No meio da tempestade, candidatura de Bolsonaro perde força para sucessão de 2022

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto
 
É o que digo sempre, os panoramas da política se alteram repentinamente e surgem novos rumos, novos confrontos, novas disputas que se acentuam com o calor dos debates e do desempenho dos candidatos, independentemente de legendas partidárias. Os exemplos são muitos: Jânio Quadros, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Lula iluminaram a realidade fornecendo novas imagens.  

Há um mês e meio atrás discutia-se quem seria o adversário de Bolsonaro nas urnas de 2022. Cogitou-se o nome do João Doria entre os mais prováveis. De repente, o STF tornou Lula elegível. Mudou tudo. Agora, a crise militar, com a demissão do general Azevedo e Silva e a saída dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

TUDO MUDOU – Não adianta o Planalto tentar, como fez, amenizar a crise dizendo que Bolsonaro havia demitido os comandantes das Forças Armadas. Saíram por iniciativa própria, basta ver a declaração feita ontem pelo general Edson Pujol, veiculado pela GloboNews, quando disse que os militares não têm partido político e que a política não entra nos quartéis. Tudo mudou.  

E agora uma nova realidade surge no palco na sequência da tormenta militar que ainda está muito longe do desfecho final. Seria importante uma pesquisa do Datafolha sobre o reflexo na opinião pública sobre a crise militar, medindo também o abalo sofrido por Bolsonaro. Abalo que ainda pode se ampliar caso o general Braga Netto não consiga reunir nomes para preencher os comandos do Exército, da Marinha e  da Aeronáutica no Ministério da Defesa.  

INTERVENÇÃO – Na tarde de ontem, assinalando o reflexo na Câmara Federal, o deputado Major Vitor Hugo não conseguiu colocar em pauta o projeto contido em Medida Provisória, ampliando a atuação do governo federal enquanto durar a pandemia, permitindo até a intervenção nos estados. A rejeição foi a prova da perda de influência do Palácio do Planalto na área parlamentar.

Houve também o pronunciamento do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ressaltando que não era hora de expandir poderes, mas de enfrentar a pandemia. Com isso, perde também embalo a nomeação da deputada Flávia Arruda na coordenadoria política do governo. Como se constata a cada momento, o governo Bolsonaro entrou em pleno declínio. A meu ver sua recuperação é dificílima. Se é que existe perspectiva nesse sentido.

DEMISSÃO NA PETROBRAS – Reportagem de Nicola Pamplona destaca a demissão da Petrobras do gerente executivo de Recursos Humanos, Cláudio Costa. Descumpriu a proibição do estatuto de que funcionários não podem negociar ações da empresa 15 dias antes da divulgação das demonstrações financeiras.

Isso foi feito por Cláudio Costa e o balanço levou a estatal a um prejuízo de R$ 102,5 bilhões em valor de mercado em apenas dois dias. A Petrobras não informou se a venda foi feita antes ou depois da queda das ações. E também não revelou o nome dos proprietários dessas ações, embora pela lei em vigor todas as ações, tanto ordinárias quanto preferenciais, só podem ser nominativas.

As transações atribuídas a Cláudio Costa, sabe-se apenas, foram feitas pela corretora Tullet Prebon. Existiu também o caso, com grande repercussão, da compra de ações por certificados de risco. Os que compraram, certamente com base na informação privilegiada, lucraram cifras muito altas. Um mistério ainda a ser desvendado.

6 thoughts on “No meio da tempestade, candidatura de Bolsonaro perde força para sucessão de 2022

  1. Pedro do Couto
    Somente um governo absurdamente incompetente, não consegue o segundo mandato, a propósito, o maior erro de FHC, foi concordar com seu Ministro das Comunicações, Sérgio Motta nas articulações no Congresso para instituir o segundo mandato para o sociólogo.
    Depois de FHC, todos os demais iniciaram o mandato já trabalhando para ficar mais quatro anos.
    Entretanto, de todos ( Lula, Dilma e Temer), o atual só pensa nisso todos os dias. Bolsonaro, deixou o governo na mão de Guedes e dos generais do Planalto e passou a falar diariamente no cercadinho do Planalto, as suas rotineiras bobagens, seu sarcasmo tolo, piadas de mal gosto e principalmente atacando possíveis adversários, como Dória, Moro e Mandetta.
    Não cumpriu nenhuma das suas promessas de campanha, aliás, não teve nem maiores possibilidades, pois fugiu dos debates, com medo dos adversários. Bolsonaro não é bobo, lógico que sabe de seus limites. Como Lula, Bolsonaro nunca leu um livro.
    Um novo mandato de Bolsonaro, seria a ruína total do Brasil, pois até agora não agregou nada ao país. Falar em patriotismo e ao mesmo tempo colocar a pátria em risco de convulsão, prova que tudo isso é da boca para fora. Figura de retórica, inclusive quando menciona Deus acima de tudo. O criador nada tem a ver com política e com falsos profetas, que falam em nome da divindade para enriquecer e ocupar espaços na Política e no Poder.
    Fora da Democracia, qualquer regime é contrário a cidadania. Não existe salvador da pátria, messias ou mitos de pés de barro. Acreditar nisso é flertar com o abismo, com o autoritarismo e com regimes que prendem e torturam seus opositores, pelas suas ideias e críticas só mandatário e seus governos autoritários.
    Há exemplos de povos infelizes hoje e sempre no mundo: Turquia, Venezuela, Arábia Saudita, Indonésia, Hungria, Polônia e China. Nesses países a liberdade de ir e vir é Zero, confirme gostam de dizer o mandatório mor e seu vice general.
    O retrocesso do Brasil nos campos da Saúde, na Educação, na Cultura e no Meio Ambiente, que chega a corar Frade de Pedra. Estamos atônitos, tristes e desesperançados com o destino do país. Parece, que entramos no túnel do tempo e não estamos encontrando a saída. Há, o mito da Caverna de Platão é aqui e agora. Estamos na caverna escura e sem perspectiva de encontrar a luz soberana do Sol.
    Que fazer? Sinceramente, não tenho a menor idéia para sair desse labirinto.

  2. Os maiores adversários de Bolsonaro são hoje os seus ex amigos, ex admiradores, ex apoiadores, ex partidários, ex…
    Está sem partido e o PSL não quer a sua volta.
    Sobrou o PTB de Roberto Jeferson.
    O PT derrepente pode até dar uma força para ele chegar ao segundo turno.

  3. Newsletter EXAME Desperta
    31 de abril de 2021

    Mais de 30 pedidos de impeachment devem ser protocolados nesta quarta

    Líderes do Congresso e associações devem protocolar oficializar ações pedindo o afastamento do presidente; alegação principal é de condução insatisfatória do combate à pandemia

    Por Carla Aranha
    Publicado em: 31/03/2021 às 06h00 Alterado em: 31/03/2021 às 08h02 access_time

    Presidente Jair Bolsonaro na berlinda: entidades devem protocolar pedidos de impeachment nesta quarta (Alan Santos/PR/Flickr)

    Esta reportagem faz parte da newsletter EXAME Desperta. Assine gratuitamente e receba todas as manhãs um resumo dos assuntos que serão notícia

    Em mais um capítulo da crise política em Brasília, líderes de oposição no Congresso devem protocolar um pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro nesta quarta, dia 31. Assinam o documento parlamentares como os senadores Randolfe Rodrigues (Rede/AP) e Jean Paul Prates (PT/RN), líder da minoria no Senado. Arlindo Chinaglia (PT/SP), líder da minoria na Câmara dos Deputados, também avalia o pedido de afastamento do presidente.

    Em nota, os signatários do documento argumentam que o presidente cometeu crime de responsabilidade ao “tentar, de forma autoritária, se apropriar indevidamente e para interesses pessoais das forças militares do Brasil com ameaça evidente à democracia”.

    A mais nova crise política começou na segunda, 29, com a demissão do ministro da Defesa, general Azevedo e Silva, em meio a reforma ministerial que promoveu a troca dos titulares de seis pastas. Em resposta, os comandantes Edson Leal Pujol (Exército), Ilques Barbosa (Marinha) e Antônio Carlos Bermudez (Aeronáutica) colocaram seus cargos à disposição. Na terça-feira, 30, o Ministério da Defesa informou em nota que os generais seriam substituídos – e não que pediram demissão coletivamente.  

    Diante do agravamento da crise política, o pedido de afastamento protocolado pelos líderes da oposição não deve ser o único processo que coloca novamente o impeachment na mesa esta semana, longe disso. Parlamentares e até associações de estudantes devem entrar com ações dessa natureza. A Federação Nacional dos Estudantes de Direito e centros acadêmicos de faculdades de direito estão coordenando a entrega de mais de 30 pedidos de impeachment nesta quarta.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *