Não há alternativa e o Brasil precisa seguir buscando a industrialização

Resultado de imagem para industrialização chargesFlávio José Bortolotto

Os economistas e principalmente os estadistas sabem que só a industrialização gera grande padrão de vida para a maioria do povo, criando uma grande classe média sustentadora de consumo de massa. O Liberalismo puro, tipo “laissez-faire” defendido pelo economista Paulo Guedes, não o sistema intervencionista ao qual me filio, desenvolveu a industrialização na Inglaterra e a partir dali ninguém mais se industrializou sem protecionismo e uso inteligente do Estado, como explicado no excelente livro do economista alemão/americano Friedrich List (“Sistema Nacional de Economia Política” – 1841).

Os Estados Unidos foram o primeiro país que debateu o assunto a fundo e fez a escolha correta.

DOIS PARTIDOS – Após a Guerra da Independência Americana (1775 – 1783), os EUA formaram dois partidos políticos. Um deles era o Federalista (G. Washington, A. Hamilton, J. Adams etc.) que propugnavam a industrialização, logicamente via protecionismo, tarifas, uso inteligente do Estado, criação de um Banco Nacional de Desenvolvimento etc. Enfim, uma política de Nacional-Desenvolvimentismo.

E foi criado também o Partido Democrático-Republicano ( T. Jefferson, J. Madison etc.) que propugnava o “liberalismo laissez-faire” e consequentemente manter os EUA agropecuário composto de médias propriedades de aproximadamente 100 hectares por família.

Argumentavam os democratas-republicanos que o padrão de vida de um colono americano proprietário de 100 hectares de terra era incomparavelmente superior ao de um operário qualificado na Inglaterra. E nisso tinham toda razão.

ACONTECE QUE… – Argumentavam os Federalistas que naquela época isso era verdade, mas com o correr das gerações, no final não muito longo, cada fazendeiro acabará sendo proprietário de 1/2 campo de futebol, (1/2 hectare) como aconteceu na velha China, e aí o padrão de vida será baixíssimo.

Venceram os federalistas com a industrialização do país alicerçadas nas teses do grande Alexander Hamilton, autor de “Report on Manufactures” (1791).

Os EUA escolheram o caminho certo e dele nunca se desviaram. E por que o Brasil, que a partir de 1930, com o grande presidente Getúlio Vargas (1930-1945) e (1951-1954), o dinâmico presidente JK ( 1956-1961), a Revolução Civil-Militar de 64 especialmente com os governos dos presidentes COSTA E SILVA, EMÍLIO MÉDICI E ERNESTO GEISEL) e agora os governos do PT que propugnaram, a meu ver acertadamente, o Nacional-Desenvolvimentismo, deram com “os burros na água”?

Não foi porque escolheram o modelo errado, pois fizeram a opção correta pela Nacional-Desenvolvimentismo Industrial. Erraram porque administraram mal, perdendo o controle de deficit fiscal e principalmente do endividamento nacional.

Deveríamos corrigir isso, e não voltar para o velho modelo de liberalismo laissez-faire propugnado pelo economista Paulo Guedes, que vigorou no Brasil em todo o Século XIX e XX até 1930, e nunca nos tirou de uma grande roça de café e fazenda de criação de gado, de baixíssimo padrão de vida para o povo em geral.

50 thoughts on “Não há alternativa e o Brasil precisa seguir buscando a industrialização

  1. O mestre Bortolotto que me desculpe, mas ele comete dois equívocos em sua análise. O primeiro, bem, não é um equívoco mas sim uma demonstração sublimar do anti Bolsonarismo. A segunda, é que a industrialização por si só não é mais um agente de desenvolvimento. Hoje, já temos países extremamente industrializados e que são pobres. A industrialização é na verdade a segunda geração e começa com a produção contínua. Depois, tivemos a geração de tecnologia e agora, estamos na quarta onda, chamada de Indústria 4.0 que é quando as máquinas se tornam inteligentes. E já há quem fale na Indústria 5.0. Enquanto a iniciativa privada continua crescendo os governos só atrapalham e disto temos que tomar cuidado. Governos protecionistas mas, que na verdade só pensam no controle, não da economia, mas de como a economia pode servir a classe política e aos apadrinhados, como temos visto em todos os casos que envolvem a Petrobrás, as empreiteiras e a classe política acabam se envolvendo com o roubo e e não têm o menor senso de responsabilidade e honestidade. O Brasil só vai crescer quando o governo se tornar enxuto e fazendo apenas a gestão. O assunto por si só é extenso e muito mais que esta reflexão.

    • Que seja bem-vinda então a RPL-PNBC-DD-ME, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, o mais breve possível, porque evoluir é preciso.

  2. Prezado Bortolotto,
    O que você quer dizer com a palavra ‘industrialização’ quando escreve “Os economistas e principalmente os estadistas sabem que só a industrialização gera grande padrão de vida para a maioria do povo.”

    O que exatamente você quer dizer por ‘industrialização’.

    Indago, para poder entender e apreciar seu artigo, porque quando você começou com a ‘revolução industrial’ na Inglaterra, esta teria sido a primeira onda.

    A segunda onda foi aquela com destaque para energia fóssil, petróleo, especialmente, incluindo aí aço, alumínio, papel, explosivos e borracha.

    A terceira onda foi a robótica, a união do conhecimento científico com produção industrial.

    Há uma quarta vindo por aí, marcada por avanços que estão na fronteira da ciência, como a nano, bio e neuro-tecnologias.

    De que INDUSTRIALIZAÇÃO você está falando?

    O que é que você quer dizer quando usa essa palavra?

    Soa como se fosse ‘velharia’ conceitual.

  3. Foi ao ponto: “erraram porque administraram mal.”
    Tudo que é estatal, num país da impunidade, roubar é normal. Portanto, é o erro anunciado.
    Tivesse a produção toda nas mãos da iniciativa privada, sem monopólios, tudo daria certo, como nos EUA.
    Quanto a Geisel, dizer que foi um grande presidente? foi ele que enterrou nossa economia, fechando-a ainda mais ao mundo, enquanto os tigres asiáticos enriqueceram. (ferrovia do aço, contrato de 9 usinas nucleares, etc) .
    É delírio achar que exista administração normal num país anormal.
    Dizem que os americanos sabiam no que ia dar a CSN e a FNM , quando a construíram para nós. Entre eles falavam que nós iriamos jogá-las no lixo. E jogamos muitas vezes e o povo pagou a conta com um dinheiro que deveria ir para a saúde, moradia,etc

  4. Prezado Sr. EDUARDO,

    Os Economistas dividiram a Economia basicamente em 3 Setores: Primário – Agro-Pecuário e todas as indústrias extrativas minerais e vegetais da Terra, Secundário: Manufatura – Indústria que usa as Matérias-Primas para fabricar Produtos e aí se englobam todas as “Ondas” que o senhor muito bem citou, e o Terciário – Serviços englobando os Bancários, Financeiros, a Construção, Salão de belezas, Restaurantes, Turismo, etc, etc.

    Quando me refiro a INDÚSTRIA, me refiro ao Setor Secundário, o que criou a grande Classe Média e o Consumo de Massa. A que paga melhores Salários. É por isso que os Americanos “choram” ao avistarem os Pavilhões do Rust Belt.

    • “Secundário: Manufatura – Indústria que usa as Matérias-Primas para fabricar Produtos e aí se englobam todas as “Ondas”.”

      Posso estar enganado, mas acho que você aprontou uma tremenda confusão conceitual, além de misturar as chamadas ‘ondas’.

      Você descaracterizou a ideia de ‘ondas’ e depois juntou pedaços de uma com outra.

      O chamado ‘cinturão da ferrugem’ que você mencionou de passagem, é um exemplo eloquente que uma ‘onda’ (manufaturas industriais) cederam lugar.

      Não existe a menor possibilidade de reviver tais manufaturas no nordeste americano. Talvez você com o seu desenvolvimentismo tentasse com a siderurgia aqui, um bocado sucateada.

      Envia-se aço, ferro fundido, vergalhões de todas as espécies e formatos e volta da China com valor agregado. A propósito, a siderurgia perde volume de empregados cada vez mais.

      As vezes eu imagino que suas construções temáticas giram em torno de um modelo que vingou até a década de 70.

      Há um mundo ‘novo’ vindo por aí onde a redução da mão de obra é a tônica.

      Por fim noto que raramente você cita autores, gente atualizada na área econômica, nacional e ‘lá fora’, que pudesse servir de fundamento às suas teses. O que torna-as, assim, mais opiniológicas.

      Thomas Piketty está mais para análises econômicas voltadas para o social. Desconheço quem, exceto na esquerda, que apoie com o vigor que ele faz a taxação de grandes fortunas.

      Não há brasileiros de renome nas suas citações. Aqueles que você reverbera de cara abordam a tendência de análise da esquerda típica da UNICAMP.

      Gostaria de mais originalidade e não do mesmo. O desenvolvimentismo é velho demais e não há exemplo de sucesso nele. É uma ideia velha e no Brasil será sempre testada pela esquerda.

      Luiz Gonzaga Belluzzo é um desses desenvolvimentistas que em um artigo em CARTA CAPITAL (2015) tentou ‘amarronzar’ Roberto Campos. Confundiu o leitor e nada falou de Campos que tinha verdadeira ojeriza da turma da UNICAMP.

      Tivessemos sobre o tacão dessa gente o Brasil jamais se recuperaria.

  5. Sr. Bortolotto,

    Quem quiser ser fazendeiro hoje aqui, na Inglaterra, mesmo comprando a terra barato ira trabalhar toda a vida ate morrer e nao tera conseguido pagar nem pela terra…

    Lembro de um post seu, semana passada (Abril 12, 2018 9:48am), mencionando Adam Smith:

    …”numa Economia existem dois tipos de Trabalho, o ÚTIL que acrescenta RIQUEZA, e o INÚTIL ( Trabalho Doméstico, guardas, vigias, fiscais, segurança, etc, etc, que embora NECESSÁRIO, devem ser reduzido ao mínimo.”

    Qual a porcentagem mundial vivendo de trabalho INÚTIL? E no Brasil?
    Foi a monocultura nos campos, ou o trabalho no setor de serviços que movimentou a economia brasileira na ultima década??

    Sim, serviços é a escravatura moderna; terminar um ano de trabalho com 13 papéis de holerite e divida no banco nao é nada producente… Comeu, dormiu, vestiu, e ‘morreu’ mais um ano, na mesma situação…

    Quanto a Industrialização, a quarta revolução industrial, que vem com tudo e é agora, exige um trabalhador altamente qualificado.
    Nos armazéns da AMAZON, robôs fazem o serviço de 400 empregados, os 40 que sobraram para operar os robôs são trabalhadores comuns, mas altamente preparados.
    Portanto, a educação vem antes da industrialização, ou caminha junto, mas nao e só ler o manual, estamos falando de uma revolução no processo industrial sem precedentes.

    O Brasileiro tem que olhar para si, para descobrir que somos provavelmente o pais com mais matéria prima, mais energia, mais possibilidades de fazer acontecer essa revolução de forma integral, atingindo e beneficiando toda a sociedade.

    Primeiro, fim da corrupção, governo justo, leis que funcionem. Neste quesito pode-se copiar o que de melhor foi feito ate agora pelos seres humanos, seja onde for.

    Segundo, ter a certeza de que a educação nos preparara para uma industria totalmente nova, movida a novos materiais, mas principalmente inteligência artificial que precisa ser regrada…
    Gente incompetente pra entender I.A. não tem vez nesse mundo, exemplo disso e o ‘menino’ do Facebook, que deve ter a cabeça ‘rolada’ em breve…

    Meu ponto de vista quanto ao seu propósito de industrialização:
    Acho baboseira todo esse papo furado midiático dos filmes falando em Marte, impressoras 3D…
    Acho que a inteligência humana atingiu o grau de conhecimento ideal para poupar o Planeta Terra, e neste panorama o Brasil e o único país com extensão suficiente para tornar o seu povo auto-suficiente, integrado com a natureza (protegendo os recursos naturais) e com a tecnologia, melhorando sua qualidade de vida.

    E tenho a certeza de que a geração que pode construir esse futuro esta viva e presente.

    O problema e esse barulho insuportável de um Mercado FALIDO (economia atual) e um bando de políticos RIDÍCULOS (macacos de circo tentando manter a sustentabilidade de algo insustentável).

    Eu acabo de descobrir gente produzindo o açúcar de banana (mais benéfico que cana , beterraba ou palma).
    O produtor também faz vinho de banana, uísque de banana.
    Esta do outro lado do Planeta.
    Informo os técnicos de institutos agrícolas no Brasil… Ninguém! nunca ouviram falar….

    Todo um conhecimento, toda uma tecnologia da informação, toda a sabedoria do mundo, sendo trocada pela manipulação de meia dúzia de famílias que controlam os Bancos Centrais e preferem manter 90% da população mundial em trabalhos INÚTEIS, para terem as rédeas de um sistema velho, falido, o Mercado Financeiro….

    • PS: Os modelos de iniciativa privada com matriz no Brasil….

      Que podemos dizer, hoje, da Alpargatas, o maior produto industrializado Brasileiro em termos de alcance mundial: as Sandálias Havaianas?

      O negocio é serio, voce vai a uma praia em Cornwall, sudoeste da Inglaterra, o chuveiro de agua doce da praia é uma sandália havaianas!

      Era da JBS, escravagistas que mandam mais gente inabilitada para o SUS devido a exaustivas horas de trabalho cortando frangos ou carnes, e trazem a falência do setor previdenciário…

      Daí vendem a Alpargatas para os Setúbal e os Salles, atuais donos….
      Que vai ser feito disso em termos de benefícios para o Brasil????
      Se banco e pior que igreja, que não paga imposto….

      Feito no Brasil, uma ova, Made in BraZil e que se dane o Brasil…

      Estamos ferrados com esse modelo que se sobrepôs ao modelo ridículo da Zona franca de Manaus, visando uma Indústria Brasileira, Matriz local…

      Alguém por favor quebre o Maggi antes que fiquemos sem a terra pra colocar nossas fabriquinhas….

    • Que comentário mais pontual, inteligente e profundamente analítico. Esse sim, remete o leitor ao futuro.

      Por que a pessoa tem que ressuscitar defunto (desenvolvimentismo) permanece para mim um mistério insondável.

  6. Prezado Sr. LORIAGA LEÃO,

    O senhor tem o mérito de advogar uma Reforma Política para melhor, a meu ver, ” A mãe de todas as Reformas”.
    Mas sua proposta de RPL-PNBC-DD-ME de Democracia Direta não a acho praticável para Países Gigantescos como o Brasil
    Temos que aperfeiçoar nossa Democracia Representativa.

  7. Prezado Sr. ANDRE BR,

    Concordo plenamente com sua análise de que o Brasil tem Recursos Humanos e Naturais para se: bem Administrado e Educado, dar um salto de qualidade muito grande em nosso Padrão de Vida.

    Primeiro: Fim da Corrupção, Governo Justo que consuma no máx. 25% do PIB, e Leis que funcionem e igual para Todos.

    Segundo: Ter a certeza de que a EDUCAÇÃO estendida a todas nossas CRIANÇAS e JOVENS, especialmente os mais Pobres, nos prepara para uma Indústria totalmente Nova.

    Reduzir ao máximo o Trabalho Inútil ( Doméstico, segurança, etc,) que embora NECESSÁRIO não agrega VALOR aos Produtos, como o Trabalho ÚTIL.

  8. “Após a Guerra da Independência Americana (1775 – 1783), os EUA formaram dois partidos políticos. Um deles era o Federalista (G. Washington, A. Hamilton, J. Adams etc.) que propugnavam a industrialização, logicamente via protecionismo, tarifas, uso inteligente do Estado, criação de um Banco Nacional de Desenvolvimento etc. Enfim, uma política de Nacional-Desenvolvimentismo.”

    O problema deste parágrafo é que ele conta história, simplifica e depois faz uma conclusão que nada tem a ver com a história.

    Mata o parágrafo o “Enfim”. Como enfim? A guerra de Independência nada tem a ver com ‘nacional-desenvolvimentismo’, Bortolotto.

    Santo Deus!
    Leia bons livros, sobretudo de autores americanos. Esquece Celso Furtado.

    Sua tese equivale a do sujeito que fez digressões sobre a calmaria que Cabral enfrentaria alegando que o atraso na chegada ao Brasil tinha que ver com a qualidade do algodão usado na confecção das velas!

      • Se você faz com a história uma análise como bem lhe aprouver, confesso que será simplesmente impossível segui-lo.

        Você escreveu antes uma coisa, e depois ponderou sem se dar ao menos o direito a si mesmo de perceber que reforçava um erro para juntar uma conclusão espúria.

        Os desenvolvimentistas sempre acham que um erro crasso e grave nada mais é do que um salto qualitativo para a busca do certo!

        A UNICAMP opera assim. Sempre.

        • Veja o raciocínio desse pessoal desenvolvimentista: tomam a guerra de independência americana e ‘casam-na’ com ‘desenvolvimentismo industrial’. Quer dizer, operam com dados justapostos que não se adequam e depois vão à história e dizem, ‘tá vendo, olha a industrialização lá!’.

          Impossível uma construção dessas.

          Parecem como o sujeito que, como disse alhures, explica o atraso da chegada das naves de Cabral pela qualidade do algodão usado nas velas.

  9. Agradeço também ao Sr. PEDRO RODRIGUES DA SILVA, e demais Comentaristas que por ventura forma esquecidos.

    É tão bom, quando se trocam idéias com Pessoas de alto nível como as que comentaram.
    Não somos donas da verdade, até porque ela é complexa, mas de trocas de ideias assim eu aprendo muito.
    Muito OBRIGADO.

  10. Muito interessante a discussão provocada pelo artigo do nosso amigo Bortolotto, com argumentos ponderáveis de lado a lado.
    Gostaria apenas de aduzir algumas questões para apenas animar mais e talvez complicar um pouco a discussão:
    – Falar do Brasil como um país de vocação agrícola, tentador por sua grande extensão territorial e o indiscutível sucesso empresarial das companhias do agronegócio deixa de considerar que os modernos meios de produção agrícolas baseados em monoculturas, que são os que têm sustentado nossas exportações, por sua notável mecanização e necessidade de grandes áreas de cultura agravam sobremaneira o êxodo da população do campo para as cidades (principalmente as grandes cidades, temos hoje algumas entre as de maiores populações do mundo) onde não encontram atividade econômica para a sua sobrevivência.
    -A propalada “economia de serviços”, de que muito se falou alguns anos atrás como o caminho pós industrialização, depende para a sua sustentação de uma população com renda suficiente para pagar por estes serviços, e essa renda tem que vir de algum lugar. Países como o Panamá, de baixa população e com uma sustentação econômica (ainda que atualmente insuficiente) como a exploração do Canal, que se tornou um grande centro financeiro e de turismo de compras, onde o dinheiro vem todo de fora e sem praticamente nenhuma produção interna, são poucos e, como lá, tendem a ter má distribuição de renda.
    – Austrália e Nova Zelândia são países de baixa densidade populacional que constituíram sua economia, inicialmente, em bases agrícolas, e que têm um nível educacional bastante superior ao nosso. O Chile, também com uma população relativamente pequena, teve sua sustentação principalmente devida à exploração de suas minas de cobre para a exportação.
    – O Brasil, que já ultrapassou os duzentos milhões de habitantes, com uma muito desigual distribuição de terra agricultável, com uma triste herança de deterioração de sua educação básica que dificulta sobremaneira o treinamento das pessoas para o trabalho, exporta seu minério de ferro a qualquer preço para importar depois o aço feito com ele e os produtos manufaturados feitos com esse aço, e exporta com impostos baixíssimos através das manobras feitas pelas mineradoras associadas a empresas estrangeiras para pagar menos aqui dentro. Sem falar em minérios estratégicos como o nióbio que são, escandalosamente, quase doados ao exterior.
    Se tivéssemos atingido um nível razoável de industrialização seríamos menos exportadores de commodities, concentradas em poucas empresas, e mais exportadores de produtos manufaturados, diluídos por mais empresas, e a nossa enorme população teria uma renda pequena mas suficiente para nos dotar de um dos maiores mercados internos do mundo.
    – Se o nosso sistema educacional fosse mais focado onde deve, na educação básica e média em vez de privilegiar as universidades em detrimento de formar melhor as pessoas para a vida, inclusive para os que estivessem destinados a carreiras superiores pudessem chegar lá mais preparados e aproveitar melhor as universidades, teríamos gente mais preparada para aprender as habilidades necessárias para o trabalho moderno, em vez de uma das maiores quantidades de analfabetos do mundo.
    Mas para tirar esse enorme atraso precisamos de uma classe política honesta e dedicada a trabalhar para o Brasil e não em benefício próprio, e conseguir isso exige um povo menos preocupado com disputas ideológicas das quais a maioria não entende a metade do que com escolher melhor nas urnas, e uma ofensiva forte contra a corrupção em todos os níveis, desde o cidadão mesmo e o “jeitinho brasileiro” no seu mau sentido, para assegurar candidatos que mereçam ser votados.

    • Wagner, verifique quanto do PIB do nosso setor de serviços é representado por um dos sistemas bancários mais caros e lucrativos do mundo, que drena o dinheiro da população dando muito pouco em troca, verifique quantos milhões de brasileiros vivem abaixo do nível de renda mínimo que lhes permitiria uma vida quase digna, e algum consumo eficaz destes serviços, verifique o nosso índice de desemprego (o real, não o anunciado) e verifique o nosso PIB per capita e o nosso IDH geral. A quem aproveita realmente o nosso setor de serviços? Não é o PIB dele que é alto, é o da indústria que é baixo.

      • …”alguém aí vai ser louco de investir num projeto furado?”

        Quem votar na chapa do Meirelles?

        “Há uma grande ilusão acontecendo neste país e essa é a ilusão de que o governo deveria fornecer liderança, supostamente para dar o exemplo para as pessoas de como viver. Isso só era verdade quando o governo era novo, quando era ótimo, quando as maiores pessoas do país eram os estadistas.”

        Temos que evoluir, uma grande nova direção, com homens MUITO maiores que um simples cargo de Presidente da Republica.
        Que a Presidência fique com homens menores.
        Os maiores precisam se encontrar fora da política, os novos lideres precisam se conhecer…
        Aonde?
        Nos novos meios de comunicação?
        A ver, o novo….

  11. Prezado Sr. WILSON BAPTISTA JUNIOR,

    Pessoas como o senhor, de grande experiência no Mercado de Trabalho, de conhecedor do Mundo adquiridos dando Cursos de Informática por aí a fora no Exterior, de grande Bom-Senso Mineiro, enriquecem muito a discussão, quando escrevem.
    Muito Obrigado.

  12. Pois é, confessamos que essa ideia de industrialização nacional como algo positivo, porém olhando em retrospectiva, constatando que esse modelo foi feito durante a ditadura militar e que Lula tentou reviver.

    Modelo que não deu certo.

    O que ficou evidente é que esse modelo nacionalista fracassou durante a ditadura militar e fracassou durante os governos petistas que Lula e Dilma tentaram ressuscitar.

    Simplesmente beneficiar um punhado de empresas corruptas (estatais ou privadas) com imensa vastidão de recursos públicos (aliás às custas de outra empresa crucial na economia nacional) não gera qualquer competitividade, pelo contrário, só se cria gigantes de pés de barro, que diga-se de passagem parece ser a tônica desse desenvolvimentismo furado.

    • Acrescentando ao comentário anterior, lembramos que um dos empreiteiros contemplados pelo tipo de “política valiosa” festejada pelos nacionalistas durante a ditadura militar, e que os governos petistas estão voltando a fazer a mesma coisa, foi Sérgio Naya, amplamente enriquecido pelo regime militar e que, mais tarde, seria responsável pelo Edifício Palace II no Rio de Janeiro, não é lá grande exemplo de “capacidade competitiva”… Artigos como esse frequentemente usa como paradigma a ser seguido o modelo Chinês “comunista”/de capitalismo de estado, também calcado no materialismo, corrupção e crescimento artificial – https://www.youtube.com/watch?v=rJGSDkmlRNM

      • Aproveitando o artigo para acrescentar o episódio do grupo JBS à lista de exemplos do fracasso retumbante desse tipo de “desenvolvimentismo” oco…

        • Prezado Sr. RENATO,

          O Nacional-Desenvolvimentismo Industrializante implica realmente no Governo incentivar a formação de grandes Complexos Industriais-Comercias-Bancários como os Alemães da época de BISMARCK, os Zaibatsu Japoneses da Revolução Meiji e os Chaebols da Coreia do Sul.
          Deu errado no Brasil por falta de Patriotismo da Iniciativa Privada e má administração do Governo.
          Mas o Modelo me parece o melhor para tirar um Pais do Sub-desenvolvimento e Industrializá-lo.

          • “Nacional-Desenvolvimentismo Industrializante”

            “Governo incentivar a formação de grandes Complexos Industriais-Comercias-Bancários”

            Passa décadas e a verborragia desse “especialistas” não muda!

  13. Desculpe-me, Bortolotto. O Pires deu um dado e você saiu com devaneios (a esquerda é sempre pródiga em fazer perguntas inconsequentes): “Mas eu me pergunto? Será que o ganho em importação de Produtos baratos Chineses ( eletrônicos, roupas, tênis, etc) compensou a enorme perda de Salários Industriais que pagavam muito bem.”

    O seu “será” aqui turva tudo. É devaneio. E mais, quem se dá ao luxo de importar tudo o que a população deseja, certamente tem cacife interno para suportar os trancos.

    Acho que se você mudasse para os EUA e morasse lá uns 5 anos, entenderia melhor a coisa. Morei 14 anos.

  14. Senhores … Bom dia!

    Por suas condições naturais, o Brasil tende a ser grande no setor primário … acontece que tendência não enche barriga de ninguém … há que se trabalhar a terra e seu subsolo!!! e antes há que se estudar – não só o transmitido pelas gerações; como o desenvolvido nas Universidades e Centros de Pesquisa.

    No caso brasileiro, temos a Embrapa que nos levou a termos Agronegócio para consumo interno e externo … a Embrapa é estatal e as fazendas são particulares … … … porém, os recursos da Embrapa são do Orçamento e os lucros do Agronegócio são dos proprietários. O que observo é que não há contrapartida social pelos que se enriquecem com o Agronegócio. Esse se foi tornando cada vez mais lucrativo e os trabalhadores foram se deslocando para as cidades, provocando uma superpopulação nas cidades!!!

    Abraços.

  15. Quanto à defesa da industrialização feita pelo Bortolotto … é só comparar São Paulo com qualquer outro estado.

    Santa Catarina está se projetando com grande IDH por causa da industrialização de seu agronegócio … o tradicional RS está com poucas indústrias que transformem sua produção agrária.

    Industrialização estatal tem como paradigma meu RJ … com problemas que nem precisam ser citados!!!

  16. O ilustre Sr. FRANCISCO BENDL, um dos “esteios” do Tribuna da Internet onLine, me honra com Comentário.
    Imerecidamente me elogia demasiado, e modestamente diz que de Economia Política só sabe a diferença entre ganhar e gastar Dinheiro.
    Não é assim. O Sr. FRANCISCO BENDL tem um histórico de vida muito grande, tendo a maior parte de sua vida profissional sendo Vendedor/distribuidor de Produtos Veterinários e Médicos em todo o Sul do Brasil e partes do Uruguai e Argentina.
    A nosso ver, tudo deve ser fomentado, a Agro-Pecuária, extração Mineral/Vegetal, os Serviços no qual se inclui o Turismo, e como muito bem lembrado pelo Sr. FRANCISCO BENDL, os Cassinos que sendo bem Regulados são grande incentivo ao Turismo, Shows, etc, gerando muitos Empregos.

    Mas para tirar um País do Sub-desenvolvimento, caso do Brasil, a nosso ver só com INDUSTRIALIZAÇÃO.

  17. Prezado Sr. LIONÇO RAMOS FERREIRA,

    Acho que o senhor foi duro demais com os Empresários do Agro-Negócio. É verdade que a estratégica EMBRAPA é financiada com Recursos Públicos, muitas pesquisas feitas também em parceria com a Iniciativa Privada, mas o principal é Principal é Dinheiro Público.
    Mas os Empresários Rurais que merecidamente enriqueceram nessa Atividade, pagam Impostos normais.

    O seu Estado do Rio de Janeiro, até ontem o segundo Estado mais Industrializado do País, está passando por uma grande crise, mas saberá sair dessa também e tem um grande futuro pela frente.

    • “O seu Estado do Rio de Janeiro, até ontem o segundo Estado mais Industrializado do País, está passando por uma grande crise, mas saberá sair dessa também e tem um grande futuro pela frente.”

      Receba aí, Lionço, um ‘tapinha nasa costas’.

  18. Prezado Sr. Flávio concordo com vc também. Keynes seria ótimo para o nosso país, mas tem um grande problema. A corrupção alastrada em todos os níveis torna o investimento Estatal totalmente inócuo nesta terra onde a moral e os bons costumes parecem ter desaparecido. Desculpe, mas acredito em Keynes, um dos melhores do mundo, mas no Brasil não produz frutos devido a corrupção e a malandragem inerente ao caráter brasileiro. Abraços

  19. Não sei quantos dos senhores ja ouviu falar na maior empresa de courier da Europa, HERMES (Alemanha).
    Trata-se do modelo mais sensacional que já vi em logística!
    Sou usuário do serviço, que desbanca o Royal Mail de longe!!!
    Cobram 2 reais para coletar o pacote na sua casa e entregam em 3 dias.
    Servicos que custam no minimo R$60,00 via correio (Royal Mail) saem por R$25,00 na Hermes.

    Empregam 10.000 dos nossos vizinhos (que viram couriers com seus carros pessoaos) só pra levar e trazer os pacotes de uma lojinha ou banca (com a placa Hermes) á nossa porta.
    É incrivel !!! Outro modelo, outro mundo!

    Eis os números do braço britânico da empresa:
    “Lançada em 2009 em resposta ao aumento da demanda por uma solução de entrega ao consumidor conveniente, flexível e acessível.

    O serviço de dois dias da myHermes, por meio de sua rede nacional de ParcelShops e serviço de entrega de três dias coletados a partir da sua porta.
    Desde o seu lançamento, a myHermes expandiu os serviços disponíveis com o lançamento do myHermes ParcelShops em junho de 2012 e o serviço agora está disponível em mais de 4.500 locais.

    myHermes ParcelShop é um serviço de entrega simples e acessível localizado em lojas de conveniência locais e quaisquer banca, esquina, em todo o país.”

    O maior deposito da Hermes na Europa fica em Rugby, na Inglaterra, tem o tamanho de 34 campos de futebol.

