna, isso pode ter reflexo na nossa operação na fronteira com a Venezuela. A Operação Acolhida foi muito bem conduzida, ela é elogiada pelos mecanismos internacionais, pela ONU, pelas ONGs presentes. Os abrigos nossos estão muito bem montados, já levamos 4.800 venezuelanos.”

Sobre o Pacote Anticorrupção, assinalou: “O pacote é para evitar que o crime compense. Precisa de ajustes, precisa endurecer um pouco, tenho certeza que o legislativo está suscetível. Vai ter debate, vai ter ajuste no Congresso, mas é uma tentativa válida.”

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É um belo avanço, uma notícia que merecia ser manchete de jornal. Um mês depois de tomar posse, quando defendeu a preservação dos direitos dos militares, o ministro da Defesa já admite alguns “sacrifícios” na Previdência. Realmente, um belo avanço, lembrando que Francisco Barroso pedia que cada um cumprisse seu dever. (C.N.)

6 thoughts on “Ministro da Defesa já admite inclusão dos militares na reforma da Previdência

  1. Não entendo, se na nossa constituição está escrito que todos são iguais. Por que uma classe quer ter privilégio. Ninguém obriga uma pessoa a ser militar, ele vai por sua livre opção, então nada de privilégio.

  2. Eu acredito que os militares vão fazer alguns sacrifícios. Quero ver se a cúpula do judiciário e a classe política quererem perder seus privilégios.
    Sou adepto.de uma reforma em que ninguém ganhe demais e ninguém ganhe de menos, embora saiba que nunca será aprovado um projeto nesses moldes pelas classe política e o STF.
    No início dos anos 70 fui vendedor da multinacional Olivetti do Brasil S/A, durante 7 anos. O dono era Camilo Olivetti, comunista e implantou uma filosofia de que ninguém ganhasse demais, ninguém ganhasse de menos. Realmente não havia muita diferença salarial entre entre gerente, supervisor e vendedor e mecânico.

  3. Nélio Jacob você ‘matou a pau’; o problema principal como vimos no final de 2018 foi o judiciário legislando, o congresso aprovando (eles não são bestas de reprovarem) e agora quando questionados candidamente eles dizem que estão só ‘cumprindo a legislação’, convenientemente “esquecendo” que eles é que transformaram em lei, os seus “penduricalhos” e agora já estão “revivendo” seus penduricalhos para aumentar seus vencimentos; fora férias de três meses por ano, direito a aposentadoria se for pego em “não bem feitos” e por aí vai.
    O mesmo vale para este congresso nojento ou nojento congresso e eu penso que pelo voto, daqui a duzentos anos vamos ter alguma melhora e enquanto isso, o miserável povo ou povo miserável, paga a conta.
    E nem falamos em corrupção; pois eles são “INSACIAVEIS”. Desculpe eu gritar Sr CN.

  4. Privilégios sim, aconteça uma guerra, aconteça uma catástrofe, só ouço gritinhos de homens já os nossos militares dão as caras pra bater! Privilégios sim, eles são machos!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *