No Brasil, 85% do eleitorado condenam as “fake news” nas redes sociais

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Charge do João Bosco (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O problema das notícias falsas nas redes sociais da internet foi objeto de duas pesquisas internacionais, a primeira da Universidade norte-americana de Columbia, a segunda do Instituto Reuters, da agência de notícias do mesmo nome. As pesquisas se basearam em 75 mil entrevistas em diversos países, e a condenação mais forte foi do Brasil, sobretudo porque os eleitores e eleitoras temem as fake news por ocasião das eleições de outubro.

Reportagem de Paula Cesarino Costa, edição de ontem da Folha de São Paulo, destaca o tema. A Universidade de Columbia concluiu que os próprios leitores têm de avaliar a diferença entre o que é falso e o que é matéria jornalística de fato. Kyle Pope, editor da revista daquela Universidade, informou que a agência internacional TBWA está projetando uma campanha para combater o fenômeno.

EM 37 PAÍSES – As pesquisas focalizaram a reação popular em 37 países, e concluiu que 54% estão muito preocupados com a circulação das fake news.

Para a jornalista Paula Cesarino, os resultados reforçam a credibilidade tanto dos jornais quanto das redes sociais, uma vez que essa credibilidade é a única forma possível de se enfrentar as distorções que frequentemente surgem na rede eletrônica. Enquanto a média mundial de rejeição foi de 54%, no Brasil ela se tornou muito maior em função das eleições de outubro. Reação natural porque diversos candidatos veiculam diariamente, nas 24 horas do dia mensagens a favor de uns nomes e contra outros, ao sabor da maior capacidade de injetar as informações que desejam nas telas velozes do mercado de informação e opinião. O Brasil possui uma realidade impressionante. Nosso país tem 145 milhões de eleitores e 130 milhões de usuários somente no Facebook.

DIZ FUX – A injeção de notícias falsas foi objeto de pronunciamento recente do ministro Luis Fux, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Ele admitiu a hipótese de as eleições poderem vir a ser anuladas se a falsidade de mensagens contribuir para modificar os resultados finais. A hipótese é pouco provável, sobretudo porque tem de se admitir a perspectiva de algum candidato derrotado produzir fake news apenas com intenção de anular o pleito.

A proposta de anular o leito tem precedente no Brasil de hoje. Após as eleições de 2014, o candidato tucano Aécio Neves ingressou com recurso junto ao TSE para anular o resultado das urnas. O então presidente do PSDB não se baseou em fake news, mas sim no abuso do peso da administração que ajudou Dilma Rousseff a vencer. O recurso foi julgado no final de 2015 e indeferido pelo Tribunal por 3 votos a 2.

A partir de setembro assumirá a presidência do Tribunal Superior Eleitoral a ministra Rosa Weber. A tarefa de apreciar a prática de ilegalidades, como é o caso das fake news, encontrar-se-á em suas mãos.

NO WHATSAPP – Tanto a Universidade de Columbia quanto o Instituto Reuters frisaram que é preciso ter cuidado também com Wathsapp, que no Brasil já atinge 50 milhões de usuários.

Na verdade, acho eu, é impossível estabelecer-se qualquer obstáculo na inserção de textos verdadeiros ou falsos. Impossível porque basta alguém possuir um computador e ele terá ingresso no universo geral da transmissão livre de textos, que destacam informações e opiniões. A única forma de rejeição possível está na capacidade de cada um perceber a qualidade das matérias expostas.

A explicação de tal processo depende da percepção de cada um. Pode-se não saber explicar uma situação. Mas pode se distinguir o que é verdadeiro e o que não é. E assim, com o universo de informação ampliado incrivelmente, passamos do século XX ao século XXI.

2 thoughts on “No Brasil, 85% do eleitorado condenam as “fake news” nas redes sociais

  1. E quando é a grande imprensa que divulga notícias falsas, como quando O Globo publicou em 1989 uma foto do Brizola com com um suposto traficante que na verdade era um líder comunitário?
    A imprensa americana inventou essa celeuma de notícias falsas na internet para arranjar um culpado em quem descarregar sua frustração por não ter elegido Hillary Clinton, mas há muito exagero nessa história. Salvo raras exceções, hoje as coisas que circulam nas redes sociais só convencem os convencidos de antemão. É claro que se você detesta um candidato ou o que ele representa, vai acreditar em tudo de ruim que disserem dele, e notícias apologéticas dificilmente vão te convencer. No fundo, a queixa contra “notícias falsas” vem da grande imprensa que hoje tem tão pouca credibilidade quanto os partidos políticos.

  2. A grande imprensa (mídia) joga “fake news” todos os dias dentro de nossas casas. São notícias que a mídia, de um modo geral, quer que acreditemos e que estão de acordo com os próprios interesses.
    A TV, jornais e rádios só publicam “fake news” e agora querem desacreditar a internet porque é o único lugar em que ainda podemos ter acesso as notícias. Podem haver notícias falsas, sim, mas até acredito que estas notícias falsas podem ser plantadas pela própria mídia para que a internet fique desacreditada.
    O senhor Pedro Meira, acima, fez um ótimo comentário.

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