  20. minha redação tem falha … o queria dizer é que a legislação não prevê contrapartida social – ora, os empresários estão fazendo muitíssimo bem a parte deles no Agronegócio.
    O que acontece em SP e SC é que os empresários do Agronegócio também investem na transformação de sua produção.
    Observo em outros estados que os produtores até vendem a produção futura … aí, não podem ir à industrialização.

    • “O que acontece em SP e SC é que os empresários do Agronegócio também investem na transformação de sua produção.”

      Agora sim, tirou a palavra ‘industrialização’ e aplicou ‘transformação’, mais abrangente, e ficou melhor.

  21. O keynesianismo é totalmente distorcido pelos adeptos do neoliberalismo da escola de Chicago. A mensagem básica de Keynes é a de que, na fase recessiva do ciclo econômico, o Governo pode fazer uma política fiscal expansionista para suprir a escassez da demanda agregada, seja reduzindo tributos, seja aumentando os dispêndios governamentais, isso aliado a uma política monetária de juros baixos para estimular o investimento e reduzir o desemprego. Isso não tem nada a ver com pregar o aumento indiscriminado do gasto público em qualquer fase do ciclo econômico. O próprio Keynes, que inventou a divisão entre orçamento de capital e orçamento corrente (do custeio administrativo), defendia que, no longo prazo, o orçamento de capital do Governo ficasse equilibrado. Ele também defendia que, na fase expansiva do ciclo econômico, quando pode haver inflação, o Governo aumentasse a tributação e diminuísse os gastos públicos, como forma de combater a inflação, isso junto com uma política monetária mais rigorosa de juros mais altos. Essa ideia de que que Keynes propunha uma aumento indiscriminado do gasto público em qualquer situação é uma deformação total do pensamento keynesiano, algo que ele nunca advogou.

    • “O que propunha Keynes era retirar recursos da livre iniciativa para criar aceleradores econômicos (aumento da despesa pública) para criar crescimento fictício da economia.”

      Que os desenvolvimentistas acrescentariam com enorme prazer, a tributação sobre riquezas.

  22. É o mesmíssimo discurso de 40 anos atrás!

    Podem errar uma, duas, três vezes e vão continuar a ressuscitar velharias.

    Veja-se essa frase: “Esclareço que quando se defende a Industrialização, (ampliação do 2º Setor de uma Economia)”, já estamos em nanotecnologia e ainda o ilustre Bertolotto segue falando em ‘ampliação’ de setor que dista do 4º!

  23. “Se nossas tentativas foram muito frustadas atribuo a falta de PATRIOTISMO de nossa Iniciativa Privada, e má administração Governamental, mas não ao Modelo em si.” (Bertolotto).

    O fracasso não catapulta os desenvolvimentistas a reconhecer que estão navegando em barco furado. Sempre acham um jeitinho de dizer, ‘da próxima vez dará certo’.

    A bola da vez foi a falta de patriotismo!

  24. “A nosso ver, sua visão do KEYNESIANISMO é muito rígida.
    Quando da grande Depressão nos EUA em Out/1929 vigorava o Liberalismo Laissez-Faire e até 1933 só piorava a situação de Desemprego.”

    Sua leitura é equivocada, porque feita de trás para frente, do efeito para a causa. O laissez-faire nunca vigorou nos EUA. Nunca. Há sim, bolsões de, mas como você a caracteriza para julgar a coisa toda, não. Jamais existiu.

    Laissez-faire é uma espécie de ‘apelido’ que se dá quando se quer denegrir pujança econômica.

    Criticam, criticam os EUA, mas segue aquela nação imbatível, provavelmente para os próximos 100 anos, e crescendo.

    Há certas ‘catch-phrases’ que e aplicam, laissez-faire é uma delas, que não explica nada, apenas confunde o leitor.

    O que existia e existe lá é ojeriza por políticas intervencionistas e mercantilistas que pululam no Brasil.

    Ainda ondem o governo brasileiro reconheceu que a Eletrobras está falida, e fez uma lista dos 9 impostos que são acrescidas à conta que chega ao final do mês.

    Aqui nesse rincão brasileiro nem calibrar impostos separando de exação se faz.

  25. “É que a Crise de 1921 foi uma simples Crise de SuperProdução com o Sistema Bancário íntegro, enquanto a Crise de 1929 foi também uma crise de SuperProdução com todo o Sistema Bancário Quebrado, mais parecida com a de 2008.”

    Onde você tirou isso? Parece-me pura opiniologia. Impressionante como você mistura 1929 com 2008 assim, numa boa.

  26. Revista VEJA 13 abr 2018

    O efeito Amazon
    O avanço do comércio eletrônico leva dezenas de shoppings e lojas tradicionais a fechar as portas nos EUA.

